Insights, ações práticas e livros citados — extraídos por IA a partir da transcrição completa de cada episódio.

No episódio 321 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem os planejadores financeiros Leanderson Reis e Thiago Hagui para discutir o cenário de endividamento no Brasil — 82% das famílias endividadas e 84 milhões de inadimplentes, recordes históricos. A conversa parte de uma distinção fundamental: existe o endividamento pontual (uma viagem que estourou o orçamento, uma emergência médica) e o crônico, em que a família vive sistematicamente acima da própria renda, usando limites de cartão como se fossem receita. Os convidados argumentam que o maior vilão de qualquer orçamento não é uma conta específica como iFood ou carro, mas a falta de priorização: famílias gastam 4 mil por mês em delivery enquanto não têm plano de saúde nem seguro de vida. Leanderson relata casos reais de atendimento, como o casal de quase 60 anos com 7 milhões em patrimônio imobilizado e apenas 1 milhão líquido querendo se aposentar gastando 40 mil por mês — a solução matemática levou 15 minutos, mas a negociação emocional (ninguém abria mão do Porsche Cayenne ou do apartamento) foi o verdadeiro trabalho. Daí a tese central: planejamento financeiro é 95% ciência humana. Thiago Hagui reforça a ideia de que 'o paladar não regride' — é fácil subir o padrão de vida, dificílimo descer. O episódio ainda aborda o tripé de proteção (reserva de emergência, plano de saúde e seguro de vida), a inviabilidade do INSS como única fonte de aposentadoria, os cinco ciclos de vida financeira, o impacto do boom dos cartões de crédito e do Pix na facilidade de gastar, e como dívidas afetam casais. Encerra com a história emocionante de José, endividado que se trancava no banheiro chorando por não poder levar o filho ao shopping comprar um Big Mac.
O maior vilão do orçamento não é o iFood nem o carro: é a falta de priorização — famílias gastam 4 mil por mês em delivery enquanto não têm plano de saúde para os três filhos.

Neste episódio #320 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem três consultores da Portfel — Daniela Zuccon, Mariana Fuganti e Gustavo Basilio — para discutir o livro "Ricos, Sábios e Felizes", de William Green, que reúne entrevistas com mais de 40 dos maiores investidores do mundo, como Charlie Munger, Howard Marks, John Bogle, Mohnish Pabrai e Tom Gayner. A conversa equilibra elogios e críticas à obra. Os convidados destacam que o livro é muito mais sobre comportamento do que sobre técnica de investimento, e que ele mostra também os fracassos dos grandes nomes. Bruno critica erros de tradução (confusão entre faturamento e lucro) e, principalmente, o risco de o leitor querer replicar estratégias de concentração extrema de portfólio — lembrando que os entrevistados são sobreviventes de um viés de sobrevivência, em mercados menos eficientes. Ele defende ETFs e fundos indexados como a melhor estratégia para o investidor pessoa física, citando a hipótese dos mercados eficientes. O grupo aprofunda temas como gestão de risco e risco de ruína (seguro de vida, plano de saúde e reserva de emergência como tripé inegociável), paciência e longo prazo, eficiência tributária, o perigo de inflar o padrão de vida (com exemplos de pessoas que ganham R$ 1,2 milhão por mês e gastam tudo), endividamento e inadimplência no Brasil, e a discussão sobre felicidade — vários dos investidores do livro se divorciaram, e o fechamento com Arnold Van Den Berg traz a lição da suficiência: "sou o cara mais rico do mundo porque estou satisfeito com o que tenho".
Não tente ser o mais inteligente do mercado — basta ser consistentemente não estúpido, diversificar e permanecer investido tempo suficiente para os juros compostos fazerem a mágica.

Edgard Corona, fundador e chairman executivo do Grupo Smart Fit, conta no podcast Os Sócios a trajetória que o levou da moda nos anos 70 e de 15 anos em usinas de açúcar até criar a maior rede de academias do Brasil. Ele detalha como a Bio Ritmo nasceu em 1996 depois de um acidente de esqui e da frustração com uma academia mal projetada da qual era sócio, e como a aposta em arquitetura diferenciada, processo de vendas importado dos EUA e maior densidade de alunos por metro quadrado (1,3 contra 0,4 dos concorrentes) criou uma vantagem competitiva estrutural. O ponto de virada veio em 2008, quando Corona, participando de 'round tables' com donos de academias americanos, percebeu que a Planet Fitness — criticada por todos como fadada à falência — já tinha 800 lojas cobrando US$10 por mês. Ele viajou até Dover, New Hampshire, entendeu o modelo e trouxe a ideia para o Brasil, abrindo as primeiras Smart Fit em 2009 com mensalidades de R$49 e R$69. O sucesso imediato exigiu capital: entrou o Pátria com R$70 milhões por 50% da empresa (avaliada em R$140 milhões), negócio que hoje vale cerca de R$14 bilhões em bolsa. A conversa ainda percorre a expansão internacional para 17 países (60% da receita vem de fora do Brasil), a quase-quebra durante a pandemia, o IPO salvador em 2021 com demanda de R$32 bilhões para uma oferta de R$2 bilhões, a atual bolha de oferta de academias no Brasil, o impacto das bets na renda do consumidor de baixo ticket, e reflexões sobre liderança, sucessão e cultura organizacional.
O maior salto de um negócio raramente vem de uma ideia inédita: vem de olhar sem preconceito para o que todo mundo no mercado está criticando e ter coragem de ir até lá entender por que funciona.

No episódio 318 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Priscila Perini, advogada especialista em leilão de imóveis e criadora do curso Vivendo de Leilão, que já arrematou 231 imóveis em nome próprio. A conversa começa explicando o que é o leilão de imóveis: um mecanismo de cobrança de dívidas, que pode ser judicial (dívidas de condomínio, trabalhistas) ou extrajudicial (financiamentos com alienação fiduciária, os populares 'leilões de banco'). Priscila mostra como o desconto se forma em cada modalidade e por que as melhores oportunidades costumam aparecer depois dos dois leilões obrigatórios, quando o banco quer desmobilizar o ativo rapidamente. Com um caso real, ela detalha dois apartamentos populares arrematados por cerca de R$ 125 mil cada, com valor de mercado entre R$ 255 mil e R$ 260 mil — comparando com quem comprou o mesmo imóvel na planta por R$ 209 mil e teve rentabilidade de apenas 7,5% ao ano. Priscila derruba os três grandes mitos do mercado (precisa de muito dinheiro, precisa ser advogado ou ter contato, a desocupação é um pesadelo), explica que suas desocupações foram todas amigáveis e que o prazo médio de desocupação judicial é de 3 a 6 meses. Também discute o preconceito de 'tirar a casa de alguém', mostrando que o leilão beneficia condôminos e credores prejudicados pela inadimplência. Na parte financeira, ela apresenta uma rentabilidade líquida acumulada média de 34%, sempre calculada com ITBI, comissão de leiloeiro, reforma, condomínio, IPTU, corretor e imposto de renda — com prazo conservador de 12 meses até a venda. Explica a alavancagem via financiamento (um imóvel de R$ 555 mil com R$ 15 mil efetivos de entrada, gerando ROI acima de 100%), as mudanças da reforma tributária (até três vendas por ano na pessoa física sem IBS/CBS) e quatro caminhos para começar com pouco ou nenhum capital: vender o próprio conhecimento como assessoria, financiamento com 5% de entrada, arrematação em conjunto e uso do FGTS travado.
As pessoas não ficam ricas comprando coisas boas, elas ficam ricas comprando bem as coisas — e no leilão o desconto na compra é a maior margem de segurança possível.

No episódio 316 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Guilherme Gomes (CEO da Oranje BTC), Fernando Ulrich (autor e conselheiro da Oranje BTC) e Felipe Sant'Ana (cofundador da Paradigma) para discutir se o mercado de alta do Bitcoin já começou. O trio debate a validade dos ciclos de quatro anos, apontando que o fundo provavelmente já passou (por volta dos US$ 58 mil) e que, mesmo que não tenha passado, estamos muito mais perto do fundo do que do topo. Todos convergem para a mesma recomendação prática: comprar de forma recorrente em vez de tentar acertar o fundo exato, já que não existe 'sininho' nem bala de prata (nem o MVRV funcionou como nos ciclos anteriores). A conversa avança para a institucionalização do Bitcoin: a dívida de R$ 210 milhões captada pela Oranje com o Itaú (CDI + 1,85%, sem pagamento de juros durante o prazo), o Bitcoin como colateral líquido e de execução instantânea, as ações preferenciais criadas por Michael Saylor pagando 12% ao ano em dólar, e o lançamento do ETF DIG11 na B3, desenhado para render 18-19% ao ano em reais. Discutem também as Bitcoin Treasury Companies — muitas quebraram ou venderam no fundo por falta de convicção e má gestão de balanço — e a comparação entre autocustódia, ETFs e treasury companies, com Guilherme argumentando que uma treasury bem administrada aumenta o Bitcoin por ação ao longo do tempo (21% em um ano), enquanto o ETF corrói a posição pela taxa. O bloco final trata dos riscos: o hack da Coldcard (chamado por Felipe de '11 de setembro dos bitcoiners'), a diferença entre código auditável e código auditado, o papel da IA em encontrar vulnerabilidades antigas, a computação quântica e, por fim, uma longa digressão sobre risco existencial da inteligência artificial, bolha de IA, o endividamento global e a tese macro de desvalorização inexorável das moedas fiduciárias. Previsões: Ulrich projeta US$ 3 milhões por Bitcoin em 2045 (~20% ao ano) e Felipe espera topo do próximo ciclo entre US$ 200 mil e 400 mil, com amplitudes cada vez menores.
Não existe sininho avisando o fundo — e se existisse, ele tocaria para todo mundo ao mesmo tempo; por isso compre de forma recorrente e aceite estar mais perto do fundo do que do topo em vez de tentar acertar o ponto exato.

No episódio 315 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Arrais (especialista em investimentos globais da Finclass) e Eduardo Perez (especialista em renda fixa da Finclass) para discutir onde investir num cenário de eleições próximas. A conversa começa pela dinâmica eleitoral: o mercado tende a ser mais 'anti-Lula' do que pró-Flávio Bolsonaro, mas os convidados alertam que apostas binárias no resultado da eleição são um erro. Independentemente de quem ganhar, um ajuste fiscal será necessário em 2026, e a credibilidade das reformas nos primeiros 100 dias será decisiva para a precificação dos ativos. O grupo defende a diversificação como estratégia central: renda fixa com diversificação de indexador, vencimento e tipo de produto; títulos IPCA+ como proteção; e principalmente exposição internacional, que funciona como seguro que ainda te paga. Arrais argumenta que o brasileiro tem apenas 2,5% do patrimônio fora do país, enquanto estudos da FGV sugerem um piso de 15% a 25%, mesmo para baixa renda. Ele também defende uma alocação global (Europa, Japão, emergentes) e não apenas Estados Unidos, usando ETFs para capturar transições de liderança do mercado mundial sem precisar acertar timing. O episódio ainda aborda os erros mais comuns do investidor brasileiro — olhar o retrovisor de 12 meses, buscar a 'bala de prata', não fazer conta de custos de remessa internacional e ignorar eficiência tributária (especialmente PGBL) — além da tese de Bitcoin como posição pequena mas convexa na carteira, e o debate sobre gestão ativa versus ETFs em mercados eficientes e ineficientes.
Você não precisa acertar o resultado da eleição nem escolher o ativo vencedor: precisa montar uma carteira diversificada que sobreviva a qualquer cenário e cuidar do que está sob seu controle — custo, diversificação e eficiência tributária.

Neste episódio do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o biólogo Dr. Alberto Lindner, professor da UFSC, para uma conversa ampla sobre evolução e origem das espécies. O convidado parte de Charles Darwin — um herdeiro que soube investir bem e por isso teve tempo livre para estudar — e explica como a observação da domesticação de animais levou à sacada da seleção natural, publicada em "A Origem das Espécies" em 1859, depois da pressão provocada por Wallace, que teve a mesma ideia em 1858. Lindner diferencia evolução (que significa simplesmente mudança) de especiação (a origem de novas espécies), e mostra como o isolamento geográfico é hoje uma das melhores explicações para o surgimento de espécies novas. A conversa passa por Lamarck e o uso e desuso, epigenética, CRISPR e seus dilemas éticos, fósseis e o megalodonte, as fontes hidrotermais de mar profundo que revolucionaram as hipóteses sobre a origem da vida, exoplanetas e a possibilidade de vida fora da Terra. Lindner também aborda seleção sexual: a cauda do pavão como "sinal honesto", o dimorfismo sexual como indicador de monogamia ou poligamia, e as características valorizadas na escolha de parceiros — altura, corpo, inteligência e senso de humor. Na última parte, o episódio discute neotenia (a manutenção de características juvenis que nos tornou menos agressivos e mais sociais, como aconteceu nos animais domésticos), o impacto humano na evolução de outras espécies, a consciência como grande lacuna da ciência, inteligência artificial como possível próximo estágio evolutivo e a crise demográfica provocada pela pílula, pelo smartphone e pelo home office — com consequências graves para a saúde mental de uma espécie essencialmente social.
Evolução não significa origem de novas espécies, significa simplesmente mudança — e o que nos torna verdadeiramente humanos não é a biologia, mas a evolução cultural: a capacidade de transmitir conhecimento pelo aprendizado.

No episódio 313 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Guisoli, mestre em física teórica pela UFMG e fundador do Universo Narrado, para discutir quem foram os maiores gênios da história da humanidade. A conversa percorre Isaac Newton — que criou o cálculo integral e diferencial apenas para resolver o problema da gravitação e guardou o resultado na gaveta —, Arquimedes, que 2000 anos antes já fazia cálculo integral varrendo figuras com infinitos triângulos, Euclides e sua obra Os Elementos, Galileu, Gauss e Einstein. O papo passa pela natureza abstrata da matemática (o que é, afinal, o número três?), pelo falsificacionismo de Karl Popper, pelo conceito de revoluções científicas de Thomas Kuhn, pela história de Bertrand Russell provando que ele e o Papa eram a mesma pessoa a partir de uma premissa falsa, e pela resistência da comunidade científica às ideias de Einstein — que recebeu o Nobel pelo efeito fotoelétrico, e não pela relatividade, por birra de um físico mais velho. Guisoli ainda explica de forma acessível os postulados da relatividade restrita e geral, a incompatibilidade entre relatividade e física quântica, o impacto da IA na resolução de problemas matemáticos e defende que o papel do professor hoje não é ensinar, mas despertar fascínio pelo objeto de estudo.
As verdades matemáticas são eternas porque tratam de objetos abstratos imutáveis — enquanto teorias físicas são substituídas de século em século, o teorema de Pitágoras continuará valendo daqui a 3.000 anos.

No episódio 312 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o historiador, filósofo e professor Rafael Nogueira para discutir o que a escola não ensina sobre a história do Brasil. Nogueira explica por que o ensino de história virou, segundo ele, uma militância inconsciente — antes marxista, hoje identitária/woke — que transforma o passado numa coletânea de abusos e ressentimentos, em vez de um trabalho rigoroso com fontes e documentos. Ele defende que a história tem rigor científico e até falseabilidade, citando a carta de Pero Vaz de Caminha e outros registros sobre a chegada de Cabral, que teria sido pacífica e diplomática, ao contrário da versão escolar. A conversa percorre figuras centrais da nossa história: Tiradentes (que ele considera ter real heroísmo, apesar de alçado a símbolo pelos republicanos), Dom João VI ("não tinha Brasil sem ele" — abriu os portos, trouxe a biblioteca, fundou Banco do Brasil, unificou o território), Leopoldina (peça-chave da Independência e esquecida), Dom Pedro I (impetuoso e mulherengo), Dom Pedro II (o melhor governante que o Brasil já teve, estudioso, austero com dinheiro público, admirado mundo afora) e a Princesa Isabel. Nogueira critica duramente a proposta de devolver o canhão El Cristiano ao Paraguai, lembrando que os paraguaios invadiram o Mato Grosso e derreteram sinos de igrejas para fabricá-lo, e ataca a versão ideológica da Guerra do Paraguai difundida por Chiavenato. Na parte final, ele argumenta que a República nasceu como obra dos escravistas não indenizados, lista as guerras civis brasileiras que evitamos nomear (Canudos, Contestado, Revolta da Armada, 1932), discute oligarquias geográficas e institucionais, defende que a polarização atual é democracia mais autêntica e não menos, e propõe um federalismo radical com unidade nacional preservada. Encerra recomendando coleções de história do Brasil de Rocha Pombo, Pedro Calmon e autores contemporâneos.
História não é uma coletânea de abusos para alimentar ressentimentos atuais: é uma ciência de documentos e contexto — e um país que só aprende a se envergonhar do próprio passado perde a autoestima necessária para existir como nação.

No episódio 311 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Raimundo Godoy, presidente executivo e cofundador do Instituto Áquila, para uma conversa sobre gestão, liderança e o futuro dos negócios no Brasil. Godoy defende que três coisas não mudam na gestão: os princípios da qualidade total (entregar o melhor produto a um preço que remunera o capital empregado), a necessidade de enfrentar e resolver problemas e a noção de que sucesso e fracasso são temporários, mas o trabalho é contínuo. Ele destaca o 'ritual de gestão' — reuniões mensais (com rotinas semanais) em que cada gestor leva um relatório de uma página para discutir não o problema, mas as ações — como o momento nobre da empresa, sem o qual nenhuma peça orçamentária vira realidade. O consultor aponta os dois erros mais letais do empreendedor brasileiro: não fazer gestão orçamentária (não saber nem o que é um DRE) e não saber proteger a carteira de clientes. Cita o estudo da Harvard Business Review de 2008 segundo o qual 90% das estratégias fracassam na implementação, porque a rotina compete com a melhoria, e explica os '3Ds' que destroem um sistema de gestão: disfunção, desconexão e desperdício — aos quais o empreendedor acrescenta a desilusão e, por fim, a demissão. Sobre sociedades, introduz o conceito de 'afeto societário' (herdado do Império Romano): montar empresa pelo prazer de estar junto e pela busca da excelência, nunca só para ganhar dinheiro, com regras de entrada e de saída definidas antes para evitar o confronto judicial, onde 'todos perdem'. Na parte final, Godoy conta como descobriu que 'a excelência vem do setor público' e criou o Índice de Gestão Municipal Áquila (IGMA), base do prêmio Band Cidades Excelentes, com pilares que partem da governança com eficiência fiscal e transparência. Discute os gargalos do Brasil — custo de capital, insegurança jurídica, produtividade estagnada desde os anos 80, uma Constituição cheia de desconexões — e fala sobre empresa familiar e sucessão: filho na empresa sim, mas sem privilégios e em processos essenciais, nunca em processos de suporte ou no conselho.
Sem ritual de gestão — paradas periódicas para comparar o planejado com o executado e decidir o que será feito de diferente — nenhum orçamento, estratégia ou treinamento vira resultado: 90% das estratégias fracassam na implementação porque a rotina compete com a melhoria.

Neste episódio 310 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o economista Adriano Pires, especialista em energia e fundador do CBIE, para discutir o presente e o futuro do petróleo. Adriano começa desmontando a ideia de que o petróleo está acabando ou se resume a combustíveis: ele está no plástico, nos remédios, na petroquímica, e segue central na geopolítica mundial. Para ele, a narrativa de "demonizar os fósseis" foi um erro dos ambientalistas mais radicais, porque o mundo precisa de segurança energética, de acesso a energia para a baixa renda e, sobretudo, de muito mais eletricidade — a quarta revolução industrial (data centers, IA, cripto) tem como gargalo não o algoritmo, mas a energia. O convidado faz uma crítica dura ao Brasil: a Margem Equatorial, que poderia replicar o sucesso da Guiana (1 milhão de barris/dia), está travada há 13 anos pelo IBAMA, enquanto Total e BP desistiram do projeto. O país proíbe o shale gas em terra mas importa gás de shale americano e argentino; não produz fertilizantes porque não tem gás barato; exporta petróleo bruto e importa diesel e gasolina porque o monopólio da Petrobras e o controle de preços inviabilizam investimento privado em refino. Adriano defende a capitalização da Petrobras nos moldes do que foi feito com Eletrobras e Vale, afirmando que o modelo estatal "já deu o que tinha que dar". A conversa passa ainda pela nova geopolítica do petróleo sob Trump (Venezuela, Irã, Estreito de Ormuz), pela tese de que o mundo entra na era do gás natural e da eletricidade, pelos erros da política de subsídios e do imposto de exportação, pelos problemas de curtailment e geração distribuída no setor elétrico brasileiro, e termina num desabafo sobre saneamento básico como a maior vergonha ambiental do país.
O Brasil é craque em transformar vantagem comparativa em desvantagem comparativa: temos todas as fontes de energia do mundo e, por ideologia e monopólio, perdemos o timing de cada uma delas.

No episódio 309 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Tallis Gomes, Bruno Nardon e Alfredo Soares, fundadores do G4 Educação, para discutir o que separa as empresas que crescem, lucram e sobrevivem daquelas que quebram. A conversa começa com a provocação de que 8 de cada 10 empresas brasileiras morrem em 10 anos e evolui para o conceito central do livro 'Good to Great', de Jim Collins: pouquíssimos gestores têm coragem de trocar o bom pelo ótimo, demitindo o funcionário 'nota 8' para buscar o 'nota 10' e abrindo mão de dinheiro fácil para construir marca e equity. Os três contam suas trajetórias — Tallis saindo da favela do Santa Marta para fundar a Easy Taxi e levantar R$ 10 milhões da Rocket Internet aos 22 anos; Nardon, engenheiro formado na Unicamp e na França, liderando a Kanui até se tornar o primeiro e-commerce lucrativo da Rocket no mundo e depois trazendo a Rappi ao Brasil; e Alfredo, que começou vendendo serviços para o próprio pai, criou a Xtech e a Social Rocket e vendeu para a VTEX. O encontro aconteceu na Rocket e em um grupo de pôquer, e virou o G4 quando perceberam que empreendedores pagariam para estar naquela mesa. A segunda metade do episódio é mais técnica: críticas aos piores conselhos da internet ('saia do operacional', 'todo negócio tem que ser escalável', 'todo mundo deve ser influenciador'), a diferença entre lucro e fluxo de caixa, a importância de demitir os 10% piores clientes, a implantação de IA na operação desde dezembro de 2022 e o novo produto G4S. Os números do G4: de R$ 9 milhões de geração de caixa em 2022 para R$ 150 milhões previstos, com R$ 750 milhões de faturamento, sem funding e sem dívida, pagando dividendos todo trimestre.
Ganhar dinheiro é relativamente fácil; o difícil — e o que separa empresas boas das excelentes — é ter disciplina para deixar dinheiro na mesa, trocar o bom pelo ótimo e se manter com fome quando já não precisa mais trabalhar.

O episódio 308 de Os Sócios é dedicado às lições do livro "O Investidor de Bom Senso", de John Bogle, criador dos fundos indexados e fundador da Vanguard. Bruno e Malu Perini recebem Jessica Weigand, Alessandra Gontijo e Felipe Arrais para discutir a filosofia central da obra: em vez de tentar escolher ações vencedoras, o investidor deve comprar o mercado inteiro por meio de veículos de baixo custo e permanecer investido por mais tempo que a média. Todos concordam que o livro é repetitivo (e que a tradução brasileira piora isso), mas que os ensinamentos são atemporais e capazes de mudar a forma como se investe. A conversa se aprofunda em ETFs: o que são, como o formador de mercado garante liquidez, o que é tracking error, por que o mercado brasileiro ficou atrás do americano (modelo de comissão/rebate, cultura de juro alto, burocracia para listagem) e as vantagens tributárias dos ETFs de renda fixa no Brasil (IR de 15% retido na fonte, sem come-cotas e sem IOF). Discutem também o custo real de internacionalizar o patrimônio — spread de câmbio mais IOF podem exigir de 10 a 15 anos para serem diluídos — e as alternativas de dolarização via B3. O fator comportamental atravessa todo o episódio: o caso de Peter Lynch, cujo fundo rendeu 29,2% ao ano mas cujos cotistas em média perderam dinheiro por comprar na alta e vender na baixa; clientes com 40 ou 60 ações na carteira que poderiam ter um único ETF; a preferência irracional por ETFs que distribuem dividendos (pagando imposto) em vez dos de acumulação. No encerramento, cada convidado indica os ETFs que usa ou admira, com destaque para WRLD11/VT para exposição global ampla.
Você não precisa ser um investidor acima da média para enriquecer: basta aceitar o retorno do mercado, com o menor custo possível, e permanecer investido por mais tempo que a média.

No episódio 307 dos Sócios, Bruno e Malu Perini fogem da temática usual de negócios para discutir ufologia com Edison Boaventura Júnior, pesquisador e ufólogo com mais de 40 anos de investigação. Edison conta como se tornou ufólogo após avistar, em 1981, aos 14 anos, um grande objeto alaranjado no Guarujá que expelia esferas luminosas, e como isso o levou a fundar o Grupo Ufológico do Guarujá e investigar centenas de casos com metodologia científica. A conversa percorre as principais teorias sobre a origem do fenômeno (extraterrestre versus ultraterrestre/interdimensional), relatos de abduções clássicas e as atuais 'visitas de dormitório', tipologias de seres (greys, nórdicos, insetoides, reptilianos e os raros com cara de felino), evidências físicas como alterações de solo, implantes metálicos e os fragmentos de magnésio do caso Ubatuba de 1957, analisados na USP e em Stanford. Edison detalha o caso Varginha (1996), afirmando que foram cinco a seis criaturas capturadas, com envolvimento do Exército, da Unicamp, de Badan Palhares, do FBI e da CIA, além de testemunhos de militares de alta patente. Apresenta também o caso Cláudio (MG), que segundo ele superará Varginha, a Operação Prato e a Noite Oficial dos OVNIs. Por fim, explica por que acredita que governos escondem informações: a 'ganância tecnológica', o risco de pânico, o impacto religioso e o temor de processos de pessoas lesadas por abduções.
Na ufologia, o que parece bizarro muitas vezes é o caso real, e o que parece óbvio costuma ser invenção — por isso o critério de investigação importa mais do que o relato em si.

No episódio 305 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o neurocientista Andrei Mayer e o psiquiatra e médico do sono Caio Bonadio para uma conversa longa sobre o que a neurociência sabe hoje sobre o sono. Os convidados defendem que todos os aspectos da vida são impactados pelo sono — emoções, memória, apetite, produtividade, relacionamentos — e que a privação de sono é incompatível com a vida, tendo sido usada historicamente como instrumento de tortura. Explicam as fases do sono (três estágios não-REM e o REM), a função de 'lavagem' do cérebro que ocorre no sono profundo e por que todas as fases importam, derrubando a obsessão popular por sono profundo ou REM isoladamente. Um dos pontos centrais é que, além de quantidade (cerca de 7 horas para adultos) e qualidade, existe um terceiro parâmetro subestimado: a regularidade. Compensar sono no fim de semana não funciona — o sono não é sistema de crédito e débito — e gera o chamado 'jetlag social', associado a aumento de risco cardiovascular, IMC e hemoglobina glicada. A dupla detalha os principais sabotadores do sono: cafeína (uma dose de 100 mg deveria ser tomada até 9 horas antes de dormir), álcool (fragmenta o sono profundo), temperatura do ambiente, luz artificial à noite e má gestão do tempo de tela — sem demonizar a tela em si. Também discutem o problema da medicalização do sono: barbitúricos, benzodiazepínicos e os 'Z-drugs' têm indicação apenas de curto prazo (até quatro semanas), mas muita gente usa por anos; remédio desliga o cérebro 'na marra' e não reproduz o sono natural. Caio relata que recebe mais pacientes para retirar medicação do que para prescrever. Fecham com um roteiro prático de dia ideal — acordar no mesmo horário, luz solar de manhã, movimento, horários regulares de refeição, redução de luz e estímulo à noite, prática de mindfulness, quarto escuro e fresco — e alertam sobre o uso de wearables como Oura Ring e smartwatches, que servem para ver tendências e engajamento, mas não para diagnóstico nem para estadiamento das fases do sono.
Dormir bem não é questão de pílula nem de quantidade de horas: a variável mais subestimada é a regularidade — e uma boa noite de sono começa no momento em que você acorda.

No episódio 304 do Os Sócios, Bruno Perini recebe três analistas da Finclass — Ricardo Figueiredo (fundos imobiliários), Evandro Medeiros (ações) e Eduardo Perez (renda fixa) — para discutir como construir patrimônio e viver de renda no cenário brasileiro atual, marcado pelo quinto ano consecutivo de CDI em dois dígitos, juro real de IPCA + 8% e ativos de risco profundamente descontados. O trio argumenta que o momento é de assimetrias em praticamente todas as classes de ativos: títulos públicos com juro real histórico, fundos imobiliários negociando a preços por metro quadrado abaixo do custo de construção (com escritórios a 0,74 de P/VP), empresas na bolsa a seis vezes lucro ou menos, e Bitcoin em queda. A mensagem central e repetida é foco em qualidade — evitar o ativo 'mais barato' que pode ser o 'pato manco' —, respeito ao perfil de risco e paciência, já que o juro alto pode persistir e derrubar empresas alavancadas. A conversa passa também pelos riscos de crédito privado (CRIs, CRAs e debêntures que o investidor pessoa física não lê nem entende), pela defesa de fundos e ETFs como veículos mais adequados, pela eficiência tributária de diferir imposto segurando ativos por muito tempo, pela diversificação internacional como 'legítima defesa' via ETFs amplos, e por teses específicas como BB Seguridade, Klabin e PRIO. No encerramento, cada convidado deixa um conselho: curadoria de fontes de informação, paciência com a volatilidade eleitoral e, no caso de Bruno Perini, leitura constante e multidisciplinar.
Em um mercado cheio de ativos descontados, o erro não é comprar caro — é comprar o mais barato: foque em qualidade, respeite seu perfil de risco e seja mediano por mais tempo que a média das pessoas.

No episódio 303 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Rodrigo Tognini (Tog) e Ricardo Gottschalk (Got), cofundadores da Conta Simples, para contar como construíram uma fintech bilionária partindo de uma biblioteca de faculdade e R$ 10 mil de capital social. Eles explicam a diferenciação da empresa: em vez de competir como mais um banco digital, criaram uma camada de software de gestão de despesas sobre a conta, resolvendo a dor invisível dos times financeiros — conciliação manual, cartões sem rastreabilidade, horas perdidas em Excel. Hoje são 320 pessoas, mais de 40 mil empresas na base, R$ 80 bilhões transacionados e meta de R$ 500 bilhões até 2030. A conversa detalha a jornada de captação: o primeiro cheque de R$ 160 mil por 16% da empresa, os 80 "nãos" de investidores, a chegada da pandemia justamente quando um fundo fazia due diligence com contrato abusivo, e a virada com a aprovação no Y Combinator (US$ 150 mil e nenhuma restrição). Em paralelo, descobriram via análise de Pareto que 90% da receita vinha de 10% dos clientes — o nicho do marketing digital — e nicharam ali, saindo de R$ 40 mil de faturamento mensal para R$ 250 mil de lucro em três meses. Depois vieram Series A (R$ 121 milhões, liderada por Justin Mateen, do Tinder) e Series B, já em valuation bilionário, com um investidor-anjo saindo com retorno de 83 vezes em 5 anos e meio. No fim, falam de cultura e sociedade: os cinco pilares da empresa ("cliente em primeiro lugar", "somos um time que joga junto", "se não sabe, vai atrás", "faz, só não quebra a empresa", "entregamos resultado"), a antientrevista que avisa o candidato sobre caos e metas agressivas, o programa de stock option com 55 sócios colaboradores — e a regra de que a pessoa precisa agir como dona antes de receber ação. Separam explicitamente as três relações entre os sócios: amizade, sociedade e executivos.
Em mercados dominados por gigantes, a diferenciação não vem de competir no preço ou no produto deles, mas de resolver a dor invisível que eles nem enxergam — e isso só se descobre conversando obsessivamente com o cliente.

Bruno e Malu Perini recebem Guilherme Cadonhotto, Head de Alocação da Grão, para discutir como proteger o patrimônio da inflação. A conversa começa com a percepção de que os preços no mercado sobem mais que o IPCA, e Cadonhotto explica por que o índice não é maquiado: ele mantém correlação altíssima com indicadores privados como IGPM (FGV) e IPC (Fipe), e tem a missão impossível de refletir numa única cesta o consumo de um país continental com mais de 220 milhões de pessoas e faixas de renda de 1 a 40 salários mínimos. O núcleo técnico do episódio é a explicação do que é um ETF — uma tecnologia, não uma classe de ativo — e do GPCA11, o ETF de renda fixa indexado à inflação lançado pelo Grupo Primo. Cadonhotto detalha por que a carteira foi construída com prazo médio de 2 anos (maior correlação com a inflação de curto prazo e menor exposição à marcação a mercado), a diferença em relação ao índice IMA-B5 (cujo risco oscila com a composição da dívida pública), a eficiência tributária (15% fixos, sem IOF, sem come-cotas) e a transparência na divulgação da taxa total de 0,10% ao ano contra a prática de mercado de divulgar apenas a taxa global de 0,075%. Na segunda metade, o tema é previdência privada como veículo de eficiência tributária: o benefício do PGBL (aporte de até 12% da renda tributável com restituição do imposto), o relato de Bruno sobre ter descoberto isso tarde quando era militar, e a apresentação dos fundos Arca multimercado e Arca renda fixa. Bruno conta que a previdência de renda fixa do grupo nasceu para resolver o problema da própria avó, e Cadonhotto aplica a lógica de Howard Marks sobre diversificação de emissores em crédito privado para justificar a estrutura de fundo de fundos. O episódio encerra com os próximos ETFs planejados (ações, pré-fixado, pós-fixado) e o compromisso de não lançar produtos de hype.
Rentabilidade não está sob seu controle, mas diversificação, custo e eficiência tributária estão — e é aí que se ganha a maior parte do dinheiro no longo prazo.

