
#19627 de junho de 2024 · 2h02min
João Paulino Perini — Psicólogo e mestre em neurociências (psicobiologia), sócio-diretor da BHealth e sócio-professor do IPB, Instituto de Psicologia Baseada em Evidência
Jéssica Campara — Administradora, mestre e doutora em finanças comportamentais, sócia-fundadora da JG Treinamentos e criadora do canal Mais que Finanças
12 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Origem da Consciência na Quebra da Mente Bicameral
citado por Bruno Perini
17:29
Ilíada
citado por Bruno Perini
17:36
Rápido e Devagar
citado por Jéssica Campara
22:47Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
27:03
Desafio aos Deuses
citado por Bruno Perini
58:58A Psicologia Financeira
citado por Bruno Perini
1:13:08Morra sem Nada
citado por Bruno Perini
1:15:12A Pretensão do Conhecimento
citado por Bruno Perini
1:15:41
Sonho Grande
citado por Bruno Perini
1:22:36Ruído
citado por João Paulino Perini
1:38:45
Blink: A Decisão num Piscar de Olhos
citado por Bruno Perini
1:41:04Previsivelmente Irracional
citado por Bruno Perini
1:44:40Não adianta confiar em força de vontade: boas decisões financeiras vêm menos de ser racional e mais de desenhar um ambiente que te exponha ao menor número de estímulos ruins.
Identifique hoje um estímulo que te leva a gastar ou apostar por impulso (um app no celular, um doce em casa, um caminho pelo shopping) e elimine ou afaste esse estímulo do seu ambiente, em vez de tentar resistir a ele.
No episódio 196 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a doutora em finanças comportamentais Jéssica Campara e o psicólogo e mestre em neurociências João Paulino Perini para discutir a psicologia por trás do dinheiro. A conversa parte da pergunta sobre se as pessoas são de fato racionais e conclui que temos apenas 'racionalidade limitada': o cérebro, que consome 25% da energia do corpo, criou atalhos (heurísticas e vieses) ao longo de milhões de anos de evolução para economizar energia e tempo — atalhos que eram úteis na savana, mas que atrapalham decisões financeiras complexas no mundo atual, saturado de estímulos. Os convidados exploram temas como a crise atencional, a queda da alfabetização financeira nas gerações mais novas apesar do maior acesso à informação, o papel do sono e do estilo de vida na qualidade das decisões, e os principais vieses: desconto temporal (imediatismo), ancoragem, efeito dotação, aversão à perda, dissonância cognitiva e contabilidade mental. Também discutem o 'nudge' e a arquitetura de escolha de Richard Thaler, usada tanto para o bem quanto para induzir consumo (preços terminados em 19,90, opcionais já embutidos em carros, bônus gratuitos em sites de aposta). O episódio encerra com soluções práticas: em vez de confiar em força de vontade — que praticamente não existe quando o cérebro está cansado —, o caminho é desenhar o ambiente para reduzir a exposição a estímulos ruins, definir valores claros, exercitar a metacognição e fazer perguntas antes de agir, acionando o 'sistema dois'. Casos clínicos de vício em apostas, recompensa intermitente e dopamina também são abordados, assim como a recomendação de buscar ajuda profissional quando o comportamento já virou compulsão.
“Não é que nós somos irracionais. Irracional é o cachorro, que vai só responder por estímulos de padronização e condicionamento. Então nós não somos racionais, mas nós temos racionalidade limitada.”
“O livro dele, o Rápido e Devagar, é um dos livros mais comentados no mundo das finanças e menos lidos.”
“Nós somos livres na medida em que nós sabemos o que nos controla.”
“Se existisse força de vontade, a gente não teria a maior epidemia de obesidade do mundo.”
“Vence uma melhor tomada de decisão não aquele que é mais racional, mas aquele que se expõe ao menor número de estímulos que vai levar pra decisão ruim.”
“Na minha avaliação, um dos principais componentes para você começar a tomar decisões mais adequadas é um sono de qualidade.”