
#11702 de fevereiro de 2023 · 1h57min
Guilherme Cadonhotto — Sócio do Grupo Primo, especialista em renda fixa e estrategista da casa de análise Spiti, economista pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, já atuou na gestão de mais de R$ 10 bilhões em renda fixa e multimercados.
Felipe Arrais — Analista CNPI, engenheiro mecatrônico e de gestão pela UFABC, analista-chefe e especialista em fundos de investimento globais da casa de análise Spiti.
Os melhores momentos para aportar em ativos de risco são justamente os de maior medo e incerteza — quem comprou entre 2013 e 2015, no auge do pessimismo, teve retornos muito superiores a quem comprou nos anos tranquilos de 2017 a 2020.
Revise sua carteira hoje e verifique se você está capturando os níveis históricos de taxa disponíveis: Tesouro IPCA+ acima de 6% ao ano no Brasil e renda fixa internacional via ETF (como o LQD) pagando cerca de dólar + 5% ao ano — taxas que não aparecem há 20 anos.
No episódio 117 do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem Guilherme Cadonhotto e Felipe Arrais, ambos da casa de análise Spiti, para discutir o que esperar da economia em 2023. A conversa começa com o balanço fiscal de 2022 — o primeiro superávit primário em oito anos, impulsionado por inflação, postergação de precatórios e alta das commodities — e avança para os efeitos da PEC da Transição, que abriu cerca de R$ 200 bilhões em espaço de gasto para 2023 sem uma nova regra fiscal definida. Os convidados analisam o descompasso entre os discursos do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad, explicando como a falta de credibilidade pressiona os juros futuros de longo prazo, que são o que realmente importa para a dívida pública e para a renda disponível das famílias. Também discutem a super quarta (Selic em 13,75% e alta de 0,25 ponto nos EUA), o discurso mais ameno de Jerome Powell, a reabertura da China, o enfraquecimento global do dólar e o risco de uma revisão da meta de inflação — que, segundo eles, não altera o juro real e só transfere o custo para o longo prazo. Na parte de investimentos, destacam o Tesouro IPCA+ pagando acima de 6,5% ao ano como oportunidade histórica, e sobretudo a renda fixa internacional: após o pior ano em um século para bonds americanos, é possível travar dólar + 5% a 5,5% com risco de crédito baixo via ETFs como o LQD. A bolsa brasileira está barata, mas sem gatilho claro de curto prazo — o conselho é aportar de forma recorrente com horizonte de pelo menos cinco anos. Encerram debatendo se Lula será pragmático, com todos admitindo uma dose de desejo nessa aposta, mas defendendo que o investidor se proteja independentemente do cenário.
“Foi um gol de mão, mas foi gol.”
“Eu gosto de pensar que a carteira é uma boa carteira, ela não foi feita para escapar das crises, mas ser capaz de atravessar elas.”
“Quem paga a conta do desemprego são algumas pessoas, é parte da população. Quem paga a conta da inflação é toda a população e, principalmente, os mais vulneráveis.”
“A Dilma é azarada, o Lula tem sorte.”
“Não dá para a gente esperar grandes oportunidades em momentos em que a incerteza esteja de lado.”
“O pessimismo soa realmente muito mais inteligente do que uma expectativa menos pior do que a esperada.”