
#23413 de março de 2025 · 1h33min
Marcos Troyjo — Economista, cientista político e diplomata; ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e ex-secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia
5 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
11:04
Era dos Extremos: o breve século XX
citado por Marcos Troyjo
26:00O Mundo é Plano
citado por Marcos Troyjo
42:46Vivir con lo Nuestro
citado por Marcos Troyjo
58:32Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes
citado por Marcos Troyjo
1:19:22O crescimento atual do Brasil é o eco de reformas feitas no passado, não mérito do presente — e como o processo de reformas parou, o país já está consumindo um legado que não está sendo reposto.
Diversifique sua exposição internacional: avalie hoje quanto do seu patrimônio está em moeda forte, considerando que boa parte da sua cesta de consumo é dolarizada e o Brasil está num pelotão intermediário com destino incerto.
No episódio 234 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o economista e diplomata Marcos Troyjo para discutir o que está realmente acontecendo com a economia brasileira. Troyjo analisa os números do PIB recente e argumenta que o crescimento atual é fruto de uma combinação de três fatores: o legado das reformas estruturais feitas entre 2016 e 2022 (trabalhista, previdenciária, marco do saneamento, concessões e privatizações), um comércio exterior robusto puxado pelas vantagens comparativas brasileiras, e uma economia turbinada por gasto público. O problema, segundo ele, é que o processo de reformas parou — e quem colher os efeitos negativos será o próximo governo. Troyjo propõe a leitura de um 'longo governo do PT', que abrange de 2003 a 2026 com um intervalo entre 2016 e 2022, equivalente a 80% do período. Ele critica a reforma tributária por não ter atacado o peso relativo dos impostos (34% do PIB no Brasil contra 27% nos EUA) por não ter vindo acompanhada de reformas administrativa e do Estado. Também apresenta o conceito de 'trumpulência' — a combinação de chacoalhada geopolítica, opulência econômica americana e incongruência entre liberalização interna e protecionismo externo. Na parte final, Troyjo projeta um cenário macrogeopolítico de 20 a 25 anos, dividindo o mundo entre países em declínio (D7: França, Reino Unido, Rússia, Japão, com Alemanha e Itália flertando) e em ascensão (U7: Índia, China, EUA, Arábia Saudita). O Brasil estaria num pelotão intermediário, cujo destino depende da eleição de 2026. Ele avalia que Lula será um candidato competitivo, com a máquina na mão, e que a centro-direita precisa encarar esse cenário com realismo.
“Se você é uma pessoa que nasceu em 1985, você terá vivido 80% da sua vida adulta sob o governo do PT.”
“Em 2024 o Brasil direcionou mais recursos para as bets, as plataformas de apostas online, do que nós direcionamos para investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.”
“As barbeiragens macroeconômicas que o Brasil está promovendo já eram para ter gerado um efeito mais detrimental, mais negativo do que nós estamos testemunhando.”
“Eu lembro do ditado do Ivan Lessa, ele fala que a cada 15 anos o brasileiro esquece dos 15 anos anteriores. Eu acho que ele foi otimista.”
“Se o Brasil está em declínio ou em ascensão vai depender de quem a gente eleger em outubro do ano que vem.”
“O Mississippi, que é o estado mais pobre dos 50 estados americanos, hoje tem um PIB per capita nominal maior do que o PIB per capita do Japão.”