
#25324 de julho de 2025 · 1h58min
Ruy Alves — Sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercados, com mestrado em finanças pela London Business School e passagem pela JGP
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Princípios para Lidar com a Mudança na Ordem Mundial
citado por Bruno Perini
1:28:15
Princípios
citado por Bruno Perini
1:28:32A Arte da Negociação
citado por Bruno Perini
1:40:04O que mata o investidor e o país não é o que você não sabe, mas aquilo que você tem certeza de estar certo — e está errado; por isso não existe fórmula pronta (nem value investing, nem buy and hold), existe julgar a incerteza do momento.
Pare de analisar o Brasil (ou qualquer empresa) apenas pelo passivo — dívida, déficit, fiscal — e comece a avaliar o ativo: produtividade, capacidade de crescimento e vantagem competitiva real.
Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio e gestor de multimercados da Kinea, para analisar o tarifaço de 50% imposto por Trump aos produtos brasileiros e a crise entre Lula e Trump. Ruy recusa a leitura maniqueísta do conflito: argumenta que Trump chegou até aqui por uma visão equivocada de comércio internacional (a ideia de que só se ganha com superávit bilateral), alimentada por figuras como Lighthizer, Peter Navarro e Howard Lutnick. Critica tanto a ida de Eduardo Bolsonaro aos EUA para incitar intervenção estrangeira num processo judicial brasileiro quanto o abuso de prerrogativas pelo Executivo americano, afirmando que hoje se preocupa mais com a deterioração institucional dos EUA do que com a brasileira. No plano econômico, ele relativiza o impacto macro das tarifas — o Brasil exporta commodities trianguláveis —, mas aponta danos microeconômicos severos em Embraer, WEG, pequenos exportadores e importadores. Politicamente, avalia que Lula capitalizou brilhantemente a crise, tomando para si o verde-amarelo e agindo com a mesma frieza de Xi Jinping na negociação com os EUA; se a eleição fosse hoje, venceria. O cenário de investimento no Brasil depende de uma alternância de poder pró-fiscalista em 2026 para evitar uma crise fiscal em 2027. Ruy também discute a estagnação de produtividade brasileira (3,5% ao ano até os anos 80, ~0,1% depois), a captura do Estado por grupos fisiológicos nos três poderes, o fim do value investing clássico diante da concentração de lucros em tecnologia, e por que o dólar não perderá hegemonia para o yuan. Encerra com um apelo contra a fuga do país: o que importa não é dinheiro, é relevância social.
“O que te mata não é aquilo que você sabe, mas aquilo que você acha que está certo e que está errado. Aquilo ali realmente te destrói.”
“Não é razoável uma pessoa pegar um avião, ir para uma outra jurisdição e tentar incitar para que essa jurisdição aja contra os interesses nacionais.”
“O juro nada mais é do que o prêmio de prisão. É quanto custa para você ficar no real.”
“O problema que você tem hoje no mundo de investimentos, que as pessoas que fazem bolsa não perceberam, é que os seus heróis morreram de overdose.”
“A pior coisa do mundo é a irrelevância. Fugir nunca vai te fazer relevante, querido, nunca.”
“O Xi deu aula no Trump. Aula de estadista: não levantou a voz, não discutiu, botou as pessoas do escalão de baixo para falar.”