
#17028 de dezembro de 2023 · 2h15min
Dennys Xavier — Professor de filosofia com PhD na área, fundador da Sociedade da Lanterna e da Academia do Denão, palestrante, autor bestseller e ex-membro da Seleção Brasileira de Natação
20 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Outliers
citado por Bruno Perini
12:36A República
citado por Dennys Xavier
14:59
Ilíada
citado por Dennys Xavier
21:07Teeteto
citado por Dennys Xavier
27:36Carta VII
citado por Dennys Xavier
32:43
Górgias
citado por Dennys Xavier
36:17Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres
citado por Dennys Xavier
41:04
Crepúsculo dos Ídolos
citado por Bruno Perini
41:45
Odisseia
citado por Dennys Xavier
50:01
Cosmos
citado por Bruno Perini
53:53
Metafísica
citado por Dennys Xavier
1:13:03
1984
citado por Bruno Perini
1:36:35
Fundação
citado por Bruno Perini
1:39:40
Fedro
citado por Bruno Perini
1:42:44
Suma Teológica
citado por Dennys Xavier
2:01:20Timeu
citado por Dennys Xavier
2:01:20Dicionário Filosófico
citado por Dennys Xavier
2:02:59O Essencial sobre o Coletivismo
citado por Dennys Xavier
2:10:32
Vidas Paralelas
citado por Bruno Perini
2:13:42As Leis
citado por Dennys Xavier
2:52:45Não há salvação para a cidade se o homem antes não salva a si mesmo: a desordem do mundo é o reflexo ampliado da desordem da própria alma, quando o desejo e a ira tomam o lugar da razão.
Escolha um conceito que você usa todo dia sem definir — justiça, amizade, felicidade, sucesso — e tente escrever sua definição e a razão que a sustenta, no exercício socrático de descobrir o quanto do que você carrega é só opinião (doxa).
No último episódio de 2023 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem pela segunda vez o professor de filosofia Dennys Xavier para uma conversa sobre o legado de Platão e o pensamento grego antigo. O ponto de partida é a frase de Whitehead de que toda a filosofia ocidental é "nota de rodapé" a Platão, e a constatação de que em apenas 200 anos — de Tales de Mileto a Aristóteles — os gregos construíram um aparato conceitual que ainda sustenta nosso modo de pensar. Dennys explica por que a filosofia é um fenômeno estritamente grego (filha de um grau de liberdade sem paralelos na história), a passagem do mito à razão com o surgimento da pólis, a tripartição da alma em Platão (racional, irascível e concupiscente) e sua noção de justiça como "cada coisa no seu devido lugar". Discute a morte de Sócrates como evento que, segundo ele, criou Platão: frustrado com a política, o aristocrata ateniense abandonou a carreira pública e mergulhou na filosofia. A conversa avança para a teoria das ideias, a alegoria da caverna, a doutrina não escrita de Platão (as "ágrafa dogmata" reveladas pela tradição indireta e por Aristóteles), a crítica da escrita no diálogo Fedro, o empobrecimento linguístico como empobrecimento do intelecto, e termina com a teologia de Aristóteles — o primeiro motor imóvel, "o objeto de amor que não ama" — e o debate entre fé e razão, com Bruno contando como o argumento aristotélico o fez deixar o agnosticismo.
“Em 200 anos a nossa civilização do lado de cá tava aprendendo a levantar a tampa do vaso e os caras estavam fazendo filosofia com esse grau de sofisticação conceitual.”
“Não há salvação para a cidade se o homem antes não salva a si mesmo.”
“Foi exatamente a frustração com o mundo político que nos deu de presente Platão.”
“Como é que eu sou capaz de perceber a imperfeição sem ter frequentado a perfeição?”
“O empobrecimento linguístico é o empobrecimento do intelecto e da capacidade de ver o mundo.”
“Ele é o objeto de amor que não ama. Esse é o Deus aristotélico.”