
#30502 de julho de 2026 · 2h00min
Andrei Mayer — Professor com mestrado, doutorado e pós-doutorado em fisiologia humana com foco em neurociência e apresentador do podcast Culpa do Cérebro
Caio Bonadio — Médico psiquiatra pela Santa Casa de São Paulo e médico do sono especialista pelo Hospital das Clínicas da FMUSP
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Por que nós dormimos
citado por Andrei Mayer
10:32
O Oráculo da Noite
citado por Caio Bonadio
1:13:46
A Interpretação dos Sonhos
citado por Caio Bonadio
1:14:20Dormir bem não é questão de pílula nem de quantidade de horas: a variável mais subestimada é a regularidade — e uma boa noite de sono começa no momento em que você acorda.
Escolha um único hábito para começar hoje: acordar todos os dias no mesmo horário, inclusive fim de semana, e se expor à luz solar logo ao despertar — e corte a cafeína pelo menos 9 horas antes do horário em que você pretende dormir.
No episódio 305 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o neurocientista Andrei Mayer e o psiquiatra e médico do sono Caio Bonadio para uma conversa longa sobre o que a neurociência sabe hoje sobre o sono. Os convidados defendem que todos os aspectos da vida são impactados pelo sono — emoções, memória, apetite, produtividade, relacionamentos — e que a privação de sono é incompatível com a vida, tendo sido usada historicamente como instrumento de tortura. Explicam as fases do sono (três estágios não-REM e o REM), a função de 'lavagem' do cérebro que ocorre no sono profundo e por que todas as fases importam, derrubando a obsessão popular por sono profundo ou REM isoladamente. Um dos pontos centrais é que, além de quantidade (cerca de 7 horas para adultos) e qualidade, existe um terceiro parâmetro subestimado: a regularidade. Compensar sono no fim de semana não funciona — o sono não é sistema de crédito e débito — e gera o chamado 'jetlag social', associado a aumento de risco cardiovascular, IMC e hemoglobina glicada. A dupla detalha os principais sabotadores do sono: cafeína (uma dose de 100 mg deveria ser tomada até 9 horas antes de dormir), álcool (fragmenta o sono profundo), temperatura do ambiente, luz artificial à noite e má gestão do tempo de tela — sem demonizar a tela em si. Também discutem o problema da medicalização do sono: barbitúricos, benzodiazepínicos e os 'Z-drugs' têm indicação apenas de curto prazo (até quatro semanas), mas muita gente usa por anos; remédio desliga o cérebro 'na marra' e não reproduz o sono natural. Caio relata que recebe mais pacientes para retirar medicação do que para prescrever. Fecham com um roteiro prático de dia ideal — acordar no mesmo horário, luz solar de manhã, movimento, horários regulares de refeição, redução de luz e estímulo à noite, prática de mindfulness, quarto escuro e fresco — e alertam sobre o uso de wearables como Oura Ring e smartwatches, que servem para ver tendências e engajamento, mas não para diagnóstico nem para estadiamento das fases do sono.
“Todos os aspectos da nossa vida são impactados pelo sono. Todos.”
“Uma boa noite de sono começa quando você acorda.”
“O sono não é um sistema de crédito ou débito, não funciona dessa forma.”
“Dormir rápido não é sinônimo de dormir bem. Você talvez esteja dormindo rápido e a qualidade do sono não está boa.”
“A gente não inventou ainda nenhum remédio que gere um sono como natural. Você desliga o cérebro meio que na marra.”
“O pior efeito colateral da melatonina é a pessoa achar que ela vai fazer milagre e deixar de fazer as outras coisas que são mais importantes.”
“Acordar cedo não é o ideal para todo mundo.”
“O sono é um excelente termômetro da sua vida, é um sinal vital, igual pressão arterial, temperatura.”