
#4730 de dezembro de 2021 · 1h17min
Priscila Perini — Irmã de Bruno Perini, especialista em arrematação de imóveis em leilão e criadora do curso Vivendo de Leilão
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

A Revolução dos Bichos
citado por Bruno Perini
1:38Trilogia Tebana
citado por Bruno Perini
3:05
1984
citado por Bruno Perini
6:11Green Book
citado por Bruno Perini
55:43Toda revolução tende a ser vencida pelo mais radical, e a corrupção do poder não começa com um golpe, mas com pequenas reescritas do passado que ninguém consegue mais contestar.
Leia (ou releia) 'A Revolução dos Bichos' atentando para como cada um dos sete mandamentos é alterado ao longo da história, e exercite o paralelo com discursos e dados oficiais que você consome hoje.
Neste episódio especial gravado com plateia (cerca de 20 alunos do Viver de Renda), Bruno Perini, Malu Perini e a convidada Priscila Perini discutem em profundidade 'A Revolução dos Bichos', de George Orwell. O trio percorre a obra do começo ao fim — com spoilers assumidos — explicando as alegorias: o Major como Lenin, Napoleão como Stalin, Bola de Neve como Trotsky, os porcos como o Partido Comunista, as ovelhas como a massa sem senso crítico e Garganta como a máquina de propaganda. A conversa detalha os sete mandamentos do animalismo e como cada um foi corrompido ao longo da história ('nenhum animal beberá álcool em excesso', 'nenhum animal matará outro animal sem motivo', 'todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros'). Bruno destaca que Orwell era socialista e lutou na Guerra Civil Espanhola, e que o livro é uma crítica ao autoritarismo, não apenas ao socialismo. Também relembra que leu a obra aos 12 anos num exemplar da biblioteca do Exército, já que o livro foi usado como propaganda anticomunista durante o governo militar. Os anfitriões fazem paralelos constantes com o presente: cancelamento em redes sociais como equivalente ao grito das ovelhas, controle de dados na China, controle da educação por Gaddafi na Líbia, filhos de dirigentes cubanos como nova casta, e a história de Boris Yeltsin impressionado com um supermercado americano. Encerram com a tese de que 'na revolução ganha sempre o mais doido' e com a reflexão de que a liberdade importa mais do que a própria vida.
“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.”
“Na revolução ganha sempre o mais doido. Só pegar o histórico de revolução.”
“O caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções, inclusive as dele, e as do Major também, e as do Bola de Neve também.”
“Se a educação é dada em prol do Estado, ela tende a ser usada em prol dos objetivos do Estado.”
“Perguntaram se ela preferia a liberdade ou a vida, e ela falou: a liberdade, porque sem a liberdade não é vida.”
“Todo poder se baseia em histórias que se conta. As histórias têm poder.”