
#25615 de agosto de 2025 · 1h53min
Felipe Arrais — Sócio do Grupo Primo, analista CNPI e especialista em investimentos internacionais da Finclass, com cerca de 10 anos de mercado financeiro.
Guilherme Cadonhotto — Sócio do Grupo Primo, especialista em renda fixa e estrategista da Finclass, economista pela FGV e host do podcast Os Economistas.
Ricardo Figueiredo — Sócio do Grupo Primo e especialista em fundos imobiliários da Finclass, já geriu carteiras de FIIs que somavam mais de R$ 1,2 bilhão.
Os ativos brasileiros estão baratos por um motivo real — o risco fiscal — mas o trabalho do investidor não é prever o futuro e sim comprar assimetrias: ativos que perdem pouco no pior cenário e multiplicam no cenário apenas razoável.
Revise sua carteira hoje separando renda fixa entre título público e crédito privado: se você tem muito crédito privado buscando rentabilidade alta, compare o spread dele com um título público de mesmo prazo e indexador — e considere migrar o grosso para Tesouro IPCA+ longo, que está pagando acima de IPCA+7%.
No episódio 256 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem três analistas do Grupo Primo — Felipe Arrais (investimentos internacionais), Guilherme Cadonhotto (renda fixa) e Ricardo Figueiredo (fundos imobiliários) — para discutir se a bolsa brasileira está barata e onde investir no segundo semestre de 2025. O consenso é que os ativos brasileiros estão de fato baratos, mas há motivo para isso: risco fiscal, político e incertezas eleitorais. Ainda assim, com posição técnica muito leve nos ativos de risco e poucas empresas listadas, qualquer fluxo de capital pode fazer preço rapidamente. Boa parte da conversa é dedicada ao diagnóstico fiscal do Brasil: a dívida/PIB em três cenários (inércia, básico e reforma estrutural), o peso dos gastos obrigatórios, os R$ 50 bilhões em emendas de relator, a carga tributária de país desenvolvido com serviço público ruim e a discussão sobre o fim da reeleição com mandato de cinco anos. Cadonhotto argumenta que matematicamente o problema é simples (um superávit primário de 2% do PIB estabilizaria a dívida), mas politicamente é dificílimo. Na parte prática, os analistas defendem: títulos públicos IPCA+7% como oportunidade histórica (apenas 5% dos dias negociados desde 2010 tiveram taxa igual ou superior), com assimetria muito favorável mesmo em cenários ruins; fundos imobiliários de tijolo descontados, com logística em vacância recorde baixa e escritórios em São Paulo mais ocupados que antes da pandemia; cautela com crédito privado, cujo spread sobre títulos públicos está pequeno demais para o risco; e diversificação internacional além dos EUA, com Europa, Ásia, REITs e renda fixa em dólar pagando perto de dólar+5%.
“Tá barato sim, mas tá barato porque muita coisa errada ou muita coisa ruim pode acontecer no Brasil.”
“Eu desconheço vítimas fatais por razão cautela. Ah, quebrou porque foi cauteloso demais na gestão da empresa? Não, eu desconheço casos de vítimas fatais por cautela.”
“O Brasil tem o pior dos dois mundos, porque ele tem carga tributária alta para caramba e qualidade do serviço público péssima.”
“O trabalho do analista não é dizer o que vai mais se valorizar no próximo mês, é calcular quais são os ativos baratos e qual é a assimetria que apresenta cada um desses ativos.”
“O IPCA + 7 ou mais 8 é um problema da empresa. O IPCA + 15 é um problema do credor.”
“Você tem que comprar ativo barato enquanto ele tá barato.”