No episódio 301 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o psiquiatra Vitor Blazius para uma conversa sobre a ciência dos vícios, com foco no álcool. Ele define dependência de forma simples — continuar fazendo algo que já traz prejuízos — e explica que o álcool segue sendo a substância que mais causa problemas no Brasil, com taxa de dependência (cerca de 15% de quem experimenta) comparável à da cocaína, além de ser a principal causa de morte evitável entre 18 e 39 anos. Um dos pontos centrais é a desconstrução da ideia de 'dose segura'. Blazius explica a origem da famosa 'curva em J' e do 'paradoxo francês', mostrando que a falha metodológica desses estudos fazia o benefício desaparecer quando corrigida, e relata o caso do estudo MACH15, cancelado após se descobrir lobby da indústria para garantir o resultado desejado. Ele critica a atuação do CISA, instituto ligado à AB InBev, por moldar a narrativa nacional sobre álcool em torno da ideia de que 'o problema é só o excesso', e lembra que bebida alcoólica não traz informação nutricional nem aviso para gestantes. O máximo que existe é um consumo de baixo risco: uma a duas doses por semana. A conversa também aborda genética versus ambiente (qualquer pessoa pode desenvolver alcoolismo com exposição suficiente), o efeito de medidas simples como restringir horário de bares — que cortou homicídios em 50% em Diadema —, a relação entre álcool e câncer de mama, os riscos de beber na gestação, e o treinamento de familiares (CRAFT) como caminho mais eficaz do que o modelo do 'fundo do poço'. Por fim, ele indica três pilares para prevenir o uso de substâncias nos filhos: tempo, supervisão e confiança.
Não existe dose segura de álcool — existe apenas consumo de baixo risco, e a sensação de que 'um pouco faz bem' é uma narrativa construída e financiada pela própria indústria da bebida.

No episódio 300 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio da Kinea, para discutir o que aconteceu com a classe média brasileira. Ruy define classe média não por renda, mas por um conjunto de condições — segurança, acesso a saúde e educação, lazer e a esperança de que os filhos viverão melhor — e mostra que esse pacote hoje é inacessível até para quem está no 1% mais rico do país (renda de cerca de R$ 25 mil). A renda média brasileira é de R$ 3.600, e aproximadamente um terço dela está comprometido com juros de dívidas. O convidado traça uma linha histórica: o período de industrialização (1945-1975), a década de 80 com hiperinflação e destruição de capital, a estabilização de 1994 e o ciclo de euforia 1994-2014 sustentado por crédito, boom de commodities, gasto público e parafiscal (BNDES, Petrobras) — tudo isso sem nenhum ganho de produtividade. Usa o filme Parasita como metáfora: a falsa sensação de ascensão social, a enchente de 2014-2024 (uma década de renda per capita estagnada) e a cena final sangrenta como retrato do conflito social atual. Argumenta que o governo atual repete o mesmo modelo, agora com dívida/PIB muito maior e consignado privado. Na segunda parte, amplia a análise para o mundo: Pareto como lei natural da concentração de riqueza, a morte da classe média nos EUA e na Europa, o custo da habitação, a economia em K, o papel das redes sociais no ressentimento e na derrota sistemática de incumbentes. Discute instituições fracas no Brasil (o 'pecado original' da República copiada dos EUA), o poder do Congresso sobre o orçamento e conclui que, seja com reeleição ou alternância, o país passará por um ponto de estresse antes de fazer as reformas necessárias — e que a única saída estrutural é produtividade.
O sonho da classe média brasileira ruiu porque durante trinta anos o país financiou consumo com crédito, gasto público e commodities sem nunca gerar produtividade — e sem produtividade não existe esperança de que amanhã seja melhor que hoje.

No episódio especial do Bitcoin Pizza Day (16 anos da compra de duas pizzas por 10.000 BTC em 22 de maio de 2010), Bruno Perini e Malu Perini recebem Felipe Sant'Anna, cofundador da Paradigma Education, e Matheus Moura, CEO e cofundador da Avenia (emissora da stablecoin BRLA). A conversa começa de forma descontraída falando sobre vida extraterrestre, paradoxo de Fermi e teoria da floresta escura, e depois mergulha no significado histórico do Pizza Day: a narrativa do Bitcoin como meio de troca foi sendo substituída pela de reserva de valor e dinheiro apolítico, num caminho 'path dependent' impossível de replicar. O grupo discute o papel de Michael Saylor e da Strategy como possível 'mutante' capaz de distorcer o ciclo quadrienal do Bitcoin, os riscos das ações preferenciais que pagam 11,5% ao ano (comparadas ao 'limiar de Luna'), a dinâmica entre institucionais passivos e alavancados que realmente movem o mercado, e a probabilidade de alguma empresa imprudente virar vendedora forçada. Também abordam as três funções da moeda, a visão evolutiva austríaca sobre a origem do dinheiro e por que stablecoins assumiram o papel de meio de troca sem acabar com o sistema fiduciário. Na segunda metade, o papo se volta para inteligência artificial — com agentes virando os novos 'clientes' das empresas, injeção de prompt como novo vetor de ataque e o problema do alinhamento — e para a computação quântica como ameaça ao Bitcoin, incluindo a BIP 360, ataques 'in flight' e o dilema técnico-social de migrar endereços antigos. Encerram falando de autocustódia, herança, mercados preditivos como fonte de informação (e não de renda extra) e expectativas de preço para o ciclo atual.
O entendimento é um substituto pobre para convexidade: quando uma oportunidade é extremamente assimétrica, você não precisa estar convicto para dar uma mordidinha nela.

Louise Barsi, filha de Luiz Barsi, volta ao Os Sócios para contar sua trajetória e detalhar o chamado Método Barsi de investir em dividendos. Ela relembra a infância em Mairiporã, a mesada paga com dividendos de ações da Ultrapar aos 14 anos (justamente em 2008, em plena crise) e o momento em que descobriu, na faculdade, o tamanho do patrimônio do pai — e o peso de ser sucessora de uma figura tão reconhecida no mercado. Na parte técnica, Louise explica o filtro setorial 'BESST' (bancos, energia, seguros, saneamento e telecom): negócios perenes, com barreiras de entrada altas, receitas corrigidas pela inflação e fluxo de caixa previsível. Também lista os setores 'à prova de Barsi' — construção civil, proteínas, eventos e turismo, varejo e aviação. Fala sobre Klabin, Unipar, Eletrobras, a preferência por empresas com controlador definido (em vez de corporations) e por que estatais subavaliadas são 'animais em extinção' que podem gerar grandes destravamentos de valor com a privatização. A conversa ainda aborda a nova tributação de dividendos (10% na fonte acima de R$ 50 mil por empresa e imposto mínimo para rendas acima de R$ 1,2 milhão/ano), as adaptações das empresas (pagamentos mensais para driblar o teto), o cenário de 2026-2027, o ativismo societário da família em conselhos e o planejamento sucessório de um patrimônio bilionário.
Investir bem não é prever o mercado, é escolher negócios perenes, pagar um preço com margem de segurança e ter estômago para atravessar os ciclos — o que você controla é o preço que paga e as suas emoções.

Renan Santos, fundador e presidente do Partido Missão e pré-candidato à Presidência em 2026, estreia nos Sócios para explicar o que seria a "nova direita" brasileira e por que, na visão dele, as experiências de direita populista pelo mundo (Trump, Bolsonaro, Milei, Meloni) chegaram ao poder mas fizeram governos frustrantes. Ele conta o processo de criação do partido — 800 mil assinaturas coletadas, 547 mil validadas no TSE — e defende que montar um partido do zero é um feito político maior do que ganhar uma eleição individual. O núcleo do diagnóstico dele é que o Brasil é governado não pelo mercado financeiro ou pelo grande empresariado, mas por políticos do centrão de estados pobres (Amapá, Piauí, Maranhão), que pensam no longo prazo enquanto a elite produtiva pensa no curto. A partir daí ele desenha propostas: lei de responsabilidade gerencial com KPIs obrigatórios para prefeitos, emendas parlamentares condicionadas a indicadores, mutirões de trabalho substituindo o Bolsa Família, fim da reeleição para cargos majoritários, direito penal do inimigo contra facções, estado de defesa em territórios dominados pelo crime e reinternação psiquiátrica. A conversa também passa por produtividade estagnada desde os anos 80, demografia e previdência, terras raras como atalho geopolítico, Bitcoin e marcos regulatórios tech-friendly, o escândalo do Banco Master/Daniel Vorcaro, o áudio de Flávio Bolsonaro, o voto feminino jovem e a crise do modelo democrático ocidental frente a Singapura e China.
O verdadeiro sistema que trava o Brasil não começa no STF nem no mercado financeiro: começa num prefeito de cidade de 2 mil habitantes que vive 97% de repasses da União, e sobe até os deputados do centrão que vendem voto em Brasília.

Neste episódio dos Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o dermatologista Gustavo Borchardt, criador do canal Sem Filtro Borchardt, para discutir a ciência e a história por trás dos cuidados com a pele. A conversa começa com a definição de pele saudável — um órgão de proteção cuja função plena geralmente coincide com boa aparência — e avança por uma longa viagem histórica: do uso de chumbo e mercúrio no Egito e na Europa, passando pelo prêmio Nobel de Niels Finsen sobre radiação ultravioleta, pelos solários de August Rollier vendidos como cura da tuberculose, até a virada cultural provocada por Coco Chanel, que transformou o bronzeado em símbolo de status. O núcleo técnico do episódio é o dano solar. Gustavo explica que a radiação ultravioleta é de longe o principal fator de envelhecimento e câncer de pele, usando o xeroderma pigmentoso (presente na cidade de Araras, em Goiás) como prova biológica. Ele detalha que o índice UV cresce de forma logarítmica, defende o uso consciente de protetor solar em vez de uso performático, e desmonta o lobby da EWG sobre 'disrupção endócrina', mostrando que a testosterona e a curcumina se ligam ao receptor de estrogênio com mais força do que os filtros solares. Na segunda metade, o dermatologista aborda rotina de skincare realista (limpeza suave, hidratante, niacinamida ou vitamina C, retinoides), elogia a vaselina como produto barato e inerte, discute Roacutan e o mito da depressão, fala de calvície e minoxidil, alerta para a perda de gordura facial causada por canetas emagrecedoras e bichectomia, e comenta as tecnologias emergentes — exossomos, peptídeos de cobre — ainda sem boa comprovação em humanos.
O maior determinante da aparência jovem da sua pele não é o creme que você passa, mas quanto sol você tomou ao longo da vida — e o dano é silencioso, cumulativo e só aparece 20 ou 30 anos depois.

No episódio 295 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o estrategista eleitoral Roberto Reis e o analista político Anderson Nunes para discutir o cenário das eleições de 2026. O ponto central da conversa é a tese de que Lula está em rejeição "proibitiva" — entre 49% e 52% conforme o instituto —, patamar a partir do qual, segundo estudos do Gallup, nenhum incumbente foi reeleito em democracias. Para Roberto, a eleição de Lula não é em outubro: é nos próximos 100 dias, até o prazo de convenções (15 de agosto juridicamente, final de julho na prática), quando ele precisa melhorar os índices e montar alianças para se viabilizar. Os convidados exploram a lógica dos ciclos democráticos (crescimento, igualdade, liberdade) para explicar por que o modelo petista está descompassado com o Brasil atual: o jovem de hoje é mais conservador, bebe menos, se interessa por política e tem como sonho empreender (66% segundo o Data Favela), o que colide com o pensamento coletivo e sindicalizado que elegeu Lula. A rejeição de Lula entre jovens chegaria a 70%. Também destacam o peso do eleitor de centro — cerca de 40% do eleitorado, mas só metade vota, ou seja, 20% decide a eleição — e os temas que movem esse eleitor: criminalidade, corrupção, custo de vida, censura, confisco e crédito. Na leitura dos convidados, Flávio Bolsonaro é hoje o favorito: tem 22 palanques firmados (contra 10 do pai em 2022), moderou o discurso, busca o voto feminino e demonstrou articulação ao derrubar a indicação de Jorge Messias ao STF junto com Davi Alcolumbre. O governo Lula perdeu governabilidade — converteu apenas 17% das medidas provisórias, contra 93% nos dois primeiros mandatos — e o Centrão tende a migrar para a oposição num segundo turno. Fecham falando de geopolítica: a disputa EUA-China por terras raras, data centers e inteligência artificial colocaria o Brasil no centro do foco americano em 2026.
Em política, rejeição é mais fiel que o amor: ela é cristalizada e quase nunca muda — por isso o teto de um candidato diz mais sobre seu futuro do que sua popularidade atual.

Tallis Gomes, fundador do G4 e da Easy Taxi, conversa com Bruno e Malu Perini sobre a adoção de inteligência artificial nas empresas. Ele argumenta que a maioria das companhias está usando IA como as fábricas usaram energia elétrica no início do século XX: encaixando uma tecnologia exponencial em processos lineares. Segundo ele, o ganho real só vem quando se redesenha a arquitetura de produção — foi assim que o G4 saiu de R$ 9 milhões para R$ 104 milhões de geração de caixa em três anos, aumentando o OPEX em apenas 10%. Ele projeta o desaparecimento do middle manager, uma explosão no número de CNPJs e empresas faturando centenas de milhões com pouquíssimas pessoas. A conversa migra para política e filosofia. Usando Aristóteles (ato e potência, eudaimonia) como régua, Tallis defende que o Brasil é uma potência não realizada travada por um problema arquitetural de poder desde o golpe republicano de 1889. Ele se declara monarquista, cita Singapura, El Salvador e China como modelos de governo virtuoso de longo prazo, critica a democracia como sistema que promove os viciosos ao poder e defende pena de morte para crimes sem conserto. Fala também sobre aborto, renascimento católico e sua expectativa para as eleições de 2026. No fim, detalha a estrutura societária do G4: três sócios com um terço cada, mas 51% das ações votantes nas mãos dele — o que ele chama de 'ditadura benevolente'. Explica por que recusa rodadas bilionárias e um IPO: perderia a velocidade de decisão que construiu a empresa. Também aborda Bitcoin, stablecoins, liquidation preference e sua saída da Singu/Natura por divergência política.
Adotar uma tecnologia exponencial dentro de uma arquitetura linear produz ganho linear — o salto só vem quando você destrói e reconstrói o processo em volta dela.

O episódio aborda a reforma tributária brasileira e seus impactos no bolso do cidadão. Os convidados especialistas em direito tributário e planejamento patrimonial explicam como a reforma vai substituir diversos impostos (PIS, ICMS, ISS, IPI) por um imposto único sobre valor agregado (IVA/CBS/IBS) com alíquota estimada entre 26-28%, uma das mais altas do mundo. Discutem também a tributação de dividendos para pessoas físicas, mudanças no ITCMD, IPTU, ITBI, e estratégias de planejamento patrimonial como holdings imobiliárias, doações em vida e sucessão patrimonial. A conversa enfatiza a importância do planejamento tributário eficiente e conservador para minimizar impactos negativos da reforma.
A reforma tributária brasileira tornará essencial o acompanhamento de um tributarista profissional, pois a eficiência fiscal agora pode fazer mais diferença na rentabilidade final do que a própria performance dos investimentos.

Bruno e Malu Perini recebem Duda Vieira, Isabela Matte e Luan Assis para discutir o que mudou no marketing digital e o que esperar de 2026. O debate começa pela inteligência artificial: todos concordam que a IA transformou a criação de conteúdo em commodity e que, por isso, o diferencial migrou para identidade, autenticidade e 'alma' no conteúdo. Luan, que criou agentes de IA usados por dezenas de milhares de pessoas, relata que percebeu a ferramenta tirando a capacidade de aprendizado dos alunos e passou a restringir seu uso em certas fases. O grupo também discute se a IA reduziu times — na prática, não: Duda tem 36 pessoas, Isabela e Luan mantêm um time enxuto de 12 por escolha de modelo de negócio. A conversa avança para posicionamento e plataformas. Duda defende que hoje é preciso pegar uma característica autêntica e 'elevá-la à décima potência', sem mornidão, e aponta a construção de comunidade e eventos offline como seu maior acerto. Discutem TikTok (rede de interesse e busca, com TikTok Shop e live shop como futuro do varejo), Instagram (rede de conversão), YouTube (mais difícil, mais rentável no longo prazo) e Substack (newsletter paga, pouco explorada no Brasil). Bruno mostra dados reais de audiência por gênero e todos debatem por que podcasts diários têm público majoritariamente masculino. No fim, o bloco mais prático: tráfego pago x orgânico. Isabela e Luan colocaram 100 pessoas numa mentoria high ticket sem gastar R$ 1 em tráfego, argumentando que o tráfego 'deixa preguiçoso' e esconde falhas de produto e prospecção. Bruno conta que fez um lançamento com zero tráfego e faturou o mesmo. Cada convidado responde como começaria hoje do zero: Luan iria para SaaS nichado com IA, Isabela faria volume absurdo de conteúdo de rotina monetizando com links de afiliados (Shopee/Mercado Livre), e Duda faria TikTok Shop/UGC no curto prazo e um produto high ticket para poucas pessoas. Encerram alertando sobre a armadilha de elevar o padrão de vida rápido demais.
Com a IA transformando a execução em commodity, o diferencial deixou de ser conseguir criar e passou a ser criar algo que só você conseguiria criar — identidade e autenticidade viraram o ativo mais escasso do marketing.

O episódio aborda como ganhar dinheiro com leilões de imóveis no Brasil, com foco em leilões extrajudiciais (de banco) e judiciais. Priscila Perini, advogada especialista em leilões e irmã do host Bruno Perini, compartilha sua experiência de 6 anos no mercado, tendo arrematado 216 imóveis com rentabilidade média de 34% por operação (42% anualizada). O episódio explica os dois tipos de leilão, como funcionam os leilões eletrônicos, a importância da análise de viabilidade financeira e jurídica, e desmistifica mitos como a necessidade de ser advogado ou o medo da desocupação de imóveis. Priscila detalha estratégias práticas como o uso de financiamento para potencializar retornos, a possibilidade de usar FGTS para participar de leilões, e como iniciantes podem entrar no mercado através de assessoria em leilões. Também discute sua nova estratégia de reformas mais completas (retrofit) em imóveis do mercado tradicional muito desvalorizados, exemplificando com uma operação em Curitiba que rendeu 46% em 7 meses. O episódio enfatiza que o leilão é um mercado viável e lucrativo, com 116.600 imóveis em leilão apenas no primeiro semestre de 2025.
O lucro no leilão está na compra, não na venda: se você comprar bem (com desconto significativo do valor de mercado), o negócio será bom independentemente de outros fatores, e você pode recuperar seu capital rapidamente para fazer novas operações.

No episódio 290 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Leanderson Reis e Frederico Dinis, planejadores financeiros da Grão, para discutir por que tanta gente ganha bem e mesmo assim não consegue guardar dinheiro. Leanderson apresenta o conceito de "mal invisível" — gastos que a pessoa faz sem perceber, como tarifas bancárias, assinaturas esquecidas, pedidos em aplicativo e R$ 1.000 por mês em padaria — mostrando que numa primeira revisão de orçamento é possível economizar de 10% a 24% sem mudar nada no estilo de vida. A conversa percorre os cinco ciclos de vida financeira de Franco Modigliani, destacando que a fase mais crítica é a acumulação da primeira massa crítica (os primeiros R$ 100 mil), onde a maioria dos brasileiros fica presa num patrimônio em "dente de serra". Os convidados defendem que a política de proteção (seguros de vida, invalidez, doença grave, patrimonial) é até mais importante que a política de investimentos nessa fase, e desmistificam a previdência privada como ferramenta de otimização tributária e sucessória — PGBL, tabela regressiva, isenção de come-cotas e de inventário. Também são abordados imóvel versus aluguel (sempre um "depende" ligado à fase de vida), os perigos de financiamentos indexados a CDI/IGPM, portabilidade de dívidas, e a dinâmica de casais com perfis comportamentais opostos. Fred relata casos reais, como um cliente que pagava R$ 6.800/mês num seguro resgatável quando um temporário de mesma cobertura custava R$ 200, e um casal com 12 empréstimos e parcela de R$ 23 mil que foi reorganizada via portabilidade.
Finanças pessoais são 95% comportamento e só 5% matemática: o que impede a maioria de enriquecer não é a falta de renda, mas o 'mal invisível' — gastos automáticos que ninguém percebe e decisões tomadas sem clareza de prioridades.

Neste episódio, Bruno Perini e Malu Perini recebem Ivana Jauregui, educadora e especialista em maternidade com mais de 15 anos de experiência. A conversa aborda os desafios contemporâneos da educação infantil, explorando como a autoridade parental (diferente de autoritarismo) é fundamental para criar filhos equilibrados. Ivana compartilha sua jornada pessoal, desde trabalhar na escola da mãe aos 9 anos até enfrentar dificuldades com seu primeiro filho, quando percebeu que precisava mudar sua abordagem educacional. A discussão transita entre temas como educação positiva versus tradicional, a importância de limites claros, o papel da tecnologia na infância, e como pais bem-intencionados frequentemente cometem erros ao tentar ser perfeitos. A especialista enfatiza que a maternidade e paternidade são 'feridas abertas' que expõem quem realmente somos, e que a verdadeira autoridade vem do alinhamento interno entre pensamento, fala e ação. Ivana defende uma educação equilibrada que combine respeito e escuta com regras, ordem e limites claros. Também aborda questões práticas como birras infantis, castigos coerentes, o uso de telas, escola para crianças pequenas, e como criar filhos bilíngues. A conversa revela que aceitar erros como parte do processo de aprendizagem é essencial para uma maternidade mais leve e autêntica.
A autoridade parental não vem de gritos ou punições, mas do alinhamento interno entre o que você pensa, fala e faz – e as crianças sentem essa coerência e a respeitam naturalmente.

Bruno e Malu Perini recebem Hindemburg Melão Jr., pesquisador considerado um dos maiores QIs do Brasil e do mundo, para uma conversa que atravessa psicometria, inteligência artificial, cosmologia, religião e longevidade. Hindemburg explica por que os testes de QI tradicionais perdem validade acima de 130-135, como são feitas estimativas de QI de figuras históricas e por que os dados de Richard Lynn sobre o QI médio do Brasil (83-87) são distorcidos — segundo seus próprios cálculos baseados no PISA, o número correto seria em torno de 97. O convidado critica o modelo educacional brasileiro, que chama de 'adestramento' e 'teatro', defendendo que 95% do conteúdo escolar antes da universidade é desperdiçado e que as pessoas deveriam ser direcionadas por aptidão e interesse. Discute também o significado de inteligência — argumentando que não é possível defini-la nem conceituá-la, apenas assimilá-la por exemplos paradigmáticos — e rebate as teorias de inteligências múltiplas de Gardner e de inteligência emocional de Goleman. Na segunda metade, aprofunda-se em temas metafísicos: Hindenburg apresenta sua própria tentativa de demonstração da existência de Deus a partir de uma definição (entidade capaz de criar universos) e três postulados, comparando-a com as provas de Santo Anselmo, Santo Tomás e Gödel. Fala ainda de vida extraterrestre, equação de Drake, matéria escura, risco de extinção da humanidade, geopolítica (Trump, Putin, Xi) e o projeto Turritopsis de longevidade, defendendo que o caminho para derrotar o envelhecimento passa por IAs capazes de resolver problemas inéditos, como o AlphaZero fez no xadrez.
Inteligência não é algo que se possa definir ou medir integralmente — acima de certo ponto os testes deixam de medir inteligência e passam a medir velocidade em tarefas triviais; o que resta é inferir o significado por exemplos de conduta inteligente.

O episódio aborda a escalação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, caracterizado como a "terceira guerra do Golfo". Professor HOC explica como a derrubada de Saddam Hussein em 2003 alterou o equilíbrio de poder no Oriente Médio, permitindo que o Irã expandisse sua influência através do "arco de resistência". O ataque de 7 de outubro do Hamas, coordenado pelo Irã, desencadeou uma série de operações militares israelenses que culminaram em ataques diretos ao território iraniano. A conversa detalha os objetivos americanos: destruir o programa nuclear iraniano, eliminar mísseis balísticos, neutralizar a marinha iraniana e potencialmente derrubar o regime. O episódio também discute as implicações geopolíticas globais, incluindo o impacto na Ucrânia, China e Rússia, além dos riscos de fragmentação do Irã e possíveis ataques a infraestruturas críticas como plantas de dessalinização.
A guerra no Oriente Médio não é um conflito isolado, mas parte de uma transformação geopolítica global onde a ordem internacional está se desintegrando, levando à normalização de conflitos e à corrida por supremacia militar e tecnológica que pode levar a humanidade ao precipício.

O episódio discute a queda do Bitcoin de seu pico de 126 mil para cerca de 70 mil, analisando se estamos em um inverno cripto ou apenas uma correção cíclica. Os hosts e convidados exploram a natureza previsível dos ciclos de Bitcoin, impulsionados pela psicologia humana e eventos como o halving. Abordam também a influência geopolítica (conflito com Irã), a computação quântica como risco futuro, e a estratégia de Michael Saylor com a MicroStrategy. O episódio se expande para tópicos como mercados preditivos, clonagem, teoria da conspiração envolvendo Epstein, e a importância do estudo antes de investir em criptomoedas.
O Bitcoin segue ciclos previsíveis impulsionados pela psicologia humana, não por fundamentos, e a melhor estratégia é comprar parceladamente quando o mercado está pessimista, não quando está eufórico.

No episódio 285 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ana Beatriz e Mariana Chaves, as duas únicas brasileiras aprovadas em Harvard com bolsa integral em 2025. Ana Beatriz, de 17 anos e de Brasília, vai cursar neurociência e governo; Mariana, de 18 anos e de Santa Maria (RS), cursará governo e economia. As duas contam como construíram suas trajetórias desde o nono ano do ensino fundamental: pesquisa científica, trabalho no Congresso Nacional, simulações da ONU, voluntariado pelo Rotary/Interact e projetos sociais como o Juventude pelo SUS. A conversa detalha o processo seletivo americano, que avalia quatro anos de vida do candidato e não apenas uma prova: currículo, premiações, boletim, SAT, teste de proficiência, cartas de recomendação e redações extremamente pessoais e criativas (uma delas narrando um dia vendendo queijo com a avó). Elas explicam o papel da mentoria da Fundação Estudar, que selecionou cerca de 70 estudantes entre 10 mil candidatos e ofereceu apoio financeiro, e falam do peso do ambiente do colégio militar — hierarquia, meritocracia, graduação e alamar — na formação da disciplina e do currículo. O episódio também aborda sacrifícios e escolhas: Ana abriu mão da vida social, Mariana largou o atletismo; ambas discutem gestão de redes sociais, taxa de aprovação abaixo de 1% para brasileiros, o valor da bolsa (mais de R$ 2 milhões) e os planos futuros — PhD e laboratório de saúde pública para Ana, política prática e orçamento público para Mariana. Encerram defendendo que mostrar que é possível é o que faz outros jovens sonharem.
Entrar em Harvard não é vencer uma prova, é construir uma trajetória coerente de quatro anos em torno de uma paixão real — e todo sucesso exige aceitar um desequilíbrio na própria vida.

O episódio aborda as quatro virtudes cardeais (temperança, fortaleza, justiça e prudência) e sua aplicação prática na vida pessoal e nos negócios. Guilherme Freire, professor de filosofia, explica como essas virtudes, originalmente sistematizadas por Aristóteles, formam a base da ética e da liderança efetiva. A temperança é o autocontrole sobre prazeres (comida, sexo, conforto); a fortaleza é a capacidade de suportar adversidades e desafios; a justiça envolve hierarquia, proporção e responsabilidade; e a prudência é a sabedoria prática para tomar decisões corretas. O episódio enfatiza que essas virtudes são hábitos adquiridos através do sacrifício e da disciplina, e que sua cultivo é essencial para líderes empresariais e para qualquer pessoa que deseje melhorar sua vida.
As virtudes não são conhecimento abstrato, mas hábitos forjados na adversidade que, quando cultivados, transformam simultaneamente sua vida pessoal, sua liderança empresarial e sua capacidade de tomar decisões que geram legado.

O episódio 283 do podcast Os Sócios discute "A Arte de Gastar Dinheiro", baseado no livro de Morgan Housel. Os hosts Bruno e Malu Perini, junto com os convidados Bruno Musa, Bruno Gomes e Jéssica Veigan (todos da consultoria Portfel), exploram como as pessoas tomam decisões financeiras movidas por emoção e comportamento, não apenas por lógica. O livro aborda a importância de entender que todo comportamento faz sentido quando se tem informação suficiente sobre o contexto de cada pessoa, e que gastar bem envolve equilibrar poupança com experiências significativas nas diferentes fases da vida. A conversa enfatiza que o dinheiro é uma ferramenta para conquistar liberdade e experiências memoráveis, não um fim em si mesmo. Os convidados compartilham exemplos práticos de como referências sociais, ambiente e fase de vida influenciam decisões de gastos. Também discutem o perigo da ostentação excessiva, a importância de não se tornar "zelador do patrimônio" e como muitas pessoas acumulam riqueza sem conseguir usufruir dela adequadamente.
Todo comportamento financeiro faz sentido quando você compreende o contexto e a história de vida da pessoa; o verdadeiro sucesso é gastar dinheiro em experiências que geram nostalgia e memórias, não em bens que apenas demonstram status.

Episódio que conta a história de Luciano Hang e da Havan, empresa que completa 40 anos em 2026 com faturamento de 22 bilhões de reais anuais. Luciano relata sua trajetória desde a fundação em 1986 durante o Plano Sarney, passando pela hiperinflação dos anos 90, transformação de loja de tecidos para loja de departamentos em 1995, e expansão nacional acelerada. A empresa hoje possui 188 lojas (chegando a 200 em 2026), 25 mil colaboradores, 2,5 milhões de metros quadrados construídos e presença em quase todos os estados brasileiros. Luciano discute desafios operacionais como burocracia, tributação pesada (6 bilhões em impostos anuais), logística em país continental, e combate ao roubo nas lojas através do projeto "Amostradinho" que foi impedido pela justiça. Enfatiza a importância de fazer o básico bem feito, pensar no cliente, manter ética nos negócios e investir continuamente. Critica a cultura brasileira que desvaloriza empreendedores e defende que o Brasil deveria copiar modelos de sucesso de países como China, Coreia do Sul e Singapura em termos de ordem, disciplina e segurança.
O sucesso duradouro vem de fazer o básico bem feito, pensar genuinamente no cliente, manter ética e lógica em todas as decisões, e reinvestir continuamente os lucros em crescimento, não em acumulação pessoal.

Romeu Zema, governador de Minas Gerais, discute sua trajetória do setor privado para a política e os desafios de governar um estado complexo. Ele detalha as transformações implementadas em Minas, incluindo a redução de 50 mil cargos públicos, a privatização de mais de 200 empresas estatais e a recuperação financeira do estado (de um déficit de 11 bilhões para um superávit de 5 bilhões). Zema enfatiza a importância da gestão eficiente, transparência total dos gastos públicos e a necessidade de combater a corrupção através de bons exemplos e leis rígidas. Ele também aborda questões críticas como a criminalidade no Brasil, a necessidade de reforma educacional com disciplina e civismo, e a importância de controlar os gastos do governo federal para reduzir a taxa de juros e liberar recursos para investimentos produtivos.
O Brasil precisa de um turnaround na gestão pública: trocar a politicagem pela eficiência, a corrupção pela transparência radical, e a permissividade pela rigidez nas leis, começando pelo controle dos gastos federais que é a raiz de todos os outros problemas.

No episódio 280 do Podcast Os Sócios, Bruno Perini recebe Kleber Stumpf (fundador da TopInvest) e Pedro Miranda (médico radiologista e fundador do IPM Educação) para discutir estratégias de aprendizado e aprovação em provas — concursos públicos, certificações financeiras e residência médica. A conversa começa com um diagnóstico do mercado médico brasileiro: a explosão de vagas em faculdades de medicina sem o aumento equivalente de vagas de residência criou um represamento, elevando a concorrência e os pontos de corte a níveis recordes, além de pressionar salários para baixo pela lei da oferta e demanda. Os convidados diferenciam estudar de aprender: estudar é o ato de fazer, aprender é retenção. Kleber defende que o ponto de partida é o autoconhecimento (ele conta que reprovou em todas as matérias no primeiro ano do ensino médio e tem TDAH) e apresenta sua metodologia 3x3, baseada em repetição e andragogia. Pedro contrapõe o 'sistema de ensino' ao 'sistema de aprendizado', critica a 'medianização' dos cursinhos padronizados e descreve como usa simulado diagnóstico, trilhas por nível e 'comparação por referência' (benchmark com alunos aprovados) para individualizar a preparação. Ambos convergem: vence quem não desiste, quem tem 'ódio' da situação atual e, principalmente, quem tem paciência e disciplina. Na parte prática, Pedro indica de 20 a 30 horas líquidas de estudo por semana para residência, enquanto Kleber recomenda 2 horas por dia durante 30 dias para certificações financeiras. Discutem revisão espaçada como etapa mais importante (o aprendizado como 'balde furado'), as três etapas do aprendizado (compreensão teórica, aplicação prática e revisão), o uso da inteligência artificial como arma de dois lados (ótima para aprofundar, péssima quando usada como muleta para terceirizar o raciocínio), a derrubada da teoria das 10.000 horas por Anders Ericsson e dicas para o dia da prova, como prestar provas 'de treino' para ganhar maturidade emocional.
Estudar não é aprender: o aprendizado é um balde furado onde a revisão é a etapa mais importante, e vence não quem acumula horas, mas quem tem intensidade direcionada, paciência e não desiste.

