
#21714 de novembro de 2024 · 2h18min
Ruy Alves — Sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercados, com mestrado em Finanças pela London Business School e passagem pela JGP
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Clube da Luta
citado por Ruy Alves
31:14
Harry Potter
citado por Ruy Alves
55:52O investidor de ações precisa buscar transformação e assumir risco de verdade — quem quer previsibilidade está no produto errado, e hoje a inovação transformacional está concentrada nos Estados Unidos, não no Brasil, na Europa ou na China.
Se seu passivo é em real, monte a estratégia de 'duplo carrego': aloque parte do capital em bolsa americana (ou um ETF de índice) enquanto captura o juro real brasileiro via renda fixa ou multimercados — e pare de concentrar tudo na bolsa brasileira por bairrismo.
No episódio 217 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Ruy Alves, sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercados, para discutir onde estão as melhores oportunidades de investimento após a vitória de Donald Trump. Ruy argumenta que a reeleição de Trump representa a vitória das 'pessoas da terra' — trabalhadores que não se beneficiaram da globalização — e que seu segundo mandato será de 'Supply Side': tarifas, corte de impostos corporativos, desregulamentação e reindustrialização dos EUA. Ele defende que as tarifas são inflacionárias apenas no curto prazo e que o fluxo global de capital deve continuar indo para os Estados Unidos. O gestor faz uma defesa enfática do mercado americano frente a Europa ('um museu'), China ('uma prisão que está virando asilo') e Japão ('um asilo'), apontando que a inovação, a demografia favorável e a pujança corporativa estão nos EUA. Critica o 'culto à Bovespa' e o bairrismo do investidor brasileiro, e propõe a estratégia de 'duplo carrego': comprar bolsa americana vendendo bolsa brasileira, e comprar real contra moedas asiáticas e europeias de juro baixo. Também diferencia o investidor de equity — que deve buscar transformação e assumir risco — do rentista, que deveria ficar em renda fixa e multimercados. Sobre o Brasil, Ruy alerta para um processo de dominância fiscal em curso: o dólar é o verdadeiro 'chefe' da economia, o juro real de 7% é insustentável diante do crescimento do PIB, e o governo Lula precisa de um choque de credibilidade. Fecha com uma análise detalhada da China a partir da música Hotel California, explicando as fases do ciclo econômico chinês e por que a Kinea prefere vender a moeda chinesa a comprar ações locais.
“O inferno está vazio, os demônios estão todos aqui. Não tem demônio nos Estados Unidos que vai afetar o Brasil, os demônios estão com a gente aqui.”
“Quem manda no Brasil não é o Campos Neto, não é o Galípolo, não é o Lula. Quem manda no Brasil é o dólar.”
“Para mim o Japão é um asilo, a China é uma prisão que está virando asilo, a Europa é um museu. Agora quem produz mesmo é o americano.”
“O segredo de ganhar muito dinheiro na vida é você fazer algo diferente na época que ninguém fazia.”
“O primeiro recado da educação financeira é você saber que você não pode viver para impressionar os outros. Se você aprender isso, grande parte da sua educação financeira está feita.”
“O que você chama de trabalho nos Estados Unidos alguém chama de vida. E o que você não abre mão para vencer, alguém vai abrir mão e vai te derrotar naquilo.”