
#22616 de janeiro de 2025 · 1h45min
Heni Ozi Cukier — Cientista político, palestrante e criador do canal Professor HOC, o maior canal de geopolítica do YouTube no Brasil; trabalhou no Conselho de Segurança da ONU e é autor de 'Inteligência do Carisma'.
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Inteligência do Carisma
citado por Bruno Perini
11:03História da Guerra do Peloponeso
citado por Heni Ozi Cukier
1:16:22Por trás das bravatas de Trump sobre Groenlândia, Canadá e Panamá está uma disputa real e muito antiga: quem controla as rotas de navegação controla a economia mundial — e o degelo do Ártico está criando a primeira nova rota global em 500 anos.
Antes de reagir a qualquer declaração bombástica de Trump, separe o que é retórica para a base política do que é interesse estratégico estrutural — e analise decisões geopolíticas considerando todos os fatores (militar, demográfico, comercial), não apenas o ângulo econômico de uma indústria.
No episódio 226 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para analisar a geopolítica do segundo governo Trump, às vésperas da posse. O convidado destrincha as declarações do presidente eleito sobre anexar o Canadá, comprar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, argumentando que boa parte disso é retórica e sinalização para a base política — mas que, por trás das bravatas, estão discussões geopolíticas fundamentais sobre o domínio dos oceanos e das rotas de navegação. HOC explica a lógica histórica das compras territoriais americanas (Luisiana e Alasca), a importância da bacia do Mississippi para a riqueza dos EUA e por que a Groenlândia se tornou estratégica com o degelo do Ártico, que abre as passagens do Noroeste e do Nordeste e pode reduzir pela metade rotas como Roterdã–Japão. Ele avalia que uma compra da Groenlândia só seria viável após independência da Dinamarca e referendo, e critica duramente a hipótese de uso da força: invadir um aliado democrático seria pior que a Rússia na Ucrânia e abriria a 'porteira do inferno' para conflitos globais. A conversa ainda passa pelo cessar-fogo entre Israel e Hamas (e a tese de que conflitos precisam 'amadurecer' até a exaustão para serem resolvidos), pela guerra na Ucrânia, pela dureza comercial com a China e pelo risco de abandonar Taiwan, além de um bloco econômico sobre o dilema de Triffin, a impossibilidade prática de uma moeda alternativa ao dólar e o papel limitado do Bitcoin como reserva internacional.
“A maioria das coisas que o Trump fala são retóricas, são bravatas, são sinalizações simbólicas. Ele não leva essas coisas a cabo.”
“Quem domina a América do Norte domina a geopolítica ou a geoeconomia do mundo.”
“Se você tá tão poderoso, tão audacioso, tão macho, vai lá e invade a Rússia, vai lá e invade a China. Esses são seus inimigos.”
“A guerra contém as sementes da sua própria destruição. Se você deixar a guerra seguir o seu ciclo natural, ela levará à paz.”
“Não dá para você defender que ele é o cara que vai fazer a paz e achar bonito que ele vai invadir a Groenlândia.”
“O Bitcoin virou a moeda dos párias — isso é um elemento negativo para você botar na sua equação de análise.”