
#16919 de dezembro de 2023 · 1h45min
Raphael Lima — Libertário e ativista, fundador do Ideias Radicais e do Gabinete Liberdade, líder de políticas públicas no Partido Novo e embaixador da Free Cities Foundation
Peter Turguniev — Pseudônimo de Ricardo Albuquerque, libertário anarcocapitalista que gerencia os canais Visão Libertária, AncapSU e Mundo em Revolução; engenheiro de materiais e advogado
O maior desafio de Milei não é dolarizar nem fechar o Banco Central — é cortar o gasto público; se ele conseguir isso, a moeda deixa de ser o problema.
Acompanhe índices como o ETF argentino (ARGT) e o Merval para medir, na prática, se as reformas de Milei estão sendo precificadas pelo mercado — e estude a exposição a ativos de países em virada econômica.
Os hosts Bruno Perini e Malu Perini recebem Raphael Lima e Peter Turguniev para discutir o início do governo de Javier Milei na Argentina. O episódio começa resgatando o passado do país — que no fim do século XIX chegou a ter o maior PIB per capita do mundo e era a sexta nação mais rica na década de 1930 — e como o populismo peronista, equivalente argentino do varguismo brasileiro, deu início a décadas de déficit (113 dos últimos 123 anos), hiperinflação (13% ao mês, 160% em 12 meses) e nove calotes da dívida. A conversa detalha as primeiras medidas do governo: corte de ministérios de 18 para 9, secretarias de 106 para 54, fim da publicidade estatal, redução de subsídios de energia e transporte, não reajuste do orçamento de 2023 para 2024 e aproximação do câmbio oficial ao paralelo. Raphael Lima, que esteve na posse e atua em políticas públicas pelo Partido Novo, argumenta que a 'caneta' do presidente argentino tem muito mais poder que a brasileira e que há anos de trabalho possível apenas no infralegal e na auditoria da máquina pública, sem depender do Congresso. Peter Turguniev pondera que o verdadeiro desafio não é dolarizar ou fechar o Banco Central, mas cortar o gasto público — e testar até onde o povo argentino aguenta o ajuste. Na parte final, discutem geopolítica: a recusa de Milei em entrar nos Brics, o futuro incerto do Mercosul e do acordo com a União Europeia, a crise entre Venezuela e Guiana pelo Essequibo, o apoio de Milei à Ucrânia, a escolha pragmática de Caputo (ex-Macri) como ministro e a tese de que um eventual sucesso argentino seria uma 'ameaça existencial' para a esquerda latino-americana.
“Existem quatro tipos de economia: desenvolvidas, em desenvolvimento, Japão e Argentina.”
“A derrota já tava lá. Se não fizesse nada, ia continuar aquela porcaria. Então o que você ganhar de resto já é uma vitória.”
“É a primeira vez em 100 anos de eleições desse país que chegou um candidato e falou: tá tudo difícil e eu vou fazer um monte de medidas que vão ser uma pedrada.”
“Se ele conseguir reduzir o gasto estatal, ele não precisa dolarizar. Ele pode continuar com o peso mesmo ou com qualquer moeda.”
“Se todo mundo quer mais mas quer pagar menos, essa conta ela não fecha.”
“Sua mãe infartou e ela vai agora pra cirurgia: você quer que o cirurgião seja o teu amigo ou o cara com 30 anos de experiência?”