No episódio 279 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Renato Cariani e Marcelo Toledo para discutir como definir e cumprir metas para 2026. O ponto central da conversa é a defesa das metas de padrão de comportamento (ou metas de esforço) em vez de metas de resultado: em vez de prometer perder 10 kg, prometa fazer 20 treinos por mês e 25 dias de dieta — porque o esforço você controla, o resultado não. A conversa passa por metas públicas como mecanismo de compromisso, pelo impacto dos análogos de GLP-1 (Monjaro, tirzepatida, retatrutida) na indústria alimentícia e de bebidas, pela importância do desconforto deliberado (banho gelado, banheira de gelo, rotina militar e de atleta) e pela ideia de que consistência vence concorrência — Cariani conta como passou de duas videoaulas semanais a duas publicações diárias por anos, chegando a 5 bilhões de views por mês. Na reta final, os convidados falam de mecanismos de controle simples (post-its na parede, caneta e papel), da necessidade de mudar de ambiente e de círculo social para mudar de vida, de criar um "plano de fuga" para quem está preso num emprego ruim, e Malu apresenta a técnica da palavra do ano — a dela para 2026 é "constância". Bruno fecha citando O Conde de Monte Cristo e a meta de ler cerca de 12 a 18 livros por ano.
Troque metas de resultado por metas de padrão de comportamento: o resultado é apenas a consequência de quem você se tornou.

Bruno Perini recebe o Professor HOC, cientista político e criador do maior canal de geopolítica do YouTube no Brasil, para analisar a captura de Nicolás Maduro por forças americanas na Venezuela. O convidado explica que Trump tentou a operação no Natal e na virada do ano, mas foi impedido pelo clima, e que o resultado é uma vitória tática — não estratégica — que impôs medo a China e Rússia em vez de abrir precedente para elas. Ele argumenta que a discussão pública focada em direito internacional está defasada: o direito internacional já foi 'enterrado' há tempos, e a própria Venezuela é um dos maiores violadores, com 8 milhões de pessoas expulsas do país. Sobre os interesses americanos, HOC relativiza o argumento do petróleo: as petroleiras são privadas, fazem conta e a Guiana é muito mais atrativa; a alta da Chevron teria vindo do fim do risco de invasão da Guiana, não da Venezuela. Ele aponta como motivo principal a geopolítica — a retomada da Doutrina Monroe e a recusa de aceitar bases de Irã, China, Rússia, Hezbollah e Hamas no continente. Trump não derrubou o regime de propósito: aposta em Delcy Rodríguez como líder pragmática alinhada aos EUA, evitando o vácuo de poder que ocorreu no Iraque, Afeganistão e Líbia. A conversa se expande para a Groenlândia — que HOC considera 'a bola da vez', via negociação e coerção sobre a Dinamarca —, a disputa futura pela Antártica, o prazo de 2027 estipulado por Xi Jinping para Taiwan, e o risco de um conflito mundial com Alemanha e Japão rearmados. No fim, os dois discutem o radicalismo crescente dentro do movimento MAGA, guerras travadas por robôs, engenharia genética e os riscos existenciais da inteligência artificial.
O direito internacional já estava morto antes de Trump: em disputas geopolíticas intensas, só o poder — e não as regras combinadas — define o que um país pode ou não fazer.

No primeiro episódio de 2026 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Fábio Gurgel, faixa coral, líder da equipe Alliance e tetracampeão mundial, para discutir por que o jiu-jitsu virou uma espécie de escola de vida para tanta gente — especialmente empresários e pessoal do mercado financeiro. A conversa começa pela origem da arte: a história romantizada dos monges indianos, a passagem pelo Japão dos samurais, Jigoro Kano e a criação do judô, o Conde Koma chegando em Belém do Pará e a família Gracie levando o jiu-jitsu para o Rio de Janeiro. Gurgel explica que a diferença central entre judô e jiu-jitsu está no objetivo: no jiu-jitsu a luta só acaba com a finalização, o que gera uma mentalidade de resolver o próprio problema até o fim. O convidado detalha como o jiu-jitsu combate o instinto e força a racionalização sob pressão, comparando-o ao xadrez: cada técnica é uma jogada que antecipa reações do adversário. Ele defende que a prática desenvolve as virtudes cardeais — coragem, temperança, busca de conhecimento e senso de justiça — além de adaptabilidade, accountability e foco no presente. Conta também sua própria história: começou aos 13 anos para parar de apanhar do irmão mais velho, decidiu aos 15 viver de jiu-jitsu quando o mercado era inexistente, e seguiu dois conselhos do pai — ser muito bom e ser diferente. A segunda metade aborda a construção da Alliance como licenciadora de marca e método, o insight que Gurgel teve ao ver uma aula de kung fu gamificada na Alemanha e decidir criar uma metodologia com progressão transparente, a longevidade no treino (treinar inteligente, tirar o ego da equação, não disputar o treino até o limite) e os paralelos com negócios: lidar com a derrota imposta, pensar em legado e não em resultado, e entender que a prática é a única coisa inegociável.
A derrota está imposta todos os dias no tatame — e aprender a se reorganizar sem desespero, sem vitimização e sem culpar ninguém é o que transfere do jiu-jitsu para a vida e para os negócios.

Neste episódio especial de Natal, Bruno e Malu Perini recebem Guilherme Freire, filósofo e mestre em filosofia, para uma profunda discussão sobre o significado do Natal além da comercialização. Guilherme explora as raízes históricas da celebração do Natal no Império Romano, sua ressignificação cristã do solstício de inverno, e como a data se tornou central na contagem do tempo ocidental. A conversa aborda a encarnação do Verbo como o evento mais extraordinário da história, a simbologia do presépio com seus personagens (Maria, José, pastores, animais), e como o Natal representa a graça infinita chegando à miséria infinita. O episódio também discute a natureza divina de Cristo, a Santíssima Trindade, e como o Natal nos ensina sobre família, sacrifício, redenção e o propósito da vida humana.
O Natal nos ensina que a vida tem propósito e sentido porque Deus se fez homem para redimir a humanidade, transformando a graça infinita em um ato de amor incondicional que ressignifica toda a existência humana.

Neste episódio dos Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o antropólogo Michel Alcoforado, autor do best-seller "Coisa de Rico", para discutir como a riqueza funciona no Brasil. Michel conta como virou "antropólogo do luxo" depois de presenciar, num aeroporto de Miami, um casal brasileiro que viajou sem malas para comprar tudo nos EUA — episódio que o fez perceber que americanos enxergavam riqueza onde ele via classe média. Ele apresenta estatísticas: quem ganha cerca de R$ 28 mil por mês já está no 1% mais rico do país, o que revela menos sobre a riqueza individual e mais sobre a pobreza nacional. A conversa percorre a "metamorfose social" de quem enriquece — sanar o passado da família, inventar um novo "eu" para circular em novos círculos e lidar com o afastamento de amigos e parentes —, o dilema dos herdeiros ("o herdeiro não tem futuro"), e os mecanismos pelos quais famílias ricas empobrecem: patrimônio excessivamente imobilizado, custo de manutenção ignorado e divisão da herança sem geração de nova riqueza. Michel explica também por que o brasileiro não entende dinheiro, ligando isso à urbanização tardia, à industrialização recente, à hiperinflação e às nove trocas de moeda. Na parte final, ele descreve os pilares da performance de riqueza no Brasil — viagem, corpo, bens materiais e dinheiro (que é só um quarto da equação) —, discute o fenômeno do "metido besta" e do "falido", o parcelamento de artigos de luxo, a febre das canetas emagrecedoras e as diferenças culturais entre ricos brasileiros, americanos (que falam abertamente de patrimônio e filantropia) e europeus (que se apoiam em bairro, sobrenome e castelo). A recomendação final: se vai precisar dos símbolos, use-os de forma intencional, sem virar vítima da indústria.
No Brasil, dinheiro é apenas um quarto da riqueza: depois de ganhar, é preciso inventar um novo "eu" para ser reconhecido — e é esse reconhecimento, não o saldo bancário, que abre as portas dos negócios.

Bruno e Malu Perini recebem o educador físico Guto Galamba e a nutricionista Daiana Parisato para discutir como conquistar o 'shape' em 2026 para além das canetas emagrecedoras. A conversa começa contextualizando que obesidade é uma doença crônica e multifatorial — envolve ambiente, renda, dopamina, sono e rede de apoio — e que nenhuma droga (tirzepatida, semaglutida ou esteroides) substitui treino e dieta. Guto defende que 'dieta' significa estilo de vida: pensamentos, livros, filmes e ambientes também alimentam a pessoa, e o ambiente é soberano. O episódio explora a diferença entre atividade física e exercício físico (50% dos militares estão com sobrepeso apesar de treinarem todo dia), a importância do treino de força contra a sarcopenia, e o valor de ter alguém cobrando — personal, amigo ou consultor. Os hosts contam como a leitura de um livro sobre longevidade os fez perceber que eram praticamente sedentários, levando Bruno ao jiu-jitsu e Malu ao yoga. Daiana apresenta o conceito de refeições PGS (prático, gostoso e saudável) e defende não demonizar alimentos, ensinando a encaixar o que se gosta sem exageros. Na segunda metade, aprofundam os efeitos colaterais pouco comentados das canetas: 25% do peso perdido é massa muscular, 82% das pessoas reganham peso ao suspender, disbiose intestinal por diarreia ou constipação, silenciamento cerebral que pode gerar vazio existencial. Também falam de anabolizantes como 'potencializadores de comportamento', não atalhos, da adulteração de alimentos (chocolate sem cacau, 'chuchureja'), da importância de saber ler rótulos e de assumir os motivos reais e pouco nobres pelos quais se quer emagrecer ou enriquecer.
Nenhum medicamento, atalho ou acelerador remove a necessidade de treino, dieta e comportamento — remédio é potencializador, e potencializa tanto o resultado quanto o erro.

No episódio 273 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Guilherme Cadonhotto e Alexandre Cabral para discutir onde investir em 2026. A conversa começa com um balanço de 2025: um ano que surpreendeu positivamente justamente porque as expectativas no fim de 2024 eram péssimas — dólar a R$ 6,30, risco fiscal explosivo e inflação implícita perto de 8%. A valorização do real (para a casa de R$ 5,30), um cenário internacional mais favorável a emergentes e a postura dura do Banco Central de Galípolo explicam boa parte do rali da bolsa e da renda fixa. Os convidados debatem a meta de inflação de 3%, a curva de juros invertida, o impacto inflacionário da isenção de IR até R$ 5.000 no verão e a 'bomba fiscal' do ônibus gratuito (estimada em R$ 40 bilhões/ano). No campo político, ambos apostam que Lula será candidato (95% a quase 100% de chance) e apontam março como marco de volatilidade, sugerindo Banco do Brasil como termômetro eleitoral. No cenário externo, alertam que o S&P 500 está caro demais — com preço/lucro atual, o retorno esperado em 10 anos ficaria entre +2% e -2% em dólar — e que a barreira de entrada em IA se mostrou menor do que se imaginava, ameaçando até a Nvidia. A tese central é a assimetria do Tesouro IPCA+ de longo prazo: com taxas acima de 7%, o cenário ruim custa pouco (perda limitada em 3 anos) e o cenário bom pode triplicar o patrimônio. Fecham falando de Bitcoin (ETF vs autocustódia, venda de calls) e de por que, na visão de Cabral, ETF de renda fixa não vinga no Brasil por falta de previsibilidade.
O que muda patrimônio não é acertar o cenário, é encontrar apostas assimétricas: posições em que o erro custa pouco e o acerto paga muito — hoje, segundo os convidados, isso está no Tesouro IPCA+ de longo prazo.

Bruno Perini recebe Felipe Sant'Ana (Paradigma) e Lucas Amendola (DeFi Verse) para analisar a queda de mais de 30% do Bitcoin, que saiu da máxima de US$126 mil em outubro para a faixa dos US$80-91 mil. Os convidados apontam uma combinação de fatores: frustração com o corte de juros americano, retirada de liquidez após o shutdown, venda de long term holders, saída de ETFs e desalavancagem do mercado. Felipe destaca que, se esse foi o topo, ele ocorreu 535 dias após o halving — praticamente idêntico aos ciclos anteriores (528 e 527 dias), reforçando o caráter de profecia autorrealizável dos ciclos quadrienais. A conversa avança para mudanças estruturais: não houve alt season por excesso de oferta (mais de 30 milhões de moedas), a dominância do Bitcoin segue subindo e, segundo Felipe, 'o Ethereum morreu' em termos de liderança. Dois antigos FUDs ganharam substância: a concentração de bitcoins em poucas mãos americanas (ETFs, Saylor, governo) e a computação quântica — com papers do Google, prazos do NIST e financiamento da DARPA empurrando a chegada de um computador capaz de quebrar criptografia de curva elíptica para 2030-2035. Cerca de 1/3 dos bitcoins estariam vulneráveis, algo como US$600 bilhões em prêmio. Também discutem o risco das Bitcoin Treasury Companies (MicroStrategy com MNAV abaixo de 1 e US$15 bi em dívida, Sharp Link perdendo 50% em Ethereum), o crescimento explosivo das stablecoins como vetor de dominância do dólar no mundo (Tether comprando mais ouro que países inteiros, Genius Act do Trump) e os mercados preditivos como nova fonte de informação. Encerram com recomendações práticas: Bitcoin e caixa, aportes mensais, cuidado com bull traps e paciência enquanto o preço estiver abaixo da média de 50 semanas.
Os ciclos de quatro anos do Bitcoin seguem funcionando como profecia autorrealizável — o topo veio 535 dias após o halving, quase idêntico aos 528 e 527 dias dos ciclos anteriores — mas as mudanças estruturais (excesso de oferta de altcoins, concentração institucional e risco quântico) exigem que o investidor pare de buscar a alt season e concentre risco onde há convicção: Bitcoin e caixa rendendo.

Bruno e Malu Perini recebem Ernesto Reis e Emmanuel Pinheiro, veteranos das Forças Especiais do Exército Brasileiro e colegas de turma de Bruno na AMAN (2010). A conversa começa explicando a diferença entre operações especiais e forças especiais, a história dos comandos na Segunda Guerra Mundial e o que caracteriza a guerra irregular — em que a missão é conquistar 'corações e mentes' da população. Os convidados relatam experiências extremas: sete dias sem comida na sobrevivência do Curso de Guerra na Selva, uma semana de restrição progressiva de água no teste de reação e liderança do curso de Comandos (incluindo o episódio em que Ernesto fingiu um desmaio em três tempos e foi flagrado pelo instrutor), e o curso de Forças Especiais, que 'não tem gabarito' — o instrutor entrega uma missão complexa e diz apenas 'nos vemos lá'. Discutem a técnica de inoculação do estresse, a visualização tática, o ensino por competência e o peso decisivo do ambiente na formação do destino (dos cinco que foram para Manaus, quatro viraram forças especiais). Na segunda metade, Ernesto conta como conheceu a esposa americana numa missão no Fort Bragg, pediu demissão após 18 anos como major e criou com Emmanuel o projeto 'Pense como Forças Especiais'. Falam sobre liderança de times de alta performance, a diferença entre o militar 'águia' e o 'pombo-correio', a síndrome da pessoa boazinha, a importância de fazer o básico bem feito e a lição de jamais sentir pena de si mesmo.
Fracassar em algum momento é inevitável, mas desistir é imperdóavel — e na hora da pressão você não sobe ao nível das suas ambições, você cai ao nível do básico que treinou todos os dias.

Gravado ao vivo com plateia de alunos do Viver de Renda, o episódio 270 de Os Sócios reúne Ruy Alves (Kinea) e Zé Rocha (Dahlia Capital) para discutir onde investir em 2026. Zé Rocha apresenta o framework da gestora: os grandes ciclos de alta do Brasil acontecem quando três fatores se alinham — dólar fraco no mundo, valuation disfuncional e transição política em Brasília. Ele mostra que isso ocorreu em 2003, 2009 e 2016, anos em que o EWZ subiu mais de 100%, e argumenta que os três vetores voltam a se encaixar agora, com Trump perseguindo dólar fraco, Selic a 15%, NTN-B a 7,5% e uma eleição que, segundo as pesquisas e a tendência das urnas municipais e estaduais, tem cara de cair no colo da direita. Ruy Alves complementa com uma leitura mais estrutural e crítica: o EWZ tem hoje o mesmo lucro por ação de 2007 enquanto o S&P subiu 10 vezes, num verdadeiro trabalho de Sísifo para o investidor brasileiro. Para ele, o problema do Brasil não é fiscal, é schumpeteriano — falta produtividade e destruição criativa. Ainda assim se declara otimista: enxerga oportunidade nos gaps de educação, saneamento e infraestrutura, elogia casos como Embrapa e as multinacionais (3% da força de trabalho gerando 30% do PIB) e recomenda diversificação (metade aqui, metade lá fora) diante da incerteza eleitoral. A conversa se amplia para o excepcionalismo americano — explicado por geografia, instituições, tecnologia e demografia — a Lei de Moore como "placa tectônica" silenciosa mais importante que qualquer eleição, a aceleração da inteligência artificial, o colapso demográfico global e o papel do Bitcoin e do ouro como "norte absoluto de valor" num mundo de debasement das moedas fiduciárias. Curiosamente, nenhum dos dois gestores tem Bitcoin na carteira pessoal, embora ambos reconheçam a tese.
Os grandes ciclos de alta no Brasil não vêm de sorte: eles acontecem quando dólar fraco no mundo, valuation disfuncional e transição política em Brasília se alinham — e os três estão se alinhando agora.

Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Sérgio Habib, fundador do grupo SHC e responsável por trazer Citroën e JAC Motors ao Brasil, para explicar por que os carros são tão caros no país. Habib remonta à proibição de importação de automóveis entre 1968 e 1991, à abertura feita por Collor (com alíquota inicial de 85%) e às ondas de montadoras que chegaram depois — até a atual onda chinesa. O cerne da explicação é fiscal: o Brasil gasta 36-37% do PIB para funcionar, tem dívida de 90% do PIB e tributa consumo em vez de renda, resultando em carga tributária média de 37% sobre cada carro vendido (contra zero nos EUA e no Japão, 21% na Europa e 10% na China). Com isso, o carro é caro para o consumidor e barato para o fabricante — a Toyota recebe US$ 22 mil por um Corolla no Brasil contra US$ 28 mil em Miami e US$ 35 mil na Europa, razão pela qual não amplia sua participação aqui. Habib argumenta que o Brasil não dará incentivo fiscal a carros elétricos: precisa arrecadar, é exportador de petróleo (sétimo maior produtor, caminhando para quarto), o governo é sócio de 50% da Petrobras, e temos etanol — que do berço ao túmulo emite quase tanto quanto um elétrico. Ele mostra que, em países continentais sem trem de alta velocidade e sem infraestrutura de carregamento (Canadá, Austrália, Índia, EUA), o elétrico não passa de 4 a 8% do mercado, enquanto na China chega a 37% graças a 2,5 milhões de pontos de recarga e incentivos. A parte mais prática do episódio é o alerta sobre híbridos plug-in: são caros (só acima de R$ 160 mil), complexos e, quando o sistema elétrico pifa, o carro simplesmente não anda — um conserto pode custar R$ 90 mil num Volvo XC60. Para Habib, a solução brasileira é o híbrido leve de 12V, que continua funcionando mesmo se o sistema elétrico falhar. Ele ainda fala de desvalorização brutal dos elétricos caros (Audi, Volvo, Mini e Porsche Taycan perdendo 50% em um ano), da resiliência dos elétricos baratos por causa dos 2 milhões de motoristas de aplicativo, da geração distribuída solar que já equivale a quatro Itaipus, da campanha do "taxar o sol", dos riscos do biodiesel e do avanço das marcas chinesas de 31% para 62% do mercado interno da China.
O carro é caro no Brasil não porque a montadora ganha muito, mas porque o Estado precisa arrecadar sobre consumo — e por isso nenhum incentivo ao elétrico virá de um país que exporta petróleo e tem etanol.

O episódio 268 de Os Sócios Podcast recebe o gestor Paulo Ghedini e o economista André Bellini para discutir a dívida pública brasileira. Os convidados explicam o que é a dívida, como o governo se financia (impostos, emissão de dívida ou inflação) e por que o Brasil, mesmo com relação dívida/PIB menor que Estados Unidos e Japão, preocupa mais: a combinação de juros reais altos (6-7%), crescimento baixo do PIB e ausência de credibilidade fiscal faz a trajetória da dívida crescer 3-4% ao ano sem perspectiva de estabilização. A conversa detalha por que soluções são politicamente inviáveis: 90% do orçamento é despesa obrigatória, a previdência consome mais da metade dos gastos federais, e desindexar aposentadorias do salário mínimo ou rever pisos constitucionais de saúde e educação significaria perder eleição. Ghedini defende que a saída é estrutural e liberalizante, citando Coreia do Sul, Polônia, Singapura e Hong Kong como exemplos de países que privatizaram, reduziram impostos e cresceram. Bellini, mais cético, lembra que o teto de gastos — a melhor regra que o Brasil teve — foi desmontado, e que o arcabouço atual não é crível por não ter gatilhos automáticos. Há ainda uma longa digressão sobre demografia: queda da natalidade, envelhecimento populacional, o fim do bônus demográfico e o impacto disso na previdência e no crescimento potencial. Ao final, discutem dominância fiscal — ambos avaliam que o Brasil ainda não entrou nesse cenário, mas que a eleição de 2026 é binária e pode definir o rumo.
O que determina o risco de colapso fiscal não é o nível da dívida, mas a expectativa sobre sua trajetória: se o mercado acreditar que ela vai estabilizar, os juros longos caem e o próprio problema começa a se resolver sozinho.

Bruno e Malu Perini recebem o filósofo Luiz Felipe Pondé para discutir o conceito de antifragilidade de Nassim Taleb. Pondé explica que o antifrágil não é nem o frágil que se desmancha nem o robusto que resiste, mas aquilo que se fortalece com o caos — e aproxima a ideia do junco pensante de Pascal, que se dobra ao vento mas não quebra. A conversa avança para a fragilidade das novas gerações e a crise de saúde mental, que Pondé relaciona a um diagnóstico sociológico de Georg Simmel de 1904 sobre a 'intensificação da vida nervosa' nas grandes cidades, e não apenas ao celular. O papo se expande para inteligência no mundo antigo versus moderno (com referência a Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond), a naturalização milenar da escravidão mesmo entre pensadores brilhantes como Aristóteles e Sêneca, e o papel da Revolução Industrial e dos interesses econômicos ingleses no fim do tráfico negreiro. Discutem ainda se a inteligência artificial vai nos deixar mais burros — Pondé se diz nem apocalíptico nem integrado, e aposta que a IA amplifica quem já tem repertório. Na última parte, debatem a coragem como a única virtude que não pode ser fingida, a tese de Adam Smith de que a sociedade comercial dissolve as virtudes heroicas, o Brasil como quase narcoestado, a crise demográfica e previdenciária com a queda da fertilidade, e a teoria de Hayek de que os piores chegam ao poder.
Antifrágil não é quem resiste ao caos sem se mexer, mas quem se dobra, sobrevive e sai mais forte — e virtude, como a coragem, só existe na prática, nunca na teoria ou no discurso.

O episódio apresenta a Orange BTC, a maior Bitcoin Treasury Company da América Latina, recém-listada na B3 através de um IPO reverso. Os fundadores Guilherme Gomes e Fernando Ulrich explicam a estratégia da empresa de acumular Bitcoin em tesouraria enquanto promove educação financeira sobre o ativo na região. A empresa nasceu com dois pilares: tesouraria proprietária em Bitcoin e educação, diferenciando-se de outras empresas que adotaram Bitcoin posteriormente. Com 3.675 bitcoins em tesouraria (aproximadamente R$ 2 bilhões), a Orange BTC ocupa a 26ª posição entre as maiores detentoras de Bitcoin do mundo. Os convidados detalham como as Bitcoin Treasury Companies funcionam, explicando que permitem que investidores institucionais (fundos de pensão, seguradoras, gestoras) que não podem comprar Bitcoin diretamente obtenham exposição alavancada ao ativo através de uma empresa listada. Discutem estratégias de capitalização como emissão de ações, dívidas conversíveis e follow-ons, além de métricas específicas como MNAV (múltiplo do valor dos ativos) e Bitcoin por ação. A conversa aborda também a visão de longo prazo sobre a adoção do padrão Bitcoin como reserva de valor global, comparando com o ouro e moedas fiduciárias. O episódio explora ainda a importância da educação do mercado financeiro brasileiro sobre Bitcoin, os diferenciais competitivos da Orange BTC (time experiente, modelo de negócio transparente, foco educacional), e perspectivas sobre a adoção institucional e governamental do Bitcoin no Brasil e mundo.
As Bitcoin Treasury Companies permitem que investidores institucionais obtenham exposição alavancada a Bitcoin através de uma empresa listada, gerando retornos potencialmente superiores ao próprio Bitcoin enquanto democratizam o acesso a um ativo que a maioria dos fundos de pensão e gestoras não podem comprar diretamente.

Neste episódio do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem Luana Carolina e Hanah Franklin para discutir o que realmente funciona na criação de conteúdo digital, independentemente das mudanças de algoritmo. As convidadas defendem que o criador deve estudar princípios do comportamento humano — emoção, conflito e mudança, contraste emocional, familiaridade — em vez de correr atrás de trends passageiras. Hanah conta que postou mais de 800 vídeos em dois anos crescendo apenas mil seguidores, e só depois de estudar princípios estourou com um vídeo que lhe trouxe 30 mil seguidores em uma semana. A conversa passa por constância como exposição à variedade de contextos, domínio profundo de público (muito além de 'mulheres de tal idade'), uso de IA como laboratório cognitivo e não como gerador de conteúdo pronto, e a crítica a produções caríssimas e engessadas que não convertem. Luana relata o case do TikTok, rede da qual era cética e onde passou a vender turmas inteiras de mentoria, além de explicar por que a frase 'se tem comida na geladeira, come a comida da geladeira' entrou na camada de decisão da audiência. No fim, os quatro debatem caminhos de monetização para quem está começando: prestar serviços digitais especializados (como edição de vídeo) quando não há audiência, e criar produtos próprios, comunidade e infoprodutos quando já existe público. Reforçam a importância do tempo de tela (YouTube, podcast) para construir autoridade e conversão.
Conteúdo que vende não nasce de trends, mas de princípios do comportamento humano — emoção, conflito e identificação — aplicados com constância suficiente para gerar amostragem estatística.

No episódio 263 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Thiago Nigro, Érico Rocha e Leandro Ladeira para falar sobre como ganhar dinheiro na internet. O ponto de partida é o anúncio de uma Black Friday conjunta (27 de outubro), em que os quatro vão reunir todos os seus produtos de marketing digital e de finanças num pacote vitalício — a tese central é que não basta aprender a gerar caixa, é preciso aprender a preservar e multiplicar o patrimônio, já que apenas 15% de quem bate o primeiro milhão continua milionário dez anos depois. Cada convidado conta o momento em que percebeu que a internet era um negócio, e não um bico: Thiago com uma live de 32 pessoas que gerou cinco interessados; Ladeira saindo de dez anos de agência endividada depois de brigar com um cliente, ao descobrir que no digital o faturamento cresce sem o custo operacional acompanhar; Érico com um lançamento de R$100 mil em sete dias e, depois, com a consultoria de 5 mil euros que se resumiu a uma única palavra: 'repete'. Bruno conta a trajetória do blog em 2013 até o Viver de Renda em 2017, feito com cano de PVC, pote de whey e um Samsung S7. A conversa avança para as maiores mentiras do marketing digital (faturamento como vaidade, a ilusão de ser empresário, o desejo de que alguém faça por você), para o debate sobre se o mercado está mais fácil ou mais difícil hoje — com o argumento de que a demanda cresceu mais que a oferta pós-COVID — e para o impacto da IA, com Thiago defendendo que esta é a última janela para construir um nome antes que o conteúdo vire commodity. Ladeira encerra defendendo que o marketing digital tem a melhor relação esforço/retorno do planeta, e Thiago sistematiza quatro camadas: técnica, tática, estratégia e comportamento.
A genialidade está no simples: encontrar algo que funciona e repetir, aprimorando — e depois aprender a preservar o que ganhou, porque só 15% de quem bate o primeiro milhão continua milionário dez anos depois.

Neste episódio dos Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ana Jords e Guilherme Batilani para debater o conceito de "modo caverna": um período de isolamento e foco intenso para acelerar resultados. Ana apresenta a ferramenta que criou e popularizou, explicando seus três pilares obrigatórios (intelecto, mente/dopamina e corpo) e os pilares flexíveis que cada pessoa escolhe de acordo com seus objetivos, com duração recomendada de cerca de um mês. Para ela, o modo caverna serve menos como hack e mais como forma de solidificar uma nova identidade, exigindo mais de 80% de esforço alocado para gerar resultados exponenciais. Guilherme Batilani assume o papel de contraponto. Formado em sociologia e apaixonado por estatística, ele argumenta que métodos baseados em casos de sucesso sofrem de viés do sobrevivente: ao calcular quantas pessoas tentaram versus quantas conseguiram (concursos, Instagram, futebol), a taxa fica em torno de 5%. Cita Sapolsky, Taleb, Mlodinow e Kahneman para defender que o livre arbítrio é limitado e que a vida é mais reação a genética e ambiente do que escolha deliberada. Seu maior alerta é contra o isolamento social: conta que no período em que estudou 12 horas por noite como porteiro ficou emocionalmente vulnerável, e lembra que o sucesso costuma depender de capital social — do "prefeito" que abre portas. A conversa se amplia para ambiente como fator decisivo, relacionamentos estáveis como base para desequilíbrios produtivos, o caso do acidente da Avianca e o índice de distância do poder, o impacto das redes sociais e da IA na cognição, e termina com Ana demonstrando seu "segundo cérebro" construído no Obsidian.
Períodos de foco extremo funcionam para solidificar identidade e acelerar resultados, mas não são garantia — as chances giram em torno de 5% e o isolamento social cobra um preço alto, porque boa parte do sucesso vem do capital social que você só encontra estando entre pessoas.

No episódio 261 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Caio Carneiro e Marcelo Toledo para discutir hábitos, rotina e alta performance. A conversa começa pela gestão de agenda — Toledo apresenta o conceito de "calendário base zero", preenchendo todos os minutos do dia, e Caio defende o "basicão bem feito": atividade física, oração, tempo com os filhos e com a esposa como pilares inegociáveis. Toledo conta como criou o conteúdo diário da banheira de gelo após fechar uma empresa e se separar, e como os primeiros 200 vídeos não decolaram antes de virar um fenômeno de 50 milhões de views por mês. O grupo explora a fisiologia da disciplina: a região do córtex pré-frontal que se fortalece com desconforto voluntário, o conceito de hábitos angulares (um hábito bom puxa outro, e o mesmo vale para os ruins), e a importância das pequenas vitórias. Malu relata com franqueza como engordou amamentando por comer doce em excesso e como um post de uma amiga a fez retomar o controle. Bruno conta a história cômica da orelha estourada no jiu-jitsu que infeccionou por reaproveitar seringa. Na parte final, falam sobre proteger hábitos, facilitar o que é certo e dificultar o que é errado (Caio pediu para tirarem Coca Zero do escritório), o valor do "intercessor" — alguém que te alerta antes da bomba estourar —, a analogia das fichas compradas ao longo da vida e a ideia de mudar "no amor e não na dor". Toledo fecha lembrando que um hábito simples leva de dois a três meses para se consolidar fisiologicamente, e Caio emociona ao contar dos filhos fazendo abdominal espontaneamente ao lado dos pais.
Disciplina é um combustível que esgota rápido; o que muda o jogo é transformar disciplina em hábito consolidado — e isso leva de dois a três meses de consistência, não força de vontade infinita.

Bruno Perini recebe Felipe Sant'Ana, cofundador da Paradigma Education, para discutir em que ponto do ciclo o Bitcoin se encontra. Felipe avalia que estamos "nos 40 do segundo tempo": o topo provavelmente ainda não foi feito, mas é hora de reduzir risco — vender altcoins, concentrar em Bitcoin e montar geração de caixa (criptodólares rendendo) para um eventual inverno cripto em 2026. A conversa dedica boa parte do tempo às empresas de entesouramento (treasury companies). Felipe critica duramente as que acumulam Solana, Ether, Tron ou Dogecoin, enxergando nelas uma forma de grandes detentores dessas moedas venderem posições ilíquidas para Wall Street. Comparam o fenômeno aos Trusts pré-crise de 29 e à bolha de John Law na França, e discutem MNAV, enterprise value, as métricas "exóticas" criadas por Michael Saylor e o risco de espiral da morte quando o múltiplo comprime abaixo de 1. Também analisam o caso Méliuz no Brasil e a arbitragem tributária que pode surgir com o fim da isenção em 2026. O episódio ainda passa por stablecoins como instrumento geopolítico americano de rolagem da dívida, o ataque à cadeia de suprimentos de pacotes npm em JavaScript e boas práticas de custódia, a disputa entre Ethereum e Solana, o ouro recuperando protagonismo nas reservas de bancos centrais e um bloco longo sobre inteligência artificial, computação quântica e os riscos para o Bitcoin no longo prazo.
O momento de assumir risco é quando todo mundo está sangrando, não quando todo mundo está na festa — perto do fim do ciclo, defesa e concentração em Bitcoin valem mais que a busca pelo próximo múltiplo.

