
#27518 de dezembro de 2025 · 1h09min
Michel Alcoforado — Antropólogo e PhD em antropologia do consumo, autor de "Coisa de Rico", fundador do grupo Consumoteca e criador do podcast "É tudo culpa da cultura"
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Coisa de Rico
citado por Bruno Perini
0:22De tédio ninguém morre
citado por Bruno Perini
3:18Café com Deus Pai
citado por Michel Alcoforado
53:29No Brasil, dinheiro é apenas um quarto da riqueza: depois de ganhar, é preciso inventar um novo "eu" para ser reconhecido — e é esse reconhecimento, não o saldo bancário, que abre as portas dos negócios.
Faça hoje a conta do custo anual de manutenção de todo o seu patrimônio imobilizado (casa, carro, clube, imóveis parados) e avalie quanto desse dinheiro poderia estar rendendo investido em vez de só gerar despesa.
Neste episódio dos Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o antropólogo Michel Alcoforado, autor do best-seller "Coisa de Rico", para discutir como a riqueza funciona no Brasil. Michel conta como virou "antropólogo do luxo" depois de presenciar, num aeroporto de Miami, um casal brasileiro que viajou sem malas para comprar tudo nos EUA — episódio que o fez perceber que americanos enxergavam riqueza onde ele via classe média. Ele apresenta estatísticas: quem ganha cerca de R$ 28 mil por mês já está no 1% mais rico do país, o que revela menos sobre a riqueza individual e mais sobre a pobreza nacional. A conversa percorre a "metamorfose social" de quem enriquece — sanar o passado da família, inventar um novo "eu" para circular em novos círculos e lidar com o afastamento de amigos e parentes —, o dilema dos herdeiros ("o herdeiro não tem futuro"), e os mecanismos pelos quais famílias ricas empobrecem: patrimônio excessivamente imobilizado, custo de manutenção ignorado e divisão da herança sem geração de nova riqueza. Michel explica também por que o brasileiro não entende dinheiro, ligando isso à urbanização tardia, à industrialização recente, à hiperinflação e às nove trocas de moeda. Na parte final, ele descreve os pilares da performance de riqueza no Brasil — viagem, corpo, bens materiais e dinheiro (que é só um quarto da equação) —, discute o fenômeno do "metido besta" e do "falido", o parcelamento de artigos de luxo, a febre das canetas emagrecedoras e as diferenças culturais entre ricos brasileiros, americanos (que falam abertamente de patrimônio e filantropia) e europeus (que se apoiam em bairro, sobrenome e castelo). A recomendação final: se vai precisar dos símbolos, use-os de forma intencional, sem virar vítima da indústria.
“Depois que você ganha dinheiro, você precisa batalhar para convencer os outros que você é rico, porque senão você não goza do privilégio da riqueza.”
“A vida do herdeiro é dificílima. Sabe por quê? Porque o herdeiro não tem futuro. O futuro dele foi sequestrado no momento que ele nasceu.”
“O problema não está na abundância. O problema é gerir a escassez.”
“A gente acha que alguém deu certo quando gasta dinheiro e não quando investe dinheiro.”
“É um modelo de sociedade que pensa riqueza por consumo, não pensa riqueza por investimento.”
“Não precisa virar vítima da indústria. Em algum momento da sua carreira você vai precisar de um relógio. Compra um e saiba usá-lo.”