
#29530 de abril de 2026 · 1h42min
Roberto Reis — Estrategista eleitoral com 27 anos de atuação em campanhas políticas e marketing de influência, analista em veículos como Crusoé e O Antagonista
Anderson Nunes — Analista político com 20 anos de experiência no setor público, engenheiro especialista em gestão de obras públicas, focado nos bastidores de Brasília
Em política, rejeição é mais fiel que o amor: ela é cristalizada e quase nunca muda — por isso o teto de um candidato diz mais sobre seu futuro do que sua popularidade atual.
Pare de acompanhar só pesquisas de intenção de voto e passe a monitorar os índices de rejeição (e o 'ruim/péssimo') dos candidatos, cruzando com mercados preditivos como o Polymarket, para formar sua própria leitura de tendência eleitoral.
No episódio 295 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o estrategista eleitoral Roberto Reis e o analista político Anderson Nunes para discutir o cenário das eleições de 2026. O ponto central da conversa é a tese de que Lula está em rejeição "proibitiva" — entre 49% e 52% conforme o instituto —, patamar a partir do qual, segundo estudos do Gallup, nenhum incumbente foi reeleito em democracias. Para Roberto, a eleição de Lula não é em outubro: é nos próximos 100 dias, até o prazo de convenções (15 de agosto juridicamente, final de julho na prática), quando ele precisa melhorar os índices e montar alianças para se viabilizar. Os convidados exploram a lógica dos ciclos democráticos (crescimento, igualdade, liberdade) para explicar por que o modelo petista está descompassado com o Brasil atual: o jovem de hoje é mais conservador, bebe menos, se interessa por política e tem como sonho empreender (66% segundo o Data Favela), o que colide com o pensamento coletivo e sindicalizado que elegeu Lula. A rejeição de Lula entre jovens chegaria a 70%. Também destacam o peso do eleitor de centro — cerca de 40% do eleitorado, mas só metade vota, ou seja, 20% decide a eleição — e os temas que movem esse eleitor: criminalidade, corrupção, custo de vida, censura, confisco e crédito. Na leitura dos convidados, Flávio Bolsonaro é hoje o favorito: tem 22 palanques firmados (contra 10 do pai em 2022), moderou o discurso, busca o voto feminino e demonstrou articulação ao derrubar a indicação de Jorge Messias ao STF junto com Davi Alcolumbre. O governo Lula perdeu governabilidade — converteu apenas 17% das medidas provisórias, contra 93% nos dois primeiros mandatos — e o Centrão tende a migrar para a oposição num segundo turno. Fecham falando de geopolítica: a disputa EUA-China por terras raras, data centers e inteligência artificial colocaria o Brasil no centro do foco americano em 2026.
“Uma frase minha: rejeição é mais fiel que o amor.”
“Nunca ninguém foi reeleito no mundo em democracias com mais de 49% de rejeição. Então o Lula tá lá nos 49.”
“O PT é igual um pé de manga, não cresce nada embaixo.”
“A eleição do Lula não é em outubro. A eleição do Lula é agora, nos próximos 100 dias, até o momento que anunciarem o candidato oficial.”
“Tudo que a gente vê em campanha eleitoral, em esforço, RH, dinheiro, é para um quinto da população decidir a nossa vida. O restante totalmente cristalizado.”
“Política é igualzinha ao pôquer, porque no pôquer a melhor mão pode perder.”