
#20201 de agosto de 2024 · 1h19min
Bruno Garschagen — Cientista político, professor e autor dos best-sellers 'Pare de Acreditar no Governo' e 'Direitos Máximos, Deveres Mínimos'; doutorando e mestre em Ciência Política e Relações Internacionais.
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Pare de Acreditar no Governo
citado por Bruno Perini
4:13Direitos Máximos, Deveres Mínimos
citado por Bruno Perini
4:15
Hamlet
citado por Bruno Perini
36:53O Caminho da Servidão
citado por Bruno Perini
1:01:06
Doña Bárbara
citado por Bruno Garschagen
1:06:16Hugo Chávez: O Espectro
citado por Bruno Garschagen
1:09:37Instituições e eleições não bastam: sem uma cultura política ancorada em virtudes e no reconhecimento de que existe verdade e mentira, qualquer arquitetura institucional é frágil e pode ser varrida por um golpe.
Diversifique seu patrimônio para fora do país e em moeda forte — como fariam os venezuelanos que investiram apenas nas melhores empresas locais e mesmo assim perderam tudo.
No episódio 202 do podcast Os Sócios, Bruno Perini e Malu Perini recebem o cientista político Bruno Garschagen para analisar as eleições na Venezuela e a controversa 'vitória' de Nicolás Maduro. Garschagen é taxativo: não se pode chamar aquilo de eleição, pois o regime controla todo o sistema eleitoral, a oposição e a informação — trata-se de uma farsa usada para dar ares de democracia a um regime autoritário. As atas não divulgadas, segundo ele, se forem apresentadas provavelmente já estarão fraudadas. A conversa percorre a trajetória da Venezuela, que saiu do posto de 4º maior PIB per capita do mundo nos anos 50 para a pobreza extrema atual, com cerca de 7 milhões de refugiados. Os hosts relatam a experiência de morar em Boa Vista em 2017 e presenciar o início do êxodo venezuelano. Discute-se também a imprevisibilidade da queda de ditaduras (com o exemplo da coletiva de imprensa que precipitou a queda do Muro de Berlim), o papel do Lula e do PT na chancela do resultado, as abstenções do Brasil na OEA e o custo político e econômico dessa aliança. No fim, Garschagen rebate a classificação de Maduro como 'conservador' feita por jornalistas e pelo ministro Barroso, mostrando que o partido se declara socialista em estatuto, e defende que a discussão política precisa transcender as instituições: sem uma cultura política fundada em virtudes e transcendência, nenhum arranjo institucional se sustenta. Ele descarta intervenção militar externa e guerra civil, já que a população foi desarmada.
“É mais uma fraude que se usa o termo técnico eleição para basicamente referendar e dar ares de democracia num regime autoritário.”
“Se essas atas não aparecerem, confirmam a fraude. Se aparecerem, também vão confirmar a fraude. Não tem para onde correr.”
“Eu não trabalho nem como estudioso nem como cidadão com a ideia de esperança quando se refere a política. Política é um esporte sangrento.”
“Ou ele morre no poder ou ele morre tentando manter o poder. E em qualquer uma das duas hipóteses ele acaba matando muita gente para isso.”
“Nas condições de hoje não tem guerra civil, você tem um massacre. As pessoas vão para a rua com panela, com colher de pau, com faca.”
“Ou você tira o seu dinheiro do país ou tira o país do seu dinheiro.”