
#31403 de setembro de 2026 · 1h50min
Alberto Lindner — Biólogo, mestre em Zoologia pela USP, doutor em Biologia pela Duke University e professor da UFSC, com pesquisa em biodiversidade marinha
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

A Origem das Espécies
citado por Alberto Lindner
9:12A Descendência do Homem
citado por Alberto Lindner
45:27Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
1:04:10
A Era das Máquinas Espirituais
citado por Bruno Perini
1:21:11Se Alguém Construir Isso, Todos Morrem
citado por Bruno Perini
1:22:01Vida Marinha de Santa Catarina
citado por Alberto Lindner
1:46:03Evolução não significa origem de novas espécies, significa simplesmente mudança — e o que nos torna verdadeiramente humanos não é a biologia, mas a evolução cultural: a capacidade de transmitir conhecimento pelo aprendizado.
Assista hoje a um vídeo de gorila ou chimpanzé no YouTube e observe o comportamento, as mãos, o andar bípede — olhe as evidências da evolução com a mente aberta, mesmo que você acredite em outra explicação.
Neste episódio do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o biólogo Dr. Alberto Lindner, professor da UFSC, para uma conversa ampla sobre evolução e origem das espécies. O convidado parte de Charles Darwin — um herdeiro que soube investir bem e por isso teve tempo livre para estudar — e explica como a observação da domesticação de animais levou à sacada da seleção natural, publicada em "A Origem das Espécies" em 1859, depois da pressão provocada por Wallace, que teve a mesma ideia em 1858. Lindner diferencia evolução (que significa simplesmente mudança) de especiação (a origem de novas espécies), e mostra como o isolamento geográfico é hoje uma das melhores explicações para o surgimento de espécies novas. A conversa passa por Lamarck e o uso e desuso, epigenética, CRISPR e seus dilemas éticos, fósseis e o megalodonte, as fontes hidrotermais de mar profundo que revolucionaram as hipóteses sobre a origem da vida, exoplanetas e a possibilidade de vida fora da Terra. Lindner também aborda seleção sexual: a cauda do pavão como "sinal honesto", o dimorfismo sexual como indicador de monogamia ou poligamia, e as características valorizadas na escolha de parceiros — altura, corpo, inteligência e senso de humor. Na última parte, o episódio discute neotenia (a manutenção de características juvenis que nos tornou menos agressivos e mais sociais, como aconteceu nos animais domésticos), o impacto humano na evolução de outras espécies, a consciência como grande lacuna da ciência, inteligência artificial como possível próximo estágio evolutivo e a crise demográfica provocada pela pílula, pelo smartphone e pelo home office — com consequências graves para a saúde mental de uma espécie essencialmente social.
“Evolução quer dizer simplesmente mudança. Não necessariamente quer dizer a origem das espécies.”
“Ser um ser humano é ganhar na loteria cósmica, não na esotérica, na loteria da evolução cósmica, da loteria biológica.”
“O que realmente nos torna diferentes de praticamente todos os animais é a cultura, é a capacidade da gente transmitir o conhecimento pelo aprendizado.”
“Eu não tenho nenhum apego à seleção natural. Ela é o melhor modelo para a evolução. Se amanhã alguém vier com uma evidência melhor, eu não tenho problema nenhum em deixar esse livro na prateleira.”
“Eu acho que na visão do gato ele domesticou a gente.”
“No celular não sai filho. Você tá interagindo com uma pessoa, só que é uma interação online.”