
#20415 de agosto de 2024 · 2h06min
Talita Dal Bó — Designer de moda há mais de 15 anos, empresária e criadora do método Capital Visual, referência em posicionamento e comunicação visual.
Bernardo Britto — Entusiasta de alta relojoaria, criador da comunidade Enthusiast Club, host do Entusiasta Podcast e fundador da Avocado Mídia.
Paulo Cuenca — Produtor de conteúdo há mais de 12 anos, criador do treinamento O Superpoder, a maior comunidade de marketing de conteúdo do Brasil.
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

As Seis Lições
citado por Bruno Perini
50:54
Ação Humana
citado por Bruno Perini
50:54Luxo não se vende por produto, mas por identidade e escassez — e a escassez mais valiosa hoje não é a do objeto, é a do acesso: não basta ter dinheiro, é preciso ter relacionamento e informação.
Olhe para o seu negócio e defina dois produtos: um de entrada acessível, que faça a pessoa experimentar sua marca, e um carro-chefe recorrente que você remodela ao longo dos anos — exatamente como as marcas de luxo fazem.
Neste episódio 204 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Talita Dal Bó, Bernardo Britto e Paulo Cuenca para dissecar o mercado de luxo, que movimentou mais de US$ 1,6 trilhão no último ano. A conversa começa pela definição de luxo — raridade, escassez, aura e história — passando pela origem histórica (dádivas na antiguidade, objetos sagrados na Idade Média, demarcação social na burguesia) até o paradoxo atual da 'democratização' do luxo, com produtos de entrada, colaborações (como o Omega x Swatch MoonSwatch) e conglomerados como LVMH e Richemont. Os convidados exploram o que realmente constrói uma marca de luxo: tradição, narrativa, experiência sensorial, escassez fabricada (como ovelhas criadas ouvindo música clássica para ternos de R$ 1,5 milhão) e, principalmente, identidade. Discutem quiet luxury, old money versus new money, propósito e sustentabilidade como novo diferencial para millennials e geração Z — ponto em que Bruno discorda, argumentando que o discurso vende mais do que o comportamento efetivo das massas. Também abordam a lógica do relacionamento obrigatório com a marca (o caso da Birkin da Hermès), o mercado secundário e se bolsas e relógios são de fato investimento. A parte final é um mergulho em hierarquia de marcas: do lado dos relógios, a 'Santíssima Trindade' (Patek Philippe, Audemars Piguet, Vacheron Constantin), Rolex, Cartier, Omega, Tudor e relojoeiros independentes; do lado das bolsas, Hermès, Chanel, Dior, Celine, Louis Vuitton. Talita explica ainda a 'curvatura de tendência' e o trabalho dos cool hunters, que captam comportamentos nas periferias e brechós antes de virarem moda massificada.
“O dinheiro ele grita e a riqueza sussurra.”
“Luxo é uma necessidade que começa quando as outras todas terminam.”
“Não quero entrar em nenhum clube onde eu sou convidado, eu quero entrar no que eu não sou convidado.”
“Só vale ser feito se for publicável, se for instagramável.”
“Para mim o mercado do luxo é como se fosse o cachorro cheirando o rabo do outro.”
“O povo gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual. O espetáculo do pobre é o rico.”
“Eu costumo dizer também que a nova dimensão do luxo vai ser silêncio e espaços negativos.”