
#22219 de dezembro de 2024 · 1h39min
Rodrigo Duprat — Cirurgião plástico e médico integrativo, professor e autor bestseller de Os Sete Níveis da Consciência
Lucas Zappia — Empreendedor e fundador da NeuroFood, startup de bem-estar comportamental com a missão de ressignificar o sucesso
5 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Os Sete Níveis da Consciência
citado por Bruno Perini
3:37Nação Dopamina
citado por Lucas Zappia
14:31A Molécula do Momento
citado por Bruno Perini
14:37Manual de Epicteto
citado por Lucas Zappia
24:02
Em Nome do Povo
citado por Bruno Perini
1:35:39O problema não é ter dopamina demais ou de menos, mas onde ela está alocada: trocar o prazer imediato da via mesolímbica pelo planejamento e propósito da via mesocortical é o que realmente chamamos de jejum de dopamina.
Faça hoje o diagnóstico do seu celular: veja quanto tempo e em quais aplicativos você passa, identifique o que você faz imediatamente depois de terminar o trabalho e escolha UM desses comportamentos para substituir por algo que exija um pouco mais de esforço e tempo, começando com uma troca por semana.
No episódio 222 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o cirurgião plástico e médico integrativo Rodrigo Duprat e o empreendedor Lucas Zappia (fundador da NeuroFood) para discutir o conceito de "jejum de dopamina". Ambos convidados começam desmontando o termo: não existe privação completa de dopamina, já que a molécula é essencial e está presente em mais quantidade fora do cérebro do que dentro. Duprat explica a bioquímica (tirosina → L-DOPA → dopamina) e as três grandes vias dopaminérgicas cerebrais: a nigroestriatal (movimento, ligada ao Parkinson), a mesolímbica (recompensa imediata e vício) e a mesocortical (planejamento, inibição, visão de futuro). A conversa evolui para o diagnóstico do mundo moderno: o problema não é excesso nem falta de dopamina, mas má alocação — muito estímulo na via mesolímbica (redes sociais, delivery, apostas, pornografia) e pouca na mesocortical. Zappia introduz conceitos como erro de previsão de recompensa (estudos de Wolfram Schultz com macacos), a diferença entre querer e gostar, dopamina tônica versus fásica e o período refratário da motivação — a "ressaca dopaminérgica" que faz a pessoa não conseguir treinar depois de uma hora no celular. Também discutem recompensas aleatórias (cassinos, feed do TikTok), fobia social digital, necessidade de aprovação online e cancelamento como análogo moderno ao ostracismo ateniense. Na parte prática, Zappia propõe quatro passos: o "básico bem feito" (sono, exercício, alimentação, regulação do estresse), identificar onde a motivação está mal alocada, alinhar o querer com o gostar e gerenciar a baixa com novidade e contemplação. Duprat complementa com retiros periódicos sem celular, cuidado com emoções e autoestima, conhecer o próprio temperamento (os "sensation seekers"), modular estresse e manejar a alquimia (ciclar cafeína, usar tirosina, mucuna pruriens, banho frio). O fechamento traz a reflexão sobre incompatibilidade evolutiva e o equilíbrio entre ambição e satisfação com o presente.
“A dopamina ela nos desprende do presente, ela é aquela molécula que faz a gente ficar pensando: e se? E se fosse diferente?”
“Você não quer necessariamente treinar, mas quando você vai, você gosta. Você não quer necessariamente ir dormir na hora certa, mas quando você acorda de manhã descansado, você gosta.”
“A questão é a motivação para quê. Porque essas pessoas estão muito motivadas para jogar no Tigrinho, estão muito motivadas para gastar cada vez mais dinheiro em delivery.”
“Jejum de dopamina não é ficar sem dopamina, mas é você aprender a trabalhar no melhor do seu potencial com a dopamina.”
“Hoje um garoto de 13 anos já viu mais mulheres nuas do que o Luís XIV, que era o Rei Sol e podia comer a França inteira.”
“Você quer transformar o inteligente no burro? É colocar ele no estresse.”