No episódio 259 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Dener Lippert (CEO e fundador da V4 Company) e José Carlos Semenzato (presidente do grupo SMZTO e investidor do Shark Tank Brasil) para discutir se vale a pena investir em franquias. Os convidados defendem que, estatisticamente, uma franquia é mais perene e sólida do que abrir um negócio do zero, mas insistem que o sucesso depende de alinhamento de expectativas entre franqueador e franqueado — e que boa parte das frustrações recentes vem do boom de juros baixos na pandemia, quando muita gente se alavancou para abrir lojas e quebrou quando a Selic foi a 15%. Semenzato explica a lógica do franchising: processos padronizados, marcas testadas, escala obrigatória (abaixo de 50-100 lojas não é viável ser franqueadora) e a importância de o franqueador ganhar royalties para estar alinhado ao sucesso do franqueado. Ele alerta contra franqueadores que só vivem da taxa inicial, critica a terceirização da gestão de um negócio que exige dono presente, e dá o conselho prático: antes de comprar, ligue para muitos franqueados aleatórios e pergunte 'você compraria essa franquia novamente?'. Dener conta como transformou a V4 em uma rede de 244 escritórios usando a franquia como forma de expandir o partnership, entregando demanda pronta aos franqueados via o sistema Lead Broker, e explica por que parou de vender franquias há um ano e meio para focar em fazer as unidades existentes crescerem — estratégia que gerou 70% de crescimento de receita sem nenhuma unidade nova. Também discutem liquidez e repasse de franquias, perfil ideal de franqueado, profissionalização de empresas familiares e casos como Coca-Cola, Femsa e Arcos Dourados.
Franquia não é investimento passivo: é sociedade com dono presente, e o maior risco não está na marca, mas no desalinhamento entre o que o franqueado esperava e o que o negócio realmente exige dele.

No episódio 258 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Renato Cariani e Júlio Balestrin para discutir o grande sonho de quem treina: perder gordura e ganhar massa muscular. Os convidados explicam por que o fisiculturismo funciona como 'Fórmula 1' da musculação — testando estratégias que depois chegam às academias comuns — mas alertam que apenas as questões comportamentais (disciplina, resiliência, competitividade) devem ser copiadas, nunca a estratégia de treino, dieta e hormônios de um atleta profissional. A conversa aborda a eterna dúvida entre dieta e treino (Cariani defende o treino como primeiro passo, por acelerar o metabolismo e tornar a pessoa mais seletiva na alimentação), compara corrida e musculação (a corrida é mais democrática e libera dopamina rápido, mas só a musculação garante velhice saudável), e detalha a importância do VO2 máximo e do cardio para longevidade. Júlio Balestrin conta que sua idade biológica é de 37 anos, apesar de ter 49. O episódio ainda trata de musculação para crianças e adolescentes (desmistificando o mito do fechamento precoce das epífises), do impacto na autoestima, de como quebrar platôs de treino e dieta, e fecha com uma análise equilibrada das canetas emagrecedoras como Monjaro e Ozempic — eficazes, mas apenas como 'muleta' que precisa ser acompanhada de musculação, proteína e mudança de ambiente.
Copie do fisiculturista apenas o comportamento — disciplina, resiliência e consistência —, nunca a estratégia de treino, dieta ou hormônios; o atalho farmacológico é o único que o dinheiro compra e o único que só traz efeitos colaterais.

Octávio Magalhães, sócio-fundador da Guepardo Investimentos, conta a trajetória da gestora — que começou como clube de investimentos em 2001, quando ele tinha 21 anos, com o objetivo principal de diferir imposto — até se tornar uma das principais casas independentes de ações do Brasil, com mais de R$ 4 bilhões sob gestão e retorno líquido superior a 20% ao ano desde 2004. Ele explica o processo de seleção de ações da casa: primeiro o filtro qualitativo (setor, cultura, gestão, alocação de capital, governança) e só depois o quantitativo (preço). Das quase 500 empresas listadas, apenas 70 são aprovadas, e o fundo carrega no máximo 14 posições. O episódio detalha cases concretos: Vulcabras (maior acerto da história da gestora, com Olympikus, Mizuno, Under Armour e o fenômeno do tênis Corre), Petrobras e Copasa (as raras estatais compradas, sempre com saída antecipada por risco de interferência governamental), Sabesp e Itaú (vendidas em 2025 por terem atingido valor justo) e Grupo Mateus (varejo com monopólio regional no Norte/Nordeste). Octávio defende que concentração com convicção é melhor controle de risco que diversificação e critica a 'armadilha de valor'. A conversa também aborda o descolamento entre a performance do fundo e a dos cotistas — 10 cotistas ficaram com 88% de todo o lucro da história da Guepardo, justamente os que nunca sacaram —, os sete erros cometidos em 21 anos (quatro das empresas vendidas entraram em recuperação judicial depois), o impacto dos juros altos no valor econômico adicionado das empresas (caso Rumo) e uma crítica dura ao cenário político brasileiro e ao risco de o país ser 'desplugado' do sistema financeiro global.
Empresa boa não é sinônimo de boa ação: só vale comprar o negócio vencedor quando ele está barato — e o maior controle de risco não é diversificar, é conhecer profundamente poucas teses.

No episódio 256 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem três analistas do Grupo Primo — Felipe Arrais (investimentos internacionais), Guilherme Cadonhotto (renda fixa) e Ricardo Figueiredo (fundos imobiliários) — para discutir se a bolsa brasileira está barata e onde investir no segundo semestre de 2025. O consenso é que os ativos brasileiros estão de fato baratos, mas há motivo para isso: risco fiscal, político e incertezas eleitorais. Ainda assim, com posição técnica muito leve nos ativos de risco e poucas empresas listadas, qualquer fluxo de capital pode fazer preço rapidamente. Boa parte da conversa é dedicada ao diagnóstico fiscal do Brasil: a dívida/PIB em três cenários (inércia, básico e reforma estrutural), o peso dos gastos obrigatórios, os R$ 50 bilhões em emendas de relator, a carga tributária de país desenvolvido com serviço público ruim e a discussão sobre o fim da reeleição com mandato de cinco anos. Cadonhotto argumenta que matematicamente o problema é simples (um superávit primário de 2% do PIB estabilizaria a dívida), mas politicamente é dificílimo. Na parte prática, os analistas defendem: títulos públicos IPCA+7% como oportunidade histórica (apenas 5% dos dias negociados desde 2010 tiveram taxa igual ou superior), com assimetria muito favorável mesmo em cenários ruins; fundos imobiliários de tijolo descontados, com logística em vacância recorde baixa e escritórios em São Paulo mais ocupados que antes da pandemia; cautela com crédito privado, cujo spread sobre títulos públicos está pequeno demais para o risco; e diversificação internacional além dos EUA, com Europa, Ásia, REITs e renda fixa em dólar pagando perto de dólar+5%.
Os ativos brasileiros estão baratos por um motivo real — o risco fiscal — mas o trabalho do investidor não é prever o futuro e sim comprar assimetrias: ativos que perdem pouco no pior cenário e multiplicam no cenário apenas razoável.

No episódio 255 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Giovanni Begossi (El Professor da Oratória), bicampeão brasileiro de oratória e autor do livro 'Como Falar Bem e Ficar Rico', e Luis Fernando Câmara, fundador da Vox2you, maior rede de escolas de oratória da América Latina, com 250 unidades, 100 mil alunos e R$ 250 milhões de faturamento. A conversa parte da premissa de que a palavra tem poder de criar realidade, fechar negócios e até salvar vidas, e que a oratória é uma das habilidades mais decisivas para quem empreende. Os convidados detalham as cinco formas de transformar comunicação em dinheiro (networking, vendas, valorização profissional, autoridade digital e palestras), apresentam frameworks de improviso como o '3-2-1' e o 'o quê / e daí / e agora', e explicam a tríade da oratória: mentalidade, técnica e prática constante. O mantra central é 'nunca negue palco' — aceitar toda oportunidade de falar, mesmo uma live para zero pessoas. Também exploram a neurociência do medo de falar em público (cérebro primitivo x racional), técnicas como visualização positiva e alter ego, exercícios de dicção com trava-línguas e os mitos da área, como o de Mehrabian e o da 'mão no bolso'. O episódio ainda traz histórias pessoais fortes: Luis Fernando contando como saiu de R$ 7 milhões em dívidas vencidas na pandemia negociando credor por credor, e Giovanni relatando como passou de adolescente antissocial a maior canal de oratória da América Latina, incluindo o treinamento que deu ao GATE de São Paulo que ajudou a salvar reféns. Encerram falando sobre comparação nas redes sociais, exposição de filhos e a importância de encontrar o próprio estilo de comunicação.
Não existe jeito certo de falar — existe o seu jeito: a eficácia da comunicação se mede pelo resultado, e a única forma de chegar lá é nunca negar palco.

No episódio 254 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem Cauê Mançanares, fundador e CEO da Investo, e Alessandra Gontijo, sócia diretora comercial da gestora, para explicar de forma didática o que são ETFs e por que esse veículo domina o mercado americano enquanto ainda engatinha no Brasil. Os convidados comparam o ETF a uma cesta de ativos negociada em bolsa, que segue um índice de referência, oferece transparência total, diversificação automática e custos muito menores que os fundos de gestão ativa. A conversa explora estatísticas que mostram que 93% dos gestores ativos nos EUA (e 91% no Brasil) perdem para seus índices de referência no longo prazo, recupera a famosa aposta de 1 milhão de dólares de Warren Buffett contra fundos ativos e discute por que o modelo de remuneração commission based da assessoria brasileira desestimula a indicação de ETFs. Também abordam a eficiência tributária: ETFs de renda fixa sem come-cotas e sem IOF, pagando 15% de IR só na venda da cota. Na parte final, detalham produtos específicos da Investo — LFTS11 e LFTB11 (renda fixa brasileira), WRLD11 (ações globais), GPUS11 (S&P 500 via estrutura UCITS na Irlanda, pagando 15% em vez de 30% de imposto sobre dividendos, em parceria com o Grupo Primo), BZD11 (crédito privado americano com dividendos), RODL11 (Bitcoin com taxa zero) e GLDX11 (ouro). Contam ainda a história da Investo, que saiu do zero para mais de R$ 3 bilhões sob gestão em quatro anos e venceu uma competição de planos de negócio em Harvard.
Entre 91% e 93% dos gestores profissionais perdem para o índice de referência no longo prazo — logo, para a maioria dos investidores, o caminho mais inteligente é comprar o índice inteiro via ETF em vez de tentar escolher os vencedores.

Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio e gestor de multimercados da Kinea, para analisar o tarifaço de 50% imposto por Trump aos produtos brasileiros e a crise entre Lula e Trump. Ruy recusa a leitura maniqueísta do conflito: argumenta que Trump chegou até aqui por uma visão equivocada de comércio internacional (a ideia de que só se ganha com superávit bilateral), alimentada por figuras como Lighthizer, Peter Navarro e Howard Lutnick. Critica tanto a ida de Eduardo Bolsonaro aos EUA para incitar intervenção estrangeira num processo judicial brasileiro quanto o abuso de prerrogativas pelo Executivo americano, afirmando que hoje se preocupa mais com a deterioração institucional dos EUA do que com a brasileira. No plano econômico, ele relativiza o impacto macro das tarifas — o Brasil exporta commodities trianguláveis —, mas aponta danos microeconômicos severos em Embraer, WEG, pequenos exportadores e importadores. Politicamente, avalia que Lula capitalizou brilhantemente a crise, tomando para si o verde-amarelo e agindo com a mesma frieza de Xi Jinping na negociação com os EUA; se a eleição fosse hoje, venceria. O cenário de investimento no Brasil depende de uma alternância de poder pró-fiscalista em 2026 para evitar uma crise fiscal em 2027. Ruy também discute a estagnação de produtividade brasileira (3,5% ao ano até os anos 80, ~0,1% depois), a captura do Estado por grupos fisiológicos nos três poderes, o fim do value investing clássico diante da concentração de lucros em tecnologia, e por que o dólar não perderá hegemonia para o yuan. Encerra com um apelo contra a fuga do país: o que importa não é dinheiro, é relevância social.
O que mata o investidor e o país não é o que você não sabe, mas aquilo que você tem certeza de estar certo — e está errado; por isso não existe fórmula pronta (nem value investing, nem buy and hold), existe julgar a incerteza do momento.

Bruno e Malu Perini recebem Érico Rocha (criador da Fórmula de Lançamento) e Leandro Ladeira (criador do método Venda Todo Santo Dia) para discutir o momento atual do marketing digital no Brasil. Os convidados rebatem a narrativa de que o mercado está saturado ou que lançamentos não funcionam mais, mostrando números recentes (uma aluna que investiu R$740 em anúncios e faturou R$35 mil) e argumentando que o mercado se renova constantemente — enquanto existir problema humano, existirá demanda por conhecimento. A conversa destaca a inteligência artificial como o novo boom do setor: as barreiras técnicas (copy, página, tráfego, design) praticamente desapareceram, e a maior barreira hoje é comportamental — medo, procrastinação e o que Steven Pressfield chama de 'resistência'. Ladeira conta casos de alunos que travaram por não apertar 'publicar' ou por investir apenas R$200 em tráfego e desistir, enquanto Érico fala sobre a importância do ambiente ('dize-me com quem andas'). No fim, os quatro discutem longevidade e preservação de patrimônio: Érico propõe um tripé — produto excelente, marketing forte e preservação/multiplicação do caixa fora do negócio. Falam ainda dos riscos de depender da imagem do expert, do caso da família Vanderbilt que perdeu toda a fortuna em poucas gerações, e de como o sucesso (viagens, palestras, fama) é o que mais quebra quem dá certo no digital, porque a pessoa para de fazer o básico que a levou até ali.
No marketing digital de hoje a barreira técnica praticamente não existe mais — o que separa quem faz de quem não faz é comportamental: o medo de perder pouco impede o ganho assimétrico de muito.

No episódio 251 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a nutricionista Marina Gorga e a médica Maíra Soliani para destrinchar o jejum intermitente: o que é, como funciona no metabolismo e para quem ele realmente serve. As convidadas explicam que o jejum mínimo considerado é de 12 horas, que a partir de 14 horas já se fala em estratégias de jejum intermitente, e que o jejum deve ser pensado como um medicamento com diferentes doses — podendo ser diário e leve ou mais longo e esporádico. A conversa percorre a fisiologia por trás do processo: a troca de combustível da glicose para os corpos cetônicos, a autofagia como limpeza celular, a produção de BDNF e os efeitos sobre resistência insulínica e diabetes tipo 2. Também são abordados usos terapêuticos em doenças autoimunes, câncer (como terapia adjuvante à quimioterapia), além do Fast Mimicking Diet criado por Walter Longo, o uso combinado com canetas de GLP-1 e os estudos clássicos de George Cahill e o caso de Angus Barbieri. As especialistas alertam que jejum é um estresse e que a dose faz o veneno: em mulheres magras, atletas ou pessoas já estressadas e mal nutridas, o excesso pode elevar cortisol, reduzir conversão de T4 em T3 e prejudicar fertilidade. Discutem ainda o melhor horário (pular o jantar é superior a pular o café da manhã, embora pular o café seja mais viável socialmente), a crise metabólica americana (88% com síndrome metabólica), estudos com bombeiros e militares, e encerram contando seus próprios protocolos pessoais.
O jejum é um remédio com dose: funciona como estresse benéfico que reprograma o metabolismo, mas em excesso — ou sem cuidar do que se come na janela alimentar — vira veneno.

No episódio 250 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem Danilo Gato e Alexander Barros para discutir como aplicar inteligência artificial nos negócios e lucrar com ela. Os convidados defendem que a IA generativa não é modinha como NFT ou metaverso, porque já tem lastro em resultado mensurável: empresas que implementam agentes de IA aumentam vendas, atendem 24 horas por dia e reduzem custos de forma imediata. Eles comparam a IA à energia elétrica — uma tecnologia que vai estar presente em tudo e cuja resistência inicial é apenas o ciclo natural de adoção humana. A conversa percorre a diferença entre IA clássica (preditiva) e IA generativa, o paper Attention is All You Need que originou a arquitetura Transformer, e o conceito de agentes de IA — sistemas autônomos que raciocinam, se conectam a outros sistemas via API e agem. São apresentados cases concretos: um resort de luxo que fez 450 atendimentos e vendeu R$ 200 mil em um dia, clínicas odontológicas que aumentaram faturamento em 30% com atendimento por áudio, a Reserva que cortou 50% do custo de ensaios fotográficos gerando crianças com IA ao redor de roupas reais, e uma IA no WhatsApp para diabéticos com 40 mil usuários incubada no InovaHC. O episódio também aborda vibe coding (programar descrevendo em linguagem natural), o impacto no mercado de trabalho, o papel crucial do RH e da cultura na implementação, a guerra entre OpenAI, Google, xAI e as chinesas, o atraso da Apple, e termina com a dica prática de levar o problema bruto para a IA em vez de já chegar com a solução pronta.
Você não vai perder o emprego para uma IA — você vai perder o emprego para uma pessoa que sabe usar IA; e a defesa é acompanhar de perto, porque a tecnologia dobra de capacidade a cada seis meses enquanto o ser humano tem uma inércia ridiculamente forte.

No episódio 249 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a advogada Priscila Perini, irmã de Bruno e especialista em leilões de imóveis, para explicar como funciona esse mercado do zero. Ela detalha as duas modalidades principais — leilão judicial (dentro de um processo de cobrança de dívida) e extrajudicial (o chamado 'leilão de banco', ligado à alienação fiduciária de financiamentos) — e mostra que qualquer pessoa maior de idade pode arrematar, desde que tenha conhecimento ou contrate assessoria. A conversa derruba os principais mitos: o arrematante não é vilão (o leilão é mecanismo de justiça que viabiliza crédito barato e beneficia condomínios inteiros), a desocupação não demora anos (cerca de 80% dos casos terminam em acordo, e a lei dá até 60 dias para ação de imissão na posse) e dívidas pessoais do devedor, como trabalhistas e pensão alimentícia, não passam para o arrematante — só as dívidas 'propter rem' (IPTU e condomínio), conforme o edital. Priscila também fala de números reais: cerca de 40% a 45% de lucro líquido em arrematação à vista com 50% de desconto, e percentuais maiores em arrematações financiadas (nos leilões da Caixa é possível entrar com só 5%). Ela alerta contra erros comuns — comprar olhando só o desconto, não checar o valor real de mercado, não entender termos como 'nua propriedade' e usufruto, e arrematar em sociedade com desconhecidos. Encerra explicando liquidez por cidade, estratégia de venda rápida e a diferença tributária entre comprar para vender (pessoa física) e comprar para alugar (pessoa jurídica).
No leilão de imóveis o desconto não é o lucro: o que separa quem ganha dinheiro de quem empata é o conhecimento para ler o edital e fazer a análise prévia jurídica e financeira antes de dar o lance.

No episódio 248 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Santana (Paradigma) e Rafael Castaneda (Casta Cripto) para discutir o novo ciclo do Bitcoin em meio à guerra Israel–Irã, inflação persistente e desconfiança no sistema monetário tradicional. Os convidados destacam a resiliência surpreendente do Bitcoin (queda de apenas 4% da máxima durante o conflito) e defendem que o ativo vive um embate entre duas forças: a visão especulativa (correlacionada a big techs) e a visão de reserva de valor / 'flight to safety', com compradores institucionais que não vendem. A conversa passa por temas como o comprador marginal institucional (ETFs e Bitcoin Treasury Companies como MicroStrategy e Méliuz), os riscos do modelo alavancado do Michael Sailor, a possibilidade de o ciclo de 4 anos estar se quebrando e o inverno cripto ser mais ameno. Há também um longo desvio sobre computação quântica e as moedas do Satoshi, autocustódia versus custódia terceirizada (com dicas como a 'carteira do ladrão' e passphrase), segurança contra sequestros e a tese de que o mercado de altcoins viverá uma 'bolha.com' própria, com poucos sobreviventes. Na parte final, discutem a tentativa do governo brasileiro de acabar com a isenção de R$ 35 mil em cripto, a ascensão das stablecoins como vetor de expansão da hegemonia do dólar (Tether entre os maiores detentores de dívida americana) e fazem suas projeções para o topo do ciclo: Felipe aposta em ~140–150 mil dólares como caso base, Castaneda trabalha com faixa de 120 a 250 mil até novembro, Bruno crava 152 mil e Malu 147 mil.
O Bitcoin está deixando de ser tratado como ativo de risco especulativo para virar porto seguro institucional — e quem compra com essa mentalidade não volta atrás, o que pode quebrar o ciclo clássico de 4 anos.

No episódio 247 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o filósofo Guilherme Freire e sua esposa Ana Clara Freire, pais de cinco filhos, para uma conversa profunda sobre educação de filhos no mundo contemporâneo. Eles abrem o papo desmontando a narrativa antinatalista e a ideia de que é preciso ser rico para ter filhos — contam que a primeira filha nasceu em hospital público, quando não tinham nem plano de saúde — e argumentam que boa parte do que as pessoas chamam de 'perdi minha vida' na maternidade é na verdade reclamação da própria vida adulta e do sacrifício que qualquer coisa boa exige. A conversa percorre temas práticos e filosóficos: a dinâmica de ter um, dois, três, quatro filhos (e por que, segundo Guilherme, três e quatro trazem mais paz que dois), limites de tela e celular (que eles pretendem liberar só aos 15 ou 16 anos), rotina de sono rígida (todos dormem às 19h30), autonomia precoce das crianças, leitura em voz alta de mitologia grega e histórias de santos, e a importância da vida religiosa e do exemplo dos pais. Guilherme traz Platão, Aristóteles e os romanos para discutir formação de virtudes, hierarquia familiar e o mito da caverna como metáfora da missão educativa. Na parte final, discutem papéis de pai e mãe (criticando a lógica de 'divisão matemática' trazida pelo feminismo), estatísticas sobre ausência paterna e criminalidade, e encerram refletindo sobre educação na era da inteligência artificial — defendendo que formação clássica, discernimento moral e contato com a realidade se tornarão ainda mais valiosos quando o processamento virar commodity.
Educar filhos não é um sacrifício que rouba sua vida — é o mesmo tipo de investimento de longo prazo que constrói uma empresa ou um patrimônio: dói no curto prazo e compõe pelo resto da vida.

No episódio 246 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Breno Perrucho e Juarez Junior, fundadores da Jovens For Schools, para discutir se a educação brasileira ainda tem solução. O debate parte dos péssimos resultados do Brasil em rankings internacionais e avança para as causas: a falta de raciocínio lógico e interpretação de texto, o foco no vestibular em vez da vida real e a ausência total de educação financeira na formação básica. Os convidados apresentam a Jovens For Schools, programa que integra três pilares — educação financeira, empreendedorismo e inteligência socioemocional — para alunos de 3 a 17 anos, hoje em cerca de 50 escolas e mais de 20 mil alunos. Eles explicam por que esses pilares não podem ser ensinados separadamente, como o programa funciona na prática (material didático impresso, professor capacitado pela escola, plataforma gamificada com prêmios reais e até viagem ao Vale do Silício) e por que a BNCC, ao prever o conteúdo de forma transversal, acaba não sendo implementada de fato. A conversa também aborda dados alarmantes — 57% de evasão no ensino superior e 85% dos recém-formados trabalhando fora da área — a dificuldade de entrar no ensino público via licitação por menor preço, o papel do engajamento dos pais e a tese de que, no mundo atual de moeda sem lastro, não entender dinheiro é punido de forma cada vez mais severa.
Educação financeira, empreendedorismo e inteligência socioemocional não são luxo nem diferencial de currículo: na vida real eles vêm misturados e dominá-los virou questão de sobrevivência.

No episódio 245 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem Felipe Spritzer e Giovana Naya para discutir "O Almanaque de Naval Ravikant", escrito por Eric Jorgenson a partir das ideias do investidor indiano-americano do Vale do Silício. O livro é dividido em duas grandes partes: como construir riqueza e como ser feliz — e o grupo percorre as duas. Na parte de riqueza, o debate gira em torno de ser pago pelo discernimento, da necessidade de ter participação em um negócio (equity) para alcançar liberdade financeira, e das quatro formas de alavancagem propostas por Naval: pessoas, capital, mídia e código. Felipe e Giovana defendem que mídia e código têm barreira de entrada baixíssima e custo marginal quase zero, sendo as alavancas mais poderosas da era da inteligência artificial. Também falam de intraempreendedorismo, partnership, reputação construída em relacionamentos de longo prazo e a importância das três grandes decisões da vida: onde morar, o que fazer e com quem se relacionar. Na parte de felicidade, discutem a esteira da adaptação hedônica, o status como jogo de soma zero versus riqueza como jogo de construção, o valor da contemplação (ilustrado por relatos pessoais de maternidade e paternidade) e o hábito da leitura — inclusive a liberdade de abandonar um livro ruim. O episódio encerra com a definição de sabedoria de Naval: conhecer as consequências de longo prazo das nossas ações.
Riqueza não vem de trocar tempo por dinheiro, mas de construir alavancagem — e hoje mídia e código são alavancas de custo marginal quase zero, acessíveis a qualquer pessoa com um smartphone.

No episódio 244 do Os Sócios, gravado no Bitcoin Pizza Day de 2025 (15 anos da compra das duas pizzas por 10.000 BTC), Bruno e Malu Perini recebem Felipe SantAnna (Paradigma Education) e Lucas Amendola (DeFi Verso/Investidor 4.20) para discutir o momento do Bitcoin, que acabara de bater máxima histórica acima de US$ 111 mil. Os convidados recontam a história de Laszlo Hanyecz, explicam o conceito de DeFi e analisam o cenário macro: juros altos do Fed, teto da dívida americana, leilões ruins de Treasuries e o dreno de liquidez previsto para o meio do ano. A conversa gira em torno da tese de fim de ciclo. Lucas e Felipe convergem que estamos nos "35 do segundo tempo", com topo provável entre setembro e novembro de 2025, e apontam a alavancagem das Bitcoin Treasury Companies (MicroStrategy/Strategy, Metaplanet, Méliuz) como o provável gatilho do próximo bear market. Bruno conta em detalhe sua tese de investimento na Méliuz — empresa barata, gerando caixa, negociada abaixo do valor patrimonial — e explica métricas como NAV premium e Bitcoin Yield, com ressalvas sobre seu uso. Também discutem a pesquisa Paradigma/Datafolha, que revelou 24 milhões de brasileiros adultos com cripto (16% da população adulta) e 3 milhões fazendo autocustódia, um eleitorado "órfão de representação política" e mais de centro do que a média. No trecho final, falam de altcoins (Ethereum perdendo market share de 21% para 7% para Solana), regulação pró-cripto do governo Trump, reservas estratégicas de países, empréstimos com Bitcoin como colateral em vez de vender e pagar 15% de IR, e divagam sobre inteligência artificial, a terceirização do pensamento para o ChatGPT e o futuro dos relacionamentos humanos. Encerram com palpites de topo: 150-180 mil (Lucas), 142 mil (Felipe) e 138-140 mil (Bruno).
Estamos na reta final de um ciclo cuja próxima quebra provavelmente virá da alavancagem das empresas que compraram Bitcoin com dívida — por isso realizar lucro aos poucos na subida vale mais que tentar acertar o topo.

No episódio 243 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem a fisioterapeuta Raquel Castanharo, mestre em biomecânica da corrida pela USP e criadora do Viva Corrida, para derrubar mitos sobre o esporte que mais cresce no Brasil. Raquel defende que correr é para todo mundo que quer: não existe impedimento por peso, idade ou condicionamento. Ela mostra que pessoas com sobrepeso têm o mesmo risco de lesão que pessoas com IMC normal, que obesos têm apenas 10% a mais de risco — o mesmo aumento de um iniciante qualquer — e que a redução de 40% no risco de morte compensa amplamente esse custo. A conversa percorre os principais mitos: correr não envelhece o rosto (o que envelhece é a exposição solar e o emagrecimento, que esvazia a bochecha), não destrói o joelho (sedentarismo causa mais artrose grave), não exige tênis específico nem pisada 'correta', e alongamento não previne lesão. Raquel explica a caça de persistência dos nossos ancestrais, que corriam até levar o animal à exaustão por hiperaquecimento, para mostrar que somos biologicamente feitos para longas distâncias. Também aborda canelite, absorção de impacto pela musculatura, a importância do fortalecimento muscular para corredores, gestantes correndo com segurança e a inutilidade das técnicas de recovery além do simples descanso. Por fim, discute por que kenianos e etíopes dominam o esporte — apontando fatores sociais e econômicos do Vale do Rift mais do que genéticos — e encerra com o conselho de encontrar o próprio jeito de correr, sem se comparar a influenciadores jovens nas redes sociais, para evitar lesões e ter longevidade no esporte.
Quase tudo que proíbem na corrida — peso, idade, pisada, tênis, falta de alongamento — não tem respaldo científico: o verdadeiro fator de risco é aumentar o volume rápido demais sem respeitar o próprio corpo.

No episódio 242 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Talita Dal Bó, designer de moda e criadora do método Capital Visual, e Gustavo Balbi, referência em estilo masculino, para discutir como a forma de se vestir impacta renda, autoridade e autoestima. Os convidados defendem que vestir-se bem não é sobre estar bonito ou seguir tendências, mas sobre intencionalidade: comunicar com clareza aquilo que você quer que o outro perceba antes de você abrir a boca. A conversa passa pelos 'sabotadores visuais' (roupa amassada, calça rasgada, meia soquete, tênis sujo, cabelo sempre molhado, alcinha fina no ambiente corporativo), pelas peças essenciais para montar um guarda-roupa funcional (as 12 peças que geram 56 combinações, no caso masculino), pela importância do ajuste e da barra, pela psicologia das cores e pelo conceito de alto e baixo contraste. Ambos relatam suas próprias transformações: Talita se vestia mal e vendeu curso para apenas cinco pessoas até mudar a própria imagem; Gustavo saiu da venda de peixe frito na praia até se tornar mentor de estilo, e conta ter sido barrado em restaurante em Paris por causa da roupa. O episódio também aborda quando vale investir em peças caras (a peça se paga com uso), o problema das falsificações, a diferença de dress code entre Rio e São Paulo, acessórios, simetria facial, linguagem corporal e o papel da barba e do cabelo na percepção de credibilidade. A tese central: moda não é futilidade, é capital visual — e quem não cuida da embalagem deixa de monetizar o próprio conhecimento.
O mundo trata melhor quem se veste bem: a roupa não muda seu caráter, mas muda a percepção que o outro tem de você — e isso abre ou fecha portas antes de qualquer palavra.

Neste episódio 241 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem novamente o professor e mestre em filosofia Guilherme Freire para discutir o conceito de gerações e a crise geracional contemporânea. A conversa parte da definição sociológica de geração — pessoas marcadas por experiências comuns de época, tecnologia e cultura pop — e percorre da geração silenciosa aos Boomers, X, Millennials, Z e Alfa, mostrando como cada uma foi moldada por fatores como inflação, redemocratização, revolução sexual, divórcio, escolarização em massa e exposição a telas. Guilherme argumenta que a geração Millennial foi a grande beneficiada da transição tecnológica (teve tecnologia na fase certa, sem perder a infância analógica), enquanto a geração Z sofre com hiperexposição a telas, déficit de atenção, educação positiva permissiva, abandono paterno (cerca de 50% das crianças crescem sem pai) e dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Ele também analisa a polarização política por sexo — homens jovens migrando à direita, mulheres mais à esquerda — ligando o fenômeno ao adiamento do casamento, da maternidade e do assumir responsabilidades. Na parte final, o convidado faz previsões: a desigualdade dentro de cada geração vai explodir, criando um abismo entre o 'super zoomer' (que lê, treina, investe cedo) e quem apenas consome conteúdo passivamente. Ele defende investir cedo em bens perenes — formação física, intelectual, espiritual, família e cultura de trabalho — e encerra com uma reflexão sobre análise de risco versus mentalidade empreendedora, lembrando que o empreendedor avalia o risco a partir do que depende dele mesmo.
As gerações não mudam por acaso: quem investe cedo em coisas perenes — formação física, intelectual, espiritual e familiar — colhe retornos insanos, enquanto quem aposta na moda do momento perde patrimônio e tempo.

No episódio 240 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Guto Galamba, educador físico, especialista em obesidade e empresário com faturamento acima de R$ 1 milhão por mês. A conversa parte da provocação do título — você é o seu maior inimigo — para discutir por que tanta gente sabe o que fazer (comer melhor, treinar, juntar dinheiro) e mesmo assim não muda. Guto defende que a peça que falta é autorresponsabilidade: parar de negociar nas pequenas coisas, porque quem negocia pouco negocia muito, e quem mente por pouco mente por muito. Guto conta sua própria trajetória: começou como personal trainer, fez a primeira venda digital em 2013, faturou R$ 300 mil em um mês em 2014 e gastou absolutamente tudo — poupança zero — morando numa mansão em Florianópolis até a pandemia e um ciclone literalmente derrubarem sua casa. A virada veio com o casamento, a chegada do filho e a sociedade na UP4, quando entendeu que o que dá dinheiro é o CPF, não o CNPJ, e que alta performance empresarial exige auto performance. Ele relata também como condicionou a entrada do sócio Eduardo no quadro societário à perda de 15 kg — o Edu perdeu 26. Na segunda metade, o foco é emagrecimento como problema mental e comportamental. Guto apresenta seus cinco pilares (hidratação calculada, treino diário, alimentação planejada, sono regulado e dopamina ajustada), explica por que regular o sono mudou tudo na vida dele, por que a maioria não sabe de verdade por que quer emagrecer (e por isso não emagrece), e como distribuir as calorias de 'diversão' todos os dias desarma o pico dopaminérgico da recompensa. Fecha falando de legado: escreveu um livro para o filho que vai nascer.
Quem negocia no pouco negocia no muito: a mediocridade não entra na sua vida por uma grande decisão errada, mas por uma sequência de pequenas permissões que você se dá.

Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Israel Salmen (fundador e presidente do conselho da Méliuz), Diego Kolling (responsável pela estratégia Bitcoin da empresa) e Tiago Almeida (conselheiro independente) para discutir a decisão da Méliuz de alocar 10% do caixa em Bitcoin e a proposta, a ser votada em assembleia, de transformar o Bitcoin no principal ativo de reserva da tesouraria da companhia. Os convidados explicam a origem da Méliuz como pioneira em cashback no Brasil, o raciocínio por trás da 'bitcoinização' do mercado de capitais e detalham a estratégia de Michael Saylor na MicroStrategy: usar dívida conversível, emissão de ações e produtos estruturados para aumentar o número de bitcoins por ação, criando um ciclo virtuoso de prêmio sobre o NAV. Também discutem riscos (extinção do Bitcoin, longo período de depreciação), o paralelo histórico com Hugo Stinnes na hiperinflação alemã e a lógica de trocar o abundante (moeda fiduciária) pelo escasso. A conversa ainda aborda o desafio prático da assembleia — são mais de 60 mil acionistas e é preciso 50% mais um dos votos totais —, o tratamento contábil do Bitcoin no Brasil, a recepção de investidores institucionais, os quatro perfis de investidores atendidos por Bitcoin Treasury Companies e a tese de que essas empresas podem ser os grandes beneficiários da transição do padrão petrodólar para o padrão Bitcoin, encerrando com recomendações de livros e conteúdos sobre dinheiro e Bitcoin.
O melhor trade da história é se endividar no que é abundante — a moeda fiduciária — para comprar o que é escasso; é exatamente isso que as Bitcoin Treasury Companies estão institucionalizando.

