
#16707 de dezembro de 2023 · 1h49min
Felipe Hirai — Sócio e membro da equipe de gestão e análise da Dahlia Capital, com mais de 20 anos de experiência em análise de empresas e estratégia global (Ring Grief e Bank of America), cobrindo commodities na América Latina.
Murilo Freiberger — Membro da equipe de gestão e análise da Dahlia Capital, com mais de 18 anos de experiência em análise de empresas em instituições como HSBC, Barclays e Bank of America.
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A Era das Máquinas Espirituais
citado por Bruno Perini
1:13:45A demografia é o problema mais previsível e menos discutido da economia: só existe uma maneira de ter um cidadão de 30 anos daqui a 30 anos, e é fabricando ele hoje — por isso o colapso previdenciário já está matematicamente encomendado.
Comece hoje uma previdência privada de longo prazo (avalie o PGBL até 31/12 se você é CLT e declara no modelo completo) e pare de contar com o INSS como fonte principal de aposentadoria.
No episódio 167 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Hirai e Murilo Freiberger, da Dahlia Capital, para discutir a crise demográfica global. Partindo das pirâmides etárias de Japão, Coreia do Sul, Rússia, Portugal e do mundo, os convidados explicam por que a demografia é uma das variáveis mais previsíveis e mais ignoradas na alocação de capital: só existe uma forma de ter um cidadão de 30 anos daqui a 30 anos, que é produzi-lo hoje. A conversa detalha como a Revolução Industrial inverteu o incentivo econômico de ter filhos — de fluxo de caixa positivo na fazenda para um custo de 20 a 30 anos nas cidades — e desdobra as consequências: insolvência dos sistemas previdenciários (o Brasil passará de 12 trabalhadores por aposentado para 3 em 30 anos), estagnação econômica, queda da produtividade marginal, inflação estruturalmente mais baixa e pressão sobre contas públicas. Japão aparece como a 'fotografia' do mundo daqui a 20 anos, privilegiado por alta poupança e multinacionais globais, enquanto China, Índia e outros países de renda média enfrentarão o problema sem recursos. Os convidados destacam os quatro fatores que explicam a força americana — tecnologia, instituições, geografia e demografia — com ênfase na imigração (1 milhão de pessoas por ano, 880 mil com ensino superior) e no perfil cultural 'settler' de países novos formados por imigrantes. O Brasil, por ter esse mesmo perfil, espaço territorial, população ainda jovem e um boom de produção de petróleo pela frente, estaria relativamente bem posicionado — desde que resolva o gargalo da educação. A conclusão prática: não dependa do INSS, construa previdência privada e patrimônio de longo prazo.
“A única maneira de ter um homem de 30 anos é produzindo esse homem 30 anos antes.”
“Eles disseram: não é sustentável, porque o pagamento de quem está aposentado depende de novos entrantes. Ou seja, sua previdência é uma pirâmide, é um esquema Ponzi.”
“A primeira mensagem que fica para todo mundo é: faça sua previdência privada particular, não dependa do INSS. Daqui 30 anos, do jeito que ele está, ele não é sustentável.”
“Não existe um cenário de país que criou um estado de bem-estar social e continuou crescendo.”
“O Japão em 2022 registrou o dobro de óbitos em relação a nascimentos.”
“90% dos brasileiros aposentados dependem só do INSS. E uma certeza que a gente tem é que isso não será suficiente.”