
#24315 de maio de 2025 · 1h30min
Raquel Castanharo — Fisioterapeuta pela USP com mestrado em biomecânica da corrida, criadora e diretora do Viva Corrida, corredora há 7 anos e mãe de dois filhos
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
3:36
Outlive
citado por Bruno Perini
13:14Antifrágil
citado por Raquel Castanharo
1:02:10Quase tudo que proíbem na corrida — peso, idade, pisada, tênis, falta de alongamento — não tem respaldo científico: o verdadeiro fator de risco é aumentar o volume rápido demais sem respeitar o próprio corpo.
Se você quer começar a correr, esqueça tênis caro, pisada perfeita e alongamento: comece hoje com 30 minutos em ritmo confortável e aumente o volume gradualmente, adicionando duas sessões semanais de fortalecimento muscular.
No episódio 243 do Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem a fisioterapeuta Raquel Castanharo, mestre em biomecânica da corrida pela USP e criadora do Viva Corrida, para derrubar mitos sobre o esporte que mais cresce no Brasil. Raquel defende que correr é para todo mundo que quer: não existe impedimento por peso, idade ou condicionamento. Ela mostra que pessoas com sobrepeso têm o mesmo risco de lesão que pessoas com IMC normal, que obesos têm apenas 10% a mais de risco — o mesmo aumento de um iniciante qualquer — e que a redução de 40% no risco de morte compensa amplamente esse custo. A conversa percorre os principais mitos: correr não envelhece o rosto (o que envelhece é a exposição solar e o emagrecimento, que esvazia a bochecha), não destrói o joelho (sedentarismo causa mais artrose grave), não exige tênis específico nem pisada 'correta', e alongamento não previne lesão. Raquel explica a caça de persistência dos nossos ancestrais, que corriam até levar o animal à exaustão por hiperaquecimento, para mostrar que somos biologicamente feitos para longas distâncias. Também aborda canelite, absorção de impacto pela musculatura, a importância do fortalecimento muscular para corredores, gestantes correndo com segurança e a inutilidade das técnicas de recovery além do simples descanso. Por fim, discute por que kenianos e etíopes dominam o esporte — apontando fatores sociais e econômicos do Vale do Rift mais do que genéticos — e encerra com o conselho de encontrar o próprio jeito de correr, sem se comparar a influenciadores jovens nas redes sociais, para evitar lesões e ter longevidade no esporte.
“Hoje as pessoas morrem de doenças relacionadas a sedentarismo. É o que mais mata no mundo. Mata mais que câncer, mata mais que Covid.”
“Entre uma tendinite e morrer, tá fácil escolher.”
“Dá para correr até sem perna. Gente, olha as paralimpíadas. Nem de perna precisa, nem das duas.”
“O que a gente não foi feito para fazer é o que a gente faz, que é correr olhando pro relógio.”
“Encontre o seu jeito de correr. Não se inspire nas pessoas, mas encontre o que é real e o que cabe na sua vida.”
“Eu sempre achei horroroso correr, sempre achei doído. Eu corria sofrendo, então para mim não faz nenhum sentido correr.”