No episódio 238 de Os Sócios — o último gravado ao vivo antes do nascimento da filha de Bruno e Malu Perini — Thiago Nigro apresenta seu novo livro, "O Homem que Comprou o Tempo". Ele explica por que escolheu escrever uma ficção em vez de outro livro técnico de finanças: queria uma obra atemporal, que pudesse ser lida daqui a 100 anos, diferente de "Do Mil ao Milhão", que vendeu quase 4 milhões de cópias mas é datado. A trama acompanha um empresário sem nome e sua filha Lídia, que após quebrarem uma tábua suméria viajam por Mesopotâmia, Egito, Roma e Japão, descobrindo que os princípios de negócios e dinheiro são atemporais. O conceito central do livro nasceu de uma experiência real: Nigro tentou comprar um Patek Philippe na Suíça e, apesar de ter dinheiro, fama e contatos poderosos, só conseguiu graças ao acesso dado por um motorista de segurança. A conclusão é que acesso — fruto de uma raiz interna fortalecida somada à clareza do que se quer — compra tempo. Daí vem a tese: "o dinheiro é uma ilusão e o tempo é a verdade", e enquanto "Pai Rico, Pai Pobre" ensinou que o rico compra ativo, Nigro quer que o leitor aprenda que o rico compra tempo e o pobre vende tempo. A conversa se aprofunda em sociedades e parcerias como aceleradores de riqueza: desde o casal da Mesopotâmia no livro até a história real de como Bruno virou sócio de Thiago (a negociação dos R$ 17 mil na Rico que provou sua confiabilidade) e como um favor feito a um amigo há dez anos resultou, por indicações em cadeia, na Portofino — hoje o maior negócio do Grupo Primo, com mais de R$ 10 bilhões sob gestão. No fim, Nigro detalha a filosofia de investimentos dividida em negócios (crescimento), real estate (solidez) e liquidez (oportunidade), e o simbolismo da capa: a ampulheta de ouro e a maçã, cujas sementes devem ser replantadas em vez de descartadas.
O dinheiro é uma ilusão e o tempo é a verdade: enquanto o pobre vende horas que ainda não viveu, o rico usa o que ganha para comprar de volta as horas da própria vida.

No episódio 237 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Nathalia Arcuri (Me Poupe!) e Eduardo Feldberg (Primo Pobre) para discutir o que mantém as pessoas na pobreza e o que de fato ajuda alguém a mudar de patamar financeiro. O ponto de partida é a falta de educação financeira e a alienação: segundo Eduardo, a forma mais eficaz de ser pobre a vida inteira é não estudar. Nathalia complementa que estudar não basta — é preciso entender as regras do jogo e, sobretudo, aprender a gerar valor para mais pessoas, já que a capacidade de ganho é proporcional à quantidade de clientes que você consegue atender. A conversa passa pela internet como nivelador de oportunidades, pela importância de rendas extras, pela construção de repertório e curadoria (ler fora do próprio nicho, consumir arte, ficção, cultura pop) e pela escolha de carreira aos 18 anos. Nathalia afirma que, vinda de origem pobre, a última coisa que faria seria faculdade: priorizaria cursos técnicos, bibliotecas, mentores e empreendedorismo. Bruno defende que a faculdade pode valer para quem precisa sair da zona de conforto e cita dados de renda. Todos convergem para habilidades básicas: interpretação de texto, escrita, matemática elementar, oratória, vendas, interpretação de dados e persistência. No bloco final, discutem network acessível (livros e podcasts como substitutos de acesso a grandes nomes), a importância de fazer boas perguntas abertas em vez de bajular, e o conselho de ser a pessoa mais interessada do ambiente. As dicas finais: estudar educação financeira (ganhar, poupar e multiplicar), ser curioso e mergulhar nas revoluções tecnológicas — hoje, a inteligência artificial — para aumentar a própria produtividade.
Sua capacidade de ganho não depende de quanto você trabalha, mas de para quantas pessoas você consegue gerar valor — e isso se aprende estudando, não esperando.

No episódio 236 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para destrinchar a guerra comercial entre EUA e China. HOC começa desmontando a ideia de que vivemos num livre comércio: explica a diferença entre vantagem absoluta e vantagem comparativa (David Ricardo) e argumenta que os desequilíbrios persistentes nas balanças comerciais são sinal de distorções artificiais — subsídios internos que transferem renda do consumidor para o setor produtivo em países como China, Alemanha, Japão e Coreia do Sul. A conversa passa pelo controle cambial chinês, pelo sistema de registro de residência (hukou) que prejudica 370 milhões de migrantes internos, pelos trilemas da Trindade Impossível e da hiperglobalização x soberania x democracia, pelo dilema de Triffin e pelo debate sobre o dólar como 'privilégio exorbitante' ou 'fardo exorbitante'. Bruno levanta o Bitcoin como possível alternativa de moeda internacional, e HOC pondera que ele cumpre a função de reserva de valor, mas não as de meio de troca e unidade de conta. Na parte final, o papo migra para geopolítica e risco de guerra: a armadilha de Tucídides, a crítica à tese de Ray Dalio sobre a ascensão chinesa, a polarização afetiva que substitui argumentos por identidade e, sobretudo, o alerta de que o abandono dos aliados pelos EUA pode desencadear uma onda de proliferação nuclear — de 9 para possivelmente 30 países com bomba atômica.
O que parece 'livre comércio' é na verdade um sistema distorcido por subsídios que transferem renda do consumidor para o setor produtivo — e as tarifas de Trump são uma tentativa tosca de corrigir um desequilíbrio estrutural real.

Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio da Kinea e gestor de multimercados, para discutir se o governo Lula 3 repete os erros da era Dilma. Ruy argumenta que o Brasil não mudou: desde a redemocratização e a Constituição de 1988, o país segue uma única trajetória de crescimento simultâneo de receita, despesa e dívida, sustentada por transferências diretas a uma população majoritariamente pobre. O problema central, segundo ele, é a falta de produtividade — zero fora do agronegócio — e a ausência de instituições econômicas sólidas. Ele projeta um 'acerto de contas' inevitável: com a dívida/PIB crescendo cerca de 4% ao ano e um crescimento potencial baixo, a próxima recessão brasileira será uma crise de dívida pública. Descarta, porém, uma saída via inflação rampante, porque o Banco Central é independente, o orçamento é amarrado e os canais parafiscais (BNDES, Petrobras) têm governança muito melhor que no passado. Analisa ainda que o principal termômetro da popularidade presidencial no Brasil é o dólar, já que o eleitor mediano tem gasto quase integralmente dolarizado (comida e transporte). Na parte prática, Ruy defende diversificação internacional, flexibilidade mental sobre ouro e Bitcoin (que ele vê como 'força pro bem', embora não invista), e critica a proposta de isenção do IR até R$ 5.000 compensada por tributação de dividendos, que considera um desestímulo ao empreendedor. Encerra lembrando que violência é um dos maiores detratores do PIB brasileiro e que, apesar de tudo, as oportunidades no Brasil são maiores do que lá fora para quem tem acesso a capital e educação.
O Brasil não vive uma crise de governo, mas uma única trajetória de 35 anos — receita cresce, despesa cresce, dívida cresce — e o acerto de contas é matemático: a próxima recessão brasileira será uma crise da dívida pública.

No episódio 234 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o economista e diplomata Marcos Troyjo para discutir o que está realmente acontecendo com a economia brasileira. Troyjo analisa os números do PIB recente e argumenta que o crescimento atual é fruto de uma combinação de três fatores: o legado das reformas estruturais feitas entre 2016 e 2022 (trabalhista, previdenciária, marco do saneamento, concessões e privatizações), um comércio exterior robusto puxado pelas vantagens comparativas brasileiras, e uma economia turbinada por gasto público. O problema, segundo ele, é que o processo de reformas parou — e quem colher os efeitos negativos será o próximo governo. Troyjo propõe a leitura de um 'longo governo do PT', que abrange de 2003 a 2026 com um intervalo entre 2016 e 2022, equivalente a 80% do período. Ele critica a reforma tributária por não ter atacado o peso relativo dos impostos (34% do PIB no Brasil contra 27% nos EUA) por não ter vindo acompanhada de reformas administrativa e do Estado. Também apresenta o conceito de 'trumpulência' — a combinação de chacoalhada geopolítica, opulência econômica americana e incongruência entre liberalização interna e protecionismo externo. Na parte final, Troyjo projeta um cenário macrogeopolítico de 20 a 25 anos, dividindo o mundo entre países em declínio (D7: França, Reino Unido, Rússia, Japão, com Alemanha e Itália flertando) e em ascensão (U7: Índia, China, EUA, Arábia Saudita). O Brasil estaria num pelotão intermediário, cujo destino depende da eleição de 2026. Ele avalia que Lula será um candidato competitivo, com a máquina na mão, e que a centro-direita precisa encarar esse cenário com realismo.
O crescimento atual do Brasil é o eco de reformas feitas no passado, não mérito do presente — e como o processo de reformas parou, o país já está consumindo um legado que não está sendo reposto.

No episódio 233 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Fabio Fares e Felipe Arrais para discutir se vale a pena investir no exterior em 2025. A conversa começa pela guerra tarifária de Trump: os convidados explicam as motivações por trás das tarifas (déficit comercial de US$ 130 bi, dívida de 37 trilhões, soberania em setores estratégicos, arrecadação e margem de negociação) e argumentam que não se trata de estratégia aleatória, mas calculada, com muitas tarifas servindo apenas como instrumento de barganha com México e Canadá. O debate avança para o chamado 'acordo de Mar-a-Lago', comparado ao Acordo de Plaza de 1985, no qual os EUA tentariam enfraquecer o dólar e cobrar aliados pela proteção militar via bonds perpétuos de 100 anos. Discutem os efeitos do protecionismo, a inflação e os juros americanos, a possibilidade de recessão nos EUA, a rotação setorial (com o peso de 34% de tecnologia no S&P), o cenário europeu e seus problemas fiscais e demográficos, além da guerra entre Rússia e Ucrânia. Na parte final, os convidados defendem a internacionalização do patrimônio (o brasileiro médio tem apenas 1% fora), explicam estatísticas de bull e bear markets (4,3 anos e +150% contra 11 meses e -31%), discutem alocação entre Brasil e exterior, Smart Beta ETFs e fatores, e encerram falando sobre a reserva estratégica de criptomoedas de Trump, memecoins e a consolidação do Bitcoin como reserva de valor.
O investidor comum não é pago para prever crises nem para fazer stock picking: ele é pago pela disciplina — alocação estrutural, aportes constantes e exposição a moeda forte vencem a tentativa de acertar o timing do mercado.

No episódio 232 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Spritzer e Giovana Naya para discutir o clássico 'Os Segredos da Mente Milionária', de T. Harv Eker. A conversa começa com a história pessoal do casal: eles participaram em 2016 do evento Millionaire Mind Intensive, que foi um divisor de águas — especialmente para Malu, que tinha fortes crenças limitantes sobre vendas e autopromoção. O grupo percorre vários dos 17 'arquivos de riqueza' propostos pelo autor: as pessoas ricas acreditam que criam sua própria vida; entram no jogo do dinheiro para ganhar; estão comprometidas em serem ricas; pensam grande; focam em oportunidades em vez de obstáculos; buscam companhia de pessoas bem-sucedidas; focam no patrimônio líquido em vez do rendimento mensal; e aprendem continuamente. Ao longo da conversa surgem exemplos práticos: a história de Peter Lynch e do fundo Magellan, a macaca russa que superou gestores profissionais, a estatística de que menos de 7% das empresas familiares chegam à quarta geração, e o viés do status quo que mantém mais de R$ 1 trilhão na poupança brasileira. Na parte final, Felipe explica a diferença entre ativo e patrimônio líquido, e Giovana detalha estratégias de planejamento tributário e sucessório — incluindo o uso de alavancagem e patrimônio líquido negativo para reduzir legalmente o imposto de herança. O episódio encerra com a fórmula do livro: programação conduz pensamentos, que conduzem sentimentos, que conduzem ações, que conduzem resultados.
Não existe estoque de dinheiro que resista a uma mentalidade mal programada: antes de mudar seus resultados financeiros, você precisa mudar as crenças que herdou sobre dinheiro.

Os hosts Bruno Perini e Malu Perini recebem os irmãos Ricardo (Cado) e Gustavo Tavares, estudantes de medicina, faixas-pretas de jiu-jitsu e criadores da Dieta da Roça, metodologia que já conta com mais de 15 mil alunos. Criados em Rondônia e Roraima em contato direto com a produção rural, eles explicam que a dieta se baseia em dois princípios simples: só consumir aquilo que poderia ser produzido na roça (eliminando ultraprocessados) e priorizar sempre as fontes mais nutritivas, com destaque para proteínas animais, ovos, laticínios de qualidade, frutas e, por último, vegetais. A conversa percorre a queda de qualidade dos alimentos industrializados ao longo das décadas, a diferença entre carne de boi de pasto e de boi finalizado em soja, o debate manteiga versus margarina, a fragilidade dos estudos nutricionais (incluindo o estudo dos Sete Países de Ancel Keys como base da pirâmide alimentar), a epidemia de testosterona baixa e infertilidade, e o valor nutricional dos órgãos — fígado, coração, tutano — tratados como superiores às carnes de músculo. Além da alimentação, os convidados apresentam os quatro hábitos fundamentais do estilo de vida que defendem: comida de verdade, treino de força e cardio, sono de qualidade com rotina fixa e exposição diária ao sol de forma progressiva, sem queimar. Falam ainda sobre suplementação como complemento (não substituto), vitamina D, protetor solar, a regra 321 para dormir melhor, a baixa taxa de sucesso da cirurgia bariátrica e o erro do perfeccionismo de quem quer mudar tudo de uma vez.
Não faz sentido culpar alimentos que existem há milênios por doenças que explodiram nas últimas cinco décadas — o culpado provável é o que também tem 50 anos de idade: o ultraprocessado.

No episódio 230 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Flávio Augusto e Thiago Nigro para discutir se existem de fato "hábitos milionários". Logo de início os convidados desmontam a narrativa dos conselhos clichês (banho de gelo, acordar às 5h, rotina matinal perfeita): Thiago afirma que ficou rico sem fazer nada disso e que só adotou esses hábitos depois de enriquecer. Flávio aponta três padrões comuns em quem construiu patrimônio do zero: trabalhar muito e com paixão, não seguir o padrão imposto pela sociedade (ser um pouco rebelde, fora da caixa) e ser obsecado pelo que faz. A conversa avança para a crítica à ideia de equilíbrio. Flávio defende que o sucesso nasce do desequilíbrio e da conciliação — acordos conscientes sobre o que sacrificar. Ele conta a rotina de 4h30 no trânsito saindo de Realengo, os 127 kg que carregou até os 50 anos e o arrependimento de ter morado longe do trabalho mesmo depois do primeiro milhão, feito aos 23 anos em 1995. Thiago descreve seus hábitos reais da época: perguntar muito, dormir 5 horas, ser o primeiro a chegar no escritório, só falar de negócios e ser movido por ódio e necessidade de se provar. Na segunda metade, o tema vira manutenção e perpetuação do patrimônio. Flávio fala do risco da ruína além das finanças (divórcio, vícios, apostas, álcool) e expõe sua filosofia sobre filhos: "seu filho é um príncipe", deve ser treinado como tal, sem perrengue artificial, e nunca sucederá nas empresas do pai — ele cria negócios para vender. Thiago aponta a caridade como antídoto da mesquinharia e hábito que protege o patrimônio, além de contar como ensina a enteada Sofia a multiplicar dinheiro. Ambos declaram que não pretendem se aposentar: Flávio produz 100% do próprio padrão de vida (incluindo R$ 20 milhões/ano de avião) sem tocar no patrimônio acumulado.
Os hábitos que enriquecem não são os que os ricos praticam hoje — eles enriqueceram no desequilíbrio, na obsessão e no trabalho extremo, e só depois adotaram a rotina saudável que agora pregam.

No episódio 229 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Leandro Ladeira e Bettina Rudolph para discutir as tendências de marketing digital e social media para 2025. Os convidados começam questionando a obsessão do mercado por "tendências": ambos defendem que o fundamental é o "arroz com feijão bem feito" — propósito forte, modelo de negócio fértil e foco na satisfação do cliente — e alertam sobre o custo de oportunidade de abandonar o que funciona para correr atrás da novidade da vez. TikTok é tratado como rede de descoberta e awareness, enquanto Stories e lives seguem sendo os espaços de relacionamento e venda. Grande parte da conversa gira em torno de inteligência artificial. Ladeira conta como treinou agentes de IA para copywriting, ensinando recursos literários como ironia, antítese e personificação, e defende que o valor não está no prompt (que é facilmente copiável) e sim no agente treinado, vendido por assinatura. Bettina fala da "saasificação" das empresas de educação, do foco em LTV, da criação de barreiras de mercado via treinamento da própria equipe e da decisão de encerrar seu mastermind para fundar um clube com equity e um participante por nicho. Discutem também Black Friday vitalícia, downsell, armadilhas das assinaturas mal calculadas e o risco de virar sócio minoritário de muitas empresas. Na parte final, respondem como começariam hoje. Ladeira defende plano e projeção financeira antes de tudo, conteúdo denso para aumentar conversão quando ainda não há escala, produção amadora (dá o exemplo da irmã nutricionista que saiu de 257 para 67 mil views ao gravar no celular) e reinvestir 100% do lucro inicial. Bettina parte do propósito genuíno, do Instagram que já domina e de uma mentoria como primeiro produto, alertando contra pular de método em método. Todos concordam que o mercado não está saturado e que a barreira de entrada nunca foi tão baixa.
Tendências mudam, mas quem perdura no digital é quem faz o básico bem feito — propósito forte, modelo de negócio fértil e foco no cliente — e usa a novidade como complemento, não como substituto do que já funciona.

No episódio 228 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o nutricionista Igor Eckert e o fisioterapeuta e pesquisador Leo Costa para desmontar os maiores mitos sobre saúde que circulam nas redes sociais. A conversa começa explicando o que é a prática baseada em evidências: a interseção entre pesquisa bem conduzida, experiência clínica e as preferências e o contexto do paciente — e não apenas leitura de artigos científicos. Os convidados explicam a hierarquia dos estudos, por que cada desenho serve para uma pergunta diferente e como a mídia sensacionalista usa estudos frágeis para gerar cliques. O episódio percorre temas polêmicos: homeopatia (e a história curiosa de como ela reduziu iatrogenia ao substituir sangrias), efeito placebo e regressão à média, cirurgias de coluna desnecessárias e o viés de intervenção dos profissionais, protetor solar e disruptores endócrinos, vitamina D e seus fatores de confusão, alumínio em desodorantes e panelas, e teflon. Bruno relata sua experiência com hérnia de disco, em que cinco de seis médicos queriam operá-lo. A parte mais intensa trata de vacinas: Leo Costa reconstrói a fraude de Andrew Wakefield publicada na Lancet nos anos 90, explica por que autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento e não pode ser causado por vacina, e defende a comunicação honesta de riscos — argumentando que esconder eventos adversos raros é justamente o que alimenta o movimento antivacina. O episódio fecha com uma crítica à educação médica brasileira, que ensina alunos a produzir pesquisa ruim em vez de consumir ciência de forma crítica.
Evidência científica importa, mas não é tudo: boa decisão em saúde nasce da interseção entre pesquisa bem conduzida, experiência clínica e o contexto real do paciente — e a frase mais perigosa da medicina é 'na minha prática funciona'.

Bruno e Malu Perini recebem Murilo Freiberger e Felipe Hirai, da Dahlia Capital, para discutir onde investir em 2025. O episódio começa com um diagnóstico do cenário brasileiro: desequilíbrio fiscal, juros caminhando para 15-16%, inflação pressionada e forte dependência do cenário externo — cerca de 80% da variação dos ativos brasileiros é explicada pelo exterior. Os convidados defendem que o Brasil tem conserto estrutural, mas que o ano será desafiador e que 'estar barato' não é motivo suficiente para comprar um ativo. A conversa avança para o exterior, com uma análise detalhada do mercado americano: múltiplos acima da média histórica (23x lucro contra 14-18x), mas com crescimento de lucros excepcional (as 'Sete Magníficas' cresceram 44% em 2024) e empresas com caixa líquido, diferente da bolha das pontocom. Os gestores explicam que o grande diferencial é a escassez de crescimento no mundo — e que os EUA seguem sendo o principal polo, com vantagens demográficas, institucionais e de atração de talentos. O episódio ainda aborda renda fixa (o perigo de vender IPCA+7 como 'no brainer' quando há ações pagando IPCA+12), fundos imobiliários e riscos tributários, ouro e Bitcoin como reservas de valor, o efeito Trump sobre o dólar e a geopolítica, e encerra com um apelo à humildade intelectual: diversificar, reduzir o viés doméstico e construir alocação internacional de forma gradual e consistente.
Um ativo barato não é necessariamente um bom investimento no curto prazo — o que determina retorno é o contexto macro e o crescimento, não apenas o múltiplo de entrada.

No episódio 226 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para analisar a geopolítica do segundo governo Trump, às vésperas da posse. O convidado destrincha as declarações do presidente eleito sobre anexar o Canadá, comprar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, argumentando que boa parte disso é retórica e sinalização para a base política — mas que, por trás das bravatas, estão discussões geopolíticas fundamentais sobre o domínio dos oceanos e das rotas de navegação. HOC explica a lógica histórica das compras territoriais americanas (Luisiana e Alasca), a importância da bacia do Mississippi para a riqueza dos EUA e por que a Groenlândia se tornou estratégica com o degelo do Ártico, que abre as passagens do Noroeste e do Nordeste e pode reduzir pela metade rotas como Roterdã–Japão. Ele avalia que uma compra da Groenlândia só seria viável após independência da Dinamarca e referendo, e critica duramente a hipótese de uso da força: invadir um aliado democrático seria pior que a Rússia na Ucrânia e abriria a 'porteira do inferno' para conflitos globais. A conversa ainda passa pelo cessar-fogo entre Israel e Hamas (e a tese de que conflitos precisam 'amadurecer' até a exaustão para serem resolvidos), pela guerra na Ucrânia, pela dureza comercial com a China e pelo risco de abandonar Taiwan, além de um bloco econômico sobre o dilema de Triffin, a impossibilidade prática de uma moeda alternativa ao dólar e o papel limitado do Bitcoin como reserva internacional.
Por trás das bravatas de Trump sobre Groenlândia, Canadá e Panamá está uma disputa real e muito antiga: quem controla as rotas de navegação controla a economia mundial — e o degelo do Ártico está criando a primeira nova rota global em 500 anos.

No primeiro episódio ao vivo de 2025 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Santana (Paradigma) e Rafael Castaneda (Casta Crypto) para discutir o futuro do Bitcoin em 2025. A conversa parte da indecisão do mercado antes da posse de Donald Trump, passando pelas expectativas de clareza regulatória nos EUA, troca do comando da SEC, reserva estratégica de Bitcoin e o impacto das tarifas e da política de juros do Fed sobre ativos de risco. Os convidados aprofundam o papel geopolítico do Bitcoin: Castaneda defende que o ativo é uma 'arma de cooperação mutuamente assegurada' capaz de contestar a hegemonia do dólar construída desde Bretton Woods e rompida em 1971; Felipe aponta que o confisco de reservas russas e o banimento do SWIFT escancararam o dólar como arma de guerra. Discutem ainda o caso Michael Saylor/MicroStrategy, a dinâmica dos ciclos de halving, estratégias de rebalanceamento (8020), o papel das stablecoins como compradoras de títulos americanos e os riscos do Tether. Na parte final, falam de regulação brasileira (monitoramento de Pix, consulta pública sobre autocustódia de stablecoins), oportunidades políticas para candidatos pró-cripto em 2026 e as consequências sociais de uma moeda não inflacionária — da 'comida fiduciária' ao efeito Cantillon e à separação entre dinheiro e Estado, comparada à separação entre Igreja e Estado.
O Bitcoin não é apenas um ativo especulativo: é uma tecnologia de liquidação global neutra que propõe separar o dinheiro do Estado, assim como a prensa separou a Igreja do Estado.

No primeiro episódio de 2025 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Caio Carneiro e Luana Carolina para discutir como definir e cumprir metas. A conversa começa com cada um fazendo um balanço de 2024: Malu lista suas metas realizadas (incluindo a gravidez de Maria Teresa, fechar a marca MAP, voltar às aulas de inglês), Bruno celebra o lançamento do livro bestseller e a aposta acertada em Bitcoin, Luana conta como bateu uma supermeta profissional com o noivo Rafael, e Caio fala de um ano de consolidação em que venceu sem 'gosto amargo'. O núcleo do episódio é metodológico. Caio defende poucas metas hierarquizadas (ouro, prata e bronze) para calibrar a 'central de decisões' e sustenta que todo o sistema de metas existe para responder a uma pergunta prática: qual é a agenda campeã de amanhã. Luana traz o insight dos requisitos — não basta querer a meta, é preciso mapear que tipo de rotina, decisões e pensamentos ela exige no dia a dia (ela chegou a listar o que lhe gerou estresse crônico em 2024, com 'supermercado' no topo). Bruno defende metas financeiras de longo prazo, por serem objetivas e contáveis, e balizadores numéricos como KPIs (250 dias de treino no ano). Na parte final, o grupo diferencia sonho, objetivo e meta: o sonho é uma fotografia empírica que guia (como o 'vovô Caio' querendo ser o avô preferido), o objetivo são os marcos e a meta é o conjunto de ações com prazo. Caio usa a metáfora do relógio: o ponteiro dos segundos (metas) é o que prova que a máquina funciona. Encerram apontando que a decisão mais importante antes das metas é com quem você vai caminhar, e que progresso deve ser estilo de vida.
Meta não é lista de desejos: é a arquitetura que define sua agenda de amanhã — se sua agenda não reflete suas prioridades, você não tem metas, tem fantasias.

No episódio 223 do Os Sócios, Bruno Perini recebe o astrônomo e divulgador científico Sergio Sacani (Space Today) e o cientista político Professor HOC para discutir a nova corrida espacial. A conversa parte da transição dos anos 60 — quando Estados Unidos e União Soviética disputavam a Lua — para o cenário atual, em que bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos lideram a exploração privada, enquanto a China avança com um programa estatal de longo prazo. Os convidados explicam o conceito de astropolítica, as teorias geopolíticas clássicas (Mackinder, Mahan, Spykman) aplicadas ao espaço e por que o espaço é o 'High Ground' definitivo, a posição militar mais vantajosa possível. O episódio detalha a revolução do New Space: a privatização da órbita baixa pela NASA, o fim do programa dos ônibus espaciais, a ascensão da SpaceX e a queda brutal nos custos de lançamento (de 1,5 bilhão por lançamento do ônibus espacial para uma projeção de 10 milhões com o Starship). Discutem também soberania espacial, o atraso do Brasil (que teve seu programa copiado por Índia e China antes de estagnar), mineração de asteroides, energia solar espacial, direito espacial, os Acordos de Ártemis versus o bloco chinês, armas antissatélite, lixo espacial e o risco de a guerra migrar para a órbita. Por fim, exploram os planos para Lua e Marte: tubos de lava como abrigos, água lunar como combustível, geração de oxigênio a partir do CO2 marciano, o papel dos robôs Optimus na colonização e as ambições de Musk de levar 1 milhão de pessoas a Marte. Há ainda uma discussão sobre quem seria o homem mais poderoso do mundo e o lugar de Musk nesse tabuleiro.
Quem dominar a órbita baixa domina o espaço, e quem dominar o espaço domina o destino da humanidade — o espaço é o último terreno elevado, e a disputa por ele já está acontecendo mesmo sem ninguém estar fisicamente lá.

No episódio 222 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cirurgião plástico e médico integrativo Rodrigo Duprat e o empreendedor Lucas Zappia (fundador da NeuroFood) para discutir o conceito de "jejum de dopamina". Ambos convidados começam desmontando o termo: não existe privação completa de dopamina, já que a molécula é essencial e está presente em mais quantidade fora do cérebro do que dentro. Duprat explica a bioquímica (tirosina → L-DOPA → dopamina) e as três grandes vias dopaminérgicas cerebrais: a nigroestriatal (movimento, ligada ao Parkinson), a mesolímbica (recompensa imediata e vício) e a mesocortical (planejamento, inibição, visão de futuro). A conversa evolui para o diagnóstico do mundo moderno: o problema não é excesso nem falta de dopamina, mas má alocação — muito estímulo na via mesolímbica (redes sociais, delivery, apostas, pornografia) e pouca na mesocortical. Zappia introduz conceitos como erro de previsão de recompensa (estudos de Wolfram Schultz com macacos), a diferença entre querer e gostar, dopamina tônica versus fásica e o período refratário da motivação — a "ressaca dopaminérgica" que faz a pessoa não conseguir treinar depois de uma hora no celular. Também discutem recompensas aleatórias (cassinos, feed do TikTok), fobia social digital, necessidade de aprovação online e cancelamento como análogo moderno ao ostracismo ateniense. Na parte prática, Zappia propõe quatro passos: o "básico bem feito" (sono, exercício, alimentação, regulação do estresse), identificar onde a motivação está mal alocada, alinhar o querer com o gostar e gerenciar a baixa com novidade e contemplação. Duprat complementa com retiros periódicos sem celular, cuidado com emoções e autoestima, conhecer o próprio temperamento (os "sensation seekers"), modular estresse e manejar a alquimia (ciclar cafeína, usar tirosina, mucuna pruriens, banho frio). O fechamento traz a reflexão sobre incompatibilidade evolutiva e o equilíbrio entre ambição e satisfação com o presente.
O problema não é ter dopamina demais ou de menos, mas onde ela está alocada: trocar o prazer imediato da via mesolímbica pelo planejamento e propósito da via mesocortical é o que realmente chamamos de jejum de dopamina.

Bruno Perini recebe o geofísico e divulgador científico Sérgio Sacani e o biólogo marinho Alberto Lindner para um episódio inteiro dedicado às mudanças climáticas. A conversa começa esclarecendo por que a academia sempre usou o termo "mudança climática" em vez de "aquecimento global", e explica os ciclos naturais do planeta (ciclos de Milankovitch, excentricidade orbital, precessão dos equinócios e obliquidade) para mostrar que o problema não é a mudança em si, mas a velocidade dela: o que naturalmente levaria 30 mil anos está acontecendo em 150. Os convidados detalham por que modelar o clima é tão difícil — trata-se de um sistema caótico e dinâmico, sensível a condições iniciais, que exige supercomputadores — e por que as pessoas confundem probabilidade com certeza. Abordam o caso bem-sucedido do buraco na camada de ozônio (resolvido com a proibição do CFC) como prova de que a humanidade consegue agir em conjunto, discutem o mercado de carbono, a Lei 182/2024, as COPs e os conflitos geopolíticos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Lindner destaca que, no Brasil, 50% das emissões vêm de desmatamento e 25% da agropecuária — e não do petróleo (18%). Na parte final, falam de branqueamento de corais, pontos de não retorno (tipping points), extinção ecológica, migrações climáticas e os impactos econômicos concretos (seguros, preço de imóveis em áreas de risco). Encerram com soluções: diversificação da matriz energética, energia solar, eólica, hidrelétrica e especialmente a fusão nuclear, apontada por Sacani como a única energia verdadeiramente limpa e possível salvação do planeta.
O problema das mudanças climáticas não é que o clima mude — ele sempre mudou — mas a velocidade: estamos comprimindo em 150 anos transformações que a natureza levaria 30 mil para fazer, e nenhum sistema vivo consegue se adaptar nesse ritmo.

No episódio 220 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a médica obstetra Bruna Pitaluga e o ginecologista André Vinícius para um mergulho profundo na fertilidade feminina. A conversa parte da constatação de que 10 a 15% da população global enfrenta infertilidade e que a idade materna é, isoladamente, o fator mais determinante — com queda acentuada a partir dos 35 anos. Os médicos explicam que a mulher já nasce com todos os seus óvulos (de 6 a 7 milhões ainda no útero, caindo para 400 a 500 mil na primeira menstruação), o que torna o estilo de vida ao longo de toda a vida um fator cumulativo sobre a qualidade dessas células. O episódio detalha as principais causas de infertilidade: endometriose (presente em 30 a 50% das mulheres inférteis, com tempo médio de 10 anos entre sintomas e diagnóstico no Brasil), síndrome dos ovários policísticos (cujo cerne é a resistência à insulina) e doenças autoimunes como Hashimoto. Os convidados criticam a normalização da dor menstrual, o uso prolongado e indiscriminado de contraceptivos hormonais em adolescentes — que mascara sintomas enquanto agrava a causa — e o excesso de diagnósticos de trombofilia, tratada com heparina sem indicação real, num fenômeno que uma hematologista descreveu como 'usar anticoagulante como antidepressivo'. Na parte prática, discutem exames como o hormônio antimülleriano (e por que ele não é uma sentença), suplementação consciente (vitamina D, B12, ferro, magnésio, zinco, selênio e as competições de absorção entre nutrientes), sono, dieta mediterrânea, 150 minutos semanais de exercício e redução da cafeína. Fecham com o impacto demográfico da queda da natalidade e o recado de que a solução 'milagrosa' está na cama, na cozinha e na academia.
A fertilidade feminina não se decide aos 35 anos: ela é o resultado acumulado de décadas de estilo de vida sobre óvulos que já existiam antes mesmo de você nascer.

