
#25721 de agosto de 2025 · 1h47min
Octávio Magalhães — Sócio-fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, gestora independente com mais de R$ 4 bilhões sob gestão e quase 30 anos de experiência no mercado
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Entendendo Michael Porter
citado por Octávio Magalhães
1:40:27Empresa boa não é sinônimo de boa ação: só vale comprar o negócio vencedor quando ele está barato — e o maior controle de risco não é diversificar, é conhecer profundamente poucas teses.
Revise sua carteira hoje e conte quantas posições você realmente conhece a fundo: se tiver 30 ou 40 ativos que não sabe explicar, concentre no que tem convicção ou migre para um ETF — e verifique se está usando compensação de prejuízo e veículos que diferem imposto (fundos de ações, previdência) para não deixar dinheiro na mesa.
Octávio Magalhães, sócio-fundador da Guepardo Investimentos, conta a trajetória da gestora — que começou como clube de investimentos em 2001, quando ele tinha 21 anos, com o objetivo principal de diferir imposto — até se tornar uma das principais casas independentes de ações do Brasil, com mais de R$ 4 bilhões sob gestão e retorno líquido superior a 20% ao ano desde 2004. Ele explica o processo de seleção de ações da casa: primeiro o filtro qualitativo (setor, cultura, gestão, alocação de capital, governança) e só depois o quantitativo (preço). Das quase 500 empresas listadas, apenas 70 são aprovadas, e o fundo carrega no máximo 14 posições. O episódio detalha cases concretos: Vulcabras (maior acerto da história da gestora, com Olympikus, Mizuno, Under Armour e o fenômeno do tênis Corre), Petrobras e Copasa (as raras estatais compradas, sempre com saída antecipada por risco de interferência governamental), Sabesp e Itaú (vendidas em 2025 por terem atingido valor justo) e Grupo Mateus (varejo com monopólio regional no Norte/Nordeste). Octávio defende que concentração com convicção é melhor controle de risco que diversificação e critica a 'armadilha de valor'. A conversa também aborda o descolamento entre a performance do fundo e a dos cotistas — 10 cotistas ficaram com 88% de todo o lucro da história da Guepardo, justamente os que nunca sacaram —, os sete erros cometidos em 21 anos (quatro das empresas vendidas entraram em recuperação judicial depois), o impacto dos juros altos no valor econômico adicionado das empresas (caso Rumo) e uma crítica dura ao cenário político brasileiro e ao risco de o país ser 'desplugado' do sistema financeiro global.
“A diversificação é o controle de risco de quem não sabe o que está fazendo.”
“Você tem que estar preparado para ficar 10, 15, 20 anos naquela empresa. Apesar de você querer ficar seis meses, um ano, mas você tem que estar preparado.”
“Na Guepardo, 10 cotistas ficaram com 88% de todo o lucro da história da Guepardo.”
“O ganhador é o que fica quieto, vai pra fazenda, vai pra casa, amarra o braço, amarra o pulso, fica na praia nadando. Esse é o melhor investidor.”
“Pode ser a melhor empresa do mundo que eu não vou ter, quando não está me dando um retorno espetacular.”