
#21424 de outubro de 2024 · 2h10min
André Rizzuti — Médico pela UNESA, pós-graduado em farmacologia e toxicologia, membro da Sociedade Americana de Andrologia e autor de sete livros, entre eles um best-seller sobre testosterona
Conrado Alvarenga — Médico pela USP, urologista do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, autor na área de andrologia e infertilidade e sócio das clínicas Vida Bem-Vinda e Lab for Life
Infertilidade não é esterilidade, e o esperma é um marcador da saúde masculina: metade da causa está no homem — e boa parte dela se resolve com hábitos simples ou uma cirurgia de varicocele.
Se você está tentando engravidar (ou planeja), marque hoje um espermograma com exame de fragmentação de DNA e um ultrassom para investigar varicocele — e, para as mulheres, uma avaliação ginecológica mais profunda por volta dos 32 anos, sem esperar o diagnóstico tardio.
No episódio 214 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem os médicos André Rizzuti e Conrado Alvarenga para um papo sobre fertilidade, tema que entrou na vida do casal depois de uma jornada de tentativas, perdas gestacionais e da cirurgia de varicocele feita por Bruno — e que agora culmina na gravidez da Malu. Os convidados começam diferenciando infertilidade (um ano tentando de verdade, sem conseguir) de esterilidade (impossibilidade total), e desmontam o tabu de que a dificuldade de engravidar é um problema só da mulher: 50% do material genético vem do homem e a varicocele responde por 40 a 45% dos casos de infertilidade masculina. A conversa percorre os fatores de estilo de vida que impactam a qualidade espermática e ovulatória: sono, obesidade, sedentarismo, ultraprocessados, vape, excesso de cafeína (presente também em refrigerantes, pré-treinos e suplementos) e disruptores endócrinos como plásticos, perfumes e poluição. Um bloco importante trata do uso de testosterona exógena e outros recursos ergogênicos, que suprimem LH e FSH e 'fecham a fábrica' de espermatozoides — com Conrado alertando que hoje o uso prescrito (chip da beleza, oxandrolona para o verão) preocupa tanto ou mais que o uso clandestino. Também são explicados espermograma, fragmentação de DNA (exame novo, caro e ainda pouco difundido), endometriose, SOP e anticoncepcionais. No pano de fundo, discutem a queda global da taxa de fecundidade, a crise demográfica na China, Japão e Argentina, a falsa segurança do congelamento de óvulos, as escolhas éticas da reprodução assistida (seleção de embriões, CRISPR) e a dubiedade carreira versus maternidade. A mensagem final é de democratização da informação: as soluções para melhorar a fertilidade são mais simples e baratas do que se imagina.
“Todo mundo acha que a mulher é responsável pela fertilidade e esquece que 50% do embrião vem do homem.”
“Um casal infértil não é um casal estéril.”
“O esperma talvez seja um marcador de saúde masculina.”
“Testo exógena é inimiga da fertilidade, e ponto.”
“O uso prescrito ele é muito mais preocupante hoje em dia do que o uso não prescrito.”
“Não pode falar de fertilidade do homem sem mencionar a varicocele. A gente pega 100 homens inférteis, 45 deles vão ser inférteis por varicocele.”
“A gente precisa respeitar o ambiente inóspito que a gente vem vivendo, mas as soluções para a melhora elas são mais simples do que a gente imagina.”