
#23520 de março de 2025 · 2h01min
Ruy Alves — Sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercados; mestrado em finanças pela London Business School, ex-JGP e ex-professor de finanças no IBMEC do Rio de Janeiro
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
7:30
O Padrão Bitcoin
citado por Bruno Perini
1:31:42
O Padrão Fiduciário
citado por Bruno Perini
1:31:45
O Mágico de Oz
citado por Ruy Alves
1:34:52O Brasil não vive uma crise de governo, mas uma única trajetória de 35 anos — receita cresce, despesa cresce, dívida cresce — e o acerto de contas é matemático: a próxima recessão brasileira será uma crise da dívida pública.
Comece a diversificar parte do seu patrimônio fora do Brasil hoje: o prêmio de 5% de juro real que você ganha aqui é exatamente o preço do risco de ficar sem nada se der errado dentro do país.
Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio da Kinea e gestor de multimercados, para discutir se o governo Lula 3 repete os erros da era Dilma. Ruy argumenta que o Brasil não mudou: desde a redemocratização e a Constituição de 1988, o país segue uma única trajetória de crescimento simultâneo de receita, despesa e dívida, sustentada por transferências diretas a uma população majoritariamente pobre. O problema central, segundo ele, é a falta de produtividade — zero fora do agronegócio — e a ausência de instituições econômicas sólidas. Ele projeta um 'acerto de contas' inevitável: com a dívida/PIB crescendo cerca de 4% ao ano e um crescimento potencial baixo, a próxima recessão brasileira será uma crise de dívida pública. Descarta, porém, uma saída via inflação rampante, porque o Banco Central é independente, o orçamento é amarrado e os canais parafiscais (BNDES, Petrobras) têm governança muito melhor que no passado. Analisa ainda que o principal termômetro da popularidade presidencial no Brasil é o dólar, já que o eleitor mediano tem gasto quase integralmente dolarizado (comida e transporte). Na parte prática, Ruy defende diversificação internacional, flexibilidade mental sobre ouro e Bitcoin (que ele vê como 'força pro bem', embora não invista), e critica a proposta de isenção do IR até R$ 5.000 compensada por tributação de dividendos, que considera um desestímulo ao empreendedor. Encerra lembrando que violência é um dos maiores detratores do PIB brasileiro e que, apesar de tudo, as oportunidades no Brasil são maiores do que lá fora para quem tem acesso a capital e educação.
“Você quer entender a economia brasileira, como é que a gente chegou até aqui, os problemas que a gente tem, é um só: falta produtividade, falta produtividade e falta produtividade.”
“Nenhum governo vai fazer a gente virar Venezuela ou Argentina. A gente vai virar Venezuela ou Argentina se a gente não tiver uma conversa séria em algum momento.”
“Eu acho que o principal fator de popularidade de um presidente no Brasil é o dólar.”
“Se você quiser tirar alguma coisa do mercado, é igual uma festa americana: para tirar alguma coisa da mesa, você tem que trazer alguma coisa pra mesa.”
“As instituições perdidas, elas não voltam. E você cada vez mais taxa o trabalho e taxa a tomada de risco — você não vai mudar o país dessa maneira.”
“Usa o investimento para você se tornar uma pessoa melhor antes de pensar que você vai ser mais inteligente que o mercado.”