
#17501 de fevereiro de 2024 · 2h20min
Ney Müller — Médico pela UFSC, com pós-graduações em nutrologia, medicina do esporte e medicina funcional, especializado em emagrecimento, reposição hormonal e menopausa
Luiz Paulo — Médico formado pela PUC do Paraná, presidente da Associação Brasileira de Hormonologia (ASBRAH) e primeiro médico brasileiro com capacitação em reposição hormonal por implantes
Toque no livro pra ver o que foi dito, ou no minuto pra ouvir.
Hormônio não é vilão nem solução mágica: o problema é sempre dose, indicação e individualização — e proibir o médico de prescrever só empurra o paciente para o mercado paralelo.
Pare de se guiar apenas pelo número do exame: liste os sintomas que você normalizou (sono ruim, cansaço diário, libido baixa, TPM severa, cólica) e leve essa lista a um médico que avalie sinais e sintomas, não só a tabela de referência do laboratório.
No episódio 175 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem os médicos Ney Müller e Luiz Paulo para uma conversa longa sobre hormônios, reposição hormonal e os mitos que cercam o tema. A dupla explica o que são hormônios, por que as faixas de referência dos laboratórios são populacionais (e por isso enganosas), e como o estilo de vida moderno — pouco sono, sedentarismo, má alimentação, falta de sol — vem derrubando os níveis hormonais, sobretudo de testosterona, com estudos mostrando queda de até 30% em homens que dormem 5 horas por noite durante duas semanas. A conversa passa pelo debate entre corrigir estilo de vida versus prescrever hormônio (os médicos defendem que não são excludentes), pela crítica contundente ao uso banalizado de anticoncepcionais em adolescentes — que mascaram sintomas e podem suprimir libido, motivação e levar a riscos como trombose — e pela discussão sobre as consequências sociais da queda de testosterona, incluindo menos filhos, menos sexo e mudanças no ideal de masculinidade. Na segunda metade, o foco é a estética e o chamado 'chip da beleza'. Luiz Paulo explica que implante é apenas uma via farmacêutica existente desde 1940, que gestrinona tem indicação clássica para endometriose e TPM severa, e critica o 'hormônio-fobismo' da classe médica, além da resolução do CFM de 2023 que proibiu prescrição de anabolizantes para fins estéticos — o que, segundo eles, empurra pacientes para o mercado paralelo. Encerram falando de menopausa, longevidade e do mito de que hormônio causa câncer.
“Se é insuficiente para minha demanda, eu suplementar isso de forma adequada é o benefício. Por que que eu vou me preocupar em perder algo que não é suficiente para mim?”
“Se eu quebrar uma perna eu posso ficar pulando na outra perna de um lado pro outro, só que isso aumenta o meu esforço e aumenta o meu risco. A muleta não é um problema.”
“O melhor exercício é o que você faz. É melhor fazer um tratamento nota oito do que ter um tratamento nota 10 que você não faz.”
“Anticoncepcional, até o termo já é falado para que serve: é para anticoncepção. Ele não serve para diminuir cólica, ele não serve para diminuir espinha.”
“O perigo não é eu não saber. O perigo é eu achar que eu sei e não estudar.”
“Nossos hormônios não caem porque nós envelhecemos. Nós envelhecemos porque os nossos hormônios caem.”
“Hormônios: nem excesso nem falta.”