
#30318 de junho de 2026 · 1h38min
Rodrigo Tognini — Cofundador e CEO da Conta Simples, formado em administração pelo Insper, ex-atleta da seleção brasileira de base de basquete e nome da lista Under 30 da Forbes em 2024.
Ricardo Gottschalk — Cofundador e vice-presidente da Conta Simples, engenheiro mecânico pela Unicamp, com passagens pela Stone e Creditas, lidera aquisição e relacionamento com clientes.
Em mercados dominados por gigantes, a diferenciação não vem de competir no preço ou no produto deles, mas de resolver a dor invisível que eles nem enxergam — e isso só se descobre conversando obsessivamente com o cliente.
Pegue sua base de clientes, identifique os 10% que geram mais receita e ligue para cada um deles para entender quem são e que dor real eles têm — como os fundadores da Conta Simples fizeram para achar seu nicho.
No episódio 303 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Rodrigo Tognini (Tog) e Ricardo Gottschalk (Got), cofundadores da Conta Simples, para contar como construíram uma fintech bilionária partindo de uma biblioteca de faculdade e R$ 10 mil de capital social. Eles explicam a diferenciação da empresa: em vez de competir como mais um banco digital, criaram uma camada de software de gestão de despesas sobre a conta, resolvendo a dor invisível dos times financeiros — conciliação manual, cartões sem rastreabilidade, horas perdidas em Excel. Hoje são 320 pessoas, mais de 40 mil empresas na base, R$ 80 bilhões transacionados e meta de R$ 500 bilhões até 2030. A conversa detalha a jornada de captação: o primeiro cheque de R$ 160 mil por 16% da empresa, os 80 "nãos" de investidores, a chegada da pandemia justamente quando um fundo fazia due diligence com contrato abusivo, e a virada com a aprovação no Y Combinator (US$ 150 mil e nenhuma restrição). Em paralelo, descobriram via análise de Pareto que 90% da receita vinha de 10% dos clientes — o nicho do marketing digital — e nicharam ali, saindo de R$ 40 mil de faturamento mensal para R$ 250 mil de lucro em três meses. Depois vieram Series A (R$ 121 milhões, liderada por Justin Mateen, do Tinder) e Series B, já em valuation bilionário, com um investidor-anjo saindo com retorno de 83 vezes em 5 anos e meio. No fim, falam de cultura e sociedade: os cinco pilares da empresa ("cliente em primeiro lugar", "somos um time que joga junto", "se não sabe, vai atrás", "faz, só não quebra a empresa", "entregamos resultado"), a antientrevista que avisa o candidato sobre caos e metas agressivas, o programa de stock option com 55 sócios colaboradores — e a regra de que a pessoa precisa agir como dona antes de receber ação. Separam explicitamente as três relações entre os sócios: amizade, sociedade e executivos.
“Não é que vamos criar uma empresa, vamos fazer um banco. É diferente.”
“Eu não pensei sobre previdência, mas a minha previdência é o equity do negócio. É o quanto vai valer essa empresa.”
“Isso é quase como saltar de para-quedas enquanto você tá costurando o para-quedas ainda.”
“Aqui não é a família. Família tem cargo vitalício, família protege, família não põe problema na mesa. A gente tem que pôr problema na mesa aqui.”
“A gente superestima o que a gente pode fazer no curto prazo, mas a gente subestima o que a gente pode fazer no longo prazo.”
“Se não tem cliente, não existe empresa. Minha recomendação é nunca negligenciar isso, nunca.”