
#22112 de dezembro de 2024 · 2h14min
Sérgio Sacani — Geofísico, mestre em engenharia do petróleo e doutor em geociências, criador do canal Space Today e host do podcast Ciência Sem Fim
Alberto Lindner — Biólogo pela USP e doutor em biologia pela Duke University, professor de biologia e oceanografia da UFSC e pesquisador de biodiversidade marinha
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
5:47Vida Marinha de Santa Catarina
citado por Alberto Lindner
10:21
Ismael
citado por Bruno Perini
1:50:51O problema das mudanças climáticas não é que o clima mude — ele sempre mudou — mas a velocidade: estamos comprimindo em 150 anos transformações que a natureza levaria 30 mil para fazer, e nenhum sistema vivo consegue se adaptar nesse ritmo.
Mesmo que você duvide das mudanças climáticas, apoie e cobre medidas contra queimadas e desmatamento: elas melhoram sua saúde e a qualidade do ar hoje, independentemente do debate climático.
Bruno Perini recebe o geofísico e divulgador científico Sérgio Sacani e o biólogo marinho Alberto Lindner para um episódio inteiro dedicado às mudanças climáticas. A conversa começa esclarecendo por que a academia sempre usou o termo "mudança climática" em vez de "aquecimento global", e explica os ciclos naturais do planeta (ciclos de Milankovitch, excentricidade orbital, precessão dos equinócios e obliquidade) para mostrar que o problema não é a mudança em si, mas a velocidade dela: o que naturalmente levaria 30 mil anos está acontecendo em 150. Os convidados detalham por que modelar o clima é tão difícil — trata-se de um sistema caótico e dinâmico, sensível a condições iniciais, que exige supercomputadores — e por que as pessoas confundem probabilidade com certeza. Abordam o caso bem-sucedido do buraco na camada de ozônio (resolvido com a proibição do CFC) como prova de que a humanidade consegue agir em conjunto, discutem o mercado de carbono, a Lei 182/2024, as COPs e os conflitos geopolíticos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Lindner destaca que, no Brasil, 50% das emissões vêm de desmatamento e 25% da agropecuária — e não do petróleo (18%). Na parte final, falam de branqueamento de corais, pontos de não retorno (tipping points), extinção ecológica, migrações climáticas e os impactos econômicos concretos (seguros, preço de imóveis em áreas de risco). Encerram com soluções: diversificação da matriz energética, energia solar, eólica, hidrelétrica e especialmente a fusão nuclear, apontada por Sacani como a única energia verdadeiramente limpa e possível salvação do planeta.
“O problema é que a terra passa por mudanças climáticas, só que são mudanças que demoram 20.000 anos, 30.000 anos para mudar, e nós, com o efeito antrópico, estamos fazendo mudanças que eram para durar 30.000 anos em 100 anos, 80 anos.”
“Mesmo que aquelas pessoas que até hoje não acreditam em mudança climática ou não acreditam que o homem seja responsável por isso: cara, vamos diminuir esse negócio de queimada, tua saúde já melhora agora.”
“Não é que esqueceram, é que resolveu. Proibiram o CFC e acabou. Ou seja, mostrou que o problema realmente era o CFC.”
“Infelizmente ninguém nunca vai te agradecer por ter sido protegido de uma crise que não aconteceu.”
“Muitas das coisas que a gente tem que fazer é simplesmente parar de fazer: parar com a sobrepesca, parar com queimada, parar com desmatamento, reduzir carbono, e o sistema volta.”
“Eu acho que a fusão nuclear é o que vai salvar o planeta.”