
#18511 de abril de 2024 · 2h01min
Marcos Troyjo — Diplomata de carreira, economista, PhD em sociologia pela USP, ex-vice-ministro da Economia do Brasil e ex-presidente do Banco dos BRICS
12 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Era das Revoluções
citado por Marcos Troyjo
7:44A Era da Incerteza
citado por Marcos Troyjo
7:52A Era da Turbulência
citado por Marcos Troyjo
8:01Destinado à Guerra
citado por Marcos Troyjo
52:50História da Guerra do Peloponeso
citado por Marcos Troyjo
53:35As Fontes do Poder Americano
citado por Marcos Troyjo
54:48
Chip War
citado por Marcos Troyjo
57:49Prisioneiros da Geografia
citado por Bruno Perini
1:00:37Guerra e Paz
citado por Bruno Perini
1:00:43As Fontes da Conduta Soviética
citado por Marcos Troyjo
1:04:29
Pax Indica
citado por Marcos Troyjo
1:19:31
O Capital
citado por Marcos Troyjo
1:34:25Não é o aumento da renda que leva ao aumento da produtividade — é o aumento da produtividade que leva ao aumento da renda; o Brasil não está preso numa armadilha da renda média, mas numa armadilha da baixa produtividade.
Mapeie em qual dos três tabuleiros onde o Brasil é indispensável (alimentos, energia ou infraestrutura/economia verde) seu negócio ou sua carteira tem exposição — e reposicione-se para capturar a demanda dos 2 bilhões de pessoas que entrarão no mundo até 2050.
Marcos Troyjo, diplomata, economista e ex-presidente do Banco dos BRICS, analisa os grandes vetores que vão moldar a economia mundial nas próximas décadas. Ele parte do conceito de "policrise" (crise sanitária, conflito na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e a megacompetição EUA-China) para argumentar que, por trás do barulho geopolítico, há tendências estruturais ainda mais relevantes: o mundo ganhará 2 bilhões de pessoas até 2050, mas o crescimento populacional se concentrará em apenas nove países (EUA, Índia, Paquistão, Indonésia e cinco africanos), enquanto 184 países encolhem. Como essa renda adicional em países pobres vai para alimentos, energia e infraestrutura, o Brasil estaria numa posição privilegiada — é ator indispensável nesses três tabuleiros. A conversa percorre a trajetória da "China 1.0" (acesso privilegiado a mercados, câmbio e salários administrados artificialmente, investimento em infraestrutura) e sua mudança de modelo, com menos dependência do comércio exterior e salários crescendo acima do PIB. Troyjo discute o risco de conflito EUA-China à luz da "armadilha de Tucídides", o papel dissuasório da TSMC e dos semicondutores, a ascensão desorganizada porém real da Índia, os contrastes do sistema de castas e as dificuldades da África em replicar o modelo asiático. Sobre o Brasil, Troyjo rejeita a ideia de "armadilha da renda média" e propõe a "armadilha da baixa produtividade": o problema não é a renda, é o que trava a produtividade — onipresença do Estado, baixa exposição à competição internacional, carga tributária, ambiente de negócios hostil e defasagem de qualificação. Também discute o envelhecimento populacional, a necessidade de requalificação ao longo de vidas mais longas, o impacto da inteligência aumentada e por que o dólar deve seguir dominante por décadas.
“Não é o aumento da renda que leva ao aumento da produtividade, é o aumento da produtividade que leva ao aumento da renda.”
“Nos próximos 20 anos nós teremos um acréscimo líquido de 2 bilhões de pessoas, que é algo que no passado a humanidade levou 1929 anos para acumular.”
“Aquilo que aconteceu em termos de crescimento econômico na China faz a revolução industrial na Inglaterra parecer uma brincadeira de crianças.”
“Nós todos temos uma estratégia até que a gente leva um soco no nariz.”
“A maneira pela qual o jogo de cartas foi redistribuído fez o Brasil olhar assim nas mãos e falar: poxa, eu tô com um jogo bacana aqui na minha mão.”
“Em 2050 haverá mais pessoas vivendo no continente africano do que na Índia e na China juntas.”