
#26830 de outubro de 2025 · 1h45min
Paulo Ghedini — Investidor e gestor, MBA por Wharton, CFA, atuou em Barclays, Credit Suisse e Merrill Lynch, conselheiro do Instituto Mises Brasil
André Bellini — Economista formado pela Unijuí, conhecido pelos conteúdos de análise econômica no canal Manual da Economia no YouTube
O que determina o risco de colapso fiscal não é o nível da dívida, mas a expectativa sobre sua trajetória: se o mercado acreditar que ela vai estabilizar, os juros longos caem e o próprio problema começa a se resolver sozinho.
Verifique hoje quanto do seu patrimônio está exposto exclusivamente ao real e a ativos atrelados à inflação brasileira, e considere proteger parte dele em ativos internacionais ou reais, já que historicamente a conta da dívida tende a ser paga via inflação — que pesa mais sobre quem depende só do salário.
O episódio 268 de Os Sócios Podcast recebe o gestor Paulo Ghedini e o economista André Bellini para discutir a dívida pública brasileira. Os convidados explicam o que é a dívida, como o governo se financia (impostos, emissão de dívida ou inflação) e por que o Brasil, mesmo com relação dívida/PIB menor que Estados Unidos e Japão, preocupa mais: a combinação de juros reais altos (6-7%), crescimento baixo do PIB e ausência de credibilidade fiscal faz a trajetória da dívida crescer 3-4% ao ano sem perspectiva de estabilização. A conversa detalha por que soluções são politicamente inviáveis: 90% do orçamento é despesa obrigatória, a previdência consome mais da metade dos gastos federais, e desindexar aposentadorias do salário mínimo ou rever pisos constitucionais de saúde e educação significaria perder eleição. Ghedini defende que a saída é estrutural e liberalizante, citando Coreia do Sul, Polônia, Singapura e Hong Kong como exemplos de países que privatizaram, reduziram impostos e cresceram. Bellini, mais cético, lembra que o teto de gastos — a melhor regra que o Brasil teve — foi desmontado, e que o arcabouço atual não é crível por não ter gatilhos automáticos. Há ainda uma longa digressão sobre demografia: queda da natalidade, envelhecimento populacional, o fim do bônus demográfico e o impacto disso na previdência e no crescimento potencial. Ao final, discutem dominância fiscal — ambos avaliam que o Brasil ainda não entrou nesse cenário, mas que a eleição de 2026 é binária e pode definir o rumo.
“A história monetária é a história de abuso de quem tem o poder contra quem não tem.”
“Por isso que a inflação é um imposto disfarçado. E o pior, Bruno e Malu, ele pega mais o mais pobre. A inflação resolve, mas resolve cobrando a conta do pobre.”
“Eu não diria que ele fez o simples, ele fez o certo. Nem sempre é simples fazer o certo.”
“É muito desesperador tu olhar pro longo prazo e tu vê que todas as soluções elas enfrentam um problema político muito grande, que é que elas não são escolhas rentáveis politicamente para nenhum governo.”
“Não existe dinheiro do governo, existe o seu dinheiro. E deixar a competição fazer com que custos caiam, qualidade melhore e empregos sejam gerados.”
“Eu fico triste de ter que discutir política porque eu estudo economia e a economia é tão mais simples: tu olha, é só fazer isso, isso e aquilo. E daí tu chega na política e não dá para fazer porque pessoa tal, partido tal, eleições.”