
#19016 de maio de 2024 · 2h09min
Ricardo Amorim — Economista mais influente do Brasil segundo a Forbes, ex-apresentador do Manhattan Connection, palestrante e colunista da revista IstoÉ
O Brasil não vira o país do futuro porque falta coragem de colocar o dedo nas feridas: investimos no passado (previdência) e não no futuro (educação básica), e a polarização impede que cobremos isso de quem quer que esteja no poder.
Hoje: compre títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) enquanto pagam acima de 6% ao ano — você está sendo pago para comprar um seguro contra inflação — e comece a usar ferramentas de inteligência artificial no seu trabalho, nem que seja experimentando.
Ricardo Amorim, eleito o economista mais influente do Brasil pela Forbes, estreia no podcast Os Sócios para discutir por que o Brasil continua sendo o "país do futuro do pretérito". Ele aponta três condições que países desenvolvidos criaram e o Brasil nunca criou: investimento em qualificação de pessoas, ambiente pró-negócio e combate real à burocracia — tudo sustentado pela coragem de "colocar o dedo na ferida", especialmente no estado inchado, na previdência e na carga tributária. Amorim critica a polarização política, que faz as pessoas terceirizarem o pensar e cobrarem apenas um lado, e defende que o Brasil cobra imposto de Suécia e entrega serviço público de Bangladesh. Na parte econômica, ele explica que o crescimento acima do esperado desde 2021 veio de um ciclo global favorável a exportadores de commodities, reformas (trabalhista e previdenciária), queda da inflação e um cenário geopolítico que, após a guerra na Ucrânia, deixou o Brasil como quase único grande emergente com baixo risco geopolítico. Amorim resume: "o Brasil tem um bilhete premiado na mão", mas o centrão garante que não vamos nem afundar nem voar alto. Ele detalha ainda a comparação Brasil x Coreia do Sul em gastos com crianças versus idosos, o imposto inflacionário como mecanismo de concentração de renda, e os riscos do ajuste de Milei na Argentina. Na reta final, a conversa vai para inteligência artificial — "a IA não vai roubar o emprego de ninguém, mas quem usa IA vai roubar o emprego de quem não usa" — e para investimentos: Amorim se diz otimista com bolsa brasileira e, sobretudo, com títulos indexados à inflação pagando IPCA+6%. Sobre Bitcoin, explica por que tem pouco (risco de banimento coordenado pelo G20, análogo ao ouro nos EUA) mas nunca terá zero.
“O Brasil infelizmente, pelo menos do que eu vivi até hoje, é o país do futuro do pretérito.”
“Elas não expressam mais opinião, elas expressam participação em tribo. Isso aqui não funciona.”
“Pagar imposto de Suécia e receber serviço público de Bangladesh, aí é complicado.”
“Gente, não é cachorro, é rabo de cachorro. E o problema é que a gente está olhando pro rabo.”
“Por enquanto, inteligência artificial não vai roubar o emprego de ninguém. Agora, alguém usando inteligência artificial vai roubar o emprego de quem não usar.”
“O Brasil investe no passado e não no futuro, e isso custa muito caro.”