
#21103 de outubro de 2024 · 1h53min
Oliver Stuenkel — Palestrante, analista e professor de relações internacionais da FGV, pesquisador da Universidade Harvard e colunista do Estadão e da Foreign Policy
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Trilogia Tebana
citado por Bruno Perini
11:01
Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
12:12Mundo pós-ocidental
citado por Bruno Perini
13:16BRICS: o futuro da ordem global
citado por Bruno Perini
13:16A eleição americana não é decidida pela maioria dos votos, mas por cerca de 100 mil eleitores indecisos em sete estados-pêndulo — entender a estrutura do jogo vale mais do que acompanhar pesquisas nacionais.
Antes de posicionar sua carteira para o resultado eleitoral americano, estude o impacto setorial de cada candidato (cripto e finanças com Trump, renováveis com Harris) em vez de apostar numa direção geral do mercado, já que a bolsa historicamente sobe em ambos os governos.
No episódio 211 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Oliver Stuenkel, professor da FGV e pesquisador em Harvard, para analisar a eleição presidencial americana de 2024 entre Donald Trump e Kamala Harris. Recém-mudado para Boston, Oliver explica o funcionamento do colégio eleitoral, o sistema 'winner takes all' e por que a disputa se concentra em apenas sete estados-pêndulo, com cerca de 100 mil eleitores indecisos definindo o resultado. O convidado aponta três vantagens estruturais de Trump: ele não precisa vencer o voto popular, as pesquisas tendem a subestimar seu eleitorado (que desconfia de instituições) e há uma tendência global de governos incumbentes perderem eleições. Apesar do bom desempenho econômico americano — pleno emprego e salários altos —, a percepção de inflação pesa contra Kamala. Oliver também detalha o paradoxo americano em que serviços são caros e produtos baratos, o inverso do Brasil, onde o protecionismo pune principalmente os mais pobres. A conversa passa ainda pelo papel das criptomoedas na disputa, o avanço libertário no Vale do Silício, as eleições para Senado e Câmara, as propostas tarifárias de Trump e seus riscos inflacionários, a dependência americana da mão de obra imigrante e as remessas que sustentam economias latino-americanas. No fim, Oliver analisa os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, avaliando que Netanyahu está empoderado e que o Irã, enfraquecido, busca desescalar. Sua aposta final: Trump com 50,1% de chance, Senado republicano e Câmara democrata.
“É meio loucura, mas quem vai decidir essa eleição são em torno de 100.000 pessoas.”
“Nos Estados Unidos serviços são muito caros e produtos são muito baratos. Aqui é o inverso.”
“Quem mais paga, quem mais se ferra num ambiente regulatório assim é o mais pobre.”
“Se protecionismo fosse bom, então não era só para um país fazer contra o outro, era um estado do Brasil contra o outro.”
“Se eu tivesse que apostar algum dinheirinho eu diria Trump, 50,1.”