
#22831 de janeiro de 2025 · 2h25min
Igor Eckert — Nutricionista, analista de pesquisa clínica e medical writer especializado em meta-análises e pareceres técnico-científicos, sócio-proprietário da Evidence
Leo Costa — Fisioterapeuta com doutorado em epidemiologia pela Universidade de Sydney, pesquisador sênior com 198 artigos publicados em dor musculoesquelética e sócio do Instituto de Prática Baseada em Evidências
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
11:04A Arrogância da Medicina Preventiva
citado por Igor Eckert
49:30Evidência científica importa, mas não é tudo: boa decisão em saúde nasce da interseção entre pesquisa bem conduzida, experiência clínica e o contexto real do paciente — e a frase mais perigosa da medicina é 'na minha prática funciona'.
Antes de aceitar qualquer intervenção médica (cirurgia, medicamento, exame), pergunte ao profissional: 'E se eu não fizer nada? E se eu esperar um pouco? Quais são os benefícios, riscos e custos?' — e só decida depois de ter essas três respostas.
No episódio 228 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o nutricionista Igor Eckert e o fisioterapeuta e pesquisador Leo Costa para desmontar os maiores mitos sobre saúde que circulam nas redes sociais. A conversa começa explicando o que é a prática baseada em evidências: a interseção entre pesquisa bem conduzida, experiência clínica e as preferências e o contexto do paciente — e não apenas leitura de artigos científicos. Os convidados explicam a hierarquia dos estudos, por que cada desenho serve para uma pergunta diferente e como a mídia sensacionalista usa estudos frágeis para gerar cliques. O episódio percorre temas polêmicos: homeopatia (e a história curiosa de como ela reduziu iatrogenia ao substituir sangrias), efeito placebo e regressão à média, cirurgias de coluna desnecessárias e o viés de intervenção dos profissionais, protetor solar e disruptores endócrinos, vitamina D e seus fatores de confusão, alumínio em desodorantes e panelas, e teflon. Bruno relata sua experiência com hérnia de disco, em que cinco de seis médicos queriam operá-lo. A parte mais intensa trata de vacinas: Leo Costa reconstrói a fraude de Andrew Wakefield publicada na Lancet nos anos 90, explica por que autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento e não pode ser causado por vacina, e defende a comunicação honesta de riscos — argumentando que esconder eventos adversos raros é justamente o que alimenta o movimento antivacina. O episódio fecha com uma crítica à educação médica brasileira, que ensina alunos a produzir pesquisa ruim em vez de consumir ciência de forma crítica.
“A frase mais perigosa que existe na história da medicina é: na minha prática funciona.”
“O melhor cirurgião é aquele que sabe quando não deve operar.”
“O Cemitério dos Derrotados é silencioso. Ele não volta, ele procura outro profissional.”
“O estado acha que a gente é burro, logo ele não me dá as informações todas que eu preciso.”
“Os interesses do paciente nunca estão em primeiro lugar, porque o estudo é mal feito, a vigilância é frouxa e o cara prescreve: vamos ver o que vai dar.”
“O cérebro humano não sabe pensar probabilisticamente, e probabilidades devem ser ensinadas.”