
#16209 de novembro de 2023 · 1h02min
Walter Longo — Especialista em inovação e transformação digital, publicitário, palestrante internacional e sócio-diretor da Unimar Comunicação
Paulo Cuenca — Influenciador digital e referência em criação de conteúdo, youtuber e criador do treinamento O Superpoder
Pessoas compram produtos para serem uma versão melhor de si mesmas: a identificação serve para engajar, mas é o aspiracional que vende.
Revise sua comunicação e separe conteúdo de engajamento (identitário, cru, nativo, diário) do momento de venda (aspiracional, mostrando a versão melhor que o cliente pode se tornar) — e comece a contar a história real por trás do seu produto em vez de terceirizar isso para influenciadores.
Gravado ao vivo no Spotify Podcast Festival, o episódio 162 de Os Sócios reúne Bruno e Malu Perini com Walter Longo e Paulo Cuenca para discutir o marketing no século XXI. Logo de início, Walter define marketing como "projetar sobre a marca uma luz oblíqua de tal forma que a sombra seja maior do que o próprio objeto" — ou seja, mostrar o que a marca vai ser, não apenas o que ela é. Paulo complementa com a ideia de "brincar de Gepeto": colocar alma e identidade em coisas inanimadas, criando ficções coletivas com as quais todos concordam. A conversa percorre a história do marketing — do branding como marcação de gado, passando pela assinatura de obras de arte, pela Revolução Industrial e por Edward Bernays (sobrinho de Freud), até a campanha "Think Small" do Fusca, quando a publicidade passa a vender benefício emocional. O bloco central do episódio é a tese de Walter de que a propaganda "não está morrendo, está se suicidando": ao abandonar o aspiracional em favor do identitário em nome do politicamente correto, as marcas deixaram de gerar desejo, e esse vácuo foi ocupado pelos influenciadores. Paulo contrapõe que a influência oscila num pêndulo entre identificação e aspiração, e que o mercado de influência não morreu — a grande mídia é que está sempre um passo atrás da nomenclatura. Discutem ainda a miopia das marcas (exemplificada pelo azeite Gallo "colheita ao luar", cuja história a própria marca não conta), a importância da recomendação de pessoas confiáveis e, no fechamento, Walter apresenta cinco fatores de eficiência em marketing: propósito, comunidade, ecossistema, movimento e engajamento — usando a religião como exemplo de gamificação que dura dois mil anos.
“Fazer marketing é projetar sobre a marca ou o objeto uma luz oblíqua de tal forma que a sombra seja maior do que o próprio objeto.”
“A gente não compra as coisas com valor, a gente compra a identidade que a gente concorda que elas tenham.”
“A propaganda não está morrendo, ela está se suicidando, que é diferente.”
“Pessoas compram produtos para serem uma melhor versão delas mesmas. Porque se é pra ser como eu sou, eu não preciso daquele produto.”
“Sabe por que que religião dura 2.000 anos e marcas mal mal duram 50 na grande maioria? Porque a religião é um game.”