
#24926 de junho de 2025 · 1h29min
Priscila Perini — Advogada, empresária, investidora em leilões de imóveis e criadora do curso Vivendo de Leilão; irmã de Bruno Perini e a advogada com mais processos de leilão de imóveis em nome próprio.
No leilão de imóveis o desconto não é o lucro: o que separa quem ganha dinheiro de quem empata é o conhecimento para ler o edital e fazer a análise prévia jurídica e financeira antes de dar o lance.
Antes de pensar em dar qualquer lance, escolha um imóvel em leilão de um site de leiloeiro e leia o edital inteiro, identificando o tipo de leilão, a responsabilidade pelas dívidas propter rem (IPTU e condomínio) e se há termos como 'nua propriedade' ou usufruto — e compare a avaliação do processo com o preço real de mercado de imóveis similares.
No episódio 249 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a advogada Priscila Perini, irmã de Bruno e especialista em leilões de imóveis, para explicar como funciona esse mercado do zero. Ela detalha as duas modalidades principais — leilão judicial (dentro de um processo de cobrança de dívida) e extrajudicial (o chamado 'leilão de banco', ligado à alienação fiduciária de financiamentos) — e mostra que qualquer pessoa maior de idade pode arrematar, desde que tenha conhecimento ou contrate assessoria. A conversa derruba os principais mitos: o arrematante não é vilão (o leilão é mecanismo de justiça que viabiliza crédito barato e beneficia condomínios inteiros), a desocupação não demora anos (cerca de 80% dos casos terminam em acordo, e a lei dá até 60 dias para ação de imissão na posse) e dívidas pessoais do devedor, como trabalhistas e pensão alimentícia, não passam para o arrematante — só as dívidas 'propter rem' (IPTU e condomínio), conforme o edital. Priscila também fala de números reais: cerca de 40% a 45% de lucro líquido em arrematação à vista com 50% de desconto, e percentuais maiores em arrematações financiadas (nos leilões da Caixa é possível entrar com só 5%). Ela alerta contra erros comuns — comprar olhando só o desconto, não checar o valor real de mercado, não entender termos como 'nua propriedade' e usufruto, e arrematar em sociedade com desconhecidos. Encerra explicando liquidez por cidade, estratégia de venda rápida e a diferença tributária entre comprar para vender (pessoa física) e comprar para alugar (pessoa jurídica).
“Se alguém arrematou um imóvel e parou no primeiro imóvel, você pode ter certeza que essa pessoa arrematou sem nenhum conhecimento, olhando só pro desconto.”
“Ninguém vai emprestar dinheiro para outra pessoa se não tiver uma forma eficiente de cobrança.”
“O leilão ele não tem surpresa. A pessoa fala: 'Ah, arrematei o imóvel e depois descobri que tinha dívida.' Você errou na análise prévia.”
“As pessoas armam suas próprias tempestades e ficam tristes, surpresas quando chove.”
“O investidor ele tem que entender aquilo que o mercado procura, não aquilo que é o gosto pessoal dele.”
“Você não vira sócio de ninguém em negócio nenhum só porque vocês têm o mesmo objetivo.”