
#10617 de novembro de 2022 · 2h13min
Richard Rytenband — Economista, empreendedor, mestre em psicologia da educação, professor especialista em investimentos pela FGV, com mais de 20 anos de mercado financeiro
Leonardo Siqueira — Economista, mestre em economia pela Universidade Pompeu Fabra, fundador do Terraço Econômico e deputado estadual de São Paulo pelo Partido Novo
5 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

O Mercador de Veneza
William Shakespeare
32:13Quando o Dinheiro Morre
citado por Richard Rytenband
34:08A Desestatização do Dinheiro
citado por Richard Rytenband
49:16Por Que as Nações Fracassam
citado por Leonardo Siqueira
2:07:37
A Moeda e a Lei
citado por Bruno Perini
2:09:30Trocar o nome da moeda não resolve nada: a inflação só cede quando se ataca a causa — gasto público financiado por emissão — e se criam regras que limitam o governante, como fez o Plano Real.
Revise sua carteira hoje para incluir proteção contra inflação: títulos atrelados ao IPCA e diversificação em moedas e ativos fora do Brasil, em vez de concentrar tudo em um único país e uma única moeda.
Os hosts Bruno Perini e Malu Perini recebem o economista Richard Rytenband e o economista e deputado estadual Leonardo Siqueira para destrinchar a história monetária brasileira: as 10 moedas em pouco mais de 200 anos, a hiperinflação dos anos 1980 e os planos econômicos que falharam por atacar consequências (congelamento de preços, fiscalização de empresários) em vez das causas (expansão monetária e déficit público). A conversa parte das três funções da moeda (meio de troca, reserva de valor e unidade de conta), passa pelo escambo, pelos metais preciosos, pelo lastro e pela sua ruptura nos anos 1970, mostrando como a ausência de limite à emissão abre espaço para o governo financiar gastos via inflação. Os convidados explicam a curva de Phillips, o conceito de rent seeking, a armadilha da renda média, as cicatrizes culturais da hiperinflação (compras do mês, dispensa em casa, aversão a poupar) e por que o Plano Real deu certo — responsabilidade fiscal, URV, câmbio flutuante, metas de inflação e Lei de Responsabilidade Fiscal. Na parte final, analisam os riscos atuais: desglobalização, excesso de liquidez pós-2008 e pós-pandemia, ataques às regras fiscais no Brasil e o conflito entre política fiscal expansionista e Banco Central independente. Encerram discutindo proteção patrimonial — ativos reais, diversificação internacional, títulos atrelados à inflação, ouro, prata, Bitcoin — e a importância do capital humano em períodos de grande incerteza.
“Se eu pegar um pedaço de bosta e chamar de caviar, continua sendo bosta. Não é só trocar o nome, tem que trocar a maneira como aquilo está funcionando.”
“O preço na economia é a coisa mais importante de todas, ele é o mensageiro. Toda vez que alguém quer congelar, você está matando o mensageiro da economia.”
“Quando a população abandona a moeda, você não tem só uma falência da moeda, tem uma falência moral da própria sociedade.”
“O que importa em períodos de grande incerteza é o seu capital humano: é você ser útil à sociedade, desenvolver habilidades, resolver problemas.”
“A gente teve réis, mil réis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, voltou para o Cruzeiro, cruzado, cruzado novo, Cruzeiro real e chegamos no real.”
“O problema não é o governo gastar um ano, dois. O problema é a incerteza.”