Bruno e Malu Perini recebem o professor e mestre em filosofia Guilherme Freire para discutir o livro "12 Regras para a Vida", de Jordan Peterson. A conversa começa contextualizando a trajetória do autor — do cancelamento acadêmico pela questão dos pronomes de gênero até sua decisão de dirigir sua comunicação aos homens jovens, grupo que, segundo ele, sofre com a ausência paterna e a falta de orientação. Ao longo do episódio, eles destrincham várias das regras: a postura ereta e o exemplo das lagostas, a diferença entre o homem inofensivo e o homem bom (perigoso, mas sob controle), a importância de deixar as crianças correrem riscos para criar casca, os perigos de criar pequenos narcisistas com elogios não merecidos, e a regra de arrumar o próprio quarto antes de querer consertar o mundo. Guilherme traz referências de Aristóteles, Sêneca, Chesterton, Platão e do Evangelho de Mateus, além de exemplos como o Rei Davi, Júlio César, Elon Musk e Tiger Woods. O bloco final trata da comparação consigo mesmo em vez de com os outros (e como o Instagram sabota isso), da importância de mentores em lugar de celebridades, da relação entre ideologia, religião e saúde mental segundo Jonathan Haidt, e do valor de dizer a verdade — que, segundo Guilherme, é sempre menos custoso do que anos de acúmulo de mentira. Encerram com a última regra: acariciar o gato na rua, um gesto gratuito de caridade e apreciação dos pequenos momentos.
Força não é o problema do mundo — é a solução: o homem bom não é o inofensivo, mas aquele capaz de fazer o mal e que escolhe voluntariamente não fazê-lo.

No episódio 218 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o Professor HOC (Heni Ozi Cukier), cientista político e autor de "Inteligência do Carisma", e Giovanni Begossi, o El Professor da Oratória, para discutir o clássico "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. A conversa parte da pergunta central: carisma é um dom divino, como acreditavam os gregos, ou uma habilidade que pode ser aprendida? Ambos os convidados defendem que se trata de um conjunto de competências desenvolvíveis — Giovanni conta como saiu de nerd antissocial para bicampeão brasileiro de oratória, e HOC apresenta sua tese das três inteligências: emocional (quem você é), social (percepção do outro) e contextual (leitura do ambiente). O episódio percorre a biografia de Dale Carnegie — a infância pobre no Missouri, os fracassos como vendedor, ator e escritor antes de encontrar seu caminho ensinando oratória — e os princípios práticos do livro: desenvolver interesse genuíno pelos outros, sorrir, lembrar nomes, ouvir, falar sobre o que interessa ao outro e fazer o outro se sentir importante. Também são discutidos os contrapontos: quando a crítica é necessária, a diferença entre bajulação e elogio sincero, e o limite da autenticidade ("se você é escroto e for você mesmo, estará sendo escroto"). Na segunda metade, a conversa migra para o mundo digital e os desafios contemporâneos: por que perfis agressivos e ridicularizadores crescem mais rápido, como lidar com haters, e o impacto da inteligência artificial sobre persuasão e carisma. HOC levanta o cenário distópico de IAs capazes de construir narrativas perfeitas para cada viés individual, enquanto Giovanni aposta que a escassez de humanidade valorizará ainda mais comunicadores reais.
Carisma não é dom inato, é o resultado de três inteligências desenvolvíveis — emocional, social e contextual — e quem diz se você é carismático nunca é você, é o outro dentro de um contexto específico.

No episódio 217 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercados, para discutir onde estão as melhores oportunidades de investimento após a vitória de Donald Trump. Ruy argumenta que a reeleição de Trump representa a vitória das 'pessoas da terra' — trabalhadores que não se beneficiaram da globalização — e que seu segundo mandato será de 'Supply Side': tarifas, corte de impostos corporativos, desregulamentação e reindustrialização dos EUA. Ele defende que as tarifas são inflacionárias apenas no curto prazo e que o fluxo global de capital deve continuar indo para os Estados Unidos. O gestor faz uma defesa enfática do mercado americano frente a Europa ('um museu'), China ('uma prisão que está virando asilo') e Japão ('um asilo'), apontando que a inovação, a demografia favorável e a pujança corporativa estão nos EUA. Critica o 'culto à Bovespa' e o bairrismo do investidor brasileiro, e propõe a estratégia de 'duplo carrego': comprar bolsa americana vendendo bolsa brasileira, e comprar real contra moedas asiáticas e europeias de juro baixo. Também diferencia o investidor de equity — que deve buscar transformação e assumir risco — do rentista, que deveria ficar em renda fixa e multimercados. Sobre o Brasil, Ruy alerta para um processo de dominância fiscal em curso: o dólar é o verdadeiro 'chefe' da economia, o juro real de 7% é insustentável diante do crescimento do PIB, e o governo Lula precisa de um choque de credibilidade. Fecha com uma análise detalhada da China a partir da música Hotel California, explicando as fases do ciclo econômico chinês e por que a Kinea prefere vender a moeda chinesa a comprar ações locais.
O investidor de ações precisa buscar transformação e assumir risco de verdade — quem quer previsibilidade está no produto errado, e hoje a inovação transformacional está concentrada nos Estados Unidos, não no Brasil, na Europa ou na China.

Bruno e Malu Perini recebem Fabio Fares, Felipe Spritzer e Anna Beatriz (Bia Tognini) para discutir as lições de "O Mais Importante para o Investidor", de Howard Marks. A conversa parte do conceito de pensamento de segundo nível — olhar além do óbvio, já que o mercado precifica expectativas antes dos fatos — e avança para um longo debate sobre a hipótese dos mercados eficientes, com Felipe defendendo que o mercado é altamente eficiente (citando que quase 90% dos gestores ativos perdem para seus benchmarks em janelas de 15 anos) e Fábio argumentando que há bolsões de ineficiência em cripto, imóveis, REITs e no mercado brasileiro. O grupo dedica boa parte do episódio ao risco, tema que Marks explora em três capítulos: entender, reconhecer e controlar o risco. Discutem a assimetria das perdas (cair 50% exige subir 100% para voltar), o exemplo do barril de petróleo negociado a valor negativo na pandemia, a diferença entre ser agressivo e tomar decisões ruins, e a importância de uma alocação estrutural com rebalanceamento disciplinado em vez de market timing. Felipe conta como, em março de 2020, comprou ações no fundo de pensão da Scania apenas por seguir a política de alocação, não por previsão. Também abordam o papel da sorte nos resultados (a analogia do campeonato de cara ou coroa e do "gestor estrela"), a confusão entre gerar alfa e simplesmente correr mais beta/risco, a crítica ao uso do CDI como benchmark de multimercados, e a defesa de investir no exterior para equilibrar passivos em dólar. As críticas ao livro são pontuais: repetitividade dos exemplos e a contradição entre pregar contra market timing e praticá-lo ocasionalmente.
No investimento, como no tênis amador, ganha quem erra menos: você não precisa acertar a próxima NVIDIA, mas não pode ter uma Americanas na carteira.

No episódio 215 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Isabela Matte, Pedro Sobral e Felipe Sant'Ana para uma conversa inteira dedicada ao hábito da leitura. O papo começa com Bruno falando do lançamento de seu livro 'Em Nome do Povo', sobre a desvalorização da moeda e o papel do Estado, e segue para as histórias pessoais de cada convidado com os livros: Pedro conta que se inspirou ao ver a mãe estudando e começou a ler aos 14 anos com livros emprestados por uma colega; Isabela relata que chegou à leitura buscando respostas existenciais na filosofia e só voltou a ler de verdade em 2022, virando 'testemunha de Kindle'; Felipe lembra da mãe 'entupindo' ele de livros desde cedo. A conversa desmonta vários tabus: pode abandonar livro (o tempo é limitado e existe a falácia do custo afundado), pode ler vários ao mesmo tempo, pode ler romance leve ou erótico sem culpa, e audiobooks/documentários valem — mas não substituem a leitura. Felipe propõe que inteligência se sustenta em três pilares: memória, conjectura e expressão, e que só a leitura e a escrita desenvolvem os dois últimos. Bruno critica o mercado de livros escritos por ghost writers para influenciadores sem repertório. O bloco final é uma enxurrada de recomendações: Ismael, O Alquimista, As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Papillon, Os Quatro Compromissos, A Guerra da Arte, Felicidade por Acaso, Outlive, Em Busca de Mim (Viola Davis), além de ficções de Carla Madeira, Tolstói e Asimov. A dica central que todos convergem: comece pelo que você gosta, leia por prazer e não para parecer inteligente.
Você não vira leitor terminando livros — vira leitor sentando todo dia para ler a primeira frase daquilo que te dá prazer, sem culpa pelo gênero nem obrigação de chegar ao fim.

No episódio 214 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem os médicos André Rizzuti e Conrado Alvarenga para um papo sobre fertilidade, tema que entrou na vida do casal depois de uma jornada de tentativas, perdas gestacionais e da cirurgia de varicocele feita por Bruno — e que agora culmina na gravidez da Malu. Os convidados começam diferenciando infertilidade (um ano tentando de verdade, sem conseguir) de esterilidade (impossibilidade total), e desmontam o tabu de que a dificuldade de engravidar é um problema só da mulher: 50% do material genético vem do homem e a varicocele responde por 40 a 45% dos casos de infertilidade masculina. A conversa percorre os fatores de estilo de vida que impactam a qualidade espermática e ovulatória: sono, obesidade, sedentarismo, ultraprocessados, vape, excesso de cafeína (presente também em refrigerantes, pré-treinos e suplementos) e disruptores endócrinos como plásticos, perfumes e poluição. Um bloco importante trata do uso de testosterona exógena e outros recursos ergogênicos, que suprimem LH e FSH e 'fecham a fábrica' de espermatozoides — com Conrado alertando que hoje o uso prescrito (chip da beleza, oxandrolona para o verão) preocupa tanto ou mais que o uso clandestino. Também são explicados espermograma, fragmentação de DNA (exame novo, caro e ainda pouco difundido), endometriose, SOP e anticoncepcionais. No pano de fundo, discutem a queda global da taxa de fecundidade, a crise demográfica na China, Japão e Argentina, a falsa segurança do congelamento de óvulos, as escolhas éticas da reprodução assistida (seleção de embriões, CRISPR) e a dubiedade carreira versus maternidade. A mensagem final é de democratização da informação: as soluções para melhorar a fertilidade são mais simples e baratas do que se imagina.
Infertilidade não é esterilidade, e o esperma é um marcador da saúde masculina: metade da causa está no homem — e boa parte dela se resolve com hábitos simples ou uma cirurgia de varicocele.

Neste episódio 213 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem novamente o filósofo Clóvis de Barros Filho para uma aula sobre a filosofia existencialista. O episódio começa com o anúncio da gravidez de Malu e uma conversa descontraída sobre Epaminondas, o gato de Clóvis — que se torna o exemplo central da explicação: o gato é escravo da sua 'gatitude', enquanto o humano não tem natureza prévia alguma. Clóvis explica a virada proposta por Jean-Paul Sartre: enquanto para os gregos, para o cristianismo e para objetos como a tesoura a essência precede a existência, na vida humana a existência precede a essência. Daí decorrem a liberdade radical ('somos condenados a ser livres'), a responsabilidade como outro lado da mesma moeda, a angústia existencial diante dos infinitos caminhos possíveis, e conceitos como má-fé e náusea — a vida teatralizada de quem compra uma identidade postiça (o CEO, o garçom, o 'explicador') para reduzir a angústia da liberdade. Bruno contrapõe questionando se o existencialismo não nega obviedades sobre a natureza humana, o que leva Clóvis a assumir sua posição pessoal: ele se diz essencialista, acredita em inclinações natas (cita Messi, Pavarotti, Dalí) e prefere um meio-termo, ainda que a lógica filosófica não o permita. A conversa passa por educação no Brasil, preconceitos e estereótipos nacionais, moral e ética como liberdades (individual e coletiva), a morte no existencialismo ateu e no cristão, e termina com a parábola da xícara cheia de chá e o convite socrático ao aperfeiçoamento da alma.
Se a existência precede a essência, você é a soma das suas decisões — e toda desculpa que terceiriza a responsabilidade pela sua vida é apenas má-fé.

No episódio 212 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Sérgio Kendy, Mateus Bragatto e Mateus Queiroz, os três engenheiros civis fundadores do Grupo The Best Açaí. Eles contam como, ainda no último ano de faculdade em Londrina, montaram a primeira loja em novembro de 2017 com cerca de R$ 16 mil juntados a duras penas — R$ 3.500 de venda de amendoim, R$ 5.000 emprestados de uma tia e um limite inesperado de R$ 3.000 no cartão de crédito do Nubank. Freezer da OLX, geladeira usada, caixote de feira como decoração e a mãe de um deles como fiadora de tudo. A conversa detalha a lógica por trás do crescimento: a conta simples de quanto precisava vender para não quebrar (20 pessoas gastando R$ 2 por dia), a decisão de cobrar royalty fixo e baixo (hoje R$ 450) e monetizar pela indústria própria, a verticalização com fábrica de 12 mil m² e cerca de 50 caminhões, e a estratégia de abrir loja própria na capital para gerar franquias nas cidades vizinhas. Eles relatam também a fase caótica em que uma fábrica dimensionada para 35 lojas atendia 125, quando rezavam para chover para não vender demais, e o roubo de R$ 90 mil em fios resolvido com antecipação de pedidos dos franqueados. Hoje são 501 lojas inauguradas, 718 vendidas, mais de 2.500 colaboradores e projeção de faturamento de R$ 777 milhões em 2024, com início de internacionalização pelo Paraguai. Os sócios falam de divisão de responsabilidades (cada unidade de negócio com "um pai da criança"), reunião semanal de sócios, cultura como "gestor invisível", metas com três níveis (incluindo a supermeta de 500 lojas que acabou virando 306 unidades vendidas em um ano) e a importância de contratar gente mais competente, como executivos vindos da Coca-Cola para a indústria.
Crescimento explosivo não nasce de genialidade, mas de contas simples feitas desde o primeiro dia — saber quantos clientes por dia impedem a empresa de quebrar — somadas a metas tão grandes que obrigam a reinventar a operação.

No episódio 211 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Oliver Stuenkel, professor da FGV e pesquisador em Harvard, para analisar a eleição presidencial americana de 2024 entre Donald Trump e Kamala Harris. Recém-mudado para Boston, Oliver explica o funcionamento do colégio eleitoral, o sistema 'winner takes all' e por que a disputa se concentra em apenas sete estados-pêndulo, com cerca de 100 mil eleitores indecisos definindo o resultado. O convidado aponta três vantagens estruturais de Trump: ele não precisa vencer o voto popular, as pesquisas tendem a subestimar seu eleitorado (que desconfia de instituições) e há uma tendência global de governos incumbentes perderem eleições. Apesar do bom desempenho econômico americano — pleno emprego e salários altos —, a percepção de inflação pesa contra Kamala. Oliver também detalha o paradoxo americano em que serviços são caros e produtos baratos, o inverso do Brasil, onde o protecionismo pune principalmente os mais pobres. A conversa passa ainda pelo papel das criptomoedas na disputa, o avanço libertário no Vale do Silício, as eleições para Senado e Câmara, as propostas tarifárias de Trump e seus riscos inflacionários, a dependência americana da mão de obra imigrante e as remessas que sustentam economias latino-americanas. No fim, Oliver analisa os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, avaliando que Netanyahu está empoderado e que o Irã, enfraquecido, busca desescalar. Sua aposta final: Trump com 50,1% de chance, Senado republicano e Câmara democrata.
A eleição americana não é decidida pela maioria dos votos, mas por cerca de 100 mil eleitores indecisos em sete estados-pêndulo — entender a estrutura do jogo vale mais do que acompanhar pesquisas nacionais.

Robledo Ribeiro, CEO da HostGator Brasil, conta sua trajetória do zero ao império de hospedagem de sites. Formado em Ciência da Computação e com MBA, ele tentou alguns negócios no Brasil sem grande sucesso, até que em 2004 decidiu com a esposa Thaís largar tudo para viver fora. Nos Estados Unidos, encontrou pelo Craigslist uma vaga de suporte numa startup de hospedagem com menos de 10 funcionários, fundada por Brent Oxley, então com 18 anos. Trabalhando de madrugada no chat e no telefone, tornou-se o melhor atendente da empresa e entendeu profundamente a dor do cliente. Em 2007, já tendo vivido como nômade digital pela Espanha, Itália, Holanda e França, propôs ao fundador levar a marca para o Brasil, com um business plan de uma página. Fez sociedade 50/50, veio para o Rio com apenas US$ 3.000 por mês e servidores emprestados. Sem verba de marketing, cresceu via boca a boca e um sistema artesanal de afiliados — mandava cheques escritos à mão pelo correio para donos de sites. Foram 30 clientes no primeiro ano, 300 no segundo, 3.000 no terceiro, até os mais de 600 mil clientes atuais na América Latina, com quase 400 funcionários 100% remotos. A conversa também aborda cultura em empresa remota, o impacto da inteligência artificial no negócio de presença online, a importância de 'pegar a fruta baixa' que o cliente já pede, a crítica a conselhos tomados como verdade absoluta e a reflexão sobre por que continuar trabalhando mesmo sem precisar do dinheiro.
Saber com clareza onde você quer chegar é o verdadeiro superpoder — porque é isso que permite podar tudo que não serve e colocar você num trilho de alta velocidade.

O episódio 208 do Os Sócios discute as lições do livro "Morra Sem Nada", de Bill Perkins, que propõe uma filosofia contraintuitiva: em vez de acumular patrimônio até a morte, o objetivo seria usar o dinheiro em experiências enquanto ainda se tem saúde e vitalidade. Bruno Perini e Malu Perini recebem Laís Araújo e Felipe Spritzer, da Portfel, para destrinchar as nove regras do livro — de "maximize suas experiências positivas" a "assuma os maiores riscos quando tiver pouco a perder". A conversa passa por temas como dividendos de memórias versus dividendos financeiros, a importância de fazer intercâmbio e viagens cedo (todos relatam suas experiências), a polêmica sugestão do autor de pegar dinheiro emprestado quando jovem (ponto em que os convidados discordam), e a ideia de adiantar a herança em vida, quando o dinheiro tem maior impacto para os filhos. Discutem ainda ferramentas como previdência privada, fluxo de renda vitalício, risco de crédito de seguradoras e risco de longevidade. O grupo conclui que o livro é essencialmente sobre gestão de tempo, não sobre torrar dinheiro, e que ele serve para quem já construiu patrimônio e trabalha demais — nas mãos erradas (endividados ou jovens acomodados) pode ser "dinamite". Bruno defende a regra dos 4% como abordagem mais conservadora, mas reconhece que o convite central do livro — refletir sobre o emprego do tempo e sobre a riqueza como soma de dinheiro, tempo e saúde — é válido.
Riqueza não é só dinheiro: é dinheiro, tempo e saúde — e morrer com patrimônio acumulado significa ter trocado energia vital por recursos que você nunca conseguiu converter em vida.

No episódio 209 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a criadora de conteúdo Luana Carolina e a psicóloga Fernanda Landeiro para discutir o que realmente significa ser produtivo. A conversa começa diferenciando produtividade de simples volume de atividades: Fernanda defende que, antes de montar qualquer lista de tarefas, é preciso ajustar a rotina (sono, alimentação, exercício) e definir claramente o objetivo final — a 'rota'. Luana complementa com a ideia de que muita gente tenta copiar a rotina de quem já chegou lá, sem entender que o caminho até lá era outro. Os convidados exploram ferramentas concretas: automonitoramento (anotar durante 15 dias quando e quanto você produz), gamificação de metas, compromisso público com reporte semanal, e o uso do app Obsidian para conectar conceitos de leituras. Discutem também procrastinação ativa, perfeccionismo, a diferença entre o que é 'importante' e o que é 'determinante', e os riscos graves do uso cosmético de medicação psiquiátrica (Venvanse, Zolpidem) para forçar produtividade — Bruno relata sua única experiência com o remédio e o medo de criar dependência psicológica. Um dos blocos mais fortes é sobre propósito: Fernanda argumenta que propósito é uma invenção, uma história que cada um conta sobre a própria vida, e não algo pré-existente a ser descoberto. O episódio fecha com o poder do ambiente — físico, social e digital — como alavanca de mudança, usando o caso dos soldados viciados em heroína no Vietnã como exemplo, e com dicas práticas: comer bem, dormir bem e buscar conselheiros em vez de tentar resolver tudo sozinho.
Produtividade não é fazer mais coisas, é saber quais poucas coisas são determinantes para o objetivo que você mesmo inventou — e proteger o ambiente que te permite executá-las.

Bruno e Malu Perini recebem o teólogo, filósofo e psicanalista Lucas Scudeler, criador da plataforma Segredos dos Relacionamentos, para discutir como construir relacionamentos fortes e duradouros. Lucas conta sua trajetória — de músico de rock a estudioso de filosofia, teologia e psicologia analítica junguiana — e explica como percebeu que tinha um talento natural para relacionamentos, transformando isso em método e escola com mais de 18 mil alunos. O centro da conversa é o "vestibular dos Quatro Pilares": valores similares (espirituais, ético-políticos e morais), sonhos compartilháveis, rotinas sincronizadas e atração (consciência de saúde, personalidades opostas e complementares e química/cheiro). Lucas defende que a maioria das pessoas escolhe parceiro por instinto e feromônio, o que é o grande erro, e que a escolha deveria se aproximar o máximo possível do racional — nessa ordem hierárquica de pilares. O episódio ainda aborda o paradoxo da masculinidade, o princípio da ambiguidade feminina, a importância do "não" e do obstáculo transponível na conquista, a idade ideal para casar (final dos 20), os quatro princípios de manutenção (verdade, respeito, diálogo e reciprocidade afetiva), o conceito junguiano de enantiodromia, o instinto de domesticação feminino e as duas grandes corrupções — vulgaridade na mulher e covardia no homem. Bruno e Malu intercalam a teoria com histórias do próprio relacionamento de 15 anos.
Relacionamento duradouro não nasce de instinto e química, mas de uma escolha o mais racional possível — valores, sonhos, rotinas e atração, nessa ordem de hierarquia.

No episódio 206 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o nutricionista Igor Eckert e o médico André Rizzuti para discutir o Ozempic (semaglutida) e as demais drogas da classe dos análogos de GLP-1. Os convidados contam a história da molécula — descoberta nos anos 80 em testes para diabetes tipo 2, com a supressão de apetite aparecendo já como 'efeito colateral' nos primeiros estudos em humanos — e explicam por que a semaglutida popularizou o tratamento: aplicação semanal, maior comodidade e quase o dobro da perda de peso em relação à liraglutida. A conversa gira em torno do balanço risco-benefício: para quem tem obesidade (doença com dezenas de comorbidades, redução de 6 a 13 anos de expectativa de vida e altíssima taxa de fracasso com mudanças de estilo de vida isoladas), o medicamento é uma revolução real. Já para quem quer perder 2 ou 3 kg por motivo estético, os riscos — perda de massa magra, deficiência energética relativa, desregulação hormonal (pior em mulheres), efeitos ainda não mapeados no longo prazo — tendem a superar os benefícios. Os convidados detalham ainda efeitos colaterais conhecidos (náusea, constipação, pancreatite rara), a lógica da farmacovigilância e a diferença entre o que ensaios clínicos conseguem ou não detectar. O episódio também explora o impacto econômico: a Novo Nordisk chegou a valer mais que o PIB da Dinamarca, a Eli Lilly negocia a múltiplos de 116 vezes lucro, e há projeções do JP Morgan de que 10% dos americanos usarão algum análogo após 2030 — com efeitos em cadeia sobre indústria alimentícia, cirurgias bariátricas, planos de saúde e até aviação. Falam de patentes, genéricos, preços, Anvisa, SUS e das próximas moléculas: tirzepatida (Mounjaro), retatrutida e o bimagrumab, que promete perda de gordura com ganho de massa muscular.
O Ozempic não é bom porque é milagroso — ele parece milagroso porque a obesidade é devastadora; fora desse contexto, o balanço entre risco e benefício muda completamente.

No episódio 205 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o arqueólogo e teólogo Rodrigo Silva para discutir o que a Bíblia ensina sobre dinheiro, riqueza e prosperidade. Rodrigo começa explicando que a palavra 'dinheiro' (kessef) aparece em cerca de 2.350 versos bíblicos e que a visão de que Deus condena a riqueza é herança de uma teologia medieval — diferente da crítica grega (como em Sófocles), que atacava a distorção da riqueza, e não a riqueza em si. A conversa percorre passagens de Salomão (Eclesiastes e Provérbios) interpretadas à luz da cultura do deserto: 'lança o teu pão sobre as águas' é lido como reserva de emergência e reinvestimento (guardar 30% para gerar um novo 100); 'a riqueza obtida com facilidade diminui' é relacionada a herdeiros e ganhadores de loteria; e 'a pressa excessiva leva à pobreza' ao imediatismo das promessas de enriquecimento rápido. Rodrigo também desmonta mitos de interpretação: a parábola dos trabalhadores da vinha não trata de economia, mas de salvação; 'dai a César o que é de César' ensina a eleger batalhas (com exemplo de Martin Luther King vs. Malcolm X); e o 'camelo e o fundo da agulha' é hipérbole didática sobre o perigo espiritual da riqueza, não condenação do rico. Na reta final discutem usura — definida como lucro abusivo, com exemplos de bancos, FGTS e o Mercador de Veneza — e o legado como verdadeira medida de riqueza, usando Silvio Santos como exemplo. A metáfora de fechamento: seja o mar da Galileia, que recebe e distribui, não o Mar Morto, que só recebe.
Riqueza de verdade não se mede pelo que você acumula, mas pelo legado e pela prosperidade que você gera nos outros — quem só recebe e nunca distribui vira Mar Morto.

Neste episódio 204 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Talita Dal Bó, Bernardo Britto e Paulo Cuenca para dissecar o mercado de luxo, que movimentou mais de US$ 1,6 trilhão no último ano. A conversa começa pela definição de luxo — raridade, escassez, aura e história — passando pela origem histórica (dádivas na antiguidade, objetos sagrados na Idade Média, demarcação social na burguesia) até o paradoxo atual da 'democratização' do luxo, com produtos de entrada, colaborações (como o Omega x Swatch MoonSwatch) e conglomerados como LVMH e Richemont. Os convidados exploram o que realmente constrói uma marca de luxo: tradição, narrativa, experiência sensorial, escassez fabricada (como ovelhas criadas ouvindo música clássica para ternos de R$ 1,5 milhão) e, principalmente, identidade. Discutem quiet luxury, old money versus new money, propósito e sustentabilidade como novo diferencial para millennials e geração Z — ponto em que Bruno discorda, argumentando que o discurso vende mais do que o comportamento efetivo das massas. Também abordam a lógica do relacionamento obrigatório com a marca (o caso da Birkin da Hermès), o mercado secundário e se bolsas e relógios são de fato investimento. A parte final é um mergulho em hierarquia de marcas: do lado dos relógios, a 'Santíssima Trindade' (Patek Philippe, Audemars Piguet, Vacheron Constantin), Rolex, Cartier, Omega, Tudor e relojoeiros independentes; do lado das bolsas, Hermès, Chanel, Dior, Celine, Louis Vuitton. Talita explica ainda a 'curvatura de tendência' e o trabalho dos cool hunters, que captam comportamentos nas periferias e brechós antes de virarem moda massificada.
Luxo não se vende por produto, mas por identidade e escassez — e a escassez mais valiosa hoje não é a do objeto, é a do acesso: não basta ter dinheiro, é preciso ter relacionamento e informação.

No episódio 203 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Bettina Rudolph e Hyeser Souza para discutir o mercado de influência, estimado em centenas de bilhões de dólares mundialmente. Os convidados contam suas trajetórias: Bettina caiu de paraquedas no marketing digital como assistente de copywriter na Empiricus, virou meme nacional ('tenho 22 anos e mais de 1 milhão e 42 mil de patrimônio acumulado') e transformou o cancelamento em combustível, fundando depois a BR Marketing. Hyeser começou aos 15 anos criando páginas no Instagram sem aparecer, vendeu seu primeiro perfil por um iPhone e hoje acumula mais de 20 milhões de seguidores em páginas que não levam seu rosto. A conversa aborda como começar no digital: descobrir no que você é bom (Bettina recomenda o livro 'Descubra Seus Pontos Fortes' e o exercício das seis caixas — profissão, aprendizados de vida, hobbies, círculo social, paixões e habilidades), escolher a rede em que se consegue produzir com consistência, e entender que o primeiro plano quase nunca é o que dá certo. Todos concordam que o maior ativo é a confiança da audiência, mas debatem se confiança basta: Malu argumenta que produtos físicos baratos exigem menos confiança e mais sensação de oportunidade, enquanto Bettina defende que o diferencial é comunicar o benefício e a transformação. O episódio também traz números concretos (Bettina chegou a faturar R$ 170-200 mil/mês com publicidade; Malu divulgou a Puravida de graça por três anos antes de ser paga), estratégias práticas como fingir publicidade para atrair marcas e negociar por cupom com comissão, o uso de inteligência artificial (Hyeser revela que 70% do conteúdo de algumas páginas é 100% feito por IA, com análise de 27 métricas por post) e o que cada um faria se começasse hoje — Bruno apostaria em cripto e IA.
Sua maior reserva de mercado é a sua personalidade: ninguém entre 8 bilhões de pessoas é igual a você, e copiar o que é nota 9 nos outros em vez de levar o seu 7 para 10 é o caminho mais longo possível.

No episódio 202 do podcast Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem o cientista político Bruno Garschagen para analisar as eleições na Venezuela e a controversa 'vitória' de Nicolás Maduro. Garschagen é taxativo: não se pode chamar aquilo de eleição, pois o regime controla todo o sistema eleitoral, a oposição e a informação — trata-se de uma farsa usada para dar ares de democracia a um regime autoritário. As atas não divulgadas, segundo ele, se forem apresentadas provavelmente já estarão fraudadas. A conversa percorre a trajetória da Venezuela, que saiu do posto de 4º maior PIB per capita do mundo nos anos 50 para a pobreza extrema atual, com cerca de 7 milhões de refugiados. Os hosts relatam a experiência de morar em Boa Vista em 2017 e presenciar o início do êxodo venezuelano. Discute-se também a imprevisibilidade da queda de ditaduras (com o exemplo da coletiva de imprensa que precipitou a queda do Muro de Berlim), o papel do Lula e do PT na chancela do resultado, as abstenções do Brasil na OEA e o custo político e econômico dessa aliança. No fim, Garschagen rebate a classificação de Maduro como 'conservador' feita por jornalistas e pelo ministro Barroso, mostrando que o partido se declara socialista em estatuto, e defende que a discussão política precisa transcender as instituições: sem uma cultura política fundada em virtudes e transcendência, nenhum arranjo institucional se sustenta. Ele descarta intervenção militar externa e guerra civil, já que a população foi desarmada.
Instituições e eleições não bastam: sem uma cultura política ancorada em virtudes e no reconhecimento de que existe verdade e mentira, qualquer arquitetura institucional é frágil e pode ser varrida por um golpe.

Bruno e Malu Perini recebem Thiago Nigro e Rodrigo Gianotto para discutir o livro "Feitas para Vencer" (Good to Great), de Jim Collins, e o conceito do flywheel: pessoas disciplinadas, pensamento disciplinado e ação disciplinada. Logo no início, o grupo questiona o viés de sobrevivência da obra — Collins analisou apenas empresas que venceram, ignorando as que tinham as mesmas características e quebraram. O debate mais quente do episódio é sobre "primeiro quem, depois o quê". Thiago Nigro discorda de Collins e defende que o modelo de negócio é mais importante que as pessoas, usando como exemplo os discípulos de Jesus (pessoas improváveis com um modelo que funcionou) e a própria história do Grupo Primo. Gianotto pondera que, a partir de certo tamanho, o "quem" vira o fator de destrave. Nigro também lista cinco pilares de perenidade: time, modelo de negócio, caixa, ausência de alavancagem e alinhamento do time com o sucesso da empresa. Na segunda metade, os convidados falam sobre o conceito do porco-espinho (ser excelente em uma única coisa), a descoberta de que o negócio do Grupo Primo era Finanças, disciplina e cultura ("escrever na parede é fácil, difícil é cultivar"), aceleradores tecnológicos, LTV e como construir um bom modelo de negócio — com empilhamento de receita, baixo CAC, LTV longo e margem. Nigro relata ainda sua experiência pessoal com disciplina (perdeu 24 kg e depois recaiu na lua de mel) para ilustrar como a acomodação é o estado natural do ser humano.
Um bom modelo de negócio pode salvar pessoas medianas, mas pessoas excepcionais raramente salvam um modelo ruim — por isso, antes de caçar talentos, questione se a matemática do seu negócio se retroalimenta.

No episódio 200 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem as nutricionistas Marina Gorga e Nanda Muller para discutir se existe uma "melhor dieta". A conclusão central aparece logo no início: não há uma dieta universalmente superior, mas sim estratégias nutricionais eficientes que funcionam melhor para determinada pessoa, em determinado momento de vida, considerando contexto, rotina, estresse, composição corporal e comportamento. A conversa passa pelas dietas da moda — carnívora, vegana, Plant based, cetogênica, low carb, dieta flexível, jejum intermitente, gluten free e lactose free — apontando prós, contras e exageros de cada uma. As convidadas criticam documentários tendenciosos como The Game Changers, explicam as limitações metodológicas dos estudos sobre alimentação (amostras pequenas, pouca duração, pessoas que mentem sobre o que comem) e alertam para conflitos de interesse da indústria. Também discutem reposição de B12 em veganos, riscos de dietas restritivas em crianças, cortisol e jejum matinal (especialmente para mulheres), e o impacto do horário das refeições. No fim, falam sobre Ozempic e análogos, defendendo uso pontual e com acompanhamento médico, mas criticando o abuso por quem não precisa emagrecer. O recado final é de volta ao básico: comida de verdade, proteína suficiente em cada refeição, sono, sol, hidratação, exercício e gerenciamento do estresse.
Não existe a melhor dieta, existe a melhor dieta para aquela pessoa naquele momento — e a que funciona é a que você consegue sustentar na maior parte do tempo gerando déficit calórico.

