
#17424 de janeiro de 2024 · 2h05min
Oliver Stuenkel — Palestrante, analista e professor de relações internacionais da FGV, autor de 'Mundo Pós-Ocidental' e 'BRICS: o Futuro da Ordem Global', colunista do Estadão e da Americas Quarterly
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Mundo pós-ocidental
citado por Bruno Perini
1:16BRICS: o futuro da ordem global
citado por Bruno Perini
1:19
A Lógica do Cisne Negro
citado por Bruno Perini
37:41Antifrágil
citado por Bruno Perini
37:50O maior risco geopolítico de 2024 não é quem vencerá a eleição americana, mas a fragilidade institucional dos EUA diante de um resultado contestado — e todo investidor deveria perguntar ao próprio portfólio: 'e se alguma coisa acontecer?'
Revise sua carteira hoje listando 3 cenários geopolíticos adversos (escalada no Oriente Médio, instabilidade pós-eleição nos EUA, atraso da transição energética) e verifique quanto do seu patrimônio está exposto a cada um — diversificando entre ativos, moedas e países.
Neste episódio 174 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem novamente o professor de relações internacionais da FGV Oliver Stuenkel para mapear os principais riscos geopolíticos de 2024. Stuenkel apresenta as listas da consultoria Eurasia Group e do Council on Foreign Relations, que colocam as eleições americanas no topo — não pela dúvida sobre quem ganha, mas pelo risco de violência política, crise constitucional e ausência de uma justiça eleitoral centralizada nos EUA. Também entram na conta o Oriente Médio à beira do abismo, a partição permanente da Ucrânia, inteligência artificial desgovernada e fake news, o eixo Rússia-Irã-Coreia do Norte, a não recuperação da China, a disputa por minerais críticos, inflação, El Niño (com impacto no Canal do Panamá) e guerras culturais afetando empresas. A conversa se aprofunda no cenário americano: a idade avançada dos candidatos (81 e 77 anos), a possibilidade de inelegibilidade de Trump no Colorado, o risco de prisão durante a campanha, a descentralização do sistema eleitoral e a queda dos EUA nos rankings de democracia. Stuenkel argumenta que um segundo mandato de Trump seria muito mais impactante que o primeiro, pois agora ele tem equipe pronta e sem o establishment que o limitou antes — o que seria bom para Putin e Xi Jinping, mas péssimo para Irã e Cuba. Por fim, o professor afirma que hoje considera o Oriente Médio o segundo maior risco, acima da Ucrânia, estimando em 70-80% a chance de Israel atacar o Hezbollah no Líbano, dado que Netanyahu depende da ala radical para se manter no poder e evitar responder pela falha de segurança de 7 de outubro. Ele reforça a necessidade de humildade ao prever cenários, lembrando que nem o chanceler russo sabia da invasão da Ucrânia, e que riscos podem interagir de formas imprevisíveis — como a guerra adiando a transição energética.
“Durante toda a minha carreira eu nunca vi um cenário tão cheio de risco. E isso não é só eu dizendo, é gente muito mais velha dizendo: olha, eu acompanho o cenário há décadas.”
“Ninguém vai te agradecer por ter sido protegido de uma crise que não ocorreu.”
“No ranking do The Economist os Estados Unidos está pior do que a República Checa, muito abaixo do Chile, da Costa Rica, do Uruguai, mais ou menos no mesmo nível que Botsuana em termos de qualidade da democracia.”
“A probabilidade dessa guerra hoje para mim é 70, 80%.”
“Se sua única preocupação é likes e alcance, você simplesmente vai radicalizar, seja de esquerda, seja de direita.”
“Antigamente a gente falava: você tem direito às suas próprias opiniões, você não tem direito aos seus próprios fatos. Só que hoje nos Estados Unidos as pessoas têm percepções distintas da realidade de acordo com as preferências políticas.”