
#30823 de julho de 2026 · 1h54min
Jessica Weigand — Formada em relações internacionais com pós em finanças, atua há 11 anos no mercado financeiro e é consultora financeira na Portfel para clientes de alta renda.
Alessandra Gontijo — CCO e sócia da Investo, gestora especializada em ETFs, economista pela UFF com mais de 12 anos de mercado financeiro.
Felipe Arrais — Analista CNPI, sócio do Grupo Primo e especialista em investimentos globais da Finclass.
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
O Investidor de Bom Senso
citado por Bruno Perini
5:46Pai Rico, Pai Pobre
citado por Felipe Arrais
14:36Você não precisa ser um investidor acima da média para enriquecer: basta aceitar o retorno do mercado, com o menor custo possível, e permanecer investido por mais tempo que a média.
Abra sua carteira hoje e conte quantos ativos você tem: se há mais de 20 ações tentando replicar um índice, substitua por um único ETF amplo de baixo custo e verifique se está usando a versão de acumulação (em vez da que distribui dividendos) enquanto ainda está na fase de construção de patrimônio.
O episódio 308 de Os Sócios é dedicado às lições do livro "O Investidor de Bom Senso", de John Bogle, criador dos fundos indexados e fundador da Vanguard. Bruno e Malu Perini recebem Jessica Weigand, Alessandra Gontijo e Felipe Arrais para discutir a filosofia central da obra: em vez de tentar escolher ações vencedoras, o investidor deve comprar o mercado inteiro por meio de veículos de baixo custo e permanecer investido por mais tempo que a média. Todos concordam que o livro é repetitivo (e que a tradução brasileira piora isso), mas que os ensinamentos são atemporais e capazes de mudar a forma como se investe. A conversa se aprofunda em ETFs: o que são, como o formador de mercado garante liquidez, o que é tracking error, por que o mercado brasileiro ficou atrás do americano (modelo de comissão/rebate, cultura de juro alto, burocracia para listagem) e as vantagens tributárias dos ETFs de renda fixa no Brasil (IR de 15% retido na fonte, sem come-cotas e sem IOF). Discutem também o custo real de internacionalizar o patrimônio — spread de câmbio mais IOF podem exigir de 10 a 15 anos para serem diluídos — e as alternativas de dolarização via B3. O fator comportamental atravessa todo o episódio: o caso de Peter Lynch, cujo fundo rendeu 29,2% ao ano mas cujos cotistas em média perderam dinheiro por comprar na alta e vender na baixa; clientes com 40 ou 60 ações na carteira que poderiam ter um único ETF; a preferência irracional por ETFs que distribuem dividendos (pagando imposto) em vez dos de acumulação. No encerramento, cada convidado indica os ETFs que usa ou admira, com destaque para WRLD11/VT para exposição global ampla.
“Contente-se com o retorno da média e seja investidor por mais tempo do que a média do mercado. É só isso.”
“Incrível como é difícil para um homem entender algo se ele receber uma pequena fortuna para não entender.”
“Não procure a agulha no palheiro, compre o palheiro.”
“Essa afirmação vem da premissa de que saber o que está fazendo é necessariamente escolher ativos individualmente. E a minha visão é justamente por saber o que eu estou fazendo que eu prefiro alocar através de ETFs.”
“Investir é como aguardar a tinta da parede secar ou esperar a grama crescer. É tedioso. Você quer emoção, pega 200, vai para Las Vegas.”
“E a Malu, de uma maneira muito cândida, como é o perfil dela, virou para mim e falou: 'Você é burro?'”