No episódio 199 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Fábio Fares e Felipe Arrais para discutir a alta do dólar, que chegou a bater R$ 5,70, o maior patamar desde a pandemia. Os convidados explicam que o movimento tem duas camadas: um dólar globalmente forte, puxado pelos juros altos nos EUA e por economias que patinam (Europa, China, Coreia), e um componente doméstico — ruído político, fragilidade fiscal, mudança de meta, ataques à independência do Banco Central e dúvidas sobre quem substituirá Roberto Campos Neto. Só no ano, R$ 43 bilhões de investimento estrangeiro deixaram o Brasil. A conversa avança para a estratégia prática do investidor: ambos defendem que a pessoa física deve ignorar o 'timing' do câmbio e comprar moeda forte todos os meses, seguindo um plano de longo prazo. Fábio relembra estudos mostrando que quem investe com regularidade bate quem espera correções — o S&P ficou 338 dias sem cair 2%. Discutem ainda o contraste entre a bolha pontocom (com o exemplo da Pets.com avaliada em US$ 800 milhões) e o momento atual das big techs, que entregam resultado real, como Nvidia com crescimento de lucro acima de 600% ano contra ano. No trecho final, o debate migra para o futuro estrutural do Brasil: educação deficiente, população envelhecendo, mais da metade do país como recebedor líquido de imposto e a aceleração da inteligência artificial ampliando o gap com os EUA. Também falam sobre eleições americanas (Trump x Biden), setor de luxo como defensivo, diferenças entre BDRs, ADRs e ETFs, custos de remessa internacional e o risco de o governo elevar o IOF para frear a saída de capital.
O investidor pessoa física não deveria se importar com o preço do dólar hoje — comprar moeda forte com regularidade, todo mês, vence qualquer tentativa de acertar o momento certo.

Pablo Marçal é o convidado do episódio 198 do Os Sócios, recebido por Bruno Perini e Malu Perini. Ele abre a conversa detalhando seu grupo empresarial — avaliado segundo ele em R$ 5 bilhões, com faturamento aproximado de R$ 400 milhões, atuação em 19 segmentos (imobiliário, seguros, aviação, hotelaria, educação, tecnologia), cerca de 2.000 colaboradores e mais de 140 sócios. Marçal conta sua trajetória de atendente de call center e filho de faxineira, defende a diferença entre 'escolarização' e 'educação', e explica seu modelo de gestão baseado em multiplicação de talentos, unidade de linguagem e no papel de CVO, sem operar diretamente as empresas. A conversa passa por temas pessoais: a ação humanitária em Angola desde 2019 (construção de 350 casas), a operação de 206 carretas enviadas ao Rio Grande do Sul durante as enchentes, e a transformação física de 60 dias com Renato Cariani (10 kg perdidos, sono de 7h30, corte de açúcar, 4 g de sal, 5 litros de água), além do desafio de luta com o Popó. Na segunda metade, o foco é política. Marçal explica por que se candidata à prefeitura de São Paulo, ataca adversários como Ricardo Nunes, Guilherme Boulos e Tabata Amaral, propõe um teleférico privado interligando comunidades, defende a tese de que 'não existe dinheiro público', critica a carga tributária e a dívida pública, e propõe remuneração de políticos atrelada a resultados. Encerra com um apelo ao eleitor e uma ligação ao vivo para sua esposa Carol, que fala sobre o chamado da família para a política.
Resultado vem menos de talento individual e mais das mesas em que você se senta: quem muda de mentalidade e multiplica talento nos outros deixa de depender da nota social alheia e passa a viver por fruto.

Bruno e Malu Perini recebem o cardiologista Silvio Póvoa e o neurocientista Eslen Delanogare para discutir o livro "Outlive", de Peter Attia. O episódio parte dos chamados "Quatro Cavaleiros do Apocalipse" — doenças cardiovasculares, câncer, demências (Alzheimer) e doenças ligadas à resistência insulínica — e explica por que a medicina tradicional chega tarde demais, tratando a doença já instalada em vez de prevenir suas causas raízes décadas antes. Grande parte da conversa gira em torno do VO2 máximo como principal marcador de saúde e longevidade: os convidados mostram evidências de efeito dose-dependente, plausibilidade biológica e dados inversos que apontam causalidade, lembrando que um VO2 muito baixo tem risco de mortalidade comparável ao do tabagismo. Também discutem a diferença entre atividade física e exercício planejado, o conceito de zona 2, treino de força e preensão manual, equilíbrio, sono e o papel do músculo como órgão endócrino que capta glicose sem insulina e libera irisina, potencialmente protetora contra placas amiloides. Na segunda metade, falam de nutrição (restrição calórica, proteína, sódio, açúcar, gordura saturada, jejum intermitente, manteiga x margarina), medicamentos como metformina e rapamicina, genética e história familiar, os limites e riscos do rastreio excessivo (overdiagnosis) e o conceito de "medicina influenciada por evidências". Encerram com saúde mental e relações sociais: viver mais só faz sentido com vontade de viver e pessoas ao redor.
O maior remédio da longevidade não está na farmácia: é o exercício — e o VO2 máximo é hoje o melhor marcador isolado de quanto e com que qualidade você vai viver.

No episódio 196 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a doutora em finanças comportamentais Jéssica Campara e o psicólogo e mestre em neurociências João Paulino Perini para discutir a psicologia por trás do dinheiro. A conversa parte da pergunta sobre se as pessoas são de fato racionais e conclui que temos apenas 'racionalidade limitada': o cérebro, que consome 25% da energia do corpo, criou atalhos (heurísticas e vieses) ao longo de milhões de anos de evolução para economizar energia e tempo — atalhos que eram úteis na savana, mas que atrapalham decisões financeiras complexas no mundo atual, saturado de estímulos. Os convidados exploram temas como a crise atencional, a queda da alfabetização financeira nas gerações mais novas apesar do maior acesso à informação, o papel do sono e do estilo de vida na qualidade das decisões, e os principais vieses: desconto temporal (imediatismo), ancoragem, efeito dotação, aversão à perda, dissonância cognitiva e contabilidade mental. Também discutem o 'nudge' e a arquitetura de escolha de Richard Thaler, usada tanto para o bem quanto para induzir consumo (preços terminados em 19,90, opcionais já embutidos em carros, bônus gratuitos em sites de aposta). O episódio encerra com soluções práticas: em vez de confiar em força de vontade — que praticamente não existe quando o cérebro está cansado —, o caminho é desenhar o ambiente para reduzir a exposição a estímulos ruins, definir valores claros, exercitar a metacognição e fazer perguntas antes de agir, acionando o 'sistema dois'. Casos clínicos de vício em apostas, recompensa intermitente e dopamina também são abordados, assim como a recomendação de buscar ajuda profissional quando o comportamento já virou compulsão.
Não adianta confiar em força de vontade: boas decisões financeiras vêm menos de ser racional e mais de desenhar um ambiente que te exponha ao menor número de estímulos ruins.

No episódio 195 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ricardo Basaglia (CEO da Michael Page) e Sandro Magaldi (especialista em gestão e vendas) para discutir como conseguir emprego, se destacar e ser promovido no mercado de trabalho atual. A conversa começa pelo diagnóstico do descasamento entre as competências formadas pelas escolas e as exigidas pelas empresas, fenômeno que ajuda a explicar o alto número de jovens 'nem-nem' no Brasil, e avança para a crítica de governos e sindicatos que protegem o trabalho em vez de proteger o trabalhador via educação. Os convidados desmontam a ideia de 'fazer só o que se gosta', tratada por Magaldi como falácia perigosa, e apresentam conceitos como o 'jogo do sucesso' versus o 'jogo do significado', a 'síndrome da propositite' e o 'lugar de potência' — estar acima da média em várias coisas em vez de ser o melhor em uma só. Falam de autoconhecimento, curiosidade, resiliência, comunicação, oratória, vendas, liderança e a necessidade de dominar o potencial da inteligência artificial sem precisar ser programador. Na parte final, Basaglia dá orientações práticas de entrevista: pesquisar a empresa, agir como o bom vendedor que entende o problema antes de oferecer solução, falar a verdade, não falar mal do empregador anterior e não inflar o currículo. Também compartilha dados da Michael Page (91% são contratados por habilidades técnicas e demitidos por comportamento), o estudo da pesquisadora que acertou 100% das contratações vendo apenas 5 minutos de entrevista, e defende manter um pipeline constante de talentos e uma classificação ativa do networking em A, B, C e D.
Sucesso profissional não vem de ser o melhor em uma única coisa, mas de estar acima da média em várias e saber conectá-las ao que o mundo precisa — o seu 'lugar de potência'.

Em edição especial do Dia dos Namorados, Bruno e Malu Perini recebem o casal Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, e Rubens Pereira, engenheiro do ITA com MBA no MIT e executivo de multinacionais. Eles contam como se conheceram em 2005 num happy hour de ex-funcionários da consultoria onde ambos trabalharam, o namoro rápido, o casamento marcado durante o MBA de Cris nos EUA (com idas e vindas quinzenais entre Brasil e Chicago) e os perrengues iniciais: apartamento com colchão inflável, banquinhos de plástico e geladeira velha. O centro da conversa é a tese de que amor não é sentimento, e sim decisão diária e conjunto de ações. Cris elenca as 'cascas de banana' mais comuns: achar que basta amar, achar que com a pessoa certa tudo será fácil e, principalmente, depositar no outro a responsabilidade pela própria felicidade. O casal discute alinhamento de valores, conflito como ferramenta (citando Jordan Peterson), as cinco linguagens do amor, e a pesquisa segundo a qual os casais mais felizes não são os que resolveram seus problemas, mas os que aprenderam a conviver com eles. Na segunda metade, falam de maternidade e carreira — Cris engravidou da primeira filha no começo do Nubank, trabalhando em banquinho de plástico na 'casinha' —, da decisão de ter quatro filhos, de rituais de família e rotina (academia às 6h, café da manhã, Carol Kitchen com violão), do desafio de transmitir o valor do trabalho a filhos que não passarão por privações, de por que nunca quiseram trabalhar juntos e, ao final, de declarações emocionadas um ao outro.
Amor não é sentimento nem borboletas no estômago: é uma decisão que se toma todos os dias de servir e renunciar pelo outro — e quem entra no casamento esperando facilidade desiste exatamente quando a parte difícil chega.

No especial de Dia dos Namorados do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem pela primeira vez o casal Wendell Carvalho e Karina Peloi, fundadores do Grupo Virtuous. O episódio começa com a história de como se conheceram: Karina assistiu a uma palestra de Wendell em Cuiabá anos antes, reencontrou-o por acaso no Facebook buscando um mentor para escalar sua carreira de nutricionista, e Wendell — que havia feito uma lista detalhada da mulher que queria após um evento de Tony Robbins — usou a desculpa da consultoria para se aproximar. Foram quatro meses de conversas por WhatsApp, um primeiro jantar desastroso (e um beijo considerado 'pavoroso'), até que, 15 dias depois de começarem a namorar, ele simplesmente se mudou para a casa dela e nunca mais saiu. O casal relata também a virada financeira: o episódio do garrafão d'água, quando Wendell não tinha dinheiro para comprar água por causa de sabotadores financeiros que o faziam dividir quase toda a receita dos lançamentos com o time. Karina bancou a casa com sua reserva, mas deixou claro que a responsabilidade de prover era dele. Wendell demitiu toda a equipe, passou um ano e meio aprendendo a fazer tudo sozinho e reconstruiu o negócio, que hoje fatura mais de 130 milhões anuais com 150 colaboradores. Na segunda metade, a conversa migra para as regras práticas de um casal que empreende junto (não falar de trabalho no café da manhã e no jantar, parar às 20h, dividir claramente áreas de responsabilidade), a conversão ao catolicismo e o casamento na igreja, e uma longa discussão sobre polaridade masculina e feminina nos relacionamentos, crise da masculinidade, feminismo e a tese de que o maior erro de um casal é se casar sem a decisão de que será para sempre.
O maior erro de um casal não é brigar, é casar sem a decisão inegociável de que será para sempre — é essa certeza que desarma disputas por dinheiro, poder e papéis dentro da relação.

Bruno e Malu Perini recebem Fábio Fares, Felipe Spritzer e Giovana Naya para discutir as lições do livro 'Psicologia Financeira', de Morgan Housel. A conversa começa comparando a obra com 'Pai Rico, Pai Pobre': os convidados consideram Housel mais atual, conceitual e sensato, enquanto Kiyosaki acerta na mentalidade empreendedora mas erra na parte de investimentos. Discutem a história de Ronald James Read, o faxineiro que morreu multimilionário, contraposta à do executivo de Harvard Richard Fuscone, que faliu em 2008 — prova de que enriquecer é 100% comportamental, não técnico. O grupo aprofunda o papel da sorte e do azar: sorte não se controla, mas azar se administra com gestão de risco. Fábio traz dados sobre o tempo médio de posse de uma ação (5,5 meses hoje contra 8 anos em 1950) e o estudo da Fidelity em que as melhores carteiras eram as das viúvas, que ninguém mexia. Debatem também por que habilidades para ficar rico são diferentes das de se manter rico — citando os 90% de jogadores de futebol quebrados cinco anos após a aposentadoria — e o papel do ego como maior sabotador da construção de patrimônio. Na reta final, falam de endividamento no Brasil (mais de 71 milhões de nomes sujos no Serasa), juros compostos atuando nos dois lados, a importância de escolher bons profissionais (contador, consultor financeiro) e o capítulo sobre Warren Buffett, que acumulou 81,5 dos 84,5 bilhões depois dos 65 anos. A conclusão é que o tempo — e o controle sobre ele — é a maior riqueza possível.
Enriquecer no mercado financeiro é quase 100% comportamento, não técnica: basta ser um investidor médio por um tempo acima da média.

No episódio 191 do Os Sócios, gravado no Bitcoin Pizza Day, Bruno e Malu Perini recebem Felipe SantAnna (Paradigma Education), Lucas Ferreira (Vinteum/21) e Guilherme Ribeiro, o Guiriba (Paradigma), para relembrar o dia em que Laszlo Hanyecz pagou 10.000 bitcoins por duas pizzas — hoje cerca de US$ 700 milhões. Os convidados contextualizam que, em 2010, o Bitcoin não tinha preço de mercado, era hobby de nerds, e Laszlo havia criado a mineração por GPU, gerando até 2.000 BTC por dia, o que relativiza a fama de 'arrependido'. A conversa avança para o momento atual do ciclo: todos concordam que o varejo ainda não chegou, que a máxima histórica precisa virar suporte para a 'virada de chave' acontecer, e que os últimos meses de 2024 podem ser a última janela de desconto do ciclo. Discutem o choque cultural entre bitcoiners puristas (Lucas, que não vê valor em NFTs e memecoins no Bitcoin e trabalha no desenvolvimento open source do protocolo) e os que exploram micronarrativas, segundas camadas, memecoins e airdrops para acumular mais satoshis (Guiriba e Felipe). O episódio ainda aborda casos de uso de liberdade (ativistas no Afeganistão, fuga da Coreia do Norte, doações em Bitcoin para a cidade de Rolante após as enchentes no RS), a disputa política nos EUA com Trump e Biden acenando para o eleitorado cripto, a aprovação da lei FIT 21, riscos existenciais como computação quântica, a história de Craig Wright e, por fim, explicações sobre DCA, alocação de patrimônio e airdrops como oportunidade assimétrica.
O Bitcoin é mais um consenso social do que uma tecnologia: sua sobrevivência depende de uma minoria intolerante que continua construindo, educando e defendendo a rede — por isso a oportunidade geracional ainda está na mesa, mas não é inevitável.

Ricardo Amorim, eleito o economista mais influente do Brasil pela Forbes, estreia no podcast Os Sócios para discutir por que o Brasil continua sendo o "país do futuro do pretérito". Ele aponta três condições que países desenvolvidos criaram e o Brasil nunca criou: investimento em qualificação de pessoas, ambiente pró-negócio e combate real à burocracia — tudo sustentado pela coragem de "colocar o dedo na ferida", especialmente no estado inchado, na previdência e na carga tributária. Amorim critica a polarização política, que faz as pessoas terceirizarem o pensar e cobrarem apenas um lado, e defende que o Brasil cobra imposto de Suécia e entrega serviço público de Bangladesh. Na parte econômica, ele explica que o crescimento acima do esperado desde 2021 veio de um ciclo global favorável a exportadores de commodities, reformas (trabalhista e previdenciária), queda da inflação e um cenário geopolítico que, após a guerra na Ucrânia, deixou o Brasil como quase único grande emergente com baixo risco geopolítico. Amorim resume: "o Brasil tem um bilhete premiado na mão", mas o centrão garante que não vamos nem afundar nem voar alto. Ele detalha ainda a comparação Brasil x Coreia do Sul em gastos com crianças versus idosos, o imposto inflacionário como mecanismo de concentração de renda, e os riscos do ajuste de Milei na Argentina. Na reta final, a conversa vai para inteligência artificial — "a IA não vai roubar o emprego de ninguém, mas quem usa IA vai roubar o emprego de quem não usa" — e para investimentos: Amorim se diz otimista com bolsa brasileira e, sobretudo, com títulos indexados à inflação pagando IPCA+6%. Sobre Bitcoin, explica por que tem pouco (risco de banimento coordenado pelo G20, análogo ao ouro nos EUA) mas nunca terá zero.
O Brasil não vira o país do futuro porque falta coragem de colocar o dedo nas feridas: investimos no passado (previdência) e não no futuro (educação básica), e a polarização impede que cobremos isso de quem quer que esteja no poder.

No episódio 189 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Spritzer e Giovana Naya, sócios da Portfel, para discutir as lições do clássico 'Pai Rico, Pai Pobre', de Robert Kiyosaki. A conversa começa com cada um compartilhando se teve um 'pai rico' na vida — e todos concluem que seus pais misturavam comportamentos dos dois espectros: incentivavam o estudo e a construção de patrimônio, mas também pregavam a segurança do emprego fixo ou do concurso público. O grupo debate a definição de ativo e passivo proposta pelo livro (ativo coloca dinheiro no seu bolso, passivo tira), aplicando-a a casas e carros, e discute o erro brasileiro de comprar imóvel alavancado sem fazer conta. Giovana explica o capítulo sobre sociedades anônimas e impostos, mostrando o que é aplicável no Brasil: holdings, lucro real, compensação de lucros e prejuízos, previdência privada (PGBL), ETFs de renda fixa e isenções simples que qualquer pessoa pode usar. Felipe reforça que economizar imposto legalmente não é sonegar e que aumentar tributação costuma recair sobre a classe média. Há também críticas ao autor: a parte sobre ações, com promessas de ganhos rápidos e consistentes, vai contra os dados; e a leitura distorcida da história de Robin Hood, que na verdade tirava do Estado, não dos ricos. O episódio fecha com o valor das vendas e da oratória como habilidades essenciais, a importância da doação e da iniciativa privada (no contexto das enchentes do Rio Grande do Sul) e uma defesa da faculdade combinada com prática.
Ativo é o que coloca dinheiro no seu bolso e passivo é o que tira — e a maior parte do que a classe média chama de patrimônio (casa financiada, carro caro) é passivo disfarçado.

No episódio 188 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Samer Agi (advogado, ex-juiz, criador do Clube dos Pensadores) e Giovanni Begossi (El Professor da Oratória, bicampeão brasileiro de oratória) para discutir persuasão e oratória. A conversa parte da definição de persuasão como "fazer as pessoas quererem fazer o que você quer que elas façam" e passa pelos três meios de persuasão de Aristóteles: a dignidade do orador (ethos), a emoção causada na plateia (pathos) e a verdade do discurso (logos). Os convidados defendem que persuasão é habilidade treinável, não dom. Giovanni conta sua trajetória de nerd antissocial a bicampeão brasileiro de oratória, e apresenta o "neuromap" do livro O Código da Persuasão (mensagem pessoal, contrastante, tangível, memorável, visual e emocional) e os três canais de acesso (visual, auditivo e sinestésico). Samer insiste que o ponto central é conhecer o público — "emprestar o corpo ao cliente" — e que nenhuma técnica sobrevive à perda de naturalidade. O episódio ainda aborda a diferença entre persuasão e manipulação (uma questão de caráter), os principais gatilhos mentais (autoridade, história, prova social, escassez, reciprocidade), como se proteger de persuasores mal-intencionados através da prudência, e encerra com dicas práticas: os quatro Ps (preparação, planejamento, prática, postura corporal), nunca negar palco e lançar-se à experiência.
Persuasão não é dom nem manipulação: é arte treinável que nasce de conhecer profundamente a si mesmo, o seu público e acreditar de verdade no que você vende.

No episódio 187 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Caio Carneiro e Pedro Sobral para revisitar o tema dos hábitos, assunto que já havia rendido um episódio no começo do podcast. A conversa parte da ideia de que a rotina é sempre um reflexo das prioridades: quando há desalinhamento entre o que você diz querer e o que faz diariamente, o problema não é falta de tempo, é falta de prioridade. Caio defende que seu 'chefe é a agenda, o chefe da agenda é o sonho', enquanto Pedro descreve um sistema de blocos de tempo, bloco de notas e revisão semanal. Os convidados contam como eram suas rotinas antes do sucesso — Pedro trabalhando 14 a 15 horas por dia, comendo iFood na frente do computador por dois anos e meio; Caio dormindo 5 ou 6 horas e visitando clientes às 7h depois de reuniões até meia-noite. Ambos insistem que esses hábitos tinham 'prazo de validade' e que o dinheiro foi usado para recomprar horas de sono, treino e qualidade de vida. A estratégia de Caio na fase difícil era 'fugir das extremidades': não conseguia treinar ideal, mas também não deixava degringolar. O episódio ainda discute preferência temporal e o experimento do marshmallow, a importância de saber dizer não sem se justificar, presença (com referência ao estudo 'A Wandering Mind Is an Unhappy Mind'), adaptação hedônica, longevidade e força de preensão a partir do livro de Peter Attia, e encerra com a classificação de atividades A, B, C, D e E de Brian Tracy e a lista de hábitos inegociáveis em comum: exercício diário, 8 horas de sono, estudo, alimentação, produção diária e cultivo das relações familiares.
Sua rotina é a prova material das suas prioridades: se o que você faz todo dia não leva ao que você diz querer, você não quer de verdade — e nenhum sucesso nos negócios justifica o insucesso na saúde.

Neste episódio 186 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para analisar o ataque direto do Irã a Israel, com mais de 300 drones e mísseis balísticos. HOC explica que, desde 7 de outubro, o conflito deixou de ser Hamas x Israel e virou uma guerra regional de baixa intensidade envolvendo Houthis, Hezbollah e milícias xiitas no Iraque e na Síria — todas financiadas pelo Irã. A novidade é que o Irã quebrou um padrão de 30 anos ao atacar Israel diretamente, movimento viabilizado pelo que HOC chama de 'eixo das ditaduras' (Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e Venezuela) e pela percepção de que Israel está desgastado. O professor detalha a lógica religiosa apocalíptica da Guarda Revolucionária iraniana (o culto ao retorno do 12º imã), explica como o Irã se fortaleceu após a queda de Saddam Hussein ao projetar poder sobre Iraque, Síria, Líbano e Iêmen, e mostra que o ataque foi inteiramente 'telegrafado' via Suíça e Omã para evitar escalada. Apresenta três cenários de retaliação israelense — do simbólico ao ataque às instalações nucleares — e alerta que o maior risco é uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. A conversa se amplia para a política interna americana (o perigo do discurso isolacionista de Trump, o impasse no pacote de US$ 95 bilhões), o paralelo com a Segunda Guerra Mundial — que começou como três conflitos regionais separados, enquanto hoje os três potenciais focos já estão articulados entre si — e o posicionamento do Brasil, que segundo HOC está se alinhando ao lado errado e perigosamente dependente da China.
A Segunda Guerra Mundial começou com três conflitos regionais que estavam em lados opostos e só depois convergiram; hoje os três focos — Rússia na Europa, Irã no Oriente Médio e China em Taiwan — já nascem totalmente articulados entre si, enquanto o Ocidente está dividido internamente.

Marcos Troyjo, diplomata, economista e ex-presidente do Banco dos BRICS, analisa os grandes vetores que vão moldar a economia mundial nas próximas décadas. Ele parte do conceito de "policrise" (crise sanitária, conflito na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e a megacompetição EUA-China) para argumentar que, por trás do barulho geopolítico, há tendências estruturais ainda mais relevantes: o mundo ganhará 2 bilhões de pessoas até 2050, mas o crescimento populacional se concentrará em apenas nove países (EUA, Índia, Paquistão, Indonésia e cinco africanos), enquanto 184 países encolhem. Como essa renda adicional em países pobres vai para alimentos, energia e infraestrutura, o Brasil estaria numa posição privilegiada — é ator indispensável nesses três tabuleiros. A conversa percorre a trajetória da "China 1.0" (acesso privilegiado a mercados, câmbio e salários administrados artificialmente, investimento em infraestrutura) e sua mudança de modelo, com menos dependência do comércio exterior e salários crescendo acima do PIB. Troyjo discute o risco de conflito EUA-China à luz da "armadilha de Tucídides", o papel dissuasório da TSMC e dos semicondutores, a ascensão desorganizada porém real da Índia, os contrastes do sistema de castas e as dificuldades da África em replicar o modelo asiático. Sobre o Brasil, Troyjo rejeita a ideia de "armadilha da renda média" e propõe a "armadilha da baixa produtividade": o problema não é a renda, é o que trava a produtividade — onipresença do Estado, baixa exposição à competição internacional, carga tributária, ambiente de negócios hostil e defasagem de qualificação. Também discute o envelhecimento populacional, a necessidade de requalificação ao longo de vidas mais longas, o impacto da inteligência aumentada e por que o dólar deve seguir dominante por décadas.
Não é o aumento da renda que leva ao aumento da produtividade — é o aumento da produtividade que leva ao aumento da renda; o Brasil não está preso numa armadilha da renda média, mas numa armadilha da baixa produtividade.

No episódio 184 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Santana (Paradigma Education) e Diego Kolling (Node Runners Brasil) para discutir o halving do Bitcoin, previsto para 20 de abril (bloco 840.000). Os convidados explicam o mecanismo do evento — a cada 210.000 blocos a emissão de novos bitcoins cai pela metade —, por que ele gera tanta atenção midiática e qual o impacto prático: cerca de 200.000 bitcoins por ano deixam de entrar em circulação, o equivalente a uma nova MicroStrategy comprando todo ano. A conversa passa pela demanda institucional disparada pelos ETFs (Blackrock, Itaú, Nubank), pelo fato de que 40% do mercado de capitais americano ainda não pode recomendar o produto aos clientes, e pela expectativa de ciclo: Felipe trabalha com dobrar do halving ao topo, enquanto Diego especula com cenários muito mais agressivos e declara que não venderá nada neste ciclo. Também são discutidos ordinals, inscriptions, runes, a 'Renascença do Bitcoin', a Lightning Network como camada de liquidação e pagamentos, os forks que acontecem a cada quatro anos e a disputa histórica entre reserva de valor e meio de troca. Na parte final, falam de altcoins e altseason, do avanço da Solana sobre o Ethereum, do exército de hackers norte-coreanos atacando projetos cripto, do maximalismo bitcoiner comparado a religiões monoteístas e de como se posicionar: construir riqueza e preservar riqueza exigem habilidades diferentes.
As habilidades necessárias para construir riqueza são bem diferentes das que você precisa para preservá-la — e no cripto isso significa que o tamanho do risco que você toma deve mudar conforme o patrimônio cresce.

Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a jornalista Izabella Camargo e o cirurgião plástico e médico integrativo Dr. Rodrigo Duprat para discutir estresse, saúde mental e síndrome de Burnout. Izabella define estresse como "uma reação do organismo a alguma situação que representa ameaça" — nem boa nem ruim — enquanto Duprat detalha a biologia da resposta: sistema nervoso simpático, adrenalina, cortisol, fases de alarme, resistência e exaustão descritas por Hans Selye, e a diferença crucial entre estresse agudo (adaptativo) e crônico (adoecedor). Izabella relata o próprio Burnout vivido em 2018, quando apagou por três segundos ao vivo na Globo apresentando a previsão do tempo, após anos acordando de madrugada, tratando cinco problemas graves de saúde e tomando remédios para dormir, acordar e render. Ela diferencia cansaço de Burnout (neste há perda de funcionalidade), apresenta sua tese de que a "gota que transborda o copo" é uma situação com características de assédio em um corpo já adoecido, e defende a criação de EPIs de saúde mental no trabalho. A conversa tensiona responsabilidades: Duprat alerta que culpar sempre o empregador é perigoso, pois o Burnout é multifatorial (relacionamentos, sono, alimentação, viés negativo da mente), enquanto Izabella insiste na autorresponsabilidade e na era da curadoria — "não adianta culpar o supermercado pelo meu excesso de peso". Ao final, discutem soluções práticas: regular o sono, alimentação anti-inflamatória, exercício adequado (zona 2 para estressados crônicos), sauna, banho frio, companhias melhores e procurar medicina integrativa.
Estresse não é bom nem ruim — é uma reação a algo que representa ameaça; o que define se vai te adoecer é a sua saúde mental e por quanto tempo você mantém essa reação ligada.

Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ilson Mateus Rodrigues, fundador do Grupo Mateus, e Túlio Queiroz, VP financeiro da companhia. Ilson conta sua trajetória: órfão aos 4 anos, começou a trabalhar aos 7, foi engraxate, torneiro mecânico aos 15, montou uma fábrica de cachaça aos 17 que quebrou, quebrou de novo comprando e vendendo cachaça, foi garimpeiro em Serra Pelada e, em 1986, abriu uma mercearia de 50 m² em Balsas (MA), com 23 anos. Hoje o Grupo Mateus fatura mais de R$ 30 bilhões, tem 262 lojas, emprega 58 mil pessoas e é listado na bolsa desde 2020. A conversa atravessa a hiperinflação brasileira, o Plano Cruzado e o tabelamento de preços, e o momento decisivo do confisco do Collor — quando Ilson, obcecado por caixa, converteu todo o dinheiro em mercadoria antes do confisco e ainda comprou cheques retroativos de devedores com 50% de desconto, lucrando muito enquanto o país quebrava. Ele explica a virada do atacado para o varejo em 2000, a entrada em São Luís em 2003, a construção da logística própria como diferencial competitivo e o desenvolvimento interno de tecnologia (WMS, ERP, e-commerce). Túlio detalha os desafios pós-IPO: pressão do mercado, consumo de caixa em 2022 por excesso de estoque, trabalho de capital de giro que liberou R$ 1 bilhão e a estruturação de metas e governança. Ilson fecha falando de simplicidade, ausência de vaidade, sucessão (filhos sendo formados no comercial) e fé cristã como base de suas decisões.
Num negócio de margem estreita como o varejo, a sobrevivência vem da obsessão por caixa e da presença diária no chão da operação — quem tem umbigo colado no balcão enxerga oportunidades e problemas que nenhum relatório mostra.

No episódio 181 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Santana e Chico Sanches, da Paradigma Education, para discutir o momento do Bitcoin após sucessivas máximas históricas. A conversa começa com a dúvida central: ainda dá tempo de comprar ou já é hora de vender? Ambos os convidados argumentam que o ciclo está acelerado — pela primeira vez o Bitcoin rompeu a máxima histórica antes do halving — mas que ainda há 'chão pela frente', com cenários de topo entre o fim de 2024 e o fim de 2025. O papo passa pelos fundamentos: o que é o Bitcoin como 'uma ideia cujo tempo chegou', a lógica da descentralização e dos cerca de 50 mil nós, o halving e o corte pela metade da emissão, o conceito de vendabilidade espacial e temporal de Saifedean Ammous, e a discussão sobre stock-to-flow — que para eles hoje funciona mais como narrativa e propaganda do que como impacto econômico real. Os ETFs à vista aprovados nos EUA aparecem como a grande novidade estrutural do ciclo, com compras diárias muito acima do que é minerado. Na parte final, falam de altcoins, memecoins (Pepe, Dogecoin, WIF), da 'navalha de Musk' segundo a qual o desfecho mais divertido é o mais provável, de airdrops como a oportunidade mais assimétrica do mercado, de golpes e autocustódia, de El Salvador e Bukele, do risco de confisco dos Bitcoins travados em ETFs e da estratégia alavancada de Michael Saylor, comparada à de Hugo Stinnes na hiperinflação alemã.
O Bitcoin é um dinheiro programado para ganhar poder de compra no longuíssimo prazo — então, décadas à frente, as especulações sobre topo de ciclo e halving praticamente não importam; o que importa é conhecimento e convicção para aguentar a volatilidade.

No episódio 180 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Richard Stad (CEO da Aramis Inc.) e Dener Lippert (fundador da V4 Company) para discutir como modernizar negócios tradicionais com marketing, dados e cultura. Richard conta como usou a pandemia como ponto de ruptura para reposicionar a Aramis — mudando logo, sortimento, layout de loja e reduzindo 40% do estoque — e dobrar a empresa de tamanho em três anos, com média de 50% de clientes novos por mês. Dener traz a lógica financeira por trás do marketing: para ele, marketing é maximizar o retorno sobre o capital investido (ROIC), não arte, e toda alocação — seja em mídia, dados ou contratação — compete com o retorno de um título público. A conversa passa por perguntas provocadoras que guiam o crescimento ("como multiplico minha receita por 10?"), pelo conceito de BHAG de Jim Collins, pelo equilíbrio entre organizações ambidestras (sonhar e executar), pela importância de encontrar um posicionamento único para fugir da comoditização e pela gestão de conflito de canais entre e-commerce, lojas próprias, franquias e multimarcas, sempre colocando o cliente no centro. Na reta final, os convidados detalham como contratam (70% via head hunter na V4, vendendo sonho e cultura), como avaliam alinhamento de ciclos de vida entre empresa e colaborador, e seus planos de longo prazo: Richard quer construir o próximo grande grupo de varejo de moda do Brasil, enquanto Dener mira um IPO em 2030 para se tornar "a Accenture do marketing digital".
Marketing não é arte nem likes: é alocação de capital — e toda decisão da empresa, de mídia a contratação, precisa entregar retorno sobre o capital investido acima da taxa mínima de atratividade, senão é melhor fechar e comprar título público.

