
#21317 de outubro de 2024 · 1h49min
Clóvis de Barros Filho — Filósofo, palestrante, professor e consultor, autor de 38 obras e apresentador dos podcasts Inédita Pamonha e #partiupensar
8 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Vida que Vale a Pena Ser Vivida
citado por Bruno Perini
9:02Epaminondas, o Gato Explicador
citado por Bruno Perini
9:06
O Existencialismo é um Humanismo
citado por Clóvis de Barros Filho
18:06A Náusea
citado por Clóvis de Barros Filho
39:16Reinventar-se
citado por Clóvis de Barros Filho
1:25:36O Ser e o Nada
citado por Clóvis de Barros Filho
1:41:57
Apologia de Sócrates
citado por Clóvis de Barros Filho
1:45:26
Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
1:47:23Se a existência precede a essência, você é a soma das suas decisões — e toda desculpa que terceiriza a responsabilidade pela sua vida é apenas má-fé.
Baixe gratuitamente 'O Existencialismo é um Humanismo', de Sartre, e leia-o para entender na prática a ideia de que somos condenados a ser livres.
Neste episódio 213 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem novamente o filósofo Clóvis de Barros Filho para uma aula sobre a filosofia existencialista. O episódio começa com o anúncio da gravidez de Malu e uma conversa descontraída sobre Epaminondas, o gato de Clóvis — que se torna o exemplo central da explicação: o gato é escravo da sua 'gatitude', enquanto o humano não tem natureza prévia alguma. Clóvis explica a virada proposta por Jean-Paul Sartre: enquanto para os gregos, para o cristianismo e para objetos como a tesoura a essência precede a existência, na vida humana a existência precede a essência. Daí decorrem a liberdade radical ('somos condenados a ser livres'), a responsabilidade como outro lado da mesma moeda, a angústia existencial diante dos infinitos caminhos possíveis, e conceitos como má-fé e náusea — a vida teatralizada de quem compra uma identidade postiça (o CEO, o garçom, o 'explicador') para reduzir a angústia da liberdade. Bruno contrapõe questionando se o existencialismo não nega obviedades sobre a natureza humana, o que leva Clóvis a assumir sua posição pessoal: ele se diz essencialista, acredita em inclinações natas (cita Messi, Pavarotti, Dalí) e prefere um meio-termo, ainda que a lógica filosófica não o permita. A conversa passa por educação no Brasil, preconceitos e estereótipos nacionais, moral e ética como liberdades (individual e coletiva), a morte no existencialismo ateu e no cristão, e termina com a parábola da xícara cheia de chá e o convite socrático ao aperfeiçoamento da alma.
“Somos fundamentalmente livres, mesmo quando não queremos ser. Somos condenados a ser livres.”
“Quando você se dá bem foi você, quando você se dá mal foi o mundo.”
“Você não é melhor do que você mesmo. Você é a pessoa mais qualificada para dar encaminhamento para a sua vida.”
“A minha arrogância foi pouco a pouco sumindo em razão da consciência da minha ignorância.”
“Se o cara lá na oitava série sabe mais matemática do que o cara aqui no terceiro colegial, isto é obra da escola, não é obra dos cromossomos.”
“Não tem nada mais difícil do que estar à deriva. A essência é uma âncora.”