
#31007 de agosto de 2026 · 1h51min
Adriano Pires — Economista, sócio fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), colunista do Estadão e do Poder 360 e host do videocast Power do Brazil Journal.
Toque no livro pra ver o que foi dito, ou no minuto pra ouvir.
O Brasil é craque em transformar vantagem comparativa em desvantagem comparativa: temos todas as fontes de energia do mundo e, por ideologia e monopólio, perdemos o timing de cada uma delas.
Reveja sua tese sobre empresas estatais na carteira: compare os múltiplos e dividendos da Petrobras com pares privados como Exxon, Chevron e Prio antes de assumir que alta do petróleo significa ganho para o acionista.
Neste episódio 310 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o economista Adriano Pires, especialista em energia e fundador do CBIE, para discutir o presente e o futuro do petróleo. Adriano começa desmontando a ideia de que o petróleo está acabando ou se resume a combustíveis: ele está no plástico, nos remédios, na petroquímica, e segue central na geopolítica mundial. Para ele, a narrativa de "demonizar os fósseis" foi um erro dos ambientalistas mais radicais, porque o mundo precisa de segurança energética, de acesso a energia para a baixa renda e, sobretudo, de muito mais eletricidade — a quarta revolução industrial (data centers, IA, cripto) tem como gargalo não o algoritmo, mas a energia. O convidado faz uma crítica dura ao Brasil: a Margem Equatorial, que poderia replicar o sucesso da Guiana (1 milhão de barris/dia), está travada há 13 anos pelo IBAMA, enquanto Total e BP desistiram do projeto. O país proíbe o shale gas em terra mas importa gás de shale americano e argentino; não produz fertilizantes porque não tem gás barato; exporta petróleo bruto e importa diesel e gasolina porque o monopólio da Petrobras e o controle de preços inviabilizam investimento privado em refino. Adriano defende a capitalização da Petrobras nos moldes do que foi feito com Eletrobras e Vale, afirmando que o modelo estatal "já deu o que tinha que dar". A conversa passa ainda pela nova geopolítica do petróleo sob Trump (Venezuela, Irã, Estreito de Ormuz), pela tese de que o mundo entra na era do gás natural e da eletricidade, pelos erros da política de subsídios e do imposto de exportação, pelos problemas de curtailment e geração distribuída no setor elétrico brasileiro, e termina num desabafo sobre saneamento básico como a maior vergonha ambiental do país.
“Eu sempre falo que o petróleo é aquele pretinho básico que tem que estar sempre no armário, não sai de moda.”
“A barreira para a quarta revolução industrial crescer e trazer os benefícios que todo mundo espera é energia, não é o algoritmo.”
“O Brasil é craque em transformar vantagem comparativa em desvantagem comparativa.”
“A Petrobras é uma Ferrari que o piloto podia andar a 300 km e anda a 50.”
“O cavalo está passando na sua frente. Se você não montar, vai vir outro cavalo, pode ser, mas não é o mesmo.”
“O PT é uma cartomante com Alzheimer, porque ela esquece os últimos 18 anos e só lembra dos próximos quatro.”