Neste episódio nº 179 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o astrônomo e divulgador científico Sergio Sacani e o criador do Ciência Todo Dia, Pedro Loos, para uma conversa de mais de duas horas sobre como funciona o universo. Os convidados explicam por que o Big Bang (ou modelo lambda CDM) é o mais aceito — por reunir mais evidências como a expansão acelerada, a radiação cósmica de fundo e a proporção de elementos químicos — e esclarecem que as notícias de que o James Webb "derrubou" o Big Bang partem de um mal-entendido sobre o que a teoria se propõe a explicar. A conversa passeia por singularidades, buracos negros, entropia, a Equação de Drake, os quatro destinos possíveis do universo (Big Freeze, Big Rip, Big Crunch e Big Bounce), multiversos, teoria das cordas, a hipótese da simulação de Nick Bostrom e o universo em bloco. Há também uma longa discussão sobre a natureza do tempo, relatividade, viagem ao passado e os paradoxos envolvidos, com referências a filmes de Christopher Nolan, à série Dark e a West World. No trecho final, o papo migra para inteligência artificial — o Sora da OpenAI como "simulador de mundo", os limites dos LLMs, o teste de Turing e o teste do café — e termina com Sacani desmentindo o pânico sobre tempestades solares destruindo o Bitcoin, explicando que o ciclo solar atual é mais fraco que o de 1990 e que o Sol hoje é intensamente monitorado.
Ciência não é questão de acreditar ou não: Big Bang, multiverso e simulação são modelos matematicamente formulados que competem por evidências — e admitir "a gente não sabe" é parte essencial do método.

Neste episódio nº 178 de Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o professor e mestre em filosofia Guilherme Freire para uma imersão na filosofia de Aristóteles. A conversa começa situando Aristóteles como o terceiro grande pensador grego — depois de Sócrates e Platão — e mostrando por que ele foi o mais influente: ele não escreveu apenas sobre um tema, mas construiu um sistema filosófico completo, com uma metafísica sólida capaz de ser aplicada da política à biologia, da retórica à lógica, da ética à física. Guilherme detalha os conceitos centrais do aristotelismo: a passagem da potência ao ato, as quatro causas (eficiente, formal, material e final), a distinção entre essência e acidente, e o argumento do primeiro motor imóvel como prova da existência de Deus. Também discute a doutrina da alma (vegetal, sensível e racional) presente no De Anima, a crítica de Aristóteles ao atomismo de Demócrito, e como o filósofo conciliou as posições opostas de Heráclito e Parmênides — algo que ele aponta como sua maior genialidade e legado. A segunda parte do episódio traz discussões contemporâneas: ideologias políticas modernas como pseudo-religiões, a metáfora do programador para pensar criação e milagre, os limites da inteligência artificial (que seria capaz de lógica, mas não de metafísica nem de consciência), a hipótese da simulação, e o lado menos conhecido de Aristóteles como homem próspero, casado, acusado de 'riquinho' na academia ateniense, e sua crítica ao juro sobre juro. Ao final, Guilherme indica um roteiro de leituras para quem quer começar a estudar Aristóteles.
A grandeza de Aristóteles não está em ter escrito sobre muitos temas, mas em ter construído uma metafísica tão sólida que seus princípios podem ser aplicados a qualquer área do conhecimento — e é exatamente essa coesão de pensamento que o mundo moderno perdeu.

No episódio 177 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a médica Géssica Andrade (pós-graduada em endocrinologia) e a nutricionista Marina Gorga para discutir a verdade sobre o açúcar e os alimentos processados. As convidadas explicam que todo açúcar — refinado, mascavo, demerara, de coco, mel ou agave — chega ao intestino e é absorvido como glicose, e que o corpo não precisa de açúcar adicionado para sobreviver. Falam ainda sobre açúcares escondidos em produtos industrializados (xarope de milho de alta frutose, suco de maçã concentrado, açúcar invertido) e sobre por que, muitas vezes, o açúcar de mesa é melhor que adoçantes artificiais como aspartame, acessulfame e sucralose, ou polióis como o xilitol. A conversa aprofunda a fisiologia: pico de glicemia, liberação de insulina, resistência insulínica, glicação (que acelera o envelhecimento da pele e pode levar à demência — o chamado "diabetes tipo 3"), disbiose intestinal e síndrome fúngica. As convidadas criticam o uso cego dos valores de referência de exames, que refletem uma população cada vez mais doente, e defendem a busca por profissionais que olhem além da referência. Marina relata a própria história de hipotireoidismo de Hashimoto e resistência insulínica desde a infância; Bruno conta como escapou de uma cirurgia de coluna só após consultar seis médicos. Na parte prática, as convidadas ensinam a identificar ultraprocessados pela lista de ingredientes (regra dos cinco ou mais ingredientes e nomes desconhecidos), citam o Guia Alimentar da População Brasileira, discutem o que comer antes de treinar, vício em açúcar, combinação hiperpalatável de gordura com carboidrato e dão como principal recomendação: estabelecer rotina, buscar informação básica e registrar tudo o que se come num diário alimentar.
Açúcar é açúcar: qualquer tipo vira glicose no intestino — e o corpo nunca precisou de açúcar adicionado para sobreviver; o problema não é o açúcar em si, é o excesso crônico escondido nos ultraprocessados.

No episódio 176 de Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem três sócios da Portfel — Vitor Scaramelo (investimentos), Matheus Falcão (seguros) e Giovana Naya (planejamento patrimonial e sucessório) — para destrinchar os quatro pilares da construção de patrimônio: planejamento financeiro, investimentos, seguros e sucessão. A conversa começa quebrando a ilusão de que investir enriquece: segundo os convidados, ninguém fica rico apenas investindo, mas sim aumentando a própria renda (como profissional ou empresário) e vivendo 'um degrau a menos' do que poderia. Bruno e Malu contam como juntaram R$ 880 mil ainda no Exército, morando numa casa que alagava e andando com o ar-condicionado desligado — além de economias 'idiotas', como estocar detergente no Aniversário Guanabara. Na parte prática, os convidados defendem o autoconhecimento financeiro (mapear ganhos, gastos e dívidas), o uso da taxa Selic como régua para separar dívidas boas de ruins, a diferença entre ativos e passivos e a importância de pedir ajuda profissional em vez de parar a carreira para virar investidor. Discutem também alocação de ativos conforme o risco da própria profissão — empreendedor deve ser conservador na carteira, servidor público pode correr mais risco — e criticam o modelo de remuneração por comissão (commission based) frente ao fee based. O bloco final trata de proteção e preservação. Matheus Falcão conta como foi diagnosticado com leucemia aos 24 anos, dez meses depois de contratar um seguro de R$ 250 mil, e como isso evitou a ruína do patrimônio dos pais; Vitor relata o próprio diagnóstico de doença de Crohn. Os dois explicam por que o seguro resgatável (whole life) costuma ser caro e vendido com incentivo perverso, comparando preços com o temporário e o tradicional. Giovana fecha falando de testamento, holding, offshore, ITCMD e teoria das bandeiras, lembrando que planejamento sucessório é, no fundo, um ato de amor.
Investimento não enriquece ninguém: o que constrói patrimônio é ganhar mais, viver um degrau abaixo do que se pode e criar o hábito de poupar — o investimento apenas potencializa o que você já conseguiu guardar.

No episódio 175 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem os médicos Ney Müller e Luiz Paulo para uma conversa longa sobre hormônios, reposição hormonal e os mitos que cercam o tema. A dupla explica o que são hormônios, por que as faixas de referência dos laboratórios são populacionais (e por isso enganosas), e como o estilo de vida moderno — pouco sono, sedentarismo, má alimentação, falta de sol — vem derrubando os níveis hormonais, sobretudo de testosterona, com estudos mostrando queda de até 30% em homens que dormem 5 horas por noite durante duas semanas. A conversa passa pelo debate entre corrigir estilo de vida versus prescrever hormônio (os médicos defendem que não são excludentes), pela crítica contundente ao uso banalizado de anticoncepcionais em adolescentes — que mascaram sintomas e podem suprimir libido, motivação e levar a riscos como trombose — e pela discussão sobre as consequências sociais da queda de testosterona, incluindo menos filhos, menos sexo e mudanças no ideal de masculinidade. Na segunda metade, o foco é a estética e o chamado 'chip da beleza'. Luiz Paulo explica que implante é apenas uma via farmacêutica existente desde 1940, que gestrinona tem indicação clássica para endometriose e TPM severa, e critica o 'hormônio-fobismo' da classe médica, além da resolução do CFM de 2023 que proibiu prescrição de anabolizantes para fins estéticos — o que, segundo eles, empurra pacientes para o mercado paralelo. Encerram falando de menopausa, longevidade e do mito de que hormônio causa câncer.
Hormônio não é vilão nem solução mágica: o problema é sempre dose, indicação e individualização — e proibir o médico de prescrever só empurra o paciente para o mercado paralelo.

Neste episódio 174 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem novamente o professor de relações internacionais da FGV Oliver Stuenkel para mapear os principais riscos geopolíticos de 2024. Stuenkel apresenta as listas da consultoria Eurasia Group e do Council on Foreign Relations, que colocam as eleições americanas no topo — não pela dúvida sobre quem ganha, mas pelo risco de violência política, crise constitucional e ausência de uma justiça eleitoral centralizada nos EUA. Também entram na conta o Oriente Médio à beira do abismo, a partição permanente da Ucrânia, inteligência artificial desgovernada e fake news, o eixo Rússia-Irã-Coreia do Norte, a não recuperação da China, a disputa por minerais críticos, inflação, El Niño (com impacto no Canal do Panamá) e guerras culturais afetando empresas. A conversa se aprofunda no cenário americano: a idade avançada dos candidatos (81 e 77 anos), a possibilidade de inelegibilidade de Trump no Colorado, o risco de prisão durante a campanha, a descentralização do sistema eleitoral e a queda dos EUA nos rankings de democracia. Stuenkel argumenta que um segundo mandato de Trump seria muito mais impactante que o primeiro, pois agora ele tem equipe pronta e sem o establishment que o limitou antes — o que seria bom para Putin e Xi Jinping, mas péssimo para Irã e Cuba. Por fim, o professor afirma que hoje considera o Oriente Médio o segundo maior risco, acima da Ucrânia, estimando em 70-80% a chance de Israel atacar o Hezbollah no Líbano, dado que Netanyahu depende da ala radical para se manter no poder e evitar responder pela falha de segurança de 7 de outubro. Ele reforça a necessidade de humildade ao prever cenários, lembrando que nem o chanceler russo sabia da invasão da Ucrânia, e que riscos podem interagir de formas imprevisíveis — como a guerra adiando a transição energética.
O maior risco geopolítico de 2024 não é quem vencerá a eleição americana, mas a fragilidade institucional dos EUA diante de um resultado contestado — e todo investidor deveria perguntar ao próprio portfólio: 'e se alguma coisa acontecer?'

No episódio 173 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem Clara Sodré (XP), Guilherme Cadonhotto (Grupo Primo/Fin Class) e Fabio Fares para discutir onde investir em 2024. Os três convidados se declaram otimistas, mas com cautela: o principal driver dos ativos de risco é a trajetória de juros, que começou a cair no Brasil em agosto de 2023 e deve começar a cair nos EUA ao longo de 2024. O grupo ressalta que não se deve tentar acertar o timing do mercado, já que os efeitos do corte de juros levam de 6 a 9 meses para aparecer na economia e até um ano e meio para serem totalmente incorporados nos resultados das empresas e nos modelos dos analistas. A conversa passa pelo cenário americano (discussão sobre o Fed cortar ou não em março, a tese de um 'Fed político' em ano eleitoral, a concentração do S&P 500 nas 'sete magníficas'), pelos riscos geopolíticos (Irã, China e Taiwan, desglobalização) e pelo Bitcoin — com Bruno Perini explicando por que 85% do seu patrimônio investido em mercado financeiro está em Bitcoin e por que isso não representa risco de ruína na vida dele. Há consenso de que, lá fora, a pessoa física deve investir via ETFs, e que a gestão ativa faz mais sentido no Brasil, onde há menos competição e informação pior processada. Na parte brasileira, a XP projeta Ibovespa a 145 mil pontos e Selic em 9,5% ao fim de 2024, com destaque para setores sensíveis a juros (varejo, construção civil, instituições financeiras, saúde, small caps) e para fundos imobiliários — especialmente shoppings, fundos de fundos com duplo desconto e renda urbana. O desafio fiscal brasileiro é apontado como risco estrutural, mas que provavelmente só 'desaguará' mais adiante.
O maior risco não é entrar na hora errada, é ficar de fora: ninguém acerta o timing, mas quem se mantém investido e diversificado surfa a maré de queda de juros quando ela vier.

No episódio 172 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem Natália Beauty (Natalia Martins) e Felipe Pacheco Borges, casal que construiu junto o Natália Beauty Group — ecossistema com 12 empresas nas áreas de clínicas, educação, mentorias e produtos de beleza. Eles contam que o grupo faturou cerca de R$ 35 milhões no último ano e projeta dobrar para R$ 70 milhões, além de revelar que o preço da sobrancelha feita pela Natália saltou de R$ 6.200 para R$ 12.500, com fila de espera. A conversa percorre a história de amor do casal — do primeiro contato pelo Instagram em 2019, passando pelo ano de silêncio, até o reencontro e o casamento em 2020 — e o momento em que Natália convocou Felipe, advogado premiado, a largar o escritório para entrar no negócio da esposa. Felipe relata o custo emocional: perdeu amigos, ouviu que iria 'viver encostado numa blogueira' e passou por uma crise de masculinidade, enquanto Natália temia perder a imagem de mulher autossuficiente. O equilíbrio levou anos, mas destravou o crescimento ao permitir que cada um atuasse na própria zona de talento. O episódio também aborda gestão de pessoas e ego como maior desafio empresarial, o conceito de 'consumo infinito' e pontos de contato com o cliente, a importância de responder diretamente à audiência, a exposição de filhos nas redes, e as estratégias do casal para não deixar brigas escalarem: separar o 'modo sócio' do 'modo casal' e voltar rapidamente ao eixo.
Trabalhar com o cônjuge só multiplica resultados quando cada um aceita atuar na sua zona de talento sem disputar mérito — e quando o casal aprende a não deixar o conflito escalar, voltando rápido ao eixo.

No episódio inaugural de 2024, Bruno e Malu Perini recebem o neurocientista Eslen Delanogare e o psicólogo Jan Leonardi para discutir como definir e, principalmente, cumprir metas. A conversa começa com cada um compartilhando seus objetivos para o ano — inglês, meio Iron Man, livro, piano, yoga, perda de gordura — e evolui para os fundamentos científicos por trás do estabelecimento de metas, com destaque para o acrônimo SMART (específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal) e para a pergunta anterior a tudo: por que essa meta é relevante para os seus valores. Os convidados aprofundam temas como a necessidade de abrir mão de algo para inserir algo novo, a importância de estruturar uma agenda considerando carga cognitiva e intervalos, e o papel decisivo do ambiente na formação e desconstrução de hábitos. Eslen apresenta o estudo que estimou média de 66 dias (com variação de 18 a 250) para formar um hábito, critica a regra dos 21 dias e explica que hábitos e vícios ocupam a mesma região cerebral (estriado), diferindo em intensidade pela ação de substâncias exógenas. O episódio também aborda compromissos públicos como motivadores (a história da bandeira do Curso de Guerra na Selva, a meia maratona corrida com febre), metas de longo prazo como geradoras de propósito, o experimento do marshmallow e sua releitura cultural no Japão, e encerra com o debate entre motivação e disciplina — com Eslen defendendo que disciplina não se sustenta sem motivo para a ação.
Metas não se cumprem por força de vontade, mas por arquitetura: ambiente, agenda e pequenos passos fazem muito mais diferença do que motivação momentânea — e disciplina sem um motivo claro não se sustenta.

No último episódio de 2023 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem pela segunda vez o professor de filosofia Dennys Xavier para uma conversa sobre o legado de Platão e o pensamento grego antigo. O ponto de partida é a frase de Whitehead de que toda a filosofia ocidental é "nota de rodapé" a Platão, e a constatação de que em apenas 200 anos — de Tales de Mileto a Aristóteles — os gregos construíram um aparato conceitual que ainda sustenta nosso modo de pensar. Dennys explica por que a filosofia é um fenômeno estritamente grego (filha de um grau de liberdade sem paralelos na história), a passagem do mito à razão com o surgimento da pólis, a tripartição da alma em Platão (racional, irascível e concupiscente) e sua noção de justiça como "cada coisa no seu devido lugar". Discute a morte de Sócrates como evento que, segundo ele, criou Platão: frustrado com a política, o aristocrata ateniense abandonou a carreira pública e mergulhou na filosofia. A conversa avança para a teoria das ideias, a alegoria da caverna, a doutrina não escrita de Platão (as "ágrafa dogmata" reveladas pela tradição indireta e por Aristóteles), a crítica da escrita no diálogo Fedro, o empobrecimento linguístico como empobrecimento do intelecto, e termina com a teologia de Aristóteles — o primeiro motor imóvel, "o objeto de amor que não ama" — e o debate entre fé e razão, com Bruno contando como o argumento aristotélico o fez deixar o agnosticismo.
Não há salvação para a cidade se o homem antes não salva a si mesmo: a desordem do mundo é o reflexo ampliado da desordem da própria alma, quando o desejo e a ira tomam o lugar da razão.

Os hosts Bruno Perini e Malu Perini recebem Raphael Lima e Peter Turguniev para discutir o início do governo de Javier Milei na Argentina. O episódio começa resgatando o passado do país — que no fim do século XIX chegou a ter o maior PIB per capita do mundo e era a sexta nação mais rica na década de 1930 — e como o populismo peronista, equivalente argentino do varguismo brasileiro, deu início a décadas de déficit (113 dos últimos 123 anos), hiperinflação (13% ao mês, 160% em 12 meses) e nove calotes da dívida. A conversa detalha as primeiras medidas do governo: corte de ministérios de 18 para 9, secretarias de 106 para 54, fim da publicidade estatal, redução de subsídios de energia e transporte, não reajuste do orçamento de 2023 para 2024 e aproximação do câmbio oficial ao paralelo. Raphael Lima, que esteve na posse e atua em políticas públicas pelo Partido Novo, argumenta que a 'caneta' do presidente argentino tem muito mais poder que a brasileira e que há anos de trabalho possível apenas no infralegal e na auditoria da máquina pública, sem depender do Congresso. Peter Turguniev pondera que o verdadeiro desafio não é dolarizar ou fechar o Banco Central, mas cortar o gasto público — e testar até onde o povo argentino aguenta o ajuste. Na parte final, discutem geopolítica: a recusa de Milei em entrar nos Brics, o futuro incerto do Mercosul e do acordo com a União Europeia, a crise entre Venezuela e Guiana pelo Essequibo, o apoio de Milei à Ucrânia, a escolha pragmática de Caputo (ex-Macri) como ministro e a tese de que um eventual sucesso argentino seria uma 'ameaça existencial' para a esquerda latino-americana.
O maior desafio de Milei não é dolarizar nem fechar o Banco Central — é cortar o gasto público; se ele conseguir isso, a moeda deixa de ser o problema.

Bruno e Malu Perini recebem o filósofo Guilherme Freire e o gestor Henrique Bredda para um mergulho de quase três horas na vida de Napoleão Bonaparte. A conversa parte da decepção coletiva com o filme de Ridley Scott — considerado tosco por retratar Napoleão como um homem apático, fraco e 'capacho de mulher' — e sugere como alternativa a produção italiana de 2002 com John Malkovich, disponível no YouTube. O episódio percorre cronologicamente a trajetória: o nascimento na Córsega e o bullying por ser estrangeiro, a formação medíocre na escola militar (42º de 58) compensada pelo domínio de matemática, geometria e artilharia, a ascensão meteórica em Toulon e na campanha da Itália, o caos genuinamente sangrento da Revolução Francesa, o golpe de 18 de Brumário, o consulado, a autocoroação como imperador, a concordata com Pio VII e o renascimento cristão na França, as vitórias sobre Áustria e Prússia, e as três derrotas que o quebraram: Portugal (com a fuga de Dom João VI para o Brasil), a Espanha guerrilheira e a Rússia do General Inverno. O ponto alto é a parte final, trazida por Bredda: as 'Conversas sobre as religiões', fonte primária de 1840 com os registros do que Napoleão disse em Santa Helena ao general Bertrand, onde o imperador compara a si mesmo, Alexandre, César e Maomé com Cristo e conclui que a distância entre eles é infinita. Napoleão morre reconciliado com a Igreja, confessado e com os sacramentos — um final redentor quase desconhecido do grande público.
No mundo só existem duas forças, o sabre e o espírito — e no longo prazo o espírito sempre vence o sabre: foi o próprio Napoleão, no auge do poder, quem profetizou a lição que só entenderia exilado em Santa Helena.

No episódio 167 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Hirai e Murilo Freiberger, da Dahlia Capital, para discutir a crise demográfica global. Partindo das pirâmides etárias de Japão, Coreia do Sul, Rússia, Portugal e do mundo, os convidados explicam por que a demografia é uma das variáveis mais previsíveis e mais ignoradas na alocação de capital: só existe uma forma de ter um cidadão de 30 anos daqui a 30 anos, que é produzi-lo hoje. A conversa detalha como a Revolução Industrial inverteu o incentivo econômico de ter filhos — de fluxo de caixa positivo na fazenda para um custo de 20 a 30 anos nas cidades — e desdobra as consequências: insolvência dos sistemas previdenciários (o Brasil passará de 12 trabalhadores por aposentado para 3 em 30 anos), estagnação econômica, queda da produtividade marginal, inflação estruturalmente mais baixa e pressão sobre contas públicas. Japão aparece como a 'fotografia' do mundo daqui a 20 anos, privilegiado por alta poupança e multinacionais globais, enquanto China, Índia e outros países de renda média enfrentarão o problema sem recursos. Os convidados destacam os quatro fatores que explicam a força americana — tecnologia, instituições, geografia e demografia — com ênfase na imigração (1 milhão de pessoas por ano, 880 mil com ensino superior) e no perfil cultural 'settler' de países novos formados por imigrantes. O Brasil, por ter esse mesmo perfil, espaço territorial, população ainda jovem e um boom de produção de petróleo pela frente, estaria relativamente bem posicionado — desde que resolva o gargalo da educação. A conclusão prática: não dependa do INSS, construa previdência privada e patrimônio de longo prazo.
A demografia é o problema mais previsível e menos discutido da economia: só existe uma maneira de ter um cidadão de 30 anos daqui a 30 anos, e é fabricando ele hoje — por isso o colapso previdenciário já está matematicamente encomendado.

Bruno e Malu Perini recebem o professor de relações internacionais Oliver Stuenkel para analisar a escalada da disputa territorial entre Venezuela e Guiana pelo Essequibo, região que corresponde a cerca de 70% do território guianense. Stuenkel reconstrói a história do conflito — da ocupação holandesa e britânica ao laudo arbitral de Paris de 1899 — e mostra que o tema ficou arquivado por décadas, sendo retomado por Nicolás Maduro apenas após a descoberta de vastas reservas de petróleo em 2015. A conversa discute o referendo consultivo convocado por Maduro, que teria registrado 95% de apoio à anexação, e por que esses números não são confiáveis num país que passou por um processo de erosão democrática. Para Stuenkel, o referendo é uma manobra clássica de ditador: desviar a atenção da catástrofe econômica, fomentar nacionalismo e dividir a oposição às vésperas das eleições de 2024. Ele avalia em 2 ou 3 (numa escala de 0 a 10) a chance de uma invasão formal, mas alerta para o risco de incidentes não planejados na fronteira mal demarcada. O episódio também aborda o impacto sobre a percepção de risco geopolítico da América do Sul — argumento que Stuenkel usa com investidores estrangeiros —, a postura tímida do Brasil e os custos do "abraço do urso" de Lula a Maduro, a possibilidade de uma base militar americana na Guiana, a estratégia de Biden de afrouxar sanções por causa de migração e inflação, e o histórico brasileiro de não ajudar vizinhos em crise.
Quando um país descobre riqueza, ela deixa de ser só oportunidade e vira risco: o Essequibo só virou pauta urgente para Maduro depois que o petróleo apareceu — e país pequeno, rico e sem forças armadas é alvo fácil.

No episódio 165 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem Giovanni Begossi (El Professor da Oratória) e Micarla Lins para um guia completo sobre oratória. Os convidados, campeões de torneios de oratória e debate, explicam a diferença entre debate (argumentação, lógica, análise de conteúdo) e oratória (emoção, gesto, modulação vocal, conexão), defendendo que dominar os dois é quase um superpoder — o chamado 'efeito ascendente da persuasão': primeiro emocione o cérebro primitivo, depois convença o racional. A conversa percorre técnicas práticas: respiração tática (ou diafragmática quadrada) e visualização positiva para vencer o medo de falar em público; ancoragem da realidade e frases de afirmação contra pensamentos intrusivos; a 'técnica da caneta' para melhorar a dicção; o comercial de 30 segundos (nome + autoridade + problema que resolve) para se apresentar de forma memorável; a curva em U da memória, a entrada límbica e os três canais de acesso (visual, auditivo e sinestésico) para estruturar palestras aplaudidas de pé. Também discutem vícios de linguagem e a técnica do parceiro de responsabilização, além do arsenal de histórias (próprias, de terceiros e do conteúdo) como motor de autoridade e retenção. Um dos pontos mais fortes é a defesa da simplicidade: falar difícil não passa autoridade, e a fluência cognitiva comprova que o cérebro ama economizar energia. O episódio encerra com Micarla contando sua história de depressão e três tentativas de suicídio, usada como exemplo prático de que a história mais vulnerável é a mais poderosa — e que o maior desafio da lição de casa proposta é simples: fazer uma live hoje.
Comunicar bem não é falar difícil — é emocionar primeiro o cérebro primitivo com simplicidade e histórias vulneráveis, para só então convencer o racional.

No episódio 164 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem os médicos Victor Sorrentino e Rodrigo Duprat para discutir longevidade e as chamadas "Blue Zones" — regiões do mundo onde as pessoas frequentemente passam dos 100 anos com qualidade de vida. Os convidados tratam a teoria das Blue Zones como um conjunto de insights úteis, ainda que não comprovados cientificamente, destacando que o que realmente se repete nessas regiões é o básico: comida de verdade, movimento natural e constante, baixo estresse, bom sono, rede de afeto e senso de propósito. Ambos criticam a tentativa de transformar um modelo (como a dieta mediterrânea ou o veganismo) em regra universal, lembrando que a individualidade biológica é incompatível com protocolos genéricos. A conversa aprofunda os mecanismos moleculares do envelhecimento: dano ao DNA, encurtamento de telômeros, proteínas deformadas e glicadas, células senescentes, microbioma, declínio imunológico e exaustão de células-tronco. Duprat explica que a restrição calórica é hoje a intervenção mais comprovada para aumentar o lifespan, e detalha o papel de sirtuínas, NAD, mTOR, rapamicina e metformina. Fala também sobre epigenética, moléculas de plantas estressadas (matchá, quercetina, curcumina) e sobre por que copiar hábitos sem entender mecanismos é ineficaz. Na segunda metade, o debate vira para a crítica à medicina de protocolo e à dependência de medicamentos: diagnósticos precoces de depressão e TDAH, o excesso de prescrição, a influência comercial da indústria farmacêutica, casos como Vioxx, talidomida, Roundup e teflon, e a dificuldade de validar o que é natural e barato. Encerram discutindo o Ozempic e os análogos de GLP-1 — reconhecidos como revolução no tratamento da obesidade, mas que, segundo eles, deveriam ser usados como "muleta temporária" e com acompanhamento nutricional, não como solução definitiva.
Longevidade com qualidade não vem de copiar o hábito exótico de quem vive muito, mas de entender os mecanismos do envelhecimento e executar o básico — comer comida de verdade, se mover todo dia, dormir cedo, controlar o estresse e ter propósito — com excelência.

No episódio 163 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Victor Oliveira (gestora Grão) e Vitor Scaramelo (Portfel) para discutir formas legais de pagar menos impostos no Brasil. A conversa parte de um panorama macro — previdência, seguro de vida, holdings, offshores e fundos exclusivos — e detalha como as mudanças legislativas (PL dos super-ricos, come-cotas em offshores e fundos exclusivos) estão fechando portas que antes só os grandes patrimônios usavam. O destaque fica para o PGBL, apresentado como o instrumento mais democrático de economia tributária: investindo até 12% da renda bruta tributável, o contribuinte abate essa quantia da base de cálculo, recebe restituição (o 'pix do leão') e ainda paga apenas 10% de IR no longo prazo pela tabela regressiva. Os convidados alertam, porém, para as previdências caras dos grandes bancos, com taxas de 2% a 4% ao ano para comprar Tesouro Selic. O episódio também aprofunda planejamento sucessório (ITCMD, custos de inventário que chegam a 20% do patrimônio), a diferença entre seguro resgatável e temporário, holdings para quem tem muitos imóveis alugados, riscos de Airbnb não declarado e a compensação de prejuízos em bolsa — ferramenta que, segundo os convidados, quase ninguém usa. Bruno Perini conta casos reais, como vender CVC no prejuízo para anular o lucro do Banco Inter e não pagar imposto.
Pagar menos imposto legalmente não é privilégio de rico: com R$ 100 no PGBL qualquer pessoa já abate até 12% da renda tributável, recebe restituição e adia a tributação para 10% no futuro.

Gravado ao vivo no Spotify Podcast Festival, o episódio 162 de Os Sócios reúne Bruno e Malu Perini com Walter Longo e Paulo Cuenca para discutir o marketing no século XXI. Logo de início, Walter define marketing como "projetar sobre a marca uma luz oblíqua de tal forma que a sombra seja maior do que o próprio objeto" — ou seja, mostrar o que a marca vai ser, não apenas o que ela é. Paulo complementa com a ideia de "brincar de Gepeto": colocar alma e identidade em coisas inanimadas, criando ficções coletivas com as quais todos concordam. A conversa percorre a história do marketing — do branding como marcação de gado, passando pela assinatura de obras de arte, pela Revolução Industrial e por Edward Bernays (sobrinho de Freud), até a campanha "Think Small" do Fusca, quando a publicidade passa a vender benefício emocional. O bloco central do episódio é a tese de Walter de que a propaganda "não está morrendo, está se suicidando": ao abandonar o aspiracional em favor do identitário em nome do politicamente correto, as marcas deixaram de gerar desejo, e esse vácuo foi ocupado pelos influenciadores. Paulo contrapõe que a influência oscila num pêndulo entre identificação e aspiração, e que o mercado de influência não morreu — a grande mídia é que está sempre um passo atrás da nomenclatura. Discutem ainda a miopia das marcas (exemplificada pelo azeite Gallo "colheita ao luar", cuja história a própria marca não conta), a importância da recomendação de pessoas confiáveis e, no fechamento, Walter apresenta cinco fatores de eficiência em marketing: propósito, comunidade, ecossistema, movimento e engajamento — usando a religião como exemplo de gamificação que dura dois mil anos.
Pessoas compram produtos para serem uma versão melhor de si mesmas: a identificação serve para engajar, mas é o aspiracional que vende.

No episódio 161 do podcast Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem Rafael Kiso, CMO e fundador da mLabs, especialista em marketing digital baseado em dados, para destrinchar como crescer e vender mais no Instagram. Kiso explica que a lógica dos algoritmos não muda, mas sim o ciclo de vida das plataformas: o Instagram chegou a 134 milhões de usuários no Brasil e hoje tem muito mais gente criando conteúdo, o que aumenta a competição e derruba o alcance individual. Ele detalha os quatro algoritmos da plataforma (Reels, Feed, Stories e Explorar) e as variáveis que cada um prioriza — interesse, peso do post, autor e afinidade. A conversa traz números concretos: taxa média de alcance de 12% no feed (benchmark de 20 a 30%), de 1 a 2% nos Stories (bons perfis chegam a 8%), retenção ideal de 82% na sequência de Stories e paciência média do público caindo de 5-6 para 3,3-4 Stories. O grande insight prático é a conta da frequência: dividir impressões por contas alcançadas nos últimos 7 dias — o resultado precisa ser maior que dois, número que a Meta identificou como suficiente para capturar 95% de lembrança de marca e intenção de compra. Malu descobre ao vivo que sua frequência é 39, o que revela altíssima conversão, mas também que ela poderia escalar trazendo mais pessoas para a base. Kiso também aborda a jornada completa do cliente (descoberta, consideração, conversão, experiência própria e experiência compartilhada), a diferença entre notoriedade e autoridade, por que viralizar por polêmica traz seguidores desqualificados, o poder do conteúdo gerado pelo consumidor (8,7 vezes mais influente que um macroinfluenciador), o caso Carmed Fini, automações no Direct, estratégia de tráfego pago por etapa da jornada e o futuro das IAs conversacionais nas redes. Ao final, compara plataformas a investimentos: Instagram e YouTube são renda fixa, plataformas novas são renda variável.
Não pergunte quantos posts fazer por dia — pergunte quantas vezes você aparece para a mesma pessoa por semana; duas vezes já capturam 95% da lembrança de marca e da intenção de compra.