
#16604 de dezembro de 2023 · 1h51min
Oliver Stuenkel — Palestrante, analista e professor de relações internacionais da FGV, autor de 'Mundo Pós-Ocidental' e 'BRICS: O Futuro da Ordem Global', colunista do Estadão e da Americas Quarterly
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Como as Democracias Morrem
citado por Oliver Stuenkel
14:27Quando um país descobre riqueza, ela deixa de ser só oportunidade e vira risco: o Essequibo só virou pauta urgente para Maduro depois que o petróleo apareceu — e país pequeno, rico e sem forças armadas é alvo fácil.
Acompanhe o conflito por fontes diversificadas, inclusive as enviesadas (como a Telesur, financiada pelo governo venezuelano), para entender qual narrativa cada lado está construindo antes de formar sua opinião.
Bruno e Malu Perini recebem o professor de relações internacionais Oliver Stuenkel para analisar a escalada da disputa territorial entre Venezuela e Guiana pelo Essequibo, região que corresponde a cerca de 70% do território guianense. Stuenkel reconstrói a história do conflito — da ocupação holandesa e britânica ao laudo arbitral de Paris de 1899 — e mostra que o tema ficou arquivado por décadas, sendo retomado por Nicolás Maduro apenas após a descoberta de vastas reservas de petróleo em 2015. A conversa discute o referendo consultivo convocado por Maduro, que teria registrado 95% de apoio à anexação, e por que esses números não são confiáveis num país que passou por um processo de erosão democrática. Para Stuenkel, o referendo é uma manobra clássica de ditador: desviar a atenção da catástrofe econômica, fomentar nacionalismo e dividir a oposição às vésperas das eleições de 2024. Ele avalia em 2 ou 3 (numa escala de 0 a 10) a chance de uma invasão formal, mas alerta para o risco de incidentes não planejados na fronteira mal demarcada. O episódio também aborda o impacto sobre a percepção de risco geopolítico da América do Sul — argumento que Stuenkel usa com investidores estrangeiros —, a postura tímida do Brasil e os custos do "abraço do urso" de Lula a Maduro, a possibilidade de uma base militar americana na Guiana, a estratégia de Biden de afrouxar sanções por causa de migração e inflação, e o histórico brasileiro de não ajudar vizinhos em crise.
“Veneno se bebe em taças de ouro. Quem tem riqueza acaba sendo mais exposto a problemas.”
“O primeiro slide da minha apresentação é sobre América do Sul e o que diz lá? Não tem risco geopolítico.”
“A Venezuela tem mais generais do que os Estados Unidos. Tem um general do arroz, tem um general do milho, um general do remédio.”
“Se todo mundo quiser retomar o seu território, a gente estará numa guerra permanente mundial, sem parar.”
“O prêmio é muito grande e a barreira é muito baixa.”
“Na hora de construir narrativas políticas, nem sempre é preciso respeitar todos os fatos.”