
#31510 de setembro de 2026 · 1h40min
Felipe Arrais — Analista CNPI, sócio do Grupo Primo e especialista em investimentos globais da Finclass
Eduardo Perez — Analista CNPI pleno, economista e especialista em renda fixa na Finclass
Você não precisa acertar o resultado da eleição nem escolher o ativo vencedor: precisa montar uma carteira diversificada que sobreviva a qualquer cenário e cuidar do que está sob seu controle — custo, diversificação e eficiência tributária.
Calcule hoje quanto do seu patrimônio está exposto ao dólar; se estiver abaixo de 15%, comece comprando um ETF global pela B3 (caminho mais simples e barato) e avalie montar um PGBL se você é CLT tributado em 27,5%.
No episódio 315 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Felipe Arrais (especialista em investimentos globais da Finclass) e Eduardo Perez (especialista em renda fixa da Finclass) para discutir onde investir num cenário de eleições próximas. A conversa começa pela dinâmica eleitoral: o mercado tende a ser mais 'anti-Lula' do que pró-Flávio Bolsonaro, mas os convidados alertam que apostas binárias no resultado da eleição são um erro. Independentemente de quem ganhar, um ajuste fiscal será necessário em 2026, e a credibilidade das reformas nos primeiros 100 dias será decisiva para a precificação dos ativos. O grupo defende a diversificação como estratégia central: renda fixa com diversificação de indexador, vencimento e tipo de produto; títulos IPCA+ como proteção; e principalmente exposição internacional, que funciona como seguro que ainda te paga. Arrais argumenta que o brasileiro tem apenas 2,5% do patrimônio fora do país, enquanto estudos da FGV sugerem um piso de 15% a 25%, mesmo para baixa renda. Ele também defende uma alocação global (Europa, Japão, emergentes) e não apenas Estados Unidos, usando ETFs para capturar transições de liderança do mercado mundial sem precisar acertar timing. O episódio ainda aborda os erros mais comuns do investidor brasileiro — olhar o retrovisor de 12 meses, buscar a 'bala de prata', não fazer conta de custos de remessa internacional e ignorar eficiência tributária (especialmente PGBL) — além da tese de Bitcoin como posição pequena mas convexa na carteira, e o debate sobre gestão ativa versus ETFs em mercados eficientes e ineficientes.
“Fazer uma aposta binária, onde o resultado da eleição vai impactar em sucesso ou fracasso da sua estratégia de investimento, não é o caminho mais correto.”
“Quando você investe lá fora como um seguro, o seguro te paga muito bem para isso.”
“Você montar uma carteira é bem parecido com você montar um prato no self service. Você não vai pegar um prato só com arroz, nem um prato só com salada.”
“O brasileiro se preocupa muito com o negócio que não tá sob controle dele, que é simplesmente retorno de mercado. E o cara não se preocupa com o que tá sob controle dele: custo, diversificação do portfólio e eficiência tributária.”
“Ou o Bitcoin no futuro vai para zero, vai ser uma farsa, ou ele tá muito barato, muito, mas muito barato e vai valer muito mais do que vale hoje.”
“Esse é o jogo do dinheiro, que você tá jogando a vida toda sem saber como funciona e vai jogar até o final da vida. E não tem vidas.”