
#26723 de outubro de 2025 · 1h06min
Luiz Felipe Pondé — Filósofo, escritor e ensaísta, doutor em filosofia pela USP, professor da PUC-SP e da FAAP e colunista da Folha de S.Paulo
7 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Antifrágil
citado por Luiz Felipe Pondé
4:30
A Lógica do Cisne Negro
citado por Bruno Perini
8:33Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
17:56
Cosmos
citado por Bruno Perini
24:28
A Riqueza das Nações
citado por Luiz Felipe Pondé
45:11Teoria dos Sentimentos Morais
citado por Luiz Felipe Pondé
45:16Os Anjos Bons da Nossa Natureza
citado por Luiz Felipe Pondé
51:20Antifrágil não é quem resiste ao caos sem se mexer, mas quem se dobra, sobrevive e sai mais forte — e virtude, como a coragem, só existe na prática, nunca na teoria ou no discurso.
Identifique uma situação em que você vem evitando o desconforto (uma conversa difícil, um risco calculado, um treino, um desafio intelectual sem a muleta da IA) e se exponha a ela hoje de forma controlada, em vez de blindar sua vida contra todo estresse.
Bruno e Malu Perini recebem o filósofo Luiz Felipe Pondé para discutir o conceito de antifragilidade de Nassim Taleb. Pondé explica que o antifrágil não é nem o frágil que se desmancha nem o robusto que resiste, mas aquilo que se fortalece com o caos — e aproxima a ideia do junco pensante de Pascal, que se dobra ao vento mas não quebra. A conversa avança para a fragilidade das novas gerações e a crise de saúde mental, que Pondé relaciona a um diagnóstico sociológico de Georg Simmel de 1904 sobre a 'intensificação da vida nervosa' nas grandes cidades, e não apenas ao celular. O papo se expande para inteligência no mundo antigo versus moderno (com referência a Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond), a naturalização milenar da escravidão mesmo entre pensadores brilhantes como Aristóteles e Sêneca, e o papel da Revolução Industrial e dos interesses econômicos ingleses no fim do tráfico negreiro. Discutem ainda se a inteligência artificial vai nos deixar mais burros — Pondé se diz nem apocalíptico nem integrado, e aposta que a IA amplifica quem já tem repertório. Na última parte, debatem a coragem como a única virtude que não pode ser fingida, a tese de Adam Smith de que a sociedade comercial dissolve as virtudes heroicas, o Brasil como quase narcoestado, a crise demográfica e previdenciária com a queda da fertilidade, e a teoria de Hayek de que os piores chegam ao poder.
“A gente, tal como um junco, se dobra ao vento. O vento dobra a gente, de certa forma a gente está submetido ao vento, mas a gente não quebra. Isso é bem a ideia do antifrágil.”
“A antiguidade, assim como a pré-história, ela nos espreita da fresta da janela. Basta dar errado tudo que existe hoje pra gente voltar a esse tipo de prática.”
“Eu costumo dizer que as virtudes são tímidas, elas não se anunciam, porque quando ela se anuncia, a pessoa que ouve já desconfia.”
“A hipocrisia sempre foi a substância da moral pública e continua sendo da política muito mais do que tudo.”
“O Estado brasileiro ele é organizado para se defender do cidadão. É basicamente a ética do Estado brasileiro.”
“No Brasil, pros amigos tudo, pros inimigos a lei. Continua funcionando assim.”