
#25110 de julho de 2025 · 2h02min
Marina Gorga — Nutricionista há mais de 10 anos, fundadora do Nutricionário e criadora do estúdio Gorga Bem-Estar
Maíra Soliani — Médica, PhD em medicina pela Unicamp, especialista em saúde metabólica e jejum terapêutico, autora do bestseller 'A Ciência do Desconforto'
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Antifrágil
citado por Maíra Soliani
1:23:08A Ciência do Desconforto
citado por Maíra Soliani
2:00:06O jejum é um remédio com dose: funciona como estresse benéfico que reprograma o metabolismo, mas em excesso — ou sem cuidar do que se come na janela alimentar — vira veneno.
Comece hoje adiantando o jantar para por volta das 18h-19h e não belisque nada depois, criando naturalmente uma janela de 12 a 14 horas de jejum noturno.
No episódio 251 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a nutricionista Marina Gorga e a médica Maíra Soliani para destrinchar o jejum intermitente: o que é, como funciona no metabolismo e para quem ele realmente serve. As convidadas explicam que o jejum mínimo considerado é de 12 horas, que a partir de 14 horas já se fala em estratégias de jejum intermitente, e que o jejum deve ser pensado como um medicamento com diferentes doses — podendo ser diário e leve ou mais longo e esporádico. A conversa percorre a fisiologia por trás do processo: a troca de combustível da glicose para os corpos cetônicos, a autofagia como limpeza celular, a produção de BDNF e os efeitos sobre resistência insulínica e diabetes tipo 2. Também são abordados usos terapêuticos em doenças autoimunes, câncer (como terapia adjuvante à quimioterapia), além do Fast Mimicking Diet criado por Walter Longo, o uso combinado com canetas de GLP-1 e os estudos clássicos de George Cahill e o caso de Angus Barbieri. As especialistas alertam que jejum é um estresse e que a dose faz o veneno: em mulheres magras, atletas ou pessoas já estressadas e mal nutridas, o excesso pode elevar cortisol, reduzir conversão de T4 em T3 e prejudicar fertilidade. Discutem ainda o melhor horário (pular o jantar é superior a pular o café da manhã, embora pular o café seja mais viável socialmente), a crise metabólica americana (88% com síndrome metabólica), estudos com bombeiros e militares, e encerram contando seus próprios protocolos pessoais.
“Imagina que o jejum é uma medicação e tem várias doses desse medicamento.”
“O jejum é como se fosse o spa terapêutico do seu funcionário em burnout.”
“Eu digo que o jejum ele é um estresse, ele é um veneno. A dose faz o veneno, igual o exercício físico: fazer demais é ruim, fazer nada é ruim.”
“Aplicar o jejum é tão, tão importante quanto saber o que comer fora do jejum.”
“Eu adoro essa fala de que o jejum faz muito mal. Se fizesse mal, a gente não chegaria até aqui como espécie.”
“Eu sempre lembro do Michelangelo quando fez o Davi: perguntaram como ele fez a obra-prima, ele só tirou o que não era Davi.”