
#8114 de julho de 2022 · 2h01min
Gilson Marques — Advogado, empreendedor e deputado federal por Santa Catarina, eleito melhor deputado do estado pelo Ranking dos Políticos
Andressa Bravin — Cientista política com mais de 10 anos de Congresso, comentarista, host do podcast House of Cards e produtora de conteúdo do Ranking dos Políticos
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Lei
citado por Bruno Perini
15:32Economia numa Única Lição
citado por Gilson Marques
19:04O Que Se Vê e o Que Não Se Vê
citado por Bruno Perini
36:08Política sem Romance
citado por Gilson Marques
1:09:33O Que Deve Ser Feito
citado por Gilson Marques
1:31:44A Constituição Contra o Brasil
citado por Gilson Marques
1:49:17Toda lei bem-intencionada tem um custo invisível, e esse custo quase sempre recai sobre o mais pobre e o menor empreendedor — enquanto o grande absorve e ainda ganha mercado.
Entre no site ranking dos políticos (politicos.org.br) e pesquise como votaram os deputados e senadores em quem você votou na última eleição.
No episódio #81 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) e a cientista política Andressa Bravin para discutir o excesso de legislação no Brasil. Eles explicam como funciona o processo de criação de leis — da apresentação do projeto às comissões, Senado e sanção presidencial — e mostram que a maioria das matérias é aprovada em comissões com apenas três ou quatro parlamentares presentes, não em plenário. Segundo os convidados, desde 1988 foram criadas milhões de novas normas, e o Congresso brasileiro é o segundo mais caro do mundo, custando cerca de R$ 28 milhões por dia. A conversa percorre exemplos concretos de leis que parecem boas mas geram efeitos colaterais: o piso salarial da enfermagem (que pode fechar casas de repouso no interior e barrar recém-formados), a obrigação de braile em embalagens e gôndolas, a cruz verde iluminada nas farmácias, a meia-entrada no cinema, a lei da informática de 1984 e a nova taxa de poluição de Guarulhos. O fio condutor é a ideia de Bastiat sobre 'o que se vê e o que não se vê': todo benefício visível esconde um custo invisível, geralmente pago pelos mais pobres e pelos pequenos empreendedores, enquanto as grandes empresas diluem o impacto. Os convidados também abordam o papel do lobby no Congresso, a lógica dos incentivos políticos (Public Choice, logrolling, pork barrel), o fundo eleitoral de R$ 5 bilhões versus os 0,2% do orçamento para saneamento básico, e a desinformação do eleitor — 86% não lembram em quem votaram para deputado federal. O episódio fecha com uma lista de projetos absurdos, como SUS para pets, desconto de 30% em rodízio para quem fez bariátrica e proibição de dar nome de gente a cachorro.
“Os políticos vivem comprando bazuca para matar pernilongo.”
“Eu só estou aqui hoje porque eu e meu patrão desrespeitamos a lei do salário mínimo. Eu comecei a trabalhar R$ 130 por mês e foi ótimo, agradeço a ele até hoje.”
“Ele olhou para mim e falou: eu sei, eu sei que vai ser ruim para a categoria, mas eu não tenho como votar contra senão não vou me reeleger.”
“Quando a população quer o impossível, só os mentirosos é que fazem.”
“Saiu uma pesquisa agora que oitenta e seis por cento das pessoas não se lembram em quem votaram para deputado federal e senador.”
“Todos querem viver às custas do Estado, mas se esquecem que o Estado vive às custas de todos.”