
#3904 de novembro de 2021 · 1h49min
Marília Fontes — Mestre em economia, analista com mais de uma década de experiência em renda fixa, cofundadora da Nord Research e autora do livro 'Renda Fixa não é Fixa'
Renato Breia — Planejador financeiro com certificação CFP, cofundador da Nord Research, aconselha mais de 1,5 bilhão na Nord Wealth e produtor de vinhos no Douro, em Portugal
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Renda Fixa não é Fixa
citado por Bruno Perini
1:43
Os Axiomas de Zurique
citado por Bruno Perini
54:56Credibilidade é o ativo mais caro de um país: uma vez perdida, só se recupera com juros altíssimos, recessão e desemprego — e o investidor que ignora isso paga a conta duas vezes.
Reavalie hoje a geografia do seu portfólio: calcule quanto do seu patrimônio está 100% exposto ao Brasil e comece a levar uma fatia (2%, 5%, até 25%) para ativos internacionais via ETFs, BDRs ou conta no exterior.
No 39º episódio do Os Sócios Podcast, gravado ao vivo, Bruno e Malu Perini recebem Marília Fontes e Renato Breia, cofundadores da Nord Research, para discutir se o Brasil caminha para se tornar uma nova Argentina. A conversa começa com um panorama histórico: a Argentina já foi uma das economias mais promissoras do mundo e hoje acumula calotes, oito trocas de moeda e inflação de mais de 50% ao ano, com 4 em cada 10 argentinos em situação de pobreza. Os convidados avaliam que o Brasil ainda tem instituições funcionando e uma reação forte da mídia e do mercado às más decisões fiscais, o que é um sinal positivo, mas que o flerte com o populismo em ano eleitoral preocupa. O episódio detalha o teto de gastos criado por Temer em 2016, a PEC dos precatórios (apelidada de 'PEC do calote'), a PEC de guerra que suspendeu o teto na pandemia e a reforma da previdência cuja economia estimada de 1 trilhão em 10 anos foi praticamente consumida em um ano. Marília explica a dinâmica da inflação, choques inflacionários, o papel técnico do Banco Central, o risco de dominância fiscal e o custo real de reconquistar credibilidade — com a Selic precificada pelo mercado em 14,10% para 2022. Na parte prática, Marília afirma que não toca em juros longos no Brasil (acima de 4 anos), explicando marcação a mercado e o risco de prefixados e títulos indexados à inflação de vencimento longo, preferindo pós-fixados e prazos curtos. Breia defende seleção de empresas menos dependentes de PIB e governo e, sobretudo, a globalização do portfólio via BDRs, ETFs, fundos e contas no exterior. Bruno reforça que mais de 50% de seu patrimônio está fora do Brasil, incluindo criptomoedas, e encerra com o recado de pensar o portfólio em termos globais.
“No Brasil é o seguinte: ou você está pessimista ou você está mal informado.”
“Um contrato entre pessoas honradas é desnecessário, entre pessoas desonradas é insuficiente. Colocar um teto de gastos na Argentina é a mesma coisa que nada.”
“Foi muito difícil a reforma da previdência. A população fez um esforço gigantesco e a gente gastou tudo num ano. Que mais que a gente vai pedir pra população agora?”
“O que eu não toco hoje em dia de jeito nenhum, mas nem que me obriguem, é juro longo no Brasil.”
“Tire um pouco do seu dinheiro do país antes que o país tire dinheiro de você via mais inflação, mais impostos ou vai saber o que pode passar na cabeça dos políticos aqui.”
“Se você decide remar contra a maré, você tem que ter o melhor barco, você tem que ser o remador mais forte, e mesmo assim, às vezes você vai para trás.”