
#15311 de setembro de 2023 · 1h54min
Paulo Guedes — Ex-ministro da Economia do Brasil, PhD em economia pela Universidade de Chicago e um dos fundadores do Banco Pactual (hoje BTG Pactual)
8 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

A Origem das Espécies
citado por Bruno Perini
18:08Alquimia das Finanças
citado por Paulo Guedes
36:11
Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds
citado por Paulo Guedes
37:42Psicologia das Massas
citado por Paulo Guedes
38:05
Fundação
citado por Bruno Perini
46:48
A Riqueza das Nações
citado por Paulo Guedes
57:29O Caminho da Servidão
citado por Bruno Perini
1:04:06As Consequências Econômicas da Paz
citado por Bruno Perini
1:19:36Não existe certeza em economia — apenas hipóteses que valem enquanto resistirem aos fatos; por isso a prosperidade vem de decisões descentralizadas e instituições que corrigem erros, não de um planejador central que finge saber tudo.
Comece a montar sua própria trilha de leitura em cadeia: pegue um livro de um autor que você respeita, anote as obras que ele cita e leia a seguinte — foi assim que Guedes construiu sua formação em campos correlatos.
No episódio 153 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, PhD por Chicago e um dos fundadores do Pactual, para uma conversa que cruza economia, filosofia da ciência, biologia evolucionária e política. Guedes conta como chegou à economia por 'campos correlatos' — história, geografia, biologia evolucionária — e defende que o mercado funciona como um ecossistema, com espécies de diferentes tamanhos que experimentam, se adaptam e se reproduzem. Ele explica a diferença entre micro e macroeconomia, compara com física clássica e quântica, e afirma que, ao contrário dos físicos, os economistas conseguiram unificar micro e macro com os 'novos clássicos', fusão que ele acompanhou de perto em Chicago. A espinha dorsal filosófica vem de Karl Popper e de Xenófanes: nem aos deuses é assegurado conhecer a verdade, de modo que só temos hipóteses que valem enquanto resistem aos fatos. A partir daí Guedes discute o que separa ciência econômica de doutrina, usando casos históricos de congelamento de preços (Plano Cruzado, Diocleciano, Venezuela, França), dolarização argentina e o Plano Real — brilhante na dimensão monetária, mas sem fundamentos fiscais, o que levou à bola de neve da dívida. Critica duramente o socialismo como doutrina 'medíocre' e aponta o erro técnico da teoria do valor-trabalho de Marx: mais capital aumenta a produtividade e o salário do trabalhador. Na parte prospectiva, Guedes sustenta que o Brasil é a garantia da segurança alimentar e energética do mundo, com 85% de matriz limpa, e que será o 'green shoring' na reconfiguração das cadeias produtivas. Fala de meta de dívida/PIB, descentralização, reforma da previdência e transição para capitalização, demografia em desaceleração, inteligência artificial como extensão do cérebro (não substituto), e encerra comparando os estilos de Soros, Buffett e Ray Dalio, dizendo que o Brasil é o surfista que está há horas na água esperando a onda longa das reformas.
“Nem aos deuses é assegurado conhecer a verdade, porque nós temos nossos limites cognitivos. Então, o máximo que nós temos são teias de suposições, hipóteses que nós formulamos, que valem enquanto resistirem aos fatos.”
“Qual é a diferença? É que na economia o átomo raciocina. O átomo toma a decisão.”
“A ideia, o pensamento de que uma pessoa pode colocar todo o conhecimento que ela adquiriu na vida, um prêmio Nobel, por exemplo, e transmitir aquilo para você por 40 reais, que é o preço de um livro. Isso é um negócio extraordinário.”
“Os liberais são evolucionistas, eles não são revolucionários. O socialista normalmente é revolucionário, o liberal é o evolucionista, porque ele respeita o conhecimento acumulado.”
“É o surfista que tá com a prancha e toda hora ele acha que vai, mas já tá lá duas horas na água e não pegou a onda ainda. Tá na hora da gente pegar a onda e surfar uma onda dessa.”
“Será que os nossos economistas são tão bons assim mesmo? Incluindo a mim, pode me incluir nisso.”