
#30104 de junho de 2026 · 1h38min
Vitor Blazius — Médico psiquiatra e especialista em psicoterapias formado pela UFRGS, atua com divulgação científica sobre álcool, dependência e treinamento de familiares
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Smashing the Liquor Machine
citado por Vitor Blazius
47:50O Livro que Você Gostaria que Seus Pais Tivessem Lido
citado por Vitor Blazius
1:32:17Não existe dose segura de álcool — existe apenas consumo de baixo risco, e a sensação de que 'um pouco faz bem' é uma narrativa construída e financiada pela própria indústria da bebida.
Calcule quantas doses de álcool você consome por semana (uma lata de cerveja, uma taça de 150ml de vinho ou um shot de destilado equivalem a uma dose) e, se passar de duas, reduza para esse limite de baixo risco — observando também em que contexto você bebe, especialmente se for para relaxar depois de dias difíceis.
No episódio 301 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o psiquiatra Vitor Blazius para uma conversa sobre a ciência dos vícios, com foco no álcool. Ele define dependência de forma simples — continuar fazendo algo que já traz prejuízos — e explica que o álcool segue sendo a substância que mais causa problemas no Brasil, com taxa de dependência (cerca de 15% de quem experimenta) comparável à da cocaína, além de ser a principal causa de morte evitável entre 18 e 39 anos. Um dos pontos centrais é a desconstrução da ideia de 'dose segura'. Blazius explica a origem da famosa 'curva em J' e do 'paradoxo francês', mostrando que a falha metodológica desses estudos fazia o benefício desaparecer quando corrigida, e relata o caso do estudo MACH15, cancelado após se descobrir lobby da indústria para garantir o resultado desejado. Ele critica a atuação do CISA, instituto ligado à AB InBev, por moldar a narrativa nacional sobre álcool em torno da ideia de que 'o problema é só o excesso', e lembra que bebida alcoólica não traz informação nutricional nem aviso para gestantes. O máximo que existe é um consumo de baixo risco: uma a duas doses por semana. A conversa também aborda genética versus ambiente (qualquer pessoa pode desenvolver alcoolismo com exposição suficiente), o efeito de medidas simples como restringir horário de bares — que cortou homicídios em 50% em Diadema —, a relação entre álcool e câncer de mama, os riscos de beber na gestação, e o treinamento de familiares (CRAFT) como caminho mais eficaz do que o modelo do 'fundo do poço'. Por fim, ele indica três pilares para prevenir o uso de substâncias nos filhos: tempo, supervisão e confiança.
“É a droga liberada, historicamente abusada, é a única droga que você precisa explicar porque que você não está usando.”
“O álcool é a principal causa de morte evitável dos 18 aos 39 anos.”
“Não existe um alcoolismo sem álcool.”
“Se a gente hoje fosse estabelecer quais drogas merecem ser liberadas ou não, a última droga que seria liberada seria o álcool.”
“Deixa ela quebrar a cara para ver ela chegar no fundo do poço e poder se recuperar a partir disso. Mas a maioria não vai ser assim, o poço não tem fundo.”
“No Reino Unido as crianças conhecem mais marcas de cerveja do que de brinquedos e doces.”