
#20629 de agosto de 2024 · 1h45min
Igor Eckert — Nutricionista, analista de pesquisa clínica e medical writer especializado em meta-análises e pareceres técnico-científicos, sócio-proprietário da Evidence
André Rizzuti — Médico pós-graduado em farmacologia, fisiologia e toxicologia, autor de sete livros e divulgador de medicina baseada em evidências
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
O Ponto da Virada
citado por Bruno Perini
48:44
Outliers
citado por Bruno Perini
48:44O Ozempic não é bom porque é milagroso — ele parece milagroso porque a obesidade é devastadora; fora desse contexto, o balanço entre risco e benefício muda completamente.
Antes de cogitar qualquer análogo de GLP-1, calcule seu IMC e avalie honestamente se existe indicação clínica (obesidade, diabetes ou comorbidades) — e, se houver, procure acompanhamento com foco em ingestão proteica e treino de força para preservar massa magra.
No episódio 206 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o nutricionista Igor Eckert e o médico André Rizzuti para discutir o Ozempic (semaglutida) e as demais drogas da classe dos análogos de GLP-1. Os convidados contam a história da molécula — descoberta nos anos 80 em testes para diabetes tipo 2, com a supressão de apetite aparecendo já como 'efeito colateral' nos primeiros estudos em humanos — e explicam por que a semaglutida popularizou o tratamento: aplicação semanal, maior comodidade e quase o dobro da perda de peso em relação à liraglutida. A conversa gira em torno do balanço risco-benefício: para quem tem obesidade (doença com dezenas de comorbidades, redução de 6 a 13 anos de expectativa de vida e altíssima taxa de fracasso com mudanças de estilo de vida isoladas), o medicamento é uma revolução real. Já para quem quer perder 2 ou 3 kg por motivo estético, os riscos — perda de massa magra, deficiência energética relativa, desregulação hormonal (pior em mulheres), efeitos ainda não mapeados no longo prazo — tendem a superar os benefícios. Os convidados detalham ainda efeitos colaterais conhecidos (náusea, constipação, pancreatite rara), a lógica da farmacovigilância e a diferença entre o que ensaios clínicos conseguem ou não detectar. O episódio também explora o impacto econômico: a Novo Nordisk chegou a valer mais que o PIB da Dinamarca, a Eli Lilly negocia a múltiplos de 116 vezes lucro, e há projeções do JP Morgan de que 10% dos americanos usarão algum análogo após 2030 — com efeitos em cadeia sobre indústria alimentícia, cirurgias bariátricas, planos de saúde e até aviação. Falam de patentes, genéricos, preços, Anvisa, SUS e das próximas moléculas: tirzepatida (Mounjaro), retatrutida e o bimagrumab, que promete perda de gordura com ganho de massa muscular.
“Nada motiva mais que o progresso.”
“O Ozempic só é tão bom assim porque a obesidade é muito ruim.”
“A gente não quer vender Ozempic, quer informar. Nossa missão nas redes é essa.”
“Eu falo sempre que o que vai acabar com o mundo é falta de interpretação de texto. Isso vai gerar uma guerra nuclear ainda.”
“Quer saber qual é a droga do momento, vai na Faria Lima, porque esse cara tem dinheiro para bancar.”
“A ciência evolui de funeral em funeral: o cara construiu carreira numa certa tese, começam a provar que ele está errado, mas ele tem tanto poder que tem que esperar ele morrer para depois surgir uma nova ideia.”