
#18617 de abril de 2024 · 1h26min
Heni Ozi Cukier (Professor HOC) — Cientista político, palestrante e criador do maior canal de geopolítica do YouTube no Brasil; ex-deputado estadual por São Paulo, trabalhou no Conselho de Segurança da ONU e é autor de 'Inteligência do Carisma'
5 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Inteligência do Carisma
citado por Bruno Perini
2:11O Choque das Civilizações
citado por Bruno Perini
36:48A Arte da Negociação
citado por Bruno Perini
1:00:19Guerra e Paz
citado por Bruno Perini
1:08:22O Fim da História e o Último Homem
citado por Bruno Perini
1:10:27A Segunda Guerra Mundial começou com três conflitos regionais que estavam em lados opostos e só depois convergiram; hoje os três focos — Rússia na Europa, Irã no Oriente Médio e China em Taiwan — já nascem totalmente articulados entre si, enquanto o Ocidente está dividido internamente.
Pare de analisar conflitos geopolíticos apenas pela lógica econômica (o que 'faz sentido' financeiramente) e passe a avaliar também a lógica de ganhos relativos e poder estratégico — e reavalie sua exposição a ativos e narrativas que assumem estabilidade global como garantida.
Neste episódio 186 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para analisar o ataque direto do Irã a Israel, com mais de 300 drones e mísseis balísticos. HOC explica que, desde 7 de outubro, o conflito deixou de ser Hamas x Israel e virou uma guerra regional de baixa intensidade envolvendo Houthis, Hezbollah e milícias xiitas no Iraque e na Síria — todas financiadas pelo Irã. A novidade é que o Irã quebrou um padrão de 30 anos ao atacar Israel diretamente, movimento viabilizado pelo que HOC chama de 'eixo das ditaduras' (Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e Venezuela) e pela percepção de que Israel está desgastado. O professor detalha a lógica religiosa apocalíptica da Guarda Revolucionária iraniana (o culto ao retorno do 12º imã), explica como o Irã se fortaleceu após a queda de Saddam Hussein ao projetar poder sobre Iraque, Síria, Líbano e Iêmen, e mostra que o ataque foi inteiramente 'telegrafado' via Suíça e Omã para evitar escalada. Apresenta três cenários de retaliação israelense — do simbólico ao ataque às instalações nucleares — e alerta que o maior risco é uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. A conversa se amplia para a política interna americana (o perigo do discurso isolacionista de Trump, o impasse no pacote de US$ 95 bilhões), o paralelo com a Segunda Guerra Mundial — que começou como três conflitos regionais separados, enquanto hoje os três potenciais focos já estão articulados entre si — e o posicionamento do Brasil, que segundo HOC está se alinhando ao lado errado e perigosamente dependente da China.
“Eu mesmo não achei que o Irã ia fazer o que fez. O Irã decidiu quebrar um padrão de 30 anos de relação com Israel.”
“Do ponto de vista econômico não faz sentido. Do ponto de vista político estratégico faz todo o sentido para muita gente essa guerra acontecer, e quem não conseguir olhar por esse outro ângulo não vai entender porque que as coisas podem ir para aquele lado.”
“Na política internacional a relação não é cooperativa, ela é competitiva. Não importa se os dois estão ganhando, importa quanto você está ganhando mais do que eu.”
“Geopolítica é geopolítica. Geopolítica não é discussão de direita e esquerda, está acima.”
“A humanidade é como se fosse um monte de pessoas numa piscina com gasolina até o pescoço. Só que lá atrás ninguém tinha um isqueiro, e hoje você já tem algumas pessoas com isqueiro.”
“O jeito mais fácil dos terroristas terem uma bomba nuclear é o Oriente Médio inteiro ter bomba nuclear.”