
#30211 de junho de 2026 · 1h22min
Guilherme Cadonhotto — Head de Alocação da Grão, economista formado pela FGV e pela Nova School of Business and Economics de Lisboa, mestre em economia e finanças pelo IDP, analista CNPI
Toque no livro pra ver o que foi dito, ou no minuto pra ouvir.
O Investidor Inteligente
citado por Bruno Perini
53:21Rentabilidade não está sob seu controle, mas diversificação, custo e eficiência tributária estão — e é aí que se ganha a maior parte do dinheiro no longo prazo.
Abra o programa da declaração de imposto de renda, simule a modalidade completa incluindo um aporte de até 12% da sua renda tributável em um PGBL e compare com a simplificada — se a completa devolver mais, você está deixando dinheiro na mesa todos os anos.
Bruno e Malu Perini recebem Guilherme Cadonhotto, Head de Alocação da Grão, para discutir como proteger o patrimônio da inflação. A conversa começa com a percepção de que os preços no mercado sobem mais que o IPCA, e Cadonhotto explica por que o índice não é maquiado: ele mantém correlação altíssima com indicadores privados como IGPM (FGV) e IPC (Fipe), e tem a missão impossível de refletir numa única cesta o consumo de um país continental com mais de 220 milhões de pessoas e faixas de renda de 1 a 40 salários mínimos. O núcleo técnico do episódio é a explicação do que é um ETF — uma tecnologia, não uma classe de ativo — e do GPCA11, o ETF de renda fixa indexado à inflação lançado pelo Grupo Primo. Cadonhotto detalha por que a carteira foi construída com prazo médio de 2 anos (maior correlação com a inflação de curto prazo e menor exposição à marcação a mercado), a diferença em relação ao índice IMA-B5 (cujo risco oscila com a composição da dívida pública), a eficiência tributária (15% fixos, sem IOF, sem come-cotas) e a transparência na divulgação da taxa total de 0,10% ao ano contra a prática de mercado de divulgar apenas a taxa global de 0,075%. Na segunda metade, o tema é previdência privada como veículo de eficiência tributária: o benefício do PGBL (aporte de até 12% da renda tributável com restituição do imposto), o relato de Bruno sobre ter descoberto isso tarde quando era militar, e a apresentação dos fundos Arca multimercado e Arca renda fixa. Bruno conta que a previdência de renda fixa do grupo nasceu para resolver o problema da própria avó, e Cadonhotto aplica a lógica de Howard Marks sobre diversificação de emissores em crédito privado para justificar a estrutura de fundo de fundos. O episódio encerra com os próximos ETFs planejados (ações, pré-fixado, pós-fixado) e o compromisso de não lançar produtos de hype.
“O IPCA ele é um índice ruim para tentar analisar a inflação de qualquer um, mas ele é um índice bom para refletir a inflação de um país como o Brasil.”
“Tem um exemplo que o Nassim Taleb coloca na obra dele que eu achei muito ilustrativo. Ele fala que se ele tá com a cabeça num forno e os pés no congelador, na média ele tá em temperatura ambiente, mas também tá morto.”
“É como se o governo perguntasse para você: você quer me dar o dinheiro a cada 6 meses ou só daqui a 20 anos? E tem gente que fala: não, prefiro dar a cada seis meses.”
“Tem uma frase do Mises que eu gosto bastante, que ele fala que o homem rico pode se dar ao luxo de adotar caminhos insanos por mais tempo do que o pobre.”
“Então eu tive primeiro uma alegria e depois uma frustração. A alegria foi vai voltar dinheiro. A frustração foi eu podia ter feito essa porra 5 anos.”
“O Jeff Bezos costuma falar que a sua margem é a minha oportunidade. Só que o ETF já não tem muita margem.”