
#27013 de novembro de 2025 · 1h52min
Ruy Alves — Sócio da Kinea e gestor das estratégias de multimercado, com mestrado em finanças pela London Business School e passagem pela JGP
José Rocha — Sócio e CIO da Dahlia Capital, engenheiro mecânico-aeronáutico pelo ITA com mais de 20 anos de mercado financeiro
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

The Fourth Turning
citado por José Rocha
24:41Prisioneiros da Geografia
citado por José Rocha
1:01:50A Máquina que Pensa
citado por Bruno Perini
1:08:24Os grandes ciclos de alta no Brasil não vêm de sorte: eles acontecem quando dólar fraco no mundo, valuation disfuncional e transição política em Brasília se alinham — e os três estão se alinhando agora.
Divida sua carteira entre Brasil e exterior (algo como metade e metade) para capturar o possível ciclo de alta local sem depender do resultado da eleição de 2026 — e, se acredita que vai receber, trave a NTN-B longa pagando mais de 7% real.
Gravado ao vivo com plateia de alunos do Viver de Renda, o episódio 270 de Os Sócios reúne Ruy Alves (Kinea) e Zé Rocha (Dahlia Capital) para discutir onde investir em 2026. Zé Rocha apresenta o framework da gestora: os grandes ciclos de alta do Brasil acontecem quando três fatores se alinham — dólar fraco no mundo, valuation disfuncional e transição política em Brasília. Ele mostra que isso ocorreu em 2003, 2009 e 2016, anos em que o EWZ subiu mais de 100%, e argumenta que os três vetores voltam a se encaixar agora, com Trump perseguindo dólar fraco, Selic a 15%, NTN-B a 7,5% e uma eleição que, segundo as pesquisas e a tendência das urnas municipais e estaduais, tem cara de cair no colo da direita. Ruy Alves complementa com uma leitura mais estrutural e crítica: o EWZ tem hoje o mesmo lucro por ação de 2007 enquanto o S&P subiu 10 vezes, num verdadeiro trabalho de Sísifo para o investidor brasileiro. Para ele, o problema do Brasil não é fiscal, é schumpeteriano — falta produtividade e destruição criativa. Ainda assim se declara otimista: enxerga oportunidade nos gaps de educação, saneamento e infraestrutura, elogia casos como Embrapa e as multinacionais (3% da força de trabalho gerando 30% do PIB) e recomenda diversificação (metade aqui, metade lá fora) diante da incerteza eleitoral. A conversa se amplia para o excepcionalismo americano — explicado por geografia, instituições, tecnologia e demografia — a Lei de Moore como "placa tectônica" silenciosa mais importante que qualquer eleição, a aceleração da inteligência artificial, o colapso demográfico global e o papel do Bitcoin e do ouro como "norte absoluto de valor" num mundo de debasement das moedas fiduciárias. Curiosamente, nenhum dos dois gestores tem Bitcoin na carteira pessoal, embora ambos reconheçam a tese.
“O problema que a gente tem no Brasil, eu volto a falar, não é o fiscal. O problema do Brasil é schumpeteriano, é falta de destruição criativa, é falta de produtividade.”
“Dólar fraco, valuation disfuncional, transição política. Quando essas coisas acontecem no Brasil é bom prestar muita atenção.”
“Se eu fosse pedir para vocês lembrarem de uma coisa e somente uma das que a gente mencionou aqui hoje, seria a história da Lei de Moore. É mais relevante do que o Trump e a Kamala Harris, é mais importante do que a guerra na Europa.”
“O Brasil é a terra das oportunidades, um país que 1/3 das estradas são pavimentadas e 50% das casas não têm saneamento.”
“Não é o ativo real que está se valorizando, é a moeda fiduciária que está perdendo seu valor no tempo.”
“Nada na vida vai te dar retorno melhor do que a tua atividade principal. E se você fizer um investimento em que você cresce enquanto pessoa e profissional dentro dessa atividade, casar as duas coisas, você é